04 novembro, 2010

DIKTAT


DIKTAT*

A Alemanha, do alto do seu poder económico e da actual pujança da sua economia, nomeadamente do sector exportador que rivaliza com a China pelo 1º lugar mundial, resolveu pressionar os restantes Estados-Membros da União Europeia a aceitar alterações ao Tratado de Lisboa, no que concerne ao controlo orçamental e às consequências de eventuais descontrolos orçamentais.
Sob o olhar dos juízes do Tribunal Constitucional Alemão, Angela Merkel impõe a sua receita aos outros Europeus.
in “The Economist” em www.economist.com

Arregimentado o apoio da França (para o que se teve de mudar as sanções de automáticas para semi-automáticas), Angela Merkel partiu para o Conselho Europeu disposta a forçar a posição da Alemanha aos parceiros (?). Algo surpreendentemente, foi largamente bem sucedida. Este episódio, somado ao de Setembro do controlo prévio das propostas orçamentais nacionais pela CE, antes dos próprios parlamentos delas tomarem conhecimento, leva-me a tecer algumas considerações.

1- A Alemanha sente a força e a vontade suficientes para tentar impor a sua vontade na Europa. Esta perspectiva/receio existiu no final do século passado e foi esbatida com os custos da Unificação da Alemanha e com as dificuldades económicas que o país sentiu. Hoje a Alemanha parece determinada a assumir a condução do conjunto europeu e cada vez mais acolitada pela França em vez de ser ao contrário ou numa situação de paridade.

2- À força da Alemanha, junta-se a fragilidade de muitos outros Estados, como a Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal, Itália, Letónia, que por variados motivos, mas fundamentalmente por culpa própria, se colocaram em situações de vulnerabilidade financeira e orçamental extrema e não se sentem capazes de resistir à investida de Berlim.

3- O Reino Unido, de quem se poderia esperar resistência ao proposto crescente intervencionismo da EU/Alemanha, parece ter-se alheado destas questões. Penso que, basicamente porque, por não pertencer à zona euro e por ter um plano próprio de redução drástica do deficit orçamental, Londres achará que estas questões basicamente não a afectam e pouco respeito lhe dizem.

4- Custa-me a crer que a França acredite sinceramente na bondade destas medidas, mas terá percebido que ou as apoiava, ou a Alemanha avançava sozinha. Paris terá preferido manter a imagem de que o Eixo Paris-Berlim ainda existe e funciona a admitir a liderança isolada da Alemanha.

5- É curioso que países que poderão incorrer em situações de incumprimento nos próximos anos devido ao estado depauperado das suas finanças, aceitem agravar as penas para essas situações, num acto de auto-flagelação que significa um grande desespero, ou cobardia.

6- A proposta de suspensão do direito de voto dos Estados incumpridores é inqualificável e jamais poderia ser aceite. Em boa verdade, é extraordinário que o governo alemão tenha tido o desplante de a apresentar.

7- O semi-automatismo dos castigos compreende-se. Se nos lembrarmos que a Alemanha e a França, juntamente com Portugal (para não falar da batotice da Grécia), foram os primeiros a apresentar deficits excessivos e não foram penalizados, não surpreende que, principalmente Sarkozy, queira ter margem de manobra para travar/contornar a penalidade se tal suceder de novo.

8- Mesmo que numa modalidade fast-track, parece-me um absurdo estar já a rever o malfadado Tratado de Lisboa. Mais, não sei porque que é o fundo de estabilidade há-de sobreviver para além de 2013: se até lá o juízo orçamental não tiver imperado, acho que cada um tem de assumir as respectivas responsabilidades e as consequências das suas acções e omissões.

9- Penalizar os credores/investidores pelo incumprimento dos Estados ou pelos seus deficits excessivos é uma ideia peregrina e os mercados já responderam à letra, com os juros das dívidas de Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda a subirem consistentemente. É óbvio que se essa cláusula vigorar, os mercados imporão um prémio sobre os juros para compensar o risco acrescido. Alternativamente, fecham a torneira.

10- A Alemanha pode prevalecer agora. No entanto, deve ter cuidado com os ressentimentos e animosidades surdas que pode gerar. Pode parecer altamente improvável neste caso, mas muitas vezes, what goes around, comes around…

As crises são momentos de realinhamentos, da procura de novos equilíbrios, de ascensão de novos poderes e deslize de antigos, de traçar novos rumos e políticas. A actual, na Europa, traz-nos uma Alemanha impositiva, imperativa, disposta a pressionar e ameaçar para impor a sua vontade. Aquilo a que assistimos é um verdadeiro Diktat, e não é o primeiro.

Que a Alemanha se queira afirmar como a potência hegemónica, ou pelo menos liderante, na Europa continental é natural. Mas tenho dúvidas que seja bom.

* A expressão alemã Diktat (ditame, imposição) foi utilizada pelo Governo Alemão em 1919, após a Grande Guerra, em reacção aos termos do Tratado de Paz que lhe foi imposto pelos Aliados, mormente, pela França, Reino Unido e Estados Unidos. O ressentimento gerado por aquilo que foi percepcionado como uma imposição/punição injusta e o aproveitamento político que dele foi feito, foi uma das causas da ascensão de Hitler...e do que se seguiu.

24 outubro, 2010

WANTED

WANTED


José Dalton é um perigoso desperado em fuga (para a frente) há 5 anos, mentiroso compulsivo, assalta o tesouro público sem escrúpulos. Impiedoso, trata as vítimas com uma arrogância desmedida. Quando estas se queixam e clamam clemência, assalta-as novamente. Conhecido pelo “Animal Feroz”, pode ser extremamente perigoso e violento. Tem uma atracção fatal por comprar o que não pode pagar e obrigar terceiros a pagar a factura.



Ardiloso, engana as vítimas com o seu aspecto pachorrento e dando-se ares de competência. Contudo, é um assaltante inclemente, privilegiando a classe média como alvo. No seu golpe de mestre, desviou 4 biliões do tesouro com os quais comprou um banco falido que vai vender por menos de 5% do valor da compra; tão elaborado foi o golpe, que o sheriff ainda não o começou a investigar porque está a tentar determinar se foi roubo, fraude, associação criminosa, brincadeira de mau gosto, ou simples estupidez. É inclemente e só larga a vítima quando esta está num estado de comprovada indigência. É conhecido pelo “Predador Fiscal”.

Nota: Estes sinistros foras-da-lei não valem 2 centavos. No entanto, o desespero por nos vermos livres deles é muito grande. É mesmo uma questão de sobrevivência e de sanidade.

19 outubro, 2010

Gestão Danosa, Roubo e Extorsão

GESTÃO DANOSA, ROUBO E EXTORSÃO

É há muito tempo evidente que a capacidade de gestão financeira dos governos de José Sócrates é catastrófica. Portugal tem sido tão mal gerido e chegou a um estado tão desesperado, que se poderia qualificar de danosa a gestão (???) que o PS tem feito do erário público.

Como já aqui referi em post anterior, o Governo andou mais de 2 anos contrair o deficit orçamental de 6% para 2.8% fundamentalmente à custa da penalização fiscal dos cidadãos, para de seguida, a coberto da crise internacional e tendo as eleições de 2009 na mira, recomeçar a gastar em roda livre, fazendo o deficit explodir para os 9%. Neste caso, já teremos um caso de enriquecimento sem causa, ou mesmo de roubo.
 
Em 2010, depois de meses de negação, seguida da solução (??) sob a forma do PEC I, após nova solução (???) com o PEC II, segue-se o PEC III que pelos vistos pouco resolvia dado que já foi ultrapassado pela proposta de orçamento para 2011, que consegue ser ainda mais gravosa. Na realidade, é uma tentativa de extorsão. Aumenta o IVA, aumenta o IRS, aumenta o IRC, diminuem as prestações sociais, os pensionistas pagam mais, enfim, cortam-se os dedos (os nosso, entenda-se), mas salvam-se os anéis (deles, entenda-se).

A proposta de orçamento para 2011 vai relançar Portugal na recessão e os Portugueses na depressão e não nos aponta uma via de saída para a crise: continuamos com um Estado gordo que explora uma população empobrecida. Chegou a altura de cortar de forma radical com os institutos e outros organismos que inflacionam as contas do Estado, com investimentos (???) faraónicos de retorno duvidoso e que se apresentam quase como uma obscenidade no contexto actual, maxime o TGV, com a multiplicidade de pareceres e estudos externos, com as despesas sumptuárias, com o recurso incontinente a parcerias público-privadas que se vêem revelando ruinosas, com os benefícios injustificáveis (juízes, dirigentes da administração pública, de empresas e institutos públicos) e com o acesso ilegítimo a benefícios sociais.
 
Claro que a metodologia apresentada é mais fácil e protege os interesses instalados. Também é mais fácil cortar arbitrariamente os salários dos funcionários do que conseguir melhorar os índices de produtividade, tornando o trabalho mais barato, por exemplo, canalizando os ditos estudos, consultas e pareceres para a administração pública em vez de alguns privilegiados gabinetes.

Por tudo isto, eu desejo (mas não espero) que o orçamento seja drasticamente alterado ou rotundamente chumbado. Pouco me importa o consenso da nomenklatura nacional sobre a aprovação do documento (por quase todos reconhecido como mau) representa o pântano do situacionismo em Portugal que muito tem construído para o gradual afundamento do país; ou, ainda menos, os apelos, conselhos, avisos e admoestações dos funcionários públicos residentes na Bélgica.

Entendo que um mau orçamento não pode ser solução para coisa nenhuma. Estou convicto que a carga fiscal que incide sobre os Portugueses já é excessiva e não devia ser tolerada. Penso que um orçamento que castiga severamente os cidadãos e as famílias vai afundar economicamente muitos Portugueses, bastantes empresas e, a prazo, o país.

 
Post Scriptum: José Sócrates declarou, qual Pinóquio, que só este orçamento pode salvar a economia, promover o crescimento e proteger o estado social. Isto dito noutro tempo e no Parque Meyer, seria hilariante. Dito agora e pelo Primeiro-Ministro é desprezível e revoltante.
P. Post Scriptum: Gato escaldado de água fria tem medo. Confesso que sempre tive as maiores dúvidas que Pedro Passos Coelho levasse a sua recusa de novo assalto fiscal até às últimas consequências e nunca pensou que a levasse até tão longe. As notícias que vão flutuando desde ontem, apontam para que essa resistência (??) terá terminado. Se assim for, escusa de pedir desculpa, basta ir-se embora.

06 julho, 2010

Campeonato do Mundo - Parte 3

CAMPEONATO DO MUNDO

PARTE 3

Muito bons os Quartos-de-Final, excepto o Paraguai, 0 – Espanha,1, que foi uma sensaboria, como ainda ficou manchado pela arbitragem. Especialmente bons o Alemanha, 4 – Argentina, 0 e o Holanda, 2 – Brasil, 1, que contrariaram a tendência para a superioridade sul-americana (4 equipas em 8 nesta fase).

WINNERS

Alemanha: Realizou um jogo perfeito contra a Argentina: superioridade avassaladora no meio campo, objectividade e eficácia no ataque e segurança na defesa. Os Alemães dominaram o jogo, permitiram muito poucos lances de perigo à equipa que tinha o melhor ataque do Mundial e concretizaram 4 das 6 grandes oportunidades que tiveram. Ascendeu com mérito à pode position da lista de favoritos à vitória final.
Miroslav Klose faz o 4-0 contra a Argentina e o seu 14º em fase finais de Mundiais.
in "A Bola"
Holanda: Primeiro aguentou a entrada forte do Brasil e o golo sofrido, depois equilibrou o jogo e começou a incomodar a defesa brasileira; na segunda parte, dominou o jogo, marcou, tornou a marcar, manteve o controlo emocional, ficou a dever a si própria o 3º e até o 4 golo e ganhou com mérito total. Confirmou o estatuto de favorita e é a única equipa com 5 vitórias em 5 jogos.
Wesley Sneijder faz o 2-1 contra o Brasil, o seu 2º golo no jogo e o 4º neste Mundial.
in "A Bola"

Uruguai: Jogo mais emocionante do que muito bem jogado, mostrou a Celeste coma combatitividade que se conhece, com qualidade no ataque e com um guarda-redes que, não obstante os dois penalties defendidos, tornou a ter responsabilidade no golo sofrido. O melhor Uruguai desde 1970!.
Espanha: Não joga muito bem, denota grandes dificuldades ofensivas e continua a ser ajudada pelos árbitros, mas o certo é que já está nas meias-finais. Não merece ir mais além.

LOOSERS

Argentina: Knock-Out. KO! Maradona definiu bem o jogo contra a Alemanha quando disse que se sentia como se tivesse levado um soco de Cassius Clay. A Argentina foi atropelada pelos Panzer Germânicos sem apelo nem agravo, deixando a equipa com pouca capacidade de reacção e o treinador, fraco como se sabia, sem nenhuma.
Brasil: Nunca pareceu muito bem, excepto no jogo com o Chile, e sucumbiu ao primeiro embate com outro candidato. O mais eloquente que se pode ser acerca do jogo do Brasil, é que ainda beneficiou da displicência dos Holandeses para não perder por 4-1. De certa forma, ainda é mais embaraçoso. Ao contrário da Laranja Mecânica, os Brasileiros também perderam o controlo emocional, o que acelerou a sua queda. Também Dunga mostrou, como se sabia, que não tem pedalada para o mais alto nível.


Paraguai e Gana: Perderam tangencialmente e ambos podiam até ter ganho, mas o certo é a chegada a esta fase da prova já foi uma vitória para ambos, mas as respectivas imitações não davam para mais.

Relativamente ao que previa para os Quartos-de-Final, o saldo, relativamente aos qualificados, foi outra vez muito bom: 75%! As 3 previsões certas foram as qualificações de Holanda, Alemanha e Uruguai. O único erro foi a qualificação da Espanha.

Quanto às Meias-Finais, na sequência das previsões anteriores, prevejo uma reprise da Final de 1974.

Previsões para a Final:

 
Holanda – Alemanha

02 julho, 2010

Campeonato do Mundo - Parte 2

CAMPEONATO DO MUNDO



PARTE 2


Vencidos os oitavos de final, uma boa parte das impressões colhidas na fase de grupos confirmara-se e solidificaram-se. Assim, a Holanda e a Argentina continuam a ser as melhores, às quais se junta a Alemanha, que, após dois jogos mais apagados, voltou a ser convincente, desta vez contra uma equipa mais forte (Inglaterra).

WINNERS



Holanda: Continua a jogar muito bem e ao ataque e dá a sensação que a qualquer momento pode jogar mais se for necessário; ultrapassou olimpicamente o facto de ter sido prejudicada pela arbitragem nos dois últimos jogos. É um dos grandes candidatos ao título.



Argentina: Novamente a jogar bem, se bem que com menos Messi. A vitória foi convincente, mas foi despoletada por erro grosseiro da equipa de arbitragem, logo após um forte começo do México. O próximo teste será difícil e decisivo.



Alemanha: Também fortemente ajudada pelo árbitro, mesmo assim arrancou una exibição sólida e atraente, quer a jogar ao ataque, quem em contra-ataque. Mantém o forte espírito competitivo e a determinação e frieza habituais. São candidatos ao título mundial.



Uruguai: Continua consistente, tem dois avançados muito bons e é forte candidato às meias-finais.



Brasil: Parece estar em crescendo e eliminou o Chile que tinha criado sérias dificuldades à Espanha. As subidas de forma de Kaká e Robinho poderão fazer a diferença nos jogos decisivos.



LOOSERS



Futebol: Os erros grosseiros de arbitragem (ver “Triunfo da Batotice” em
http://tempos-interessantes.blogspot.com/2010/06/triunfo-da-batotice.html  foram a nota dominante dos oitavos de final e hipotecam a credibilidade do jogo, sem a qual, o futuro será a decadência.
Relativamente ao que previa para os oitavos de final, o saldo, relativamente aos qualificados, é animador: 75%! As 6 previsões certas foram as qualificações de Holanda, Argentina, Uruguai, Brasil, Paraguai e Espanha. Os dois erros foram as eliminações de Inglaterra (em favor da Alemanha) e dos EUA (em favor do Gana).

Quanto aos quartos de final, temos duas finais antecipadas: dos jogos Holanda-Brasil e Argentina-Alemanha, sairão provavelmente os finalistas do Mundial, não obstante o valor de outras equipas como o Uruguai, ou mesmo a Espanha.

Previsões para as Meias-Finais:



Holanda – Paraguai

Uruguai – Alemanha

Final:
         Holanda - Alemanha

30 junho, 2010

Triunfo da Batotice

TRIUNFO DA BATOTICE


A injustificável e obstinada resistência da FIFA e da UEFA à introdução do video e de outros meios tecnológicos para auxiliar as arbitragens continuam a contribuir para a batotice e a consequente descredibilização do futebol.

No Mundial 2010, os casos começaram discretos para atingirem foros de escândalo nos oitavos de final. Eis uma resenha não exaustiva:
O golo anulado a Frank Lampard da Inglaterra quando a bola esteve mais de meio metro dentro da baliza é o cúmulo do escândalo. Verdadeiramente vergonhoso e difícil de acreditar que nem o árbitro nem o liner tivessem visto.
O 1º golo da Argentina contra o México foi marcado por Tevez em descarado offside, numa jogada em que nem o guarda-redes estava entre ele e a linha de fundo. Vergonhoso e inaceitável.
 
Luís Fabiano, do Brasil, marca à Costa do Marfim depois de ter dominado a bola com o braço por DUAS vezes. Golo validado. Deve ser a habitual ajuda ao Brasil.

David Villa esbofeteia um adversário, não vê cartão e não é castigado a posteriori. Violência impune.
Os Espanhóis fazem faltas como quaisquer outros e não vêem um único cartão em 3 jogos. Fortemente suspeito, ainda mais porque o Presidente da Comissão de Arbitragem da FIFA é…espanhol.
Dois penalties inexistentes assinalados contra a Holanda (equipa estranhamente com poucas faltas e muitos cartões) contra os Camarões e a Eslováquia. Batotice.

Não são erros menores (todos eles tão flagrantes, nem inconsequentes (o Inglaterra-Alemanha ficaria 2-2, o Argentina-México continuaria 0-0, a Espanha ficaria sem o seu goleador, o Brasil só ganhava por 1-0). E todos eles seriam facilmente corrigidos com o recurso ao vídeo. 30 segundos de interrupção e a verdade desportiva seria salvaguardada.
 
Blatter e Platini dizem imbecilidades do tipo “sem erros de arbitragem o futebol perdia encanto”, ou “errar faz parte do jogo, os jogadores também falham”. Eu gostava de perceber o encanto do falseamento da verdade desportiva, da distorção ou incumprimento das regras. Comparar os erros da arbitragem com os falhanços dos jogadores é falacioso e intelectualmente desonesto. Os falhanços dos jogadores fazem parte do jogo e não violam as regras. Os erros dos árbitros violam essas mesmas regras. Falhar um golo de baliza aberta como fez o Nigeriano Yakobo contra a Coreia do Sul, ou dar um frango monumental como fez o Argelino Ahmad contra a Eslovénia, faz parte do jogo de futebol. Não considerar golo o remate de Lampard e validar o golo de Tevez é um atropelo grosseiro às leis do jogo.
 
Os jogos da Liga Europa com equipas de arbitragem com 6 (seis!) elementos não resolveram o assunto e não faz sentido económico e visual entupir o relvado com árbitros quando os erros continuam a proliferar. É óbvio que a rejeição obstinada dos meios tecnológicos só pode ser justificada para que personagens como Joseph Blatter (FIFA), Michel Platini (UEFA/França), Angel Villar (Espanha), Ricardo Teixeira (Brasil), Júlio Grondona (Argentina), etc, continuem a controlar o bas-fond do futebol mundial. Até que os espectadores se saturem da suspeita, da batotice e do escândalo e os estádios esvaziem, as audiências caiam e os patrocínios fujam. Aí, quando o luxo e as mordomias terminarem, talvez os cappos desapareçam e o futebol regresse.

27 junho, 2010

Campeonato do Mundo 2010 - Parte 1

CAMPEONATO DO MUNDO

PARTE 1


Acabou a primeira fase do Campeonato do Mundo 2010, tempo de fazer um primeiro e breve balanço.

WINNERS

Holanda e Argentina: Praticaram o melhor futebol na primeira fase; na verdade, foram as únicas selecções cujo jogo produziu algum encanto com consistência. A Argentina e a Holanda foram, também, as únicas selecções a fazer o pleno de 3 vitórias – 9 pontos. Ambas têm excelentes jogadores de ataque e fizeram acontecer aquilo que nem sempre é óbvio; praticaram o melhor futebol e obtiveram os melhores resultados. Se fosse critério, seriam os grandes favoritos à vitória final, mas bem podem encontrar-se na final.

Uruguai: Foi o melhor a seguir aos melhores, venceu inequivocamente um grupo difícil e mostrou segurança defensiva e criatividade no ataque – Forlan + Suarez. O 2º lugar da Inglaterra deixou os Uruguaios como fortes candidatos às meias-finais.

Goleadas: Não foram muitos os golos e poucos jogos tiveram muitos golos. Por isso, merecem especial destaque as duas goleadas da fase de grupos. Acima de tudo, os 7-0 de Portugal, a maior goleada em Mundiais desde os 10-1 da Hungria a El Salvador em 1982 (record absoluto); para encontrar outro 7-0 é preciso ir à Mundial de 1974 na RFA, quando a Polónia cilindrou o Haiti; mas enquanto que nesse ano, por exemplo, a Jugoslávia também esmagou o Zaire por 9-0, a goleada de Portugal ergue-se como caso único nos últimos Campeonatos. A outra referência vai para a Alemanha (4-0 à Austrália).

LOOSERS

França: O grande flop da competição: um paupérrimo pontito, um mísero golito, um treinador com mau carácter, uma pseudo-equipa, um grupo de egos malcriados e um ambiente de guerra civil, deram à França o 29º lugar entre 32 equipas e o maior fiasco de que há memória entre as potências do futebol.

Itália: Os Campeões do Mundo tiveram a pior prestação das últimas décadas e foram elimnados na fase de grupos pela 1ª vez desde 10974. Sem chama e, principalmente, sem génio, a Itália não encontrou substitutos à altura de Del Piero, Totti, ou Pirlo. Mesmo com deficit de talento, se a Squadra Azzurra tivesse jogado sempre com a atitude do 2º tempo do jogo com a Nova Zelândia, teria ganho Grupo F.

África: O Mundial é em África, mas tarda a afirmação, há muito prometida do futebol africano. Ter 6 selecções, jogar em casa e ver 5 eliminadas na fase de grupos, demonstra à evidência que o continente está absurdamente sobre-representado nos Campeontaos do Mundo e só a política eleitoralista e interesseira de Havelange e Blatter é que levaram a esta inflação em prejuízo da Europa e da América do Sul, que apresentam cronicamente resultados muito melhores.

Relativamente ao que previa para a 1ª fase, eis o saldo, relativamente aos qualificados:
Acerto total (1º e 2º classificados por ordem): Grupos A, B, G e H.
Acerto (qualificados com ordem inversa: Grupo C.
Acerto no 1º: Grupos D e E.
Falhanço: No Grupo F, acertei na qualificação do Paraguai, mas não acertei em nenhum dos lugares da classificação.

Previsões para os Quartos de Final:

Holanda – Brasil
Uruguai – EUA
Argentina – Inglaterra
Paraguai – Espanha

P.S. Portugal: Portugal fez o que lhe competia: qualificou-se. Fê-lo no expectável 2º lugar, com menos 1 ponto do que esperaria – trocou a vitória com a Costa do Marfim com um empate com o Brasil. A avaliação é mista e levanta muitas incógnitas: nota negativa no jogo com a Costa do Marfim (0-0) com exibição fraquíssima e nula ambição; nota excelente contra a Coreia do Norte (7-0), graças a uma segunda parte (a primeira foi equilibrada e não foi famosa) em que Portugal teve um grande aproveitamento de oportunidades e em que procurou sempre mais face a uma equipa em colapso anímico e organizativo (?); nota boa para o jogo com o Brasil (0-0) em que Portugal jogou de igual para igual (inferior ao Brasil na 1ª parte, superior na 2ª), mas sem retirar mérito, um jogo final em que ambas as selecções já estavam qualificadas tem de ser encarado com alguma prudência. De qualquer forma, o desempenho não foi de modo a afastar as dúvidas, perplexidades e até rejeição, que a gestão Queiroz (globalmente fraca) tem suscitado. Como é óbvio, gostava de me enganar e ver Portugal nos quartos. Haja esperança!

19 junho, 2010

POLÍTICA v política

POLÍTICA v política


A Política deve reger-se por princípios e ética. Não se trata de uma visão ingénua ou utópica que pressuponha a santidade dos seus agentes e que ignore que na actividade política são precisos compromissos, exigências e cedências, acordos de bastidores, jogadas tácticas, subtilezas e astúcia, ardis e maquiavelismos. Essa é a política intra-partidária e inter-partidária, na competição por marcar pontos face ao adversário, criar-lhe dificuldades, ganhar lugares, posições ou apoios, afastar adversários.

 

Quando aqui falo de Política, falo de compromissos públicos, eleitorais, princípios divulgados e conhecidos perante os cidadãos, normas constitucionais ou legais, que devem ser escrupulosamente respeitados, por fazerem parte do pacto eleitoral de confiança entre o eleito e os eleitores, entre o representante e os representados.

 

Infelizmente, em Portugal campeia o desrespeito total por esses valores. Três tristes exemplos:

 

Cavaco Silva: Promulgou a lei sobre o casamento homossexual assumidamente contra as suas convicções e princípios, factos conhecidos dos eleitores que o elegeram. O argumento justificativo (??) foi o da crise económica que devia centrar os esforços do Governo e do Parlamento. Por essa ordem de ideias, em situação de crise social poderá promulgar barbaridades no plano económico e se houver uma crise económica, aprovará legislação política ou eleitoral que lhe repugne. É, obviamente, uma desculpa esfarrapada, que o coloca longe do homem determinado e de convicções de outros tempos. Do mesmo modo, o meu voto em Cavaco, que era quase certo, é agora muito duvidoso. Embora admita que Manuel Alegre, um candidato comunista, ou o simpatizante da esquerda radical seriam piores presidentes, confesso que estou pouco inclinado a apoiar males menores.


Teixeira dos Santos: Declarou que o valor legal da norma constitucional impeditiva da retroactividade teria menos valor do que a realidade da crise económica, da qual, aliás, é um dos fautores enquanto subscritor e executor do desmando despesista de 2008/2009. Isto, uns anos depois de ter reagido escandalizado a uma eventual devolução aos cidadãos de IVA indevidamente sobre o Imposto Automóvel vociferando que o dinheiro é “nosso” (leia-se do Governo), uma visão distorcida e intolerável num regime democrático em que, supostamente o povo é soberano. Não tem competência, nem dignidade democrática para deter o alto cargo que exerce há 5 anos.


Passos Coelho: Pediu desculpa aos Portugueses por ter caucionado os aumentos de impostos que tinha abjurado. Passados dois meses, eis que subscreve a norma inconstitucional e extorsionária dos impostos retroactivos. Desta vez já nem pediu desculpa. Talvez já não valha a pena. Em poucos meses e em poucas decisões, demoliu o capital de alguma confiança e credibilidade que vinha angariando junto dos Portugueses de que poderia ser diferente…para melhor. Eu ainda acho que é, mas talvez não chegue, quando se revela tanto à vontade em renegar convicções e em penalizar financeiramente os Portugueses.
Enquanto que não houver respeito por e lealdade para com os eleitores e não se perceber que os eleitos representam os cidadãos e que a eles se devem submeter, a Política continuará a ser mera política ou pior e os cidadãos olharão para os detentores de cargos políticos com crescente desprezo e indiferença.
 

P.S. José Sócrates não é aqui mencionado porque os seus pecadilhos nesta área são tantos e tão graves que teve direito a um post específico: “Sem Desculpa” disponível em

11 junho, 2010

Campeonato do Mundo África do Sul 2010

CAMPEONATO DO MUNDO ÁFRICA DO SUL 2010

Começa hoje o Campeonato do Mundo de 2010 na África do Sul. Um mês de futebol, 64 jogos, muita expectativa, emoção e, espera-se futebol. Deixo aqui uma breve análise e alguns palpites. Bom Campeonato!

Favoritos: Penso que há um lote de 7 equipas que podem aspirar a ocupar um dos 4 lugares de honra: Itália, Inglaterra, Argentina, Espanha, Holanda, Brasil e Alemanha.
A Itália é a Campeã em título, tem tradição vencedora, é uma equipa rigorosa e eficaz, tem um grande treinador (Marcelo Lippi) e alguns jogadores de topo, com destaque para Andrea Pirlo. Em relação a 2006 falta-lhe o génio de Del Piero e de Totti.
A Inglaterra tem uma grande equipa e um grande treinador (Fabio Capello) e é uma equipa completa: boa defesa, grande meio campo e um bom ataque, assente em três jogadores excepcionais: Steven Gerrard, Franck Lampard e Wayne Rooney. Falta-lhe David Beckham, Rio Ferdinand e Theo Walcott.
A Argentina tem uma equipa com ataque brilhante e jogadores geniais (Messi, Di Maria, Tevez, Higuain) que podem resolver jogos e até demolir adversários, mas tem uma defesa frágil e um treinador fraco. Tanto pode levar tudo à frente, como cair frente a uma Itália. Falta-lhe Saviola, Aimar, Lucho González, Cambiasso e Lisandro.
A Espanha tem uma equipa experiente, equilibrada, com um bom treinador. Sólida a defender e com Fabregas, Torres, Villa e David Silva para criar e marcar. Tem contra si a história que demonstra grande fragilidade mundialista.
A Holanda tem um naipe de grandes jogadores que brilharam no Europeu 2008 e que podem atingir o estrelato este ano. Têm jogadores fabulodos no meio campo e ataque: Van Persie, Robben, Van der Vaart, Sneijder, Kuyt. Se souberem defender… Falta-lhe Van Nistelrooy.
O Brasil é candidato por inerência e porque tem Kaká, Luís Fabiano, Robinho, Elano, bons defesas e grande guarda-redes. O treinador é fraco e a equipa não empolga. Falta-lhe Ronaldinho e Diego.
A Alemanha é candidata pela tradição, pela solidez e pela capacidade competitiva. Deve sentir bastante a falta de Michael Ballack e precisará de Klose, Podolski, Mueller e Schweinsteiger ao mais alto nível.

Outsiders: Portugal, Uruguai, México, Sérvia e França.
Selecções com nome e tradição (umas mais do que outras), mas que não me parecem ter a qualidade necessária para irem às meias-finais. Possivelmente, duas ou três delas poderão chegar aos quartos de final, mas não mais do que isso. A França tem um mau treinador e é uma equipa com pouco jogo e sem chama. O Uruguai não tem o génio para fazer a diferença e o México e a Sérvia correm contra a história e tradição, que não jogam mas também contam.

Portugal: Francamente não acredito na Selecção Nacional, que me parece bem inferior às de 2000, 2004 e 2006. Tem um mau treinador, que fez uma má qualificação e uma convocatória sofrível com vários jogadores fracos e/ou em má forma. A imbecilidade da justificação dada para não convocar Quim (“tem presente mas não tem futuro”) quando o Mundial é o presente, e a arrogância malcriada perante os adeptos, dizem muito sobre o treinador português. Não vejo Portugal a ir mais longe do que os oitavos de final.

Palpites: Meias-Finais: Inglaterra – Holanda e Itália - Argentina. A Inglaterra ganha o Campeonato do Mundo.

09 junho, 2010

Benfica Campeão

BENFICA CAMPEÃO

A Festa do Título em pleno Estádio da Luz. O Capitão do Benfica Nuno Gomes ergue a Taça de Campeão Nacional.

Volvido um mês da conquista do 32º Campeonato Nacional pelo Sport Lisboa e Benfica, deixo algumas notas para encerrar este feliz episódio.

O Benfica foi o Campeão mais impressionante e convincente dos últimos anos: melhor ataque a larga distância da concorrência; uma das duas melhores defesas e o melhor futebol praticado nos últimos anos em Portugal: muito ataque, muitos golos, goleadas em série, jogos empolgantes, defesa consistente e segura, tacticamente bem armado, equipa aguerrida e com grande intensidade de jogo, tudo apoiado por uma impressionante onda encarnada que varreu o país de Norte a Sul (1 milhão só na Luz esta época!!!).

A festa do golo: Cardozo, Fábio Coentrão, Saviola e Di Maria celebram um dos 8 golos contra o Vitória de Setúbal.

A isto podemos somar a impressionante série de 14 jogos consecutivos na Luz e uma série de jogadores que foram dos melhores do Campeonato: Saviola, porventura o melhor, Di Maria, o mais brilhante, Cardozo, o maior goleador, David Luiz, o melhor defesa, Fábio Coentrão, a maior revelação e outros jogadores, alguns dos quais nem conhecia, que tiveram desempenho de elevado mérito (Ramires, Javi Garcia, Luisão, Maxi Pereira, Rúben Amorim, Quim). E, finalmente, Jorge Jesus, que pôs os jogadores nos seus lugares, fez de um conjunto de bons e de grandes jogadores uma grande equipa, e que pôs o Benfica com ambição e a jogar ao ataque (mais de 120 golos em jogos oficiais!!!!), empolgando os adeptos.

Nuno Gomes cabeceia para o 8-0 contra o Vitória de Setúbal.

Golos cruciais:
Weldon: o golo ao Marítimo na 1ª jornada que salvou o Benfica de um começo negativo.
Ramires: o golo em Guimarães que garantiu a 1ª vitória e que lançou o Benfica.
Javi Garcia: o golo nos descontos à Naval, após uma jornada negativa, permitiu manter o élan.
Nuno Gomes: o golo em Olhão impediu a derrota e manteve o Benfica à frente do Porto na véspera de o receber em Lisboa.
Saviola: o golo da vitória sobre o Porto permitiu a descolagem do Benfica e teve o impacto psicológico de ter sido sobre o maior rival.


Saviola faz o golo da vitória do Benfica frente ao Porto.


Luisão: o golo contra o Braga lançou o Benfica no sprint final para o título.
Cardozo: o golo na Choupana, removeu o penúltimo grande obstáculo.
Aimar+Cardozo: os golos que derrotaram o Sporting deixaram o Benfica a um pequeno passo…
Cardozo: o golo 76, o último, a cereja no bolo do título.

A última palavra para os adeptos e para a festa do título: ultrapassou as minhas (elevadas) expectativas. A maré infinita de gente eufórica por todo o Portugal e em muitos outros países foi algo de avassalador. Eu e o Afonso vivemo-la em Lisboa e foi fascinante!
A assombrosa festa no Marquês de Pombal em Lisboa.

P.S. Os “nossos” jogos. Eu e o Afonso fomos ver 4 jogos, 4 vitórias, 12 pontos, 11-3 em golos:

Vitória Guimarães, 0 – Benfica, 1
Académica, 2 – Benfica, 3
Benfica, 5 – Olhanense, 0
Benfica, 2 – Rio Ave, 1

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"DIGA 33!!!" em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2014/04/diga-33.html

"CAMPEÕES" em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2010/05/campeoes.html 


19 maio, 2010

Sem Desculpa

SEM DESCULPA


José Sócrates não pede desculpa. Pouco importa.

José Sócrates exibe aos Portugueses a sua característica arrogância, temporariamente amansada pela perda da maioria absoluta. Fala como dono da verdade, dono do Estado, dono de Portugal. Demonstra falta de respeito pelos Portugueses. Não tem desculpa.

José Sócrates exibiu uma redução do deficit de 2005 a 2008 à custa das contribuições acrescidas dos Portugueses, pouco fazendo para reduzir o peso da despesa pública sobre a economia nacional. Não tem desculpa.
José Sócrates aumentou despudoramente o deficit orçamental em 2009 para 9.3%, a pretexto da crise internacional e numa tentativa de maximizar as suas hipóteses eleitorais, enfraquecendo ainda mais as contas públicas e vulnerabilizando Portugal perante os mercados. Não tem desculpa.
José Sócrates dirige ou tolera uma máquina de propaganda e pressão sobre os media e a administração pública que constrange e atemoriza quem, tem (devia ter) o direito à liberdade de expressão sem receio de represálias. Não tem desculpa.
José Sócrates prometeu um referendo sobre o último tratado europeu e sonegou-o com uma desculpa capciosa. Mentiu aos Portugueses. Não tem desculpa.
José Sócrates assina o contrato no valor de 1.4 biliões de euros pela construção/exploração de um troço do TGV na mesma altura em que aumenta os impostos para salvar as finanças públicas (e supostamente a Europa). Não tem vergonha. Não tem desculpa.

José Sócrates culpa os mercados e os especuladores pelos nossos males, tentando desviar a atenção do óbvio: os nossos problemas são a causa e não o efeito do comportamento dos mercados. Assim o endereço principal da responsabilidade está em S. Bento e no Terreiro do Paço. Não tem desculpa.
José Sócrates prometeu na campanha eleitoral que não aumentaria os impostos e logo no PEC 1 aumentou-os através das deduções fiscais, mentindo aos Portugueses. Não tem desculpa.
José Sócrates proclamou no Parlamento a 16 de Abril que não aumentaria os impostos e aumentou-os três semanas depois. Mentiu outra vez aos Portugueses. Não tem desculpa.
José Sócrates anunciou aumentos de impostos por um ano e meio, até ao final de 2011. Dias depois, o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais já falava em retroactividade a Janeiro de 2010 (entretanto desmentida), o Ministro das Finanças primeiro e o Primeiro-Ministro a seguir, já abriram a porta à extensão desses aumentos até ao final de 2013. Continua a tentar ludibriar os Portugueses. Vale tudo. Não tem desculpa.
José Sócrates mente recorrentemente aos Portugueses. Não tem desculpa.
José Sócrates não tem estatura moral nem dimensão política para governar Portugal. Tem razão em não pedir desculpas. Não as merece. Devia fazer as malas e partir. Sem perdão, sem desculpa, sem remissão.

18 maio, 2010

Tories Back in Downing Street

TORIES BACK IN DOWNING STREET


David Cameron (Conservador) à direita e Nick Clegg (Liberal-Democrata) à esquerda:
Primeiro-Ministro e Vice Primeiro-Ministro do Reino Unido, respectivamente.in BBC News at http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/politics/election_2010/default.stm ´
 
Após 13 anos de oposição, os Tories (Conservadores) regressam finalmente ao nº 10 de Downing Street, que é como quem diz, à liderança do governo do Reino Unido.in BBC News

No entanto, as eleições deste ano foram as mais atípicas de que há memória:

• Produziram um hung Parliament (inexistência de maioria absoluta monocolor pela primeira vez desde 1974.

• A maioria das sondagens falhou, como que perturbadas pela ascensão de popularidade dos Liberais.

• O Primeiro-Ministro cessante perdeu em toda a linha e ainda tinha esperança de continuar (agarrado) no poder.

• Pela primeira vez houve debates televisivos entre os candidatos

• O Partido Liberal-Democrata desceu, contrariando as sondagens, mas ascende ao governo pela primeira vez desde 1931.

• Há um governo de coligação em Westminster pela primeira vez desde a II Guerra Mundial.

Mesmo tendo pena que os Conservadores não tivessem uma vitória total, as eleições trouxeram boas notícias. Acabou o domínio do Labour e de Gordon Brown, que fica na História por ter conseguido um elevado a despesa pública britânica e o respectivo endividamento a níveis record e por se ter agarrado como uma lapa ao poder, negando eleições que prometera quando percebeu que as perderia e quando tentou, vergonhosamente, manter-se no poder depois de ter sido cilindrado nas urnas.

Mais do que isso, regressa ao poder um Partido Conservador que promete menos estado, mais contenção nas despesas públicas, mais Atlântico e menos Bruxelas. Boas perspectivas. Se serão boas notícias, esperemos pela realidade para decidir.

A coligação Tory/Lib tem pontos em comum na área da economia, finanças públicas e educação que serão decisivos para o seu sucesso, que se jogará essencialmente naquelas áreas. Na defesa, interior e assuntos europeus, os dois partidos estão a milhas de distância, o que poderá gerar atritos, porventura só depois de a tempestade económica ter amainado. De qualquer forma, os Conservadores são o partido maioritário e detêm as pastas relevantes nestas áreas -Liam Fox (Defence), William Hague (Foreign Office e Theresa May (Home Office)- pelo que será razoável que as suas posições nestas pastas prevaleçam, o que, aliás, transparece do que já foi apresentado do programa de governo.

Resta aguardar que David Cameron, Nick Clegg e George Osborne (Chancellor of the Exchequer) possuam a determinação e o sentido de interesse nacional para prosseguir uma agenda política e económica que será espinhosa mas necesária para colocar o Reino Unido de novo na rota do crescimento interno e da afirmação externa.

UK - NATIONAL SEATS AT A GLANCE

 Political Party SEATS CHANGE


Conservative 306 +9
Labour 258 -91
Liberal Democrat 57 -5
Democratic Unionist Party 8 -1
Scottish National Party 6 0
Others 14 0

SHARE
1. CON 36.1%
2. LAB 29.0%
3. LD 23.0%
4. Others 11.9%

FULL UK SCOREBOARD

Party Seats Gain Loss Net Votes % +/-%
Conservative 306 100 3 +97 10,706,647 36.1 +3.8
Labour 258 3 94 -91 8,604,358 29.0 -6.2
Liberal Democrat 57 8 13 -5 6,827,938 23.0 +1.0
Democratic Unionist Party 8 0 1 -1 168,216 0.6 -0.3
Scottish National Party 6 0 0 0 491,386 1.7 +0.
Sinn Fein 5 0 0 0 171,942 0.6 -0.1
Plaid Cymru 3 1 0 +1 165,394 0.6 -0.
Social Democratic & Labour Party 3 0 0 0 110,970 0.4 -0.
Green 1 1 0 +1 285,616 1.0 -0.1
UK Independence Party 0 0 0 0 917,832 3.1 +0.9
British National Party 0 0 0 0 563,743 1.9 +1.2
Others 1 1 1 0 319,891 1.1 0.0

Turnout 29,653,638 65.1 4.0

After 649 of 650 seats declared.
P.S. Na véspera das eleições deixei aqui os meus palpites. Eis o acerto de contas:

1- O Partido Conservador (Tory) ganha.
CERTO

2- O Partido Trabalhista (Labour) fica em 2º em votos e mandatos.
CERTO
 
3- O Partido Conservador consegue a maioria absoluta (326 MP’s ou fica muito perto dela.
INCERTO (depende do ponto de vista, mas pensei que ficasse mais perto)

4- Na sequência do ponto anterior, o Partido Liberal Democrata fica fora do governo.
ERRADO

 
5- O Partido Liberal fica perto dos Trabalhista em votos.
ERRADO (embora reduzida em 1 milhão de votos, a diferença ainda é de 1.8 milhões)

12 maio, 2010

Mentirosos Impenitentes

MENTIROSOS IMPENITENTES


Na campanha eleitoral de 2009, o PS afirmou que não aumentaria os impostos. No Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) versão 1, o Governo PS propõe-se reduzir e/ou eliminar as deduções fiscais (despesas com educação, saúde, etc) o que configura objectivamente um aumento da carga fiscal dos cidadãos. Até hoje, com um misto de hipocrisia e desfaçatez, o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças continuam a afirmar que não há aumento dos encargos fiscais dos contribuintes.

A 16 de Abril de 2010, em pleno Parlamento, José Sócrates declarou que não aumentaria os impostos. Nos últimos dias, o seu (dele) Ministro das Finanças, vai preparando o terreno para o aumento dos impostos. Os arautos do regime na imprensa vão deixando cair sugestões: aumento do IVA (a mais popular), do IRS, redução de salários, imposto extraordinário sobre o 13º (ou 14º) mês.

As medidas impostas na (à) Grécia e as propostas pelo Primeiro-Ministro de Espanha (outro free spender que de repente descobriu que corria para a bancarrota) são aplaudidas e apontadas como exemplo. Até o inefável Obama terá telefonado a Zapatero a instá-lo a tomar medidas draconianas. Tudo se conjuga para a construção do cenário da inevitabilidade, do dever patriótico, do sacrifício solidário, da escolha entre o assalto à nossa carteira e a falência colectiva.

Estranhamente, o PSD, ainda antes de o PS assumir o aumento de impostos, já parece encará-los como um facto consumado e propõe condições para a sua aprovação, efectivamente comprometendo-se com esses aumentos a priori. É um duplo erro: um erro táctico porque o PSD fica com um ónus maior do que o seria normal dado não ser governo; um erro estratégico porque está a ir contra o que o actual líder proclama há dois anos e até há poucos dias atrás. Será lamentável, tão pouco tempo depois de ter sido eleito, se já demonstrar os tiques de bloco central e o vício de dizer uma coisa e fazer outra, que arruínam todos os dias a reputação dos políticos em Portugal.

Se tal acontecer, será reforçada a convicção da maioria dos Portugueses de que eles (os políticos) são todos iguais: são todos uns mentirosos impenitentes.

P.S. Reforçando a ideia que as burocracias têm uma voracidade permanente por aumentar o seu poder e influência, o líder da burocracia europeia, Durão Barroso, propõe que a Comissão Europeia faça uma triagem prévia dos orçamentos dos Estados-Membros. O polvo vai estendendo os seus tentáculos…

10 maio, 2010

Campeões

CAMPEÕES




SPORT LISBOA E BENFICA

 

CAMPEÃO NACIONAL 2009/10

 
32º TÍTULO DE CAMPEÃO






05 maio, 2010

Palpite Conservador

PALPITE CONSERVADOR
 



Amanhã realizam-se as mais entusiasmantes eleições no Reino Unido dos últimos 13 anos, precisamente desde que os Conservadores perderam o poder para os Trabalhistas de Tony Blair, após 18 anos em Downing Street com Margaret Thatcher (12 anos) e John Major (6 anos).

E são-no devido à incerteza dos resultados, ao facto de ser tri-partida (os Liberais, tradicional terceiro partido parece competir pela vitória) e pela perspectiva de surgir um hung Parliament (sem maioria absoluta) pela primeira vez desde 1974.

Deixo, então, os meus palpites (hunches) para as eleições de 6 de Maio:

1- O Partido Conservador (Tory) ganha.


2- O Partido Trabalhista (Labour) fica em 2º em votos e mandatos.


3- O Partido Conservador consegue a maioria absoluta (326 MP’s ou fica muito perto dela.


4- Na sequência do ponto anterior, o Partido Liberal Democrata fica fora do governo.

5- O Partido Liberal fica perto dos Trabalhista em votos.

Alguns destes pontos correspondem às expectativas gerais, outros não. Dentro de 24 horas saberemos até que ponto se aproximam da vontade soberana dos Britânicos.

04 maio, 2010

Gregos com os Gregos

GREGOS COM OS GREGOS



A Grécia está à beira da falência. Primeiro, fez-se forte e disse que não contava necessitar de apoio internacional. O número durou poucos dias, porque espremer os Gregos até à medula não era suficiente e lá teve de ir a correr a Bruxelas, Berlim e Washington, desesperadamente à busca de ajuda. Inicialmente o pacote internacional seria de 45 biliões de euros; quando completado o plano de ajuda, a conta tinha ascendido a 110 biliões. Antes que se recuperasse o fôlego, foi prontamente acrescentado que 150 biliões poderiam não chegar.

A situação não é demasiado surpreendente: trata-se de um país que aderiu ao euro fazendo batota (assumida) com as contas públicas, que é “vítima” de muitos anos de gestão incompetente e socializante, onde o estado atingiu proporções desmedidas.

A questão abrangente que agora se devia colocar é a de saber se e porquê é que cidadãos de outros 15 Estados devem arcar com uma quota importante do fardo de salvar a Grécia do naufrágio. E a questão particular que deveríamos colocar é a de saber se Portugal pode e deve emprestar 2 biliões de euros à Grécia, quando é um país que também se encontra numa situação financeira e económica muito complicada.

Tenho para mim que, enterrar tanto dinheiro numa Grécia irresponsável e insolvente corre o risco de enviar o sinal errado: gasta de mais, produz de menos, endivida-te até ao tutano, que depois a Alemanha, a Holanda, a França, a Áustria e outros, lançam-te a bóia da salvação. Até que ponto é que, a longo prazo, o euro não ficaria mais sólido passando agora pelo abalo da exclusão de um país, mas assentando em bases mais consistentes no futuro? Será que as agências de rating não reagiriam de forma mais favorável?

A propósito das agências de rating, não sei que motivações e influências políticas possam ter, mas penso que são empresas que estão no mercado e que têm de emitir pareceres e relatórios credíveis para prosperarem. Até ver, não foram a Standard & Poor’s ou a Moody’s que esbanjaram os euros dos Gregos, os endividaram para além do razoável e que continuam a tentar enganar os mercados com números erróneos sobre as suas contas.

A realidade é que todos nos vemos gregos com os Gregos: uns, como os Alemães, vêem as suas poupanças enterradas numa empreitada de êxito e interesse duvidosos e outros, como os Portugueses ou os Espanhóis, vêem a sua credibilidade e solvabilidade hipotecadas pelo mau exemplo de Atenas (e pela sua própria gestão incompetente).