Tempos Interessantes

QUE VIVAS TEMPOS INTERESSANTES/MAY YOU LIVE IN INTERESTING TIMES! Uma velha maldição com a mensagem subliminar que tempos interessantes implicam mudança, perigo, dúvida, angústia, risco, conflito. Eu acrescento, desafios, oportunidades e o fascínio de ver o mundo a mudar. É este conceito dos Tempos Interessantes (curse or blessing) que marca este Blog.

A minha fotografia
Nome: Rui Miguel Ribeiro
Localização: Guimarães, Portugal

Gosto de paisagens com água. Aprecio particularmente o Atlântico e o rio Douro. Sinto-me bem no Porto, Lisboa, London, Amsterdam, New York... Gosto da solidão. Gosto de boas conversas com pessoas interessantes.

02 Outubro, 2009

"Será que as Pessoas Gostam de Sofrer?"

“SERÁ QUE AS PESSOAS GOSTAM DE SOFRER?”



“Será que as pessoas gostam de sofrer?” Este foi o desabafo espontâneo do meu filho Afonso Duarte (10 anos), ao ver as projecções eleitorais na noite de Domingo. De forma simplista e reflectindo a sua percepção daquilo que o rodeia, não deixa de ser uma compreensível manifestação de estupefacção.

Afinal, sofremos com subidas de impostos, com despesas públicas em projectos faraónicos, com uma crise económica que parece crónica e que é anterior à crise financeira mundial, com o desemprego crescente, com o estado omnipresente, com a educação maltratada, com o espezinhamento dos professores, com a proibição de reprovações, com o aumento do crime e da insegurança, com o bloqueio da justiça, com o controlo da comunicação e a represália contra a crítica. Não obstante, no final pouco importam as motivações dos eleitores: construtiva, de protesto, destrutiva, ou masoquista, são os resultados que relevam.

Valha a verdade que a vitória do PS de Sócrates foi muito pálida comparada com a de 2005: o PS perdeu meio milhão de votos, o seu registo baixou 9% e o grupo parlamentar terá menos 25 deputados. Muito longe, portanto, da “vitória extraordinária” proclamada pelo respectivo Secretário-Geral na noite eleitoral. Ironicamente, o partido vencedor perdeu votos, percentagem e deputados para TODOS os outros 4 partidos!

A segunda ironia das eleições residiu no score eleitoral do PSD, que foi praticamente igual à derrota supostamente catastrófica do PSD de Pedro Santana Lopes em 2005. O PSD cresceu menos de meio por cento, uns residuais 0.4%, que lhe valeram mais 3 deputados, fruto da queda eleitoral do PS! Apesar de estar melhor do que há um ano atrás, o PSD de Manuela Ferreira leite não teve imaginação, nem chama e poucas ideias, embora tivesse razão em várias matérias económicas e sociais. Infelizmente, sucedeu ao PSD o que eu previa por altura das eleições internas e que reafirmei neste blog no início de 2009.

Para quem é de direita, restou a satisfação de ver a (essa sim) extraordinária performance eleitoral do CDS. Paulo Portas seleccionou um conjunto de temas a que o centro-direita é sensível e tocou preocupações com as quais muitos cidadãos empatizam, nas áreas da segurança, segurança social, economia, agricultura e fiscalidade e manteve-se afastado dos fait-divers. Foi a única voz credível do arco democrático fora do centrão. Quem queria uma alternativa não-totalitária ao “bloco central”, sí tinha o CDS. O resultado foi o melhor em 26 anos e o CDS tornou-se no fiel da balança no Parlamento. Bless or curse, adiante se verá.

O tonitruante BE teve uma noite eleitoral agridoce. Doce, a duplicação do número de deputados, a ultrapassagem ao PCP e o final da maioria absoluta socialista. Amarga, a fuga do CDS (+5 deputados) e a impossibilidade de fazer maioria com o PS, o que lhe reduz o poder e a influência.

Finalmente, o PCP. Sobe e desce. Sobe ligeiramente o número de votos e ganha um mandato na AR. Desce no ranking de 3º para 5º e desce no amor-próprio. Mas resiste e aumenta o número de deputados pela terceira eleição consecutiva.

A abstenção subiu para perto dos 40%, mostrando que ao entusiasmo eleitoral dos media não corresponde necessariamente o dos eleitores. Penso que corremos o risco de caminharmos para uma situação em que o período eleitoral se torne num conjunto de rituais que envolvem e excitam a classe política e jornalística e dos quais a população se afasta e desinteressa.

Aproximam-se tempos interessantes, o que, como se sabe, não é necessariamente bom.

O Parlamento vai recuperar parte da influência e prestígio perdidos o que é bom porque é (devia ser) o cerne do sistema democrático.

A estabilidade política vai estar omnipresente no discurso, sendo que o politicamente correcto e o interesseiro a sobre-valorizam, confundindo-a por vezes com paz poder ou com a calma do pântano (this rings a bell…).

A bipolaridade do sistema político-partidário português foi enviada para a surtigas, numa eleição em que os partidos médios saíram globalmente triunfantes. Também isso terá sido bom para um sistema demasiado viciado.

Ah! As Legislativas e as Autárquicas vão ficar separadas outra vez: estas serão em 2013 e aquelas terão lugar em 2011. Até lá!
NOTA: Os resultados e mandatos referidos no post excluem, como é óbvio, os 4 deputados a eleger pelos círculos da emigração.
P.S. Este post foi escrito há dois dias, mas não consegui colocá-lo no Blog. Também aqui alguém terá tentado calar uma voz incómoda!!! loool

26 Junho, 2009

Ilusões Persas

ILUSÕES PERSAS


Nas eleições presidenciais iranianas, o Presidente cessante, Mahmoud Ahmadinejad, conseguiu uma expressiva vitória com 63% dos votos, esmagando a concorrência, deixando o segundo posicionado, Mir Hossein Moussavi com 32% e os dois restantes com votações abaixo dos 2%.

Este resultado provocou surpresa e consternação no Ocidente, esperançado que estava que um candidato dito reformador removesse do poder um Presidente radical, beligerante, desbocado e perigoso.

A surpresa, a desilusão e as reacções, derivam de um conjunto de ilusões fundadas mais em esperança e desejo do que em hard facts.



AS ILUSÕES PERSAS DO OCIDENTE

1- Os Iranianos estão fartos de Ahmadinejad e dos Ayatollahs radicais que os governam e, perante uma alternativa reformadora credível abraça-la-ão entusiasmados. Na verdade, muitos Iranianos de classe média urbana estarão saturados do Presidente do Irão e das suas políticas externa (agressiva), económica (ruinosa) e social (castradora), mas o populismo de Ahmadinejad, os generosos subsídios e outras prebendas distribuídas pelo Presidente durante o boom petrolífero garantiram-lhe vasto apoio nas camadas populares (maioritárias) e nas províncias.
2- O Irão está longe de ser uma democracia, apesar das eleições. A existência de um Líder Supremo não eleito com reais e supremos poderes, o carácter teocrático do regime e as múltiplas interferências dos ayatollahs, nomeadamente na triagem dos candidatos presidenciais, as limitações às liberdades de expressão e de imprensa, são demonstrativos do cariz não-democrático da dita república islâmica. Esperar que os detentores das alavancas do poder abram mão dele de forma suave e conformada, é outra ilusão.
3- Mir Hossein Moussavi é um liberal, moderado e reformador? Só com boa vontade se poderia chegar a essa conclusão. Poder-se-á dizer que, comparado com Ahmadinejad, qualquer um faz boa figura, mas Moussavi é, há 30 anos, parte do establishment iraniano: protagonista do encerramento das universidades iranianas e de purgas de professores na época da Revolução, Ministro dos Negócios Estrangeiros que defendeu a internacionalização da revolução islâmica e Primeiro-Ministro na altura do lançamento do programa nuclear do Irão. Ou seja, tal como com Khatami, Presidente de 1997 a 2005, o mais que se poderia legitimamente esperar seria um abrandamento dos aspectos mais agressivos e radicais da postura interna e externa do regime, mas sempre dentro das estritas balizas estabelecidas pelo Ayatollah Ali Khamenei e pelo Conselho dos Guardiões.
4- Teerão reflecte o pulsar político do Irão. Não é assim e os resultados eleitorais comprovam-no, mas é a realidade que os correspondentes ocidentais conhecem e extrapolam-na para o país inteiro, o que cria outra ilusão.
5- As eleições foram uma completa fraude. Francamente, não acredito. Aponta-se como um indício de fraude o facto do Ministério do Interior ter proclamado Ahmadinejad vencedor no dia seguinte às eleições, o que até não é surpreendente se a margem de votos para Moussavi tiver sido tão grande, mas ninguém questiona como Moussavi pôde reclamar vitória no próprio dia das eleições. Além do mais, falsificar uma vitória por 13 milhões de votos, seria uma fraude de dimensões épicas e, portanto, pouco provável.

Daqui não se pode deduzir alguma simpatia pelo regime de Qom, perdão de Teerão, que é opressor do seu povo, retrógrado, belicoso e perigoso para a estabilidade do Médio Oriente e para a segurança do mundo através do seu programa nuclear. Ora, isto não é, bem pelo contrário, um país e uma situação acerca dos quais se possa ter quaisquer ilusões, sob pena de se sofrer forte desapontamento.


14 Junho, 2009

Direita Volver

DIREITA VOLVER


in "The Economist", 11 June 2009


Os partidos de direita e centro-direita venceram as Eleições Europeias em 20 dos 27 Estados-Membros da União Europeia, incluindo a Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha, Polónia e Holanda, ou seja, os 7 maiores países. Os partidos socialistas/trabalhistas perderam em toda a linha, sendo nalguns casos esmagados (Alemanha, Reino Unido, Hungria e até em Portugal).

Os partidos radicais (de direita e esquerda) registam ganhos significativos em vários países, como o Reino Unido, Holanda, Portugal, Itália, Hungria, Dinamarca, Finlândia, Áustria e Eslováquia.

A abstenção nestas eleições foi de 57%, batendo novo record de afastamento das urnas na Histórias de 30 anos de eleições directas para o Parlamento Europeu.


VITÓRIA DA DIREITA

Estes resultados contrastam de forma impressionante com os gritos de alarme e de triunfalismo que se ouviram da esquerda quando rebentou a crise financeira no ano passado. Alarme perante os excessos do capitalismo selvagem, a ganância dos investidores e a própria existência de mercado e de iniciativa e criatividade privada que fugisse ao estrito controle do Estado (que é intrinsecamente sábio e bom como se sabe). Triunfalismo porque, como disse José Sócrates, o liberalismo abriu falência e o socialismo estatizante está de volta e em força.

Pelos vistos, a maioria dos cidadãos na maioria dos países europeus não pensa exactamente assim. Eu sei que a direita europeia não é um paradigma de liberalismo económico, mas é o mais próximo que se pode encontrar no Velho Continente. E os resultados foram tão homogéneos e até avassaladores de Londres a Roma, de Lisboa a Varsóvia, que se pode considerar que os valores mais liberais para a economia e mais conservadores na segurança e na sociedade triunfaram em toda a linha. O que é manifestamente bom.


ASCENSÃO DOS RADICAIS

Os diversos radicalismos que pululam pela Europa fora, tiveram umas boas eleições. Fascistas, Comunistas, racistas, eco-radicais, piratas todos registaram sucessos, ora subindo votações e elegendo mais representantes, ora conseguindo eleger deputados pela primeira vez. O cenário é clássico: recessão e crise económica, desemprego ascendente e rendimentos decrescentes, grandes comunidades imigrantes pouco integradas e receitas idênticas e sem grande esperança dos partidos do mainstream. Resultado: procura de alternativas onde elas existem, cada vez mais longe do centro.


NÃO VOTAMOS

A cada eleição directa para o Parlamento Europeu, a abstenção sobe, atingindo nalguns países valores estratosféricos: Eslováquia – 81%; Lituânia – 79%; Rep. Checa – 72%. 57% dos Europeus não se deu ao trabalho de votar e em cerca de 20 países a abstenção superou os 50%. Se dúvidas houvessem, os eleitorados tornaram a demonstrar o seu empenho no processo de construção e integração europeia e no reforço dos poderes do PE. Só não vê quem não quer. E quem não quer ver, recusa-se a tirar as ilações devidas perante estes números…

10 Junho, 2009

Cartão Laranja

CARTÃO LARANJA


As Eleições Europeias em Portugal tiveram resultados surpreendentes, pelo menos tendo como referência as cada vez mais duvidosas sondagens que vão sendo publicadas. A primeira nota vai para o galopante desinteresse que o eleitorado revela por estas eleições, nas quais 63% dos Portugueses se abstiveram de votar. Curiosamente, se às eleições se aplicasse o requisito de afluência que, injustificadamente se impõe aos referendos, não teríamos deputados eleitos para o Parlamento Europeu. Nem Portugal, nem 18 outros países da UE. Para cúmulo, dos que votaram, 6% votou branco ou nulo, o que configura um voto de protesto em relação às propostas apresentadas. No final, a vitória do PSD representa um cartão laranja ao Governo do PS. A ver vamos se a cor do cartão passa a amarelo ou a vermelho nas Legislativas de Outubro.

Uma breve análise de umas eleições em que houve 4 vencedores e um derrotado.

PSD: O PSD é o grande vencedor das eleições obtendo sozinho a mesma votação que teve em 2004 em coligação com o CDS. Esta vitória é concludente e pertence, fundamentalmente a Manuela Ferreira Leite e a Paulo Rangel. Ambos conseguiram manter uma linha de rumo que passou por fazer uma campanha de clara denúncia das deficiências da governação socialista, de aproveitamento da falta de jeito do cabeça de lista do PS e de evitar entrar no jogo sujo que o PS tentou introduzir na campanha.

Os resultados catapultam o PSD e a sua líder para um Verão mais tranquilo de preparação para os embates de Outono, retiram-lhe pressão e colocam-na no adversário. Convém, contudo, temperar o entusiasmo. O PSD subiu 3% relativamente às Legislativas de 2005 e ainda está aquém do patamar normalmente atingido pelo partido vencedor em Portugal (acima dos 35%). A grande diferença está no trambolhão monumental do PS. Manter a pressão e encontrar nova solução ganhadora em Outubro é o grande desafio que Manuela Ferreira leite tem pela frente.

PS: O PS registou uma queda eleitoral colossal, cerca de 18%, quer a referência seja a das Europeias de 2004, ou as legislativas de 2005. Esta votação é uma penalização dura e merecida por uma governação crescentemente arrogante, desfasada das aspirações dos Portugueses e escudada na maioria absoluta e em sondagens simpáticas mas falíveis. Para completar a receita do desastre, a catastrófica escolha de Vital Moreira para cabeça de lista, o candidato mais desajeitado e inepto e incompetente de que há memória recente. No entanto, Vital não saiu numa rifa azarada, foi escolhido pelo Secretário-Geral do PS, José Sócrates, que assim sai duplamente chamuscado destas eleições.

Obviamente, o PS está longe de estar eliminado das eleições de Outubro. A questão é saber se terá percebido que o afrontamento gratuito de classes profissionais como os professores, funcionários públicos, enfermeiros, ou polícias, espremer a classe média e esbanjar dinheiros públicos em projectos faraónicos, desagrada às pessoas e tem custos eleitorais. Não acredito que o PS mantenha o rumo daqui para afrente como os seus dirigentes anunciaram no spin pós-eleitoral. Há demasiado em jogo em Outubro para o comboio rosa continuar a acelerar rumo ao abismo. Contudo, a renovação da maioria absoluta é cada vez mais uma miragem e não estou a ver Sócrates dependente de Louça, Jerónimo, ou Portas para aprovar orçamentos e legislação fundamental na próxima legislatura. Assim, ainda mais do que o PS, Sócrates sai machucado destas eleições.

BE: Aumentar de 1 para 3 deputados de 4% para 11% e ultrapassar PCP e CDS, configura um estrondoso sucesso eleitoral e faz crescer as expectativas para as legislativas. Este é o 1º problema: é mais fácil para um partido de protesto ter um bom registo em eleições secundárias como as europeias do que nas eleições mais importantes que são as legislativas. O 2º prende-se com a utilização a dar a um eventual grande resultado no Outono: faz coligação com um PS eventual vencedor minoritário? Ou continua a fazer oposição? Penso que irá pela 2º via, mas para quem é eterna oposição há limites naturais de crescimento que remetem para o 3º, 4º ou 5º lugar.

PCP: Melhor resultado dos últimos 15 anos num caso notável e único na Europa Ocidental de resistência de um partido comunista ortodoxo. Muito mérito na liderança da contestação social, sindical e de rua, para compensar menor brilho mediático e parlamentar relativamente ao Bloco. O azar do PC foi ter tido apenas menos 2000 votos do que o BE que lhe tiraram o 3º lugar (simbólico) e o 3º deputado (real). Tendo ganho mais distritos do que o próprio PS (3 contra 2), o PCP tem condições para recuperar o 3º posto em Outubro, mas a simpatia popular de Jerónimo de Sousa começa a ser curta para as exigências eleitorais dos comunistas.

CDS: Desceu para 5º partido pela primeira vez desde 1985, mas sai vencedor por dois motivos: ganhou outra vez 2 deputados, mas desta vez num universo de 22 em vez dos 24 de 2004; e teve 8%, mais do dobro do que as sondagens lhe conferiam e que configuravam um resultado terminal para o CDS de 2 a 3%. O facto de no debate pós-eleitoral se ter recuperado o cenário AD e enterrado o famigerado fantasma do bloco central, é, em si mesmo, confirmação de que o resultado de Portas e Nuno Melo conjugado com o do PSD recuperou alguma importância daqueles no panorama político-partidário português.

Sondagens: Uma miséria. Semanas a fio a proclamarem a vitória folgada do PS: erro miserável. Semanas a fio a proclamarem a extinção do CDS: tão fora da realidade que parece má fé. Por uma questão de transparência e credibilidade, deveria ser obrigatório a publicação e publicitação de quadros comparativos das diversas sondagens com os resultados eleitorais, para as pessoas poderem separar o (pouco) trigo do (muito) joio. Já não bastava os árbitros a condicionar resultados!

Extrema Esquerda: A esquerda geneticamente totalitária teve 21% dos votos! É notável. Mais uma área em que nos destacamos na Europa, onde não há nenhuma situação remotamente comparável Ah! Há pouco tempo atrás, na Áustria os partidos totalitários tiveram 30%, mas esses são dos totalitários maus, são da extrema direita. Para já, o nosso voto de protesto fica-se pelos totalitários bons, os da extrema esquerda.

04 Junho, 2009

Tiananmen

TIANANMEN
20 ANOS


A extraordinária coragem do estudante chinês a enfrentar uma coluna de carros de combate
do Exército Chinês.
in “Frankfurter Allgemeine Zeitung” -
http://www.faz.net/

Há 20 anos, a 4 de Junho de 1989, na Praça de Tiananmen, em Pequim, o Exército Popular de Libertação carregou sobre milhares de manifestantes pró-democracia, na sua maioria estudantes universitários. Largas centenas, provavelmente milhares, de pessoas foram mortas. Milhares desapareceram, foram presas ou silenciadas. Com elas morreu também o sonho de um degelo chinês à la Gorbachev.

Cinco meses mais tarde, na Alemanha, o Muro de Berlim desmoronou-se. Na China, a Muralha abanou mas não caiu.

Em 2009, a luta pela democracia e pela liberdade está largamente esquecida. O mundo está fascinado com a ascensão económica da China e reconhece-lhe, por antecipação, o estatuto de potência política mundial. A admiração com o sucesso económico e a ganância por um quinhão do mega-mercado de 1.3 biliões de consumidores obnubila o pensamento e a falta de clarividência leva à convicção de que a República Popular da China é uma potência benfazeja.

A opressão interna, o monopólio do poder político pelo Partido Comunista, a inexistência de direitos políticos e individuais, a agressividade de certas vertentes das políticas externa e militar da China, o crescimento imparável do seu potencial bélico desfazem essa convicção.

A memória obliterada de Tiananmen deveria eliminar quaisquer dúvidas. O poder comunista de Pequim é totalitário e potencialmente perigoso. O timing da queda da máscara será o do interesse nacional e estratégico da China e pode demorar muito tempo. Afinal, o tempo tem um significado diferente no Ocidente e no Oriente.

Frente a frente, a Estátua da Liberdade de Pequim e Mao Tsé Tung.
in “Frankfurter Allgemeine Zeitung” -
http://www.faz.net/

P.S. Agradeço à Cláudia o envio do link donde retirei estas fotos. Facilitou-me o trabalho.

01 Junho, 2009

Carrossel Nuclear

CARROSSEL NUCLEAR

Kim Jong Il lançando mísseis.
in “The Economist”, 30 May 2009

Depois de ter realizado o seu primeiro teste de uma arma nuclear em Outubro de 2006, a Coreia do Norte fez o segundo esta semana. Uma explosão um pouco mais potente que a anterior, indiciando um lento progresso no know-how norte-coreano no caminho para produzir um engenho com uma potência próxima da máxima. Estima-se que a actual tenha sido de 20 a 30 kilotoneladas, estimativa da Rússia.

Antes do teste, em Abril, a Coreia do Norte havia lançado um míssil Taepodong que sobrevoou o Japão e caiu no Pacífico depois de 1300km de voo. Depois do teste, já lançou 5 mísseis de curto alcance da costa nordeste do país. Esta sequência mostra uma tendência de escalada de uma postura agressiva.

Após anos de negociações no âmbito do grupo dos 6 (Coreia do Norte, Coreia do Sul, EUA, Japão, China e Rússia), de múltiplas concessões oferecidas a Pyongyang e de contumácia dos Norte-Coreanos no desrespeito dos acordos, o que fazer?

Há 3 hipóteses:

1- CARROSSEL INTERMINÁVEL - Continuar a fazer o jogo de Kim Jong Il, ou seja, faz-se um acordo, como consequência a Coreia do Norte recebe um conjunto de ajudas (energética, financeira) dos parceiros, especialmente dos EUA e Coreia do Sul e passado algum tempo renega o acordo sob qualquer pretexto e desmultiplica-se em ameaças, concretizadas ou não. Para placar Kim Jong Il, fazem-se novas negociações, novo acordo, novos apoios e passado algum tempo recomeça tudo de novo.
2- INDIFERENÇA E ISOLAMENTO - Realiza-se um acordo, a Coreia do Norte não cumpre, acaba-se o acordo, as negociações e as ajudas. Isola-se e contém-se o vírus da melhor forma possível.
3- RAIDS AÉREOS - Coreia do Norte mantém a sua postura agressiva, continua a desrespeitar as Resoluções do Conselho de Segurança da ONU, testa armas nucleares, lança mísseis e ameaça a vizinhança: então corta-se o mal pela raiz, bombardeia-se as instalações norte-coreanas ligadas à proliferação de WMD e à produção e lançamento de mísseis e resolve-se (este) problema definitivamente.

A primeira eterniza a situação e o regime comunista em Pyongyang. Pior, mantém e com o tempo reforça o seu arsenal nuclear e, com isso, os riscos de proliferação nuclear e de know-how balístico. Além do mais, é uma possibilidade repetidamente tentada e sempre falhada. Excluída.

A segunda é a melhor alternativa. Rompe com o ciclo vicioso actual, sem correr os riscos inerentes à opção bélica. Na prática, colocaria Kim entre o cumprimento e o isolamento que, a ser executado, acabaria por asfixiar o regime. Se a Coreia do Norte reagisse a esta política com a guerra, aí teria de se passar à última opção.

A terceira hipótese é de muito complicada aplicação, numa zona onde confluem interesses e coexistem fisicamente (territorialmente) várias das principais potências mundiais (EUA, Rússia, China e Japão), as sensibilidades são muito grandes e os riscos de escalada são alguns. Não é de excluir, mas deveria ser o último recurso.

É para mim evidente que vamos continuar a girar neste carrossel nuclear. Os esforços diplomáticos têm uma inércia própria das burocracias e tendem a eternizar-se, mesmo sem perspectivas de resultados, como se fossem fins em si próprios. Para dar um processo destes por terminado, é preciso coragem e firmeza e admitir que é uma perda de tempo e, neste caso, funciona como um benefício ao infractor. Mais a mais, com um novo Presidente dos EUA que prometeu falar sobre tudo com todos, não é de crer que rompa com o ciclo vicioso. Quando as coisas correram pior, como de costume culpará as administrações anteriores.

Como o Japão não tem força para fazer mover o comboio e a China e a Rússia estão bem com o statu quo no Nordeste da Ásia, tudo indica que tudo ficará como dantes, com o explosivo Kim Jong Il a fazer impunemente as suas diatribes, até ao dia em vá longe de mais.

03 Fevereiro, 2009

O Estado do PS

ESTADO DO PS


A situação do PS é francamente melhor do que a do PSD, mas não suficientemente boa para ter um 2009 tranquilo.

PRÓS:

1- As sondagens, que lhe dão resultados abaixo da maioria absoluta, mas suficientemente perto para acalentar esperanças de lá chegar dentro de 9 meses.
2- A ineficácia e descrédito da oposição, especialmente a que está à direita, que tem permitido ao PS ocupar grande parte do centro do espectro político.
3- A crise internacional, que permite ao Governo exportar as causas dos problemas e importar as soluções que lhe são mais convenientes em ano eleitoral.
4- A reacção do eleitorado à performance de José Sócrates, que tem balançado entre a aceitação e a apatia.
5- O feeling generalizado de que o PS já ganhou.

CONTRAS:

1- Os focos de resistência ao Governo, protagonizado por grupos sócio-profissionais, maxime, os professores.
2- O acolhimento que o PCP e o BE têm tido em tempo de crise e que as sondagens têm confirmado. Pode estar aqui a chave de um eventual falhanço eleitoral do PS.
3- A crise, se adquirir os contornos mais negros que se receia, pode torpedear a credibilidade do Primeiro-Ministro, do Governo e do PS.
4- O Caso Freeport.
5- A agitação/rebelião da ala esquerda alegrista.
6- A teimosia de uns (Lurdes Rodrigues) e o caceteirismo troglodita de outros (Santos Silva) membros do Governo

O PS ocupa claramente a pole position na corrida eleitoral de 2009 e é o partido do Governo, o que significa que muito do que serão as eleições depende do que (não) fizer. Detém grande controlo sobre a agenda política, pode tomar as medidas que entender nos seus timings e, é claro, é vulnerável aos humores da economia.

Curiosamente, até ver, a crise é a grande aliada do PS para 2009. Por um lado, permitiu a José Sócrates deflectir o ónus pelas dificuldades económicas para a crise internacional, branqueando as dificuldades endógenas. Por outro lado, permite ao Governo inundar o país com investimentos e apoios potencialmente geradores de retorno eleitoral, o que não seria possível num cenário económico mais tranquilo. A dura realidade que este autêntico fartar vilanagem vai ser feito atirando às urtigas o esforço que os Portugueses tiveram de fazer durante 3 anos para reduzir o deficit só será consciencializado e sentido depois das eleições.

O Caso Freeport é uma sombra na caminhada vitoriosa de José Sócrates, com um impacto que é prematuro avaliar. No entanto, tendo em conta o cinismo prevalecente na relação dos Portugueses coma política e os políticos, creio que os efeitos que vier a ter serão pouco significativos, a não ser que sejam produzidas revelações devastadoras e sustentadas.

Pior para o PS é o dinamismo eleitoral que a extrema-esquerda parece demonstrar e que pode ser potenciado pela previsibilidade da vitória socialista, que poderá levar eleitores de esquerda a sentirem-se mais confortáveis em castigar o Governo sem correr o risco de contribuir indirectamente para um triunfo do PSD. Igualmente mau será uma eventual tradução eleitoral da revolta dos professores com a política educativa (?) do PS; é apenas uma hipótese, porém suficiente para hipotecar a maioria absoluta, ou mesmo a vitória.

Muito do resultado do PS dependerá, por um lado, da evolução da crise e da percepção que dela tiverem os eleitores ao longo da Primavera e Verão e, por outro, do desempenho de José Sócrates: se os Portugueses o vêem como solução ou factor da crise, como impoluto ou corrupto, como firme defensor do interesse público ou teimoso e arrogante na persecução da sua agenda política, enfim, mais do que os outros partidos, o PS estará dependente da (im)popularidade do seu líder à entrada do ciclo eleitoral.

27 Janeiro, 2009

O Estado do PSD

O ESTADO DO PSD


Na entrada do ano de (quase) todas as eleições, importa discorrer um pouco sobre o estado e as perspectivas dos principais partidos portugueses.

O diagnóstico laranja é, como direi....penoso. O PSD corre sem rumo nem estratégia, aparentemente com a mesma clarividência de um homem vendado em direcção a um muro. A continuar assim, arrisca-se a que o resultado seja o mesmo.

Durante muito tempo, faltava a Manuela Ferreira Leite convicção e determinação; parecia estar a fazer um frete, que gostaria de estar noutro lugar que não na São Caetano. Nem me refiro ao silêncio de Verão que é sobrevalorizado por uma imprensa que não tolera que não lhe falem quando quer, mas à falta de disponibilidade para estar com os dirigentes e militantes do partido. Essa fase foi ultrapassada, mas permanecem problemas fundamentais:

1- Uma ideia para Portugal, um objectivo mobilizador e uma estratégia para lá chegar.
2- Uma oposição acutilante e permanente ao Governo que o atinja nos seus múltiplos pontos fracos. Não resulta fazer um ataque forte pontual e depois passar semanas como se nada se passasse. Entretanto o PS vai veiculando a sua mensagem.
3- O PSD demonstra a capacidade mobilizadora e entusiasmante de um filme de Manuel de Oliveira e a sua Presidente não tem o carisma e o entusiasmo necessários para galvanizar as bases do Partido, para já não falar da população em geral.
4- O PSD tem menos estabilidade que o Benfica no tempo de João Vale e Azevedo.

Os dois primeiros pontos são ultrapassáveis, os dois últimos muito dificilmente o serão. Deste caldo, resulta uma descrença generalizada que é meio caminho para uma derrota em Outubro.

Neste ambiente, mesmo as iniciativas positivas que a Direcção tome são acolhidas com cepticismo, ou pior, com indiferença e entramos num círculo vicioso em que o fracasso e a ineficácia se auto-alimentam. A isto acresce que no inner-circle da Presidente parece prevalecer o mesmo sentimento a julgar pelas ausências, pela falta de garra, pela inexistência aparente de quem procure corrigir o rumo e a estratégia, pelas faltas de comparência quando é preciso defender Manuela Ferreira Leite de ataques de figuras de segunda linha do Governo.


Quo vadis PSD?

Penso que o PSD se vai arrastar sem ânimo até às eleições, sem alterações de política e de protagonistas. Manuela Ferreira Leite tem qualidades, mas a capacidade de ter um golpe de asa que mude o seu (e o nosso destino) não está entre elas. Os membros supostamente mais importantes da sua entourage, ou não são relevantes, ou já são proto-candidatos para o pós-2009. Pedro Santana Lopes está ocupado com Lisboa e deixou de ser uma alternativa à liderança, pelo menos para já. Pedro Passos Coelho está em campanha há 10 meses, numas primárias solitárias e a primeira coisa que quer é estar nas listas de deputados em 2009 e a última coisa que quer é que haja eleições internas antes de 2010. Luís Filipe Menezes já assumiu que não é candidato e incorre no erro do exagero no ataque à liderança, sem esquecer que é graças à sua saída de cena que Ferreira Leite lá se encontra. Alberto João Jardim corre por fora e só teria possibilidades num cenário de implosão eleitoral do Partido, o que não é provável, nem impossível.

Então resta esperar pelo embate contra o muro? O futuro afigura-se muito cinzento, mas há sempre (?) algum foco de esperança a que nos podemos agarrar: um voto de protesto nas eleições europeias que permita um bom resultado ao PSD e o recuperar de ânimo para as eleições do Outono; que a saturação com a crise e com o governo da crise, perdão, do PS, supere a descrença na oposição; que o PCP e o BE sangrem o PS pela esquerda encurtando as distâncias entre o PSD e o PS e retirando a maioria absoluta a este; um fenómeno de fénix do PSD que o leve a mobilizar os Portugueses.

Trata-se, contudo, de pouco, quando estamos a falar da única alternativa de governo em Portugal. No fundo, o que mais falta ao PSD, é apresentar uma verdadeira alternativa de governo (de projecto) para Portugal. Até lá, vamos (des)esperando.

20 Janeiro, 2009

A Guerra de Gaza

A GUERRA DE GAZA

Merkava 3, o principal carro de combate israelita, abrindo fogo em exercícios realizados em 2005.

in IDF site at http://dover.idf.il/IDF/English/

Ao fim de 22 dias terminãram, até ver, as hostilidades em Gaza. Apesar de ser prematuro tirar conclusões definitivas, é tempo de fazer um balanço do que aconteceu e da actuação dos protagonistas e traçar as perspectivas que se colocam ao minúsculo território.

A guerra de Gaza era inevitável: o lançamento de cerca de 7000 rockets do Hamas e da Jihad Islâmica sobre o Sul de Israel ao longo de três anos, não deixavam outra alternativa. O único dado surpreendente será a paciência que Israel teve durante este período, esperando talvez que o bloqueio económico surtisse efeitos. Era de esperar que não fosse suficiente e de facto não foi; como é frequente nestas situações, a população foi atingida antes e mais duramente do que a estrutura dirigente e militar.

Israel: A vitória militar foi inquestionável. O IDF (Israel Defence Force) conduziu a guerra da forma que bem entendeu, de uma forma faseada, organizada e sem falhas aparentes, ao contrário do que sucedera em 2006 no Líbano. As baixas israelitas são quase insignificantes (13 mortos, 4 provocadas por friendly fire) e os alvos terão sido todos atingidos. Além do mais, o cessar-fogo também foi feito no timing israelita. As dúvidas são três: Primeiro, o fim das hostilidades não terá sido precipitado por causa da mudança de poder em Washington? E, também por causa disso, o processo de esmagamento da capacidade militar do Hamas poderá não ter ido tão longe quanto desejável. Em segundo, que garantias existem que a fronteira Sinai-Gaza vai ficar selada aos abastecimentos militares do Hamas? Terceiro, se os rockets voltarem a cair nos próximos tempos em Sderot ou HGhg, os candidatos a Primeiro-Ministro que são neste momento Ministro da Defesa (Ehud Barak) e Ministra dos Negócios Estrangeiros (Tzipi Livni) poderão ter dificuldades em explicar a Operação Chumbo Derretido aos Israelitas.

Hamas: A bravata habitual sobre o inferno que ia descer sobre as tropas israelitas e o massacre que se iria seguir deu lugar à verdade nua e crua: o Hamas revelou-se absolutamente incapaz de constituir uma ameaça credível para o IDF, infligiu-lhe apenas 9 mortes, e teve de recorrer à habitual táctica cobarde de se esconder atrás dos civis palestinianos que supostamente devia proteger. Acabados os combates, os bravos líderes e combatentes (?!?) reemergiram para repetir as suas grotescas ameaças. Não obstante, não é líquido que esta organização terrorista esteja fora de combate e a tentação de atingir Israel antes das eleições de 10 de Fevereiro deve ser grande, para tentar maximizar as hipóteses de o Likud de Netaniahu ganhar as eleições e garantir assim o endurecimento de Jerusalém nas negociações do processo de paz. Resta saber se a população de Gaza terá ficado mais esclarecida quanto à incapacidade de o Hamas lhe garantir desenvolvimento económico, paz e segurança. Duvido.

Fatah: A Fatah é o elemento escondido desta guerra e, potencialmente, o seu principal beneficiário. O reassumir do controlo da Faixa de Gaza por Mahmoud Abbas seria o melhor meio de tentar repor algum grau de paz de tranquilidades na zona, mas pelo se afigura, tenho dúvidas se o Hamas estará suficientemente enfraquecido para não conseguir colocar resistência ao regresso da Fatah a Gaza e até que ponto é que a população a acolheria bem.

Egipto: Renascido do limbo diplomático, o Egipto foi o protagonista dos planos para findar o conflito e o centro das peregrinações de estadistas europeus à região, mas o seu papel verdadeiramente importante começa agora: pela selagem da fronteira do Egipto com Gaza, passa muito da duração do cessar-fogo existente.

Estados Unidos: A guerra teve um bom timing para os EUA – com um Presidente pró-Israel de saída e outro com muitas incógnitas de entrada, Washington apoiou Israel, criticou o Hamas e assobiou para o ar a maior parte do tempo.

Mundo Árabe: Conspicuamente ausente, torcendo a maioria que o Hamas fosse dizimado e a minoria que Israel soçobrasse, sobrou a irrelevância.

União Europeia: A Presidência Francesa acabou e a Checa começou, mas ninguém notou porque, nos momentos graves e importantes, são as grandes potências que aparecem e intervêm, seja com a presença colectiva com o Primeiro-Ministro Olmert no anúncio do cessar-fogo, seja no frenético cruzar do Médio Oriente de Sarkozy.

Agora, se as coisas se mantiverem calmas, resta esperar que os Israelitas votem e que a nova Administração Americana assente, para ver qual vai ser o rumo a curto prazo, porque no médio prazo, já não haverá muita gente que se atreva a pensar.

30 Dezembro, 2008

The Best of 2008

THE BEST OF 2008

Michael Phelps: Ouro x 8


Michael Phelps: Flying for the Gold!


Não posso dizer que 2008 tenha sido um ano famoso. A vontade de fazer uma súmula do ano não é grande, por isso optei por destacar um único (super)-homem: MICHAEL PHELPS! OITO (8) MEDALHAS DE OURO nuns únicos Jogos Olímpicos, 14 de ouro e 2 de bronze no total de 2004 e 2008. FABULOSO! IMPRESSIONANTE! INACREDITÁVEL!

Bateu o record de 7 medalhas de ouro do também norte-americano Mark Spitz (Munique/1972) que durante muito tempo julguei imbatível. É o atleta com maior número de medalhas de ouro olímpicas em 112 anos de História olímpica moderna e o 2º com mais medalhas (16 contra as 18 da ginasta soviética Larissa Latynina.




Harmonia, potência e rapidez na água.


A performance de Michael Phelps coloca-lo-ia no ranking de países em 9º no nº de medalhas de ouro e em 18º na classificação geral.

Ver Phelps nadar/voar valeu bem algumas noites de sono mais curtas este Verão, para ver o Baltimore Torpedo!


A euforia após a incrível vitória dos EUA nos 4x100m livres.


P.S. Também dormi pouco para ver Vanessa Fernandes conquistar a medalha de prata no triatlo. Outra boa aposta. A fantástica medalha de ouro de Nélson Évora no triplo salto foi-me menos custosa pois foi à hora de almoço, mas foi um dos melhores momentos dos Jogos e de 2008.
Uma última palavra para o… Benfica: 2 medalhas de ouro (Nélson Évora e Di Maria pela Argentina no futebol) e 1 de prata (Vanessa Fernandes) justificaram o investimento estratégico feito nesta área e deram ao Benfica um curriculum olímpico mais consentâneo com a grandiosidade do clube.

23 Dezembro, 2008

Feliz e Santo Natal

FELIZ E SANTO NATAL


LEONARDO DA VINCI – Adoração dos Reis Magos – Galeria dei Uffizi, Firenze

Desejo a todos os leitores e frequentadores do “Tempos Interessantes” um Santo e Feliz Natal, na companhia dos que mais amam.

Rui Miguel Ribeiro

15 Dezembro, 2008

Can You Believe It? No Change!

CAN YOU BELIEVE IT? NO CHANGE!


Já começou. Apesar de ainda não ser Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Hussein Obama já começou a desapontar (desesperar) falanges de fervorosos seguidores. O cerne da questão está na escolha que fez para a sua equipa governativa nas áreas da defesa, segurança e política externa: Robert Gates, General James Jones e Hillary Clinton, respectivamente.

O principal problema está no primeiro. Na verdade, Robert Gates é o Secretário da Defesa nomeado há dois por George W. Bush! Esse mesmo, o terrível, abominável e malévolo George W., fautor de todos os males e desgraças que assolam os terráqueos.

E então é este homem que geriu politicamente o famoso surge do contingente militar dos EUA no Iraque que Obama repudiou, que o mesmo Obama nomeia?

É.

E este é o mesmo Gates que arrasou (e bem) o plano de Obama para a retirada a galope do Iraque, que agora aceita a nomeação de Obama?

É.

Hilariante! Palavra que me faz lembrar Hillary, Clinton é claro. Aquela que Obama demoliu pelo seu posicionamento em política externa e por ter apoiado (e bem) a invasão do Iraque e também aquela que considerou Obama naive em política externa e que rebentou com ele por ter demontsrado vontade em reunir com Ahmadinejad, Chavez e Castro.

Na área económica, os liberais do Partido Democrata também já levam as mãos à cabeça ao verem ser escolhidos membros da alta finança, apoiantes do free trade e antigos elementos da Administração Clinton. equipa económica também tresande a dejá vu, ou seja, little or no change: Timothy Geithner (Presidente da reserva Federal de New York, será o Secretário do Tesouro), Lawrence Summers (Secretário do tesouro com Bill Clinton, chefiará o National Economic Council) e Christina Romer (escreve a favor de impostos baixos e de comércio livre, liderará o Council of Economic Advisers), ou seja, um conjunto de pessoas que indicia uma certa solução de continuidade em relação às administrações Clinton e Bush no que concerne a (des)regulação dos mercados e o livre comércio.

Este padrão de nomeações é significativo, mas só o tempo dirá o que ele revela. Três hipóteses:

1- Barack Obama é um logro, o seu registo de voto à esquerda no Senado foi uma manobra calculista para mobilizar a franja militante mais radical e mobilizadora do partido e a sua campanha foi um exercício interesseiro e oportunista de cavalgar a onda da mudança para chegar à Casa Branca.
2- Os seus nomeados lançaram o seu historial político e as suas convicções às urtigas para garantirem um lugar no próximo comboio do poder. Um ponto a favor da capacidade persuasiva do Presidente-eleito e outro pouco abonatório da verticalidade política dos nomeados.
3- Um mix das duas anteriores.

A proposta benigna de que Obama vai formando um governo de inclusão, não colhe, principalmente quando estão em causa lugares-chave numa administração. Penso que é a 3ª hipótese que está mais perto da verdade. Por um lado, Obama vai girando de acordo com os ventos dominantes e a principal data gravada no seu íntimo é 07/11/2012. Se para isso for preciso esquecer alguns disparates da pré-campanha e da campanha, tanto melhor. Por outro lado, certos personagens, com Robert Gates à cabeça, revelam um oportunismo pessoal despudorado, e são capazes de servir qualquer um de alfa a omega desde que sirva os seus interesses particulares.

Estas nomeações reportam-se às áreas da defesa, segurança, negócios estrangeiros, economia e finanças. É muita coisa, mas não é tudo. Na chamada agenda doméstica, nomeadamente na área social, saúde, educação e costumes, ainda pode acontecer a prometida mudança. Duvido é que a maior parte seja de aplaudir…

27 Novembro, 2008

O Socialismo de Sócrates

O SOCIALISMO DE SÓCRATES


José Sócrates tem a fama (e algum proveito) de não ser um verdadeiro socialista. No entanto, para quem tinha dúvidas, a recente crise económica revelou que ater pode não ser, mas os tiques continuam lá. Senão vejamos:

Quando a crise eclodiu, José Sócrates proclamou, com indisfarçável satisfação, que a era do Liberalismo tinha acabado e que ao Estado estava reservado um renovado e imprescindível intervencionismo na economia.

Depois, disse que a única forma de superar o clima recessivo, era pôr o Estado a investir desenfreadamente, presumivelmente mandando às urtigas os resultados orçamentais que esmifrou dos Portugueses nos últimos três anos. Para dar consistência teórica ao argumento, bramou “Keynes! Keynes! Keynes!” em pleno Parlamento. A mim soou mais a “Mitterrand! Mitterrand!!”

Finalmente ontem, confrontado com o plano de combate à crise da Comissão Europeia, Sócrates rejeita a possibilidade de descida de impostos. Sim, porque ele até já desceu o IVA uns estonteantes…1%! E lá voltou o refrão dos investimentos do Estado que nos vão tirar da crise com pé enxuto. Até deu para sublinhar os sinais de optimismo: parece que até estamos a decrescer (economicamente) menos do que os outros. Morrer sim, mas devagar.

O pior disto tudo, é o tal tique socializante e estatista. Havendo falta de liquidez, reduzida capacidade para investir, diminutas possibilidades para consumir, sérias dificuldades para cumprir obrigações contratuais, mandaria o bom senso disponibilizar mais liquidez à sociedade, ou seja, aos cidadãos. Tal seria feito, nomeadamente, diminuindo o IRS, assim fazendo com que os Portugueses tivessem mensalmente mais dinheiro vivo disponível e, consequentemente, mais capacidade para pagar, mais disponibilidade para consumir, mais vontade de investir.

Mas não. O governo encara a riqueza produzida pelos Portugueses como propriedade do Estado da qual, com maior ou menor magnanimidade, deixa os cidadãos reterem uma parte. O que se compreende, porque o Estado é um bom gestor, é um bom pagador, não gasta mais do que recebe, não deve nada a ninguém e sabe melhor do que os indigentes mentais que povoam o país quais são os seus (nossos) superiores interesses e, é claro, como gastar o seu (nosso) dinheiro.

E assim se vai realizando a velha prática socialista de igualizar por baixo, preservando o império estatal e os privilégios daqueles que à sua volta gravitam.

24 Novembro, 2008

Sabedoria Infantil

SABEDORIA INFANTIL E A CRISE ECONÓMICA


A crise económica mundial continua a preocupar milhões de cidadãos e a desafiar políticos, economistas, banqueiros e empresários.

Há uns dias atrás, o Afonso Duarte (o meu filho de 9 anos), perguntou-me o que era isso da “crise económica mundial”. Tentei explicar da melhor forma possível e referi a componente psicológica das crises económicas, nomeadamente a convicção generalizada de que há crise tende a agravar os seus sintomas.

Responde o Afonso:

“Papá, se não dissessem a ninguém que havia crise, as pessoas já não se preocupavam porque não sabiam e a crise talvez desaparecesse!”

Case closed.

13 Novembro, 2008

Os Ovos e a Educação

OS OVOS E A EDUCAÇÃO

Não sei se foram os 1000 alunos e a chuva de ovos que levou em Fafe, ou se foi a mega-manifestação de 120.000 professores que levaram a Ministra da Educação a fazer um arremedo de acto de contrição no Parlamento. Seja o que for, a Ministra esteve, outra vez, mal.

Maria de Lurdes Rodrigues pede desculpa por estar a desmotivar, frustrar e zangar a classe docente, mas acrescenta que tal é necessário porque é para o bem dos alunos e da educação. É extraordinário. A Ministra sacrifica os professores no altar do valor supremo da educação, como se esta pudesse existir sem aqueles. Depois de banir as reprovações, só faltava instituir o ensino sem os professores.

Vendo bem, os alunos de Fafe desperdiçaram os seus ovos numa senhora que, afinal, já faz omeletes sem eles (os ovos).

10 Novembro, 2008

US Elections Live at UFP

US ELECTIONS LIVE AT UFP


Na noite eleitoral americana, a Universidade Fernando Pessoa, por iniciativa do seu curso de Ciência Política e Relações Internacionais, levou a cabo uma iniciativa inédita em Portugal: o acompanhamento em directo das eleições nos Estados Unidos, desde as 22.00h do dia 4 de Novembro até às 03.00 do dia 5.

Igualmente inédito, foi o facto de o evento ter sido transmitido em directo pela estação televisiva Porto Canal ao longo de 3 horas, a partir do Auditório da UFP e perante uma plateia de uma centena de pessoas, maioritariamente composta por alunos.

Sendo uma iniciativa que valorizou e divulgou as Relações Internacionais e na qual estive envolvido, não podia deixar de a referir num Blog que é, principalmente, dedicado às RI.

04 Novembro, 2008

The Obama Flop


THE OBAMA FLOP

Jeremiah Wright e Barack Obama.
in The Economist


O Senador Barack Hussein Obama entra no dia das eleições dos Estados Unidos à frente na corrida presidencial. É pena.

É pena porque Obama é, na melhor das hipóteses, um grande ponto de interrogação. Na pior, é um dos maiores logros da história política recente.

1- Tem uma atitude arrogante perante o eleitorado hostil e os adversários, sejam eles John McCain, George W. Bush, ou Hillary Clinton. O seu comentário sobre os brancos da Pennsylvania rural que se agarravam à religião e às armas é ilustrativo. Pior, tem o comportamento de virgem ofendida perante as críticas dos adversários, como se fosse possível estar imune a ataques.
2- Proclama-se portador de mudança e de uma forma pós-partidária de fazer política. No entanto, a sua campanha fez inúmeros anúncios e declarações falsas e desonestas sobre os adversários, de que é bem exemplo a insistência de que McCain queria os EUA a combater no Iraque durante 100 anos.
3- Oportunismo e hipocrisia. Cedo na campanha prometeu que aderiria ao sistema público de financiamento de campanhas se o candidato Republicano também o fizesse. McCain fê-lo, mas Obama, ciente de que recolhia muito, muito mais dinheiro permanecendo fora do sistema, esqueceu a promessa.
4- Tem o historial mais liberal, leia-se esquerdista, do Senado dos Estados Unidos.
5- Tem o curriculum mais minúsculo e irrelevante da história recente de candidatos presidenciais: 4 anos no Senado, zero de actividade legislativa de relevo.
6- Irresponsável em política de defesa e externa: retirada a curto prazo do Iraque (pelo seu plano original, já não haveria tropas americanas no Iraque) e negação do sucesso evidente da surge de tropas dos EUA no Iraque. Os seus propósitos negociais com o Irão e outros regimes totalitários são ingénuos, no mínimo.
7- Céptico do liberalismo económico, ameaça pôr em cheque a NAFTA (North American Free Trade Association que reúne EUA, Canadá e México) e apoiou a rejeição do acordo comercial com a Colômbia, um dos mais importantes aliados dos EUA na América do Sul.
8- Change, change é um dos slogans menos originais que se pode imaginar. Quantos políticos pró esse mundo já apregoaram a mudança como um dos seus slogans eleitorais? Pacoviamente, alguns políticos europeus adoptaram-no como se tratasse de uma criativa inovação. Yes we can é básico e reflecte a superficialidade e o cariz socialite da campanha de Obama.
9- Ligações perigosas: Rezco, o corrupto que apoiou Obama na política de Chicago, William Ayers, o terrorista arrependido por não ter matado e destruído mais e Jeremiah Wright, o reverendo racista e anti-americano são três presenças inaceitáveis na vida política e social de Obama. O caso do reverendo é vergonhoso: o homem que veio para cicatrizar as feridas raciais, tinha como guia espiritual durante 20 anos, um sujeito que prega o racismo e que acusa o governo dos EUA de criar o HIV para praticar o genocídio dos negros americanos. Acrescente-se que a não utilização desta ligação por McCain foi talvez o seu erro mais nefasto nesta campanha. Esta omissão jamais teria ocorrido numa situação inversa.
10- Barack Obama é convencido para lá do aceitável: frases como “sou aquele que vocês esperavam”, “gerações olharam para trás e dirão aos filhos que ESTE foi O momento” e este é o momento em que os oceanos começaram a baixar”, mostram um indivíduo pretensioso numa escala delirante.

Por tudo isto, Barack Obama é uma má escolha presidencial. Vai beneficiar de uma conjuntura política e económica altamente favorável aos Democratas, da sua capacidade oratória e da protecção dos mainstream media, que nunca exploraram os seus pontos fracos e contradições. Méritos próprios: notável carisma, grande eloquência, projecção de uma imagem positiva e serena, grande racionalidade e uma ambição sem limites.


Pouco, mas aparentemente suficiente para chegar à Casa Branca.


P.S. Apesar da análise que aqui deixo, penso que Obama vai desiludir muitos dos seus apoiantes nos EUA e, principalmente, no estrangeiro, caso ganhe. O peso do lugar e o seu calculismo político farão com que governe de forma a pensar em 2012 e talvez um pouco longe dos radicalismos da sua plataforma original. É óbvio que os milhares que o aplaudiram em Berlim e lhe tecem loas por essa Europa fora, provavelmente estarão a rogar-lhe pragas daqui a dois anos, mas isso faz parte da ingenuidade das elites esquerdistas bem pensantes, dum e doutro lado do Atlântico. Se, por outro lado, seguir a sua agenda e a dos Democratas que controlam hoje o partido, provavelmente será cilindrado em 2012.

23 Outubro, 2008

"Gajo" Sem Princípios

GAJO SEM PRINCÍPIOS

Assisadamente, Portugal foi um dos (muitos) países a nível mundial que não reconheceu a independência do Kosovo em Fevereiro passado.

Logo então se percebeu algum desconforto do Governo com a (in)decisão, aparentemente mais resultado das fortes reservas do Presidente da República Cavaco Silva do que de alguma convicção formada.

Pouco mais de meio ano depois, eis que o Governo vira o bico ao prego e, após um simulacro de consultas, reconhece a independência do pequeno protectorado balcânico.

As justificações (?) foram lamentáveis, reduzindo-se a um pífio sentimento de solidão, dado a maioria dos Estados membros da NATO e da EU já terem feito o referido reconhecimento. Esse desesperado sentimento foi ilustrado pelo MNE Português Luís Amado com o desabafo “Os nossos aliados olham para nós e pensam: Mas afinal o que é que estes gajos estão a fazer?”*, supostamente ilustrando a perplexidade dos nossos parceiros nessas organizações perante o nosso não-reconhecimento. Não contente, voltou à carga: “Porque é que estes gajos não tomam uma decisão?”* Na verdade já tínhamos tomado: não reconhecer a independência do pequeno protectorado. Devo acrescentar que só estas frases do MNE me levou a colocar um título que noutras circunstâncias não escolheria.

Esta viragem vergonhosa do Governo (apoiado pelo PSD) não tem justificação. Em primeiro lugar, o que Lisboa decide em ralação a Pristina não preocupa Washington, Berlim, Londres, Paris ou Roma. A decisão destes países em reconhecer o Kosovo foi decisiva. A partir daí, poucos reconhecimentos seriam relevantes e o nosso não se enquadra nessa categoria.

Em segundo lugar, o timing do reconhecimento português é dos mais infelizes, dois meses após a Guerra na Geórgia e do reconhecimento da independência da Abkhazia e da Ossétia do Sul pela Rússia. Na verdade, os acontecimentos do Cáucaso sublinham uma das mais fortes contra-indicações ao reconhecimento do Kosovo, pois, por muitos malabarismos que se façam, a diferença entre um caso e os outros é muito pequena, se é que existe.

Será talvez de esperar, que daqui a uns meses Portugal reconheça a independência da Abkhazia e da Ossétia do Sul, não vão os gajos na Rússia interrogar-se com impaciência de que é os gajos em Portugal estarão à espera.

Portugal demonstra não ter princípios e, por outro lado, parece ter uma confrangedora incapacidade de não ter de seguir sempre as pequenas e as grandes opções das grandes potências, mesmo quando daí não resulta nenhum prejuízo. Popularmente falando, não temos espinha.

* in Diário de Notícias, 11 de Outubro 2008, p. 15

13 Outubro, 2008

The Surge

THE SURGE

General David Petraeus: o rosto do Surge.

Há dois anos atrás medravam os catastrofistas que anunciavam a derrota dos EUA no Iraque, a implosão deste país, o carácter irreversível da espiral de violência.

No final de 2006, num acto de coragem política e de (tardia) visão, o Presidente George W. Bush optou pela via impopular mas racional: mudou a liderança militar americana no Iraque, aumentou em 5 brigadas (cerca de 30.000 homens) o contingente militar aí colocado (The Surge) e deu luz verde para que uma nova estratégia fosse implementada.

O General David Petraeus, recentemente promovido a Comandante do US Central Command (que superintende os teatros do Afeganistão e do Iraque), foi o cérebro e o rosto da nova abordagem, que passou pela colocação de soldados norte-americanos em pequenos aquartelamentos numa espécie de tropa de vizinhança, pelo incremento de operações conjuntas EUA/Iraque e pela cooptação de insurgentes sunitas insatisfeitos com a vertigem sanguinária da Al-Qaeda. Petraeus é o rosto e o símbolo de uma viragem notável nos destinos da Guerra do Iraque e, se conseguir dar o mesmo ímpeto positivo ao esforço de guerra no Afeganistão, poderá ser o mais notável militar americano do início do século XXI.

Volvidos cerca de 20 meses, o Surge constitui um sucesso notável. O número de vítimas da violência, ainda elevado, caiu drasticamente, sejam elas militares dos EUA, da Coligação, ou do Iraque, sejam elas civis. As forças de segurança iraquianas já receberam o controle de mais de metade das províncias do Iraque. Condições foram criadas para que o normal processo político possa desenvolver-se, como atestam a aprovação de leis infra-estruturantes como a dos hidrocarbonetos e das eleições regionais e o regresso ao governo de partidos sunitas.

Lentamente, o desenvolvimento económico e social vão ganhando importância para os Iraquianos, sinal de que a segurança e a sobrevivência deixaram de ser a preocupação nº 1 da grande maioria.

George W. Bush também merece crédito por ter resistido a uma redução abrupta, ou mesmo a uma retirada acelerada do contingente militar. Os ganhos são muito grandes, mas custaram a conseguir e seria estúpido deitar tudo a perder com uma jogada política popular.

Nem tudo está ganho ou garantido no Iraque, mas o que se passou nos últimos dois anos deixa um sinal de esperança, afinal aquilo que se havia perdido nos tempos difíceis de 2005/06. Como sempre defendi, o veredicto final sobre se valeu a pena a invasão de 2003 ainda não saiu. Eu continuo a acreditar que valeu a pena, apesar do tempo perdido.


P.S. A Guerra do Iraque quase desapareceu do radar das Eleições Presidenciais dos EUA. Isso é um bom e um mau sinal. Bom sinal, porque significa que as coisas no terreno vão correndo bem. Mau sinal, porque foi a hecatombe financeira e bolsista que varreram da atenção dos eleitores outros assuntos.

Também é pena porque se esquece que o Senador John McCain foi um dos principais defensores do surge e é, indirectamente um dos principais responsáveis pela reviravolta positiva no Iraque. É pena, finalmente, porque faz esquecer que o Senador Obama, sobre o Iraque, se limitou a defender as posições que, no momento, eram as mais populares; por ele, a guerra já teria sido perdida há muito.

06 Outubro, 2008

Nuno 150 Golos

NUNO 150 GOLOS

Nuno Gomes celebra o 2-0 contra o Nápoles na Taça UEFA e o seu 150º golo pelo Benfica
in www.maisfutebol.iol.pt


Nuno Gomes atingiu mais uma marca histórica ao serviço do Benfica: 150 GOLOS em jogos oficiais.* O golo da efeméride aconteceu no melhor palco (Estádio da Luz), perante 57.000 espectadores e num jogo importante: Benfica-Napoli para a Taça UEFA. Minuto 83, centro de Carlos Martins, duas desmarcações sucessivas do nº 21, defesa fora da jogada e remate de cabeça cruzado e imparável a fazer o 2-0 e a confirmar a presença do Benfica na fase de grupos da Taça UEFA.

Para se ter uma ideia da dimensão da proeza, é preciso recuar 32 anos para se encontrar um Benfiquista mais goleador, no caso, Nené com 362 golos; é preciso recuar 14 anos (Rui Águas com 104 golos), para encontrar o último jogador do Benfica a atingir os 100 golos. Nuno Gomes apresenta um registo invejável: 10º melhor marcador de sempre do Benfica, 4º melhor nas competições da UEFA, 9º melhor de sempre no Campeonato!

Esta marca foi conseguida por Nuno Gomes ao longo de 10 épocas, muitas das quais jogando no sistema que mesmo o favorece, actuando como único avançado da equipa e raramente tendo o privilégio de marcar penalties (embora não falhe quando é chamado a marcá-los), isto para não falar das lesões que lhe roubaram longos períodos de actividade em várias ocasiões.



Nuno Gomes festeja com Miccoli o 0-3 em Leiria, 100º golo pelo Benfica
no Campeonato Nacional in
www.maisfutebol.iol.pt

Finalmente, refira-se que o Capitão do Benfica e da Selecção de Portugal (29 golos – 4º maior goleador de sempre) não é um goleador puro e duro. Porventura se fosse mais egoísta na grande-área, já teria marcado mais, mas quem o vê jogar, sabe que se trata de um jogador de equipa, que cria espaços para os colegas, faz assistências e não regateia esforços na hora de defender. A prova da sua utilidade, é que as grandes contratações se sucedem e Nuno Gomes encontra sempre o seu espaço no onze encarnado.

Os 150 golos de Nuno Gomes são a sua imagem de marca, o selo com que marca o seu lugar na História do Sport Lisboa e Benfica! Espero ver ainda muito mais golos com a marca “Nuno Gomes”.

* Os 150 Golos de Nuno Gomes

Campeonato Nacional - 113 (9º da História do SLB)
Competições Europeias - 22 (4º da História do SLB)
Taça de Portugal - 14 (23º da História do SLB)
Supertaça - 1 (4º da História do SLB)
TOTAL - 150 (10º da História do SLB)



Nuno Gomes festejando um dos dois golos marcados na vitória 0-2 do Benfica
no Estádio do Dragão.

07 Agosto, 2008

Berlim/1936, Moscovo/1980, Beijing/2008

BERLIM/1936 – MOSCOVO/1980 – BEIJING/2008


Pela 3ª vez em 112 anos de Olimpíadas modernas, o Comité Olímpico Internacional (COI), atribuiu a organização dos Jogos Olímpicos a um estado totalitário:

1- Berlim/1936 – Alemanha Nazi
2- Moscovo/1980 – União Soviética Comunista
3- Beijing/2008 – China Maoísta-Capitalista

O COI, hipocritamente, manifesta algumas preocupações com os Direitos Humanos, a Liberdade e a poluição, como se em 2001, quando os Jogos foram atribuídos, as duas primeiras não estivessem já ausentes e a última bem presente.

Embora tal não tivesse nada a ver com os Jogos Olímpicos, resta ter esperança que, tal como o III Reich (9 anos) e a URSS (11 anos), a República Popular da China não perdure muito tempo para além dos seus próprios Jogos. Se houvesse uma sequência aritmética, o prazo de validade da RPC seria de 13 anos, ou seja, em 2021, bye bye Red China. Até lá, fica esta imaginativa mas altamente significativa adaptação do logo dos Jogos de Beijing/2008.


25 Junho, 2008

Os Autocratas

OS AUTOCRATAS

A vocação comunitária para cilindrar a Democracia.
in "The Economist” (legenda minha)


E pronto! Como diz o povo, cada cavadela, uma minhoca! Neste caso, cada referendo, novo NÃO! E já lá vão 3 consecutivos: França, Holanda e, agora, Irlanda.

Em condições normais, o Tratado Constitucional/Tratado de Lisboa, já devia estar morto e enterrado e os Estados-Membros da União Europeia estariam concentrados na resolução dos problemas reais dos seus países e respectivas populações.

Previsivelmente, as coisas não aconteceram assim. Revoltados com esta nova desfeita do eleitorado, os políticos europeus reagiram com redobrados tiques autocratas. Angela Merkel quer que o infeliz Primeiro-Ministro da Irlanda explique aos outros 26 líderes porque é que os Irlandeses votaram Não (talvez porque desconfiam do Tratado). Outros, como Wolfgang Schauble (Ministro do Interior da Alemanha) resmungam que 4 milhões não podem decidir por 495 milhões, ignorando o pormenor de os outros 491 milhões não terem tido oportunidade de se pronunciar sobre o assunto. Muitos, como o MNE Português Luís Amado, afirmam que os Irlandeses terão de votar novamente (possivelmente na esperança de que à 72ª tentativa digam Sim).

É profundamente lamentável que representantes de países médios ou pequenos apouquem desta forma a vontade democraticamente manifestada por cidadãos de outros pequenos Estados-Membros da EU. Luís Amado presta um mau serviço a Portugal, quando embarca na onda de menosprezar o referendo porque a Irlanda (ou a Dinamarca noutros tempos) é um país pequeno, porque está a reduzir a margem de manobra futura e o poder de todos os Estados mais pequenos, incluindo Portugal.

Finalmente, constato, sem surpresa, que a EU continua imparável numa deriva autocrática. As 27 pessoas que têm assento no Conselho Europeu persistem em ignorar e desprezar a vontade democraticamente expressa dos cidadãos, fogem o mais que podem de os consultar e impões a sua vontade a bem ou a mal. Inebriados pelo seu poder, vão descambando em autocratas. Reafirmo: desta forma, a EU vai por maus caminhos.

18 Junho, 2008

Campeonato da Europa/2008 - 4




CAMPEONATO DA EUROPA/2008 - 4




8 AO SPRINT – Análise&Previsões


Holanda, Espanha e Croácia conseguiram a proeza de fazer o pleno de três vitórias. Portugal ganhou o Grupo A. A Itália e a Alemanha estão na corrida com todas as hipóteses. Rússia e Turquia são os outsiders


DESTAQUES POSITIVOS:
Holanda: Três jogos, 3 vitórias, 9 pontos, 9-1 em golos, isto no Grupo mais difícil do Europeu. Simply the Best da fase de grupos!

Itália: Tipicamente, ressurgiu das cinzas do desaire com a Holanda, para terminar em grande a fase de grupos com uma importante e saborosa vitória sobre a França. Vitória que só não foi estrondosa pelo azar que persegue Luca Toni. Seja como for, a Squadra Azzurra regressou à 1ª linha dos favoritos.

Andrea Pirlo: O Regista italiano é nº 8, é nº 10, é nº 6, assiste, marca golo, dirige o tempo e o modo de jogo da Itália. Um jogador superior e sem quebras nos grandes momentos.

Michael Ballack: É do capitão da Alemanha o melhor golo da 3ª jornada. Um autêntico míssil terra-ar de alta precisão.

Van Persie: A referência atacante da Laranja B. Belo jogo, coroado com mais um grande golo.

Os Eleitos: Reduzidos a metade, com diferentes graus de mérito, este é o pelotão que vai iniciar o sprint rumo ao Prater em Viena e ao título europeu de 2008.


DESTAQUES NEGATIVOS:
França: A equipa muito titulada na última década chegou ao fim da linha. Velha e gasta em vários sectores e actores, faltou-lhe o dinamismo e a capacidade para se opor aos adversários do Grupo da Morte. Mesmo assim, 1 ponto e golo em 3 jogos são uma performance fraquíssima para uma selecção com o prestígio da francesa.

Domenech: Um flop total. Mais uma vez confesso que me diverte escrever isto, mas perante esta criatura arrogante, malcriada, petulante e inconveniente, puder adicionar os adjectivos inepto e incompetente, sabe bem. A forma como montou a equipa contra a Itália foi o fiasco final.

Grécia: Detentora do título. 0 (ZERO) pontos.

Roménia: Se o Itália-França tivesse acabado empatado, a Roménia poderia ter-se qualificado com 3 empates e 3 pontos, mas isso é uma improbabilidade estatística que não se materializou. À Roménia estava destinado o papel de figurante do Grupo C. No último jogo, quando uma vitória eliminava Itália e França, não foi capaz de jogar para mais do que o empate. Acabou em 3º e não merecia mais.

Rep. Checa: Os 15 minutos finais em que passou de 2-0 para 2-3 foram o cúmulo da incompetência por parte de uma das equipas mais experientes em prova. Foi mau de mais para uma equipa que era suposto estar na 2ª fase.


Polónia: Atitude defensiva e dominada por parte de uma equipa que precisava de ganhar, eis algo que só pode ter duas explicações: incapacidade ou cobardia. Em qualquer caso, não é nada lisonjeiro.

Mário Gomez: Pode ter realizado um bom Campeonato na Alemanha, mas no Europeu tem sido um marreta: os golos falhados contra a Áustria e a Polónia são de bradar aos céus. Não fez mais nada que compensasse.

Peter Cehc: Grande frango a abrir a porta de saída do Euro/2008 para a Rep. Checa. Foi muito mau.

Klaus Konrad. Depois de Tom Henning Ovrebo, tivemos um árbitro austríaco de jeito apalhaçado que fez uma arbitragem espalhafatosa e miserável no Portugal – Suíça. Portugal jogou mal, mas o Sr. Konrad foi o pior em campo e conseguiu mostrar que ainda é pior do que a selecção da Áustria. O Espanhol que arbitrou o Áustria-Alemanha também foi muito fraco: dois penalties ignorados e o número da expulsão de ambos os treinadores foram lamentáveis.

EQUIPA DA 3ª JORNADA:

1- Boruc
2-
Lahm
3-
Heitinga
4- Panucci
5- Pranjic
6- De Rossi
7-
Van Persie
8-
Ballack
9- Nihat
10- Andrea Pirlo
11- Zirkov

12- Buffon
13- Zambrotta
14- Chivu
15- Ashavin
16- Yakin
17- Klasnic
18-
Huntelaar

PREVISÕES:

As minhas previsões da 1ª fase não foram famosos: acertei em 5 dos 8 apurados. A Rep. Checa com aqueles 15 min. Catastróficos contra a Turquia foi a primeira a deixar-me ficar mal. A Suécia, impotente perante a Rússia foi a última. Pelo meio, a Polónia mostrou que não tinha estofo para tal cometimento.

Mesmo assim, aqui ficam as previsões para as meias-finais:

ALEMANHA– CROÁCIA

HOLANDA - ITÁLIA

15 Junho, 2008

Campeonato da Europa/2008 - 3

CAMPEONATO DA EUROPA/2008 - 3

LARANJA MECÂNICA PARTE III



Duas jornadas volvidas e a Holanda é o grande destaque da competição: depois de vencer o Campeão do Mundo por 3-0, a Holanda bateu a França por 4-1, parecendo querer reeditar a celebérrima Laranja Mecânica dos anos 70 (Mundiais de 1974 e 1978) e a dos anos 80 (Campeã da Europa em 1988). Sendo que a França dominou desde os 25 min. até aos 3-1, a Holanda mostrou dominar os 3 momentos cruciais do jogo: ataque continuado/organizado, defesa sólida e contra-ataque rápido e concretizador.

Portugal continua a fazer um percurso irrepreensível, somando mais um bom jogo contra um adversário mais difícil (Rep. Checa). Ao contrário do que muitos pensava, Portugal não tem demonstrado nenhuma Ronaldo-dependência, sendo que o nº 7 da selecção tem sido uma peça do conjunto em vez DA peça.

Nos Grupos C e D. o destaque vai para a Croácia e para a Espanha, já qualificadas com 6 pontos, merecendo referência especial a bela vitória dos Croatas sobre a Alemanha, repetindo o Mundial de 1998.

DESTAQUES POSITIVOS:
Marco Van Basten: Excelente leitura de jogo, executando a mais significativa mudança de um jogo a partir do banco nesse Europeu. Encostados os Holandeses atrás pela reacção francesa ao golo de Dirk Kuyt, Van Basten resistiu a colocar mais um defesa ou um médio corpulento e “varredor”. Lançou os extremos Robben e Van Persie, colocou pressão sobre a defesa da França, abatendo-a com tiros de velocidade e técnica. Conferiu uma renovada força à expressão “A melhor defesa é o (contra-)ataque.”

Arjen Robben e Robin Van Persie: Os dois velozes extremos que dinamitaram a França na 2ª parte com dois golos e uma assistência. Magníficos.

Deco: O melhor de Portugal. Nunca fui grande apresciador de Deco, mas fez um excelente jogo, estando nos 3 golos de Portugal: marcou o 1º, assistiu no 2º e lança o contra-ataque que resultou no 3º. O seu trabalho no golo de Ronaldo é de eleição.

Sneijder: Dirigiu o meio-campo laranja, fez um jogo mjuito intenso a atacar e a defender e teve arte para marcar o melhor golo da jornada aos 92 min.

Srna: O grande protagonista do contra-ataque croata que deixou a cabeça em água à defesa alemã. Boa técnica, rapidez e um golo.


Os Qualificados: Holanda, Portugal, Croácia e Espanha: É sempre de destacar quem consegue apurar-se logo à 2ª ronda destes mini-campeonatos somando 6 pontos. Além do mérito, já oartem à frente para os quartos-de-final.

Guarda-Redes: Van der Sar
e Gianluigi Buffon tiveram jornada de grande destaque. O Holandês garantiu a vitória e a liderança da sua equipa quando a França ameaçava e o Italiano garantiu a sobrevivência da sua selecção em vários momentos, com destaque para o 1º penalty defendido neste Euro.

DESTAQUES NEGATIVOS:
Grécia: Eliminada à 2ª jornada! Confesso que me dá um certo gozo escrever isto. Em dois tempos e três golos (um magnífico, outro abarracado e um frango), os mais fracos Campeões da Europa de que há memória estão knock-out. Lá dizia o outro que a vingança se serve fria.

Alemanha: Desapontadora. Após uma exibição convincente perante a Polónia, um verdadeiro acto falhado frente à Croácia. Se isto significar dificuldades a jogar contra equipas mais técnicas, os Portugueses poderão sorrir.

Makelele e Thuram: Estão ambos ultrapassados enquanto jogadores de very top. Makelele usa e abusa da dureza (por vezes da violência) mais do que antes e devia ter visto o vermelho contra a França. Thuram, batido por Robben no 3-1, era a imagem da impotência. Se a estes juntarmos Vieira, a França versão 2010 terá de ser bem diferente.

Defesas Laterais: Jansen e Zambrotta . O Alemão foi um verdadeiro desastre, conseguindo estar nos dois golos da Croácia e ser constantemente ultrapassado. Se Low estiver atento, o Euro-2008 acabou para ele. O Italiano teve um erro de palmatória que custaria caro à Itália, não fora Buffon.

Tom Henning Ovrebo. A Noruega não está no Euro-2008, mas tem um árbitro presente. Infelizmente, porque o Sr. Tom Henning Ovrebo, portou-se muito mal no Itália-Roménia, anulando um golo limpo a Luca Toni, inventando um penalty de Panucci (defendido por Buffon) e não marcou um livre frontal a favor dos Italianos mesmo no fim do jogo. Não serão muitos erros num sentido para ser só coincidência ou incompetência?


EQUIPA DA 2ª JORNADA:

1- Van der Sar
2- Lahm
3- Oijer
4- Ricardo Carvalho
5- Fábio Grosso
6- Petit
7- Srna
8- Deco
9- Podolski
10- Snijder
11- Robben

12- Buffon
13- Robert Kovac
14- Mathijsen
15- David Villa
16- Cristiano Ronaldo
17- Van Persie
18- Van Nistelrooy
























12 Junho, 2008

Campeonato da Europa/2008 - 2

CAMPEONATO DA EUROPA/2008 - 2

PRIMEIRAS IMPRESSÕES





Terminou a 1ª jornada da fase de grupos. A principal nota até agora é a da normalidade, tendo as equipas teoricamente mais fortes vencido a generalidade dos desafios. As únicas surpresas reportam-se ao desnível do resultado no Holanda, 3 – Itália, 0 e, também, no Espanha, 4 – Rússia, 1.

Em relação às minhas preferências, as coisas ficaram bem encaminhadas, dado que 6 das 8 equipas que previ que se qualificariam para os quartos de final, ganharam e as duas que perderam, defrontaram outros dos “escolhidos”.

Fazendo jus ao nome dos contendores, o Holanda-Itália foi o grande jogo desta ronda: futebol de ataque, boas jogadas, golos e oportunidades, competitividade e ritmo. A Holanda esteve magnífica e a Itália soçobrou com o discutível primeiro golo. Não acredito, todavia, que a Squadra Azurra já esteja out. Os Italianos são peritos em superar situações complicadas nas fases de grupos das grandes competições, embora o seu historial seja bem melhor nos Campeonatos do Mundo do que nos da Europa.

DESTAQUES POSITIVOS:
Holanda: Jogo brilhante, em mais uma reencarnação da mítica Laranja Mecânica e do futebol total. Bons a atacar, bons a marcar, bons a jogar, bons a defender. Se continuar assim, será quase imparável.

Alemanha: Bom jogo, sempre sólido, várias vezes vistoso, quase sempre eficaz, contra um adversário (Polónia) de dificuldade média.

Portugal: Belo jogo. Excedeu as minhas melhores expectativas, com todos os 11 titulares em bom nível, boa preparação física, determinação e futebol de ataque e adversário (Turquia) manietado. Merecia ter ganho por 4-0.

Espanha: Aproveitou bem o suicídio defensivo da Rússia para fazer uma boa exibição de futebol de contra-ataque e marcar 4 golos.


Wesley Snijder: Jogo completo a defender, organizar e a atacar, coroado com um golo soberbo. O melhor do primeiro round!

Defesas Laterais: Van Bronckhorst
(fabuloso) e Philip Lahm , deram festivais de 100m, correndo toda a linha do campo com velocidade e qualidade defensiva e ofensiva notáveis. Foram dos melhores da 1ª jornada.

Avançados: Lucas Podolski
, Van Nistelrooy , David Villa e Ibrahimovic foram os destaques da jornada. O Alemão marcou dois golos (muito bom o 2º) jogando a extremo; o Holandês dinamitou a defesa italiana e só não marcou mais golos porque tinha pela frente Buffon; o Espanhol fez um hat-trick; e o Sueco marcou um golo fabuloso (o melhor até agora).

DESTAQUES NEGATIVOS:
Rússia: Depois de um bom começo, os Russos cometeram um hara-kiri defensivo, perdendo bolas fáceis no mei campo, deixando-se ultrapassar constantemente em contra-ataque e falhando totalmente na marcação defensiva.

Donadoni: Mesmo tendo azar com os timings dos acontecimentos-chave do jogo, não armou bem a equipa e não foi capaz de intervir em tempo útil para a salvar do naufrágio. A entrada tardia de Del Piero e o papel (positivo) que ele desempenhou no ataque realçam o dia mau do treinador italiano, que não pode falhar outra vez.

Turquia: Completamente manietada por Portugal, passou o jogo a correr atrás dos adversários.

Croácia: Pode, mas não quis jogar.

Áustria: Quis, mas não soube jogar.


EQUIPA DA 1ª JORNADA:

1- Van der Sar
2- Lahm
3- Peter Hansson
4- Pepe
5- Van Bronckhorst
6- Moutinho
7- Van der Vart
8- David Villa
9- Van Nistelrooy
10- Snijder
11- Podolski



12- Buffon
13- Zambrotta
14- Mathijsen
15- Deco
16- Ballack
17- Wilhelmsson
18- Ibrahimovic