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17 maio, 2012

Desemprego em Passos Acelerados

DESEMPREGO A PASSOS ACELERADOS

O desemprego em Portugal bateu nos 15%. O desemprego entre os jovens cifra-se nos 35%. Há 820.000 desempregados. Números gravíssimos e nunca vistos.
Sobre este problema e sobre a crise, Passos Coelho foi-nos deixando declarações como estas ao longo dos últimos 6 meses:
Dezembro de 2011: Sugere que os professores desempregados emigrem para Angola ou para o Brasil
Fevereiro de 2012: Apela aos Portugueses para serem menos piegas.
Março de 2012: Marcelo Rebelo de Sousa e outros analistas notam e criticam a ausência de referências ao desemprego nas intervenções de Passos Coelho no Congresso do PSD. Marcelo acrescenta que, certamente o fará na intervenção final. A custo, Coelho lá fez a referência no discurso de encerramento.
Abril de 2012: Declara que estão (o Governo e a Troika) a tentar perceber as razões deste crescimento acelerado do desemprego.
Maio de 2012: Afirma que estar desempregado não é necessariamente negativo e que tal pode representar uma oportunidade.
Maio de 2012: Confrontado com os novos números do desemprego, Passos Coelho recusa pronunciar-se.
Eu sei que há quem faça interpretações benfazejas daquilo que Passos Coelho disse. Admito que algumas sejam verosímeis. Contudo, como sou céptico em relação às coincidências, especialmente quando são em série, tenho de me inclinar para outras explicações possíveis:
1-   O homem denota insensibilidade social e ainda escarnece cinicamente daqueles que passam dificuldades.
2-   Trata-se de um trapalhão que mete os pés pelas mãos, tendo dificuldade em articular uma ideia escorreita e unívoca sobre temas de grande sensibilidade.
3-   Não tem a menor ideia do que é o desemprego, ou do que é estar numa situação altamente precária, porque sempre viveu da política, do partido e dos padrinhos, pelo que sempre teve bons cargos, independentemente das qualidades e qualificações, ou falta delas.
4-   Ele faz o que a Troika manda e quer lá saber das consequências. De qualquer forma, a responsabilidade será sempre da Troika.
5- Tem boas intenções, mas é mal compreendido ou mal interpretado.
Em suma, há 820.000 Portugueses com um mar de oportunidades pela frente, muitos dos quais podem/devem emigrar e outros são uns piegas inúteis. Nós é que não queremos ver!
A propósito das últimas declarações de Passos, e porque rir faz bem, deixo o link para o último (17/05/2012) sketch de Ricardo Araújo Pereira na Rádio Comercial. É hilariante! http://www.xicapenico.org/mixordia-tematicas/ *
Certo mesmo, é que o desemprego acelera a largos passos e o Passos desacelera a nossa economia até à asfixia.
 
* A gravação é do “Programa da Manhã da Rádio Comercial”, pelo que o início é uma conversa que não tem a ver com a rúbrica de RAP.

P.S. O INE divulgou uma estatística segundo a qual, 57.000 jovens portugueses emigraram durante o 1º trimestre de 2012. Se anualizarmos esta cifra, poderemos chegar ao final do ano com menos 228.000 jovens. Mais do que seguir o conselho de Passos, estes jovens concluiram que estamos perto do abismo e seguindo em frente. Esta estatística é potencialmente trágica, porque é o futuro de Portugal que vai saindo e batendo com a porta.

P.P.S. A OCDE divulgou as suas previsões económicas. Relativamente as Portugal, as previsões são estas:

  * Recessão em 2012 e 2013.
  * Evolução do PIB em 2012: -3.2%; e em 2013: -0.9%.
  * Desemprego: 16.2% em 2013
  * Consumo privado em 2012: -6.8%; e em 2013: -3.2%.
  * Déficite orçamental em 2012: 4.6%; e em 2013: 3.5% (objectivo é 3.0%.
  * Exportações em 2012: +3.4%; e em 2013: +5.1%.

Palavras para quê? Depois o Governo e a Troika espantam-se com o aumento do desemprego! Estão a sangrar a economia do país como se da matança de um porco se tratasse e estavam à espera de quê?
 

18 novembro, 2010

Os Recadistas

OS RECADISTAS

A vida política em Portugal e na Europa anda pejada de recados. Para haver recados, é preciso haver quem os envie. Vamos chamar-lhes recadistas.

A Chanceler alemã, Angela Merkel, tem sido campeã na matéria. A vertigem da renovada pujança económica da Alemanha retirou-lhe a habitual discrição e não há dia que não seja citada na imprensa, ora puxando as orelhas à Grécia, ora pressionando a Irlanda ou Portugal; nos últimos dias anunciou que o fim do euro (que deixou implícito poder estar próximo) implicaria o fim da EU, para dois dias depois dizer o seu contrário, para finalmente concluir que o euro está para lavar e durar. Pelo meio, vai insistindo na ideia de penalizar os investidores pelos empréstimos que os Estados possam não pagar, fazendo disparar a taxa de juro das dívidas soberanas da Irlanda, Espanha e Portugal.

Depois das declarações de Merkel sobre o euro e a EU, veio Van Rompuy (Who?), atento, venerador e obrigado, reiterar a mesma ideia. Como Merkel já se contradisse, aguarda-se que o Belga que preside ao Conselho Europeu faça o mesmo brevemente.

Comissários europeus e seus acólitos, assessores e porta-vozes, debitando recados, soando alarmes e entoando mais ou menos veladas ameaças é o prato do dia. Até a venerável OCDE parece ter perdido o tento na língua e deu em fornecer a Portugal instruções semanais sobre política económica e orçamental.

Por cá, temos os recados contraditórios que emanam do Governo e do PS, com o Ministro das Finanças a dizer que os cortes salariais na função pública são definitivos (sendo contrariado por um Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS) e a falar na iminência da intervenção do FMI, para ouvir o PM a dizer que isso não era uma hipótese.

E os recados proliferam emanado dos partidos, dos mass media, dos bancos, dos comentadores e dos ex-qualquer coisa (ex-Presidentes, ex-Ministros, ex-directores, etc).
Escusado será dizer, que este engarrafamento recadista, lança a maior confusão junto do público, agita ainda mais os mercados e distrai os decisores da sua missão hercúlea de tirar do buraco financeiro os países que eles próprios lá meteram.

Só resta saber quem será capaz de levar a carta a Garcia, que é como quem diz, quem será capaz de atingir os propósitos subjacentes aos respectivos recados (para este efeito, sugiro o regresso ao início do post).

12 maio, 2010

Mentirosos Impenitentes

MENTIROSOS IMPENITENTES


Na campanha eleitoral de 2009, o PS afirmou que não aumentaria os impostos. No Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) versão 1, o Governo PS propõe-se reduzir e/ou eliminar as deduções fiscais (despesas com educação, saúde, etc) o que configura objectivamente um aumento da carga fiscal dos cidadãos. Até hoje, com um misto de hipocrisia e desfaçatez, o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças continuam a afirmar que não há aumento dos encargos fiscais dos contribuintes.

A 16 de Abril de 2010, em pleno Parlamento, José Sócrates declarou que não aumentaria os impostos. Nos últimos dias, o seu (dele) Ministro das Finanças, vai preparando o terreno para o aumento dos impostos. Os arautos do regime na imprensa vão deixando cair sugestões: aumento do IVA (a mais popular), do IRS, redução de salários, imposto extraordinário sobre o 13º (ou 14º) mês.

As medidas impostas na (à) Grécia e as propostas pelo Primeiro-Ministro de Espanha (outro free spender que de repente descobriu que corria para a bancarrota) são aplaudidas e apontadas como exemplo. Até o inefável Obama terá telefonado a Zapatero a instá-lo a tomar medidas draconianas. Tudo se conjuga para a construção do cenário da inevitabilidade, do dever patriótico, do sacrifício solidário, da escolha entre o assalto à nossa carteira e a falência colectiva.

Estranhamente, o PSD, ainda antes de o PS assumir o aumento de impostos, já parece encará-los como um facto consumado e propõe condições para a sua aprovação, efectivamente comprometendo-se com esses aumentos a priori. É um duplo erro: um erro táctico porque o PSD fica com um ónus maior do que o seria normal dado não ser governo; um erro estratégico porque está a ir contra o que o actual líder proclama há dois anos e até há poucos dias atrás. Será lamentável, tão pouco tempo depois de ter sido eleito, se já demonstrar os tiques de bloco central e o vício de dizer uma coisa e fazer outra, que arruínam todos os dias a reputação dos políticos em Portugal.

Se tal acontecer, será reforçada a convicção da maioria dos Portugueses de que eles (os políticos) são todos iguais: são todos uns mentirosos impenitentes.

P.S. Reforçando a ideia que as burocracias têm uma voracidade permanente por aumentar o seu poder e influência, o líder da burocracia europeia, Durão Barroso, propõe que a Comissão Europeia faça uma triagem prévia dos orçamentos dos Estados-Membros. O polvo vai estendendo os seus tentáculos…

04 maio, 2010

Gregos com os Gregos

GREGOS COM OS GREGOS



A Grécia está à beira da falência. Primeiro, fez-se forte e disse que não contava necessitar de apoio internacional. O número durou poucos dias, porque espremer os Gregos até à medula não era suficiente e lá teve de ir a correr a Bruxelas, Berlim e Washington, desesperadamente à busca de ajuda. Inicialmente o pacote internacional seria de 45 biliões de euros; quando completado o plano de ajuda, a conta tinha ascendido a 110 biliões. Antes que se recuperasse o fôlego, foi prontamente acrescentado que 150 biliões poderiam não chegar.

A situação não é demasiado surpreendente: trata-se de um país que aderiu ao euro fazendo batota (assumida) com as contas públicas, que é “vítima” de muitos anos de gestão incompetente e socializante, onde o estado atingiu proporções desmedidas.

A questão abrangente que agora se devia colocar é a de saber se e porquê é que cidadãos de outros 15 Estados devem arcar com uma quota importante do fardo de salvar a Grécia do naufrágio. E a questão particular que deveríamos colocar é a de saber se Portugal pode e deve emprestar 2 biliões de euros à Grécia, quando é um país que também se encontra numa situação financeira e económica muito complicada.

Tenho para mim que, enterrar tanto dinheiro numa Grécia irresponsável e insolvente corre o risco de enviar o sinal errado: gasta de mais, produz de menos, endivida-te até ao tutano, que depois a Alemanha, a Holanda, a França, a Áustria e outros, lançam-te a bóia da salvação. Até que ponto é que, a longo prazo, o euro não ficaria mais sólido passando agora pelo abalo da exclusão de um país, mas assentando em bases mais consistentes no futuro? Será que as agências de rating não reagiriam de forma mais favorável?

A propósito das agências de rating, não sei que motivações e influências políticas possam ter, mas penso que são empresas que estão no mercado e que têm de emitir pareceres e relatórios credíveis para prosperarem. Até ver, não foram a Standard & Poor’s ou a Moody’s que esbanjaram os euros dos Gregos, os endividaram para além do razoável e que continuam a tentar enganar os mercados com números erróneos sobre as suas contas.

A realidade é que todos nos vemos gregos com os Gregos: uns, como os Alemães, vêem as suas poupanças enterradas numa empreitada de êxito e interesse duvidosos e outros, como os Portugueses ou os Espanhóis, vêem a sua credibilidade e solvabilidade hipotecadas pelo mau exemplo de Atenas (e pela sua própria gestão incompetente).

27 novembro, 2008

O Socialismo de Sócrates

O SOCIALISMO DE SÓCRATES


José Sócrates tem a fama (e algum proveito) de não ser um verdadeiro socialista. No entanto, para quem tinha dúvidas, a recente crise económica revelou que ater pode não ser, mas os tiques continuam lá. Senão vejamos:

Quando a crise eclodiu, José Sócrates proclamou, com indisfarçável satisfação, que a era do Liberalismo tinha acabado e que ao Estado estava reservado um renovado e imprescindível intervencionismo na economia.

Depois, disse que a única forma de superar o clima recessivo, era pôr o Estado a investir desenfreadamente, presumivelmente mandando às urtigas os resultados orçamentais que esmifrou dos Portugueses nos últimos três anos. Para dar consistência teórica ao argumento, bramou “Keynes! Keynes! Keynes!” em pleno Parlamento. A mim soou mais a “Mitterrand! Mitterrand!!”

Finalmente ontem, confrontado com o plano de combate à crise da Comissão Europeia, Sócrates rejeita a possibilidade de descida de impostos. Sim, porque ele até já desceu o IVA uns estonteantes…1%! E lá voltou o refrão dos investimentos do Estado que nos vão tirar da crise com pé enxuto. Até deu para sublinhar os sinais de optimismo: parece que até estamos a decrescer (economicamente) menos do que os outros. Morrer sim, mas devagar.

O pior disto tudo, é o tal tique socializante e estatista. Havendo falta de liquidez, reduzida capacidade para investir, diminutas possibilidades para consumir, sérias dificuldades para cumprir obrigações contratuais, mandaria o bom senso disponibilizar mais liquidez à sociedade, ou seja, aos cidadãos. Tal seria feito, nomeadamente, diminuindo o IRS, assim fazendo com que os Portugueses tivessem mensalmente mais dinheiro vivo disponível e, consequentemente, mais capacidade para pagar, mais disponibilidade para consumir, mais vontade de investir.

Mas não. O governo encara a riqueza produzida pelos Portugueses como propriedade do Estado da qual, com maior ou menor magnanimidade, deixa os cidadãos reterem uma parte. O que se compreende, porque o Estado é um bom gestor, é um bom pagador, não gasta mais do que recebe, não deve nada a ninguém e sabe melhor do que os indigentes mentais que povoam o país quais são os seus (nossos) superiores interesses e, é claro, como gastar o seu (nosso) dinheiro.

E assim se vai realizando a velha prática socialista de igualizar por baixo, preservando o império estatal e os privilégios daqueles que à sua volta gravitam.
 
 

24 novembro, 2008

Sabedoria Infantil

SABEDORIA INFANTIL E
A CRISE ECONÓMICA
A crise económica mundial continua a preocupar milhões de cidadãos e a desafiar políticos, economistas, banqueiros e empresários.

Há uns dias atrás, o Afonso Duarte (o meu filho de 9 anos), perguntou-me o que era isso da “crise económica mundial”. Tentei explicar da melhor forma possível e referi a componente psicológica das crises económicas, nomeadamente a convicção generalizada de que há crise tende a agravar os seus sintomas.

Responde o Afonso:

“Papá, se não dissessem a ninguém que havia crise, as pessoas já não se preocupavam porque não sabiam e a crise talvez desaparecesse!”

Case closed.

10 março, 2008

Eram Mais Que Muitos

ERAM MAIS QUE MUITOS

100.000 Professores no Terreiro do Paço, Lisboa
Imagem retirada do site da FENPROF -
http://www.fenprof.pt/
100.000 Professores unidos, provenientes de todo o país, manifestando-se em Lisboa contra políticas de educação, contra a Ministra da Educação e o Governo e a favor da dignidade da classe, foi uma demonstração de força e união verdadeiramente surpreendente. Afinal, trata-se de cerca de 2/3 de todos os professores e cerca de 1% da população portuguesa que se desloca a Lisboa, num dia de folga, para fazer valer os seus direitos.

Os Professores são uma classe que tem um trabalho árduo, pouco reconhecido e de enorme responsabilidade e que é (ou devia ser) central na concepção de uma política de educação. A Ministra assumiu que preferia descartar os Professores e “ganhar para o seu lado” os pais e os alunos. Erro crasso. Eu sou pai e acho tal abordagem desprezível e errada. Os alunos são o objecto da educação e os Professores são o instrumento executor; sem uns e/ou sem os outros, nada de válido e sustentável será expectável num sector estratégico para o futuro de Portugal.

O Governo pode estrebuchar e desvalorizar, mas não há volta a dar: os Professores na Baixa de Lisboa eram mais que muitos, conscientes, determinados e colocaram em cheque a marcha da política de Lurdes Rodrigues. Para além disso, os Portugueses assistiram ao maior desafio público feito a um governo em muitos anos. Se a cegueira não reina em S. Bento, deve haver muitas luzes amarelas a acender no inner circle governativo.

100.000 Professores na Avenida da Liberdade, Lisboa
Imagem retirada do site da FENPROF - http://www.fenprof.pt/


P.S. O Comissário Político Santos Silva teve mais uma prestação miserável perante as câmaras de televisão e os microfones das rádios: o PS tem o exclusivo da luta democrática em Portugal, Chaves é um reduto de comunistas empedernidos, os manifestantes que protestam contra a Ministra da Educação por todo o país são uma grave ameaça à Democracia e às liberdades de expressão e de reunião.

Como não estamos no III Reich nem na URSS, o Comissário Político é mais ridículo do que perigoso, mas a prudência aconselha-nos a não menosprezar os tiranetes intolerantes, mesmo quando eles parecem inofensivos. O lamentável papel que foi dado à PSP é um sinal de tempos pouco interessantes.

31 maio, 2007

A Ota e os Camelos

A OTA E OS CAMELOS
Cartoon do Público.

“Quanto mais se fala, ouve, escreve, lê e conhece sobre o dossier do Aeroporto da Ota, mais cheira a esturro.” Escrevi isto a abrir o post “A Ota e os Otários”, publicado neste Blog em 22 de Março de 2007. Confesso que não imaginava regressar a este tema tão cedo. Contudo, não controlo a agenda política e muito menos a incontinência verbal de um significativo número de membros do executivo de José Sócrates, começando no Ministro da Economia, passando pelo Ministro da Saúde e desbocando, perdão desembocando, no Ministro da Obras Públicas.

Este último tem feito um forcing notável para superar os seus pares, conduzindo a cruzada da Ota com o zelo de um Taliban e a prudência de um rinoceronte a visitar uma loja da Vista Alegre.

O que escrevi no supra-referido post: “sendo que o argumentário que lhe costumo ouvir é do tipo: é na Ota porque tem que ser e assim está decidido.”, já não parece ser suficiente perante a barragem de críticas consistentes e sustentadas que vão sendo debitadas por pessoas qualificadas a um ritmo impressionante.

Então Mário Lino ataca com um argumento arrasador: um aeroporto tem de estar numa envolvência que inclua uma população numerosa, hospitais, escolas, hotéis, lojas comerciais, etc. Pensei para comigo: então ele já quer o Aeroporto em Lisboa. Ingenuidade minha. Esta metrópole de gente, infra-estruturas e serviços encontra-se na Ota!!! Antes que recupere o fôlego, Lino desfere o coup de grâce: ao contrário da Ota, a margem sul do Tejo é um deserto!!! Fiquei arrasado! E eu convencido que lá moravam 800.000 pessoas, havia cidades, indústrias, a principal base naval da Armada Portuguesa, explorações agro-pecuárias, os Centros de Estágio do Benfica e do Sporting e, afinal, aquilo é um mar de areia, com uns cactos, uns quantos camelos e meia dúzia de beduínos.

Lino despertou para a realidade e descobriu que estava a pensar no Mali ou na Mauritânia, quando os representantes dos tais 800.000 cidadãos (que não camelos) fizeram ouvir o seu veemente protesto pela ofensa a que o otismo excessivo do Ministro o havia levado.

Para pôr a cereja no topo do bolo, quiçá desperto pelo tropel de milhares de camelos, o Presidente do PS, Almeida Santos desvendou, com juvenil ingenuidade, o verdadeiro segredo da Ota: a Al-Qaeda estava a fazer lobby para que o novo aeroporto de Lisboa fosse na margem sul do Tejo porque já tinha guardado um stock de dinamite nas imensas dunas da Península de Setúbal para diligentemente colocar nos pilares da futura ponte, isolando a capital do seu nóvel aeroporto. Presume-se que o Presidente do PS terá acesso a informação classificada que lhe permite saber que os referidos explosivos seriam inócuos se utilizados nas pontes Vasco da Gama ou 25 de Abril!

Em Março escrevia que o Governo queria fazer os Portugueses passar por otários. Agora tivemos um downgrade para camelos. Entretanto, vamos sendo vítimas de um otismo trágico-delirante, que seria hilariante, senão fosse pago por nós para servir o interesse de outrém.

26 março, 2007

Empresários Desregulados


EMPRESÁRIOS DESREGULADOS

Na falta de problemas graves que assolem a economia portuguesa, as confederações empresariais (com a honrosa excepção da do Turismo), entretiveram-se a escrever uma carta ao Primeiro-Ministro solicitando-lhe a gentileza de mudar a hora de Portugal, acertando-a com a da “Europa”.

Embora o ridículo possa matar, isso por vezes não acontece em Portugal e por isso deixo algumas considerações sobre esta iniciativa estruturante para a nossa economia.

1- Será que os problemas de (falta) de competitividade da economia portuguesa passam primordialmente, lateralmente, perifericamente, ou mesmo remotamente por uma questão de fusos horários?
2- O que é que se quer dizer com “acertar a nossa hora com a da Europa”, sabendo-se que a Europa tem 4 fusos horários diferentes?
3- Será que o facto de meia dúzia de empresários terem (será que têm?) de dormir ocasionalmente uma noite em Munique, Milão, ou Barcelona, é motivo para alterar a vida de 10 milhões de Portugueses.
4- Como se vai indemnizar as empresas que negoceiam primordialmente com o Reino Unido ou a Irlanda?
5- Como é que os Estados Unidos conseguem ser a maior potência económica mundial tendo 4 fusos horários entre o Atlântico e o Pacífico e 6 se incluirmos o Alaska e o Hawaii?
6- Se os EUA, o Japão, ou a China se tornarem os nossos principais parceiros comerciais, que fuso horário devemos adoptar? Sorteamos ou fazemos uma rotatividade anual?
7- Como é possível, numa economia globalizada, que em muitas áreas funciona 24/7 (24 horas por dia, 7 dias por semana), haver quem pense que uma volta a mais ou a menos no relógio vai mudar as nossas fortunas?
8- Como se pode ter esta visão mesquinha ao arrepio do interesse das pessoas e do seu equilíbrio natural? Sim, porque os fusos horários não são um arbítrio ou uma aberração. São uma necessária adaptação das horas ao relógio solar e, consequentemente, ao relógio biológico.

Rentabilizem as empresas, promovam a competitividade e motivem os funcionários, procurem oportunidade de negócio e novos mercados, criem marcas de sucesso, invistam em R&D, criem riqueza e deixem-se de jogos florentinos e de procurar desculpas de mau pagador.

O H4 criado pelo Britânico John Harrison em 1755 foi o primeiro relógio de precisão.
Está exposto no Greenwich Royal Observatory, referência para o primeiro Meridiano e para o fuso horário de Portugal: Greenwich Mean Time (GMT).

22 março, 2007

A Ota e os Otários

A OTA E OS OTÁRIOS


Quanto mais se fala, ouve, escreve, lê e conhece sobre o dossier do Aeroporto da Ota, mais cheira a esturro.

1- A Ota fica demasiado longe de Lisboa (50km).
2- A Ota aproxima o aeroporto de Lisboa do do Porto, "inutilizando" os voos Porto-Lisboa e desmobilizando a utilização do Aeroporto Sá Carneiro onde se tem investido (e bem) centenas de milhões de euros.
3- A Ota deveria durar 50 anos. Os últimos estudos conhecidos apontam para uma vida útil que varia entre os 20 e os 13 (!!!) anos!
4- A construção da Ota envolve dificuldades naturais e técnicas (lençóis de água, orografia difícil, quantidade colossal de remoção de terras) que se evitariam noutros sítios.
5- O Ministro das Obras Públicas e Transportes, Mário Lino, com o apoio do Primeiro-Ministro, demonstra um inusitado zelo em arrancar com as obras da Ota com a maior celeridade possível, sendo que o argumentário que lhe costumo ouvir é do tipo: é na Ota porque tem que ser e assim está decidido.
6- Ainda não estou convencido de que o Aeroporto da Ota vá custar 3 biliões de euros e que o Estado Português só “desembolse” cerca de 300 milhões. Quais são as contra-partidas e as garantias que os privados que investirem 2,7 biliões de euros vão receber de Portugal?
7- Alguém acredita que o custo se vai ficar pelos ditos 3 biliões?

O Governo é rosa, mas para o caso podia ser laranja, azul, vermelho ou verde: a realidade é que estou convencido que a opção pela Ota e já não serve o interesse nacional. Parece-me também óbvio que serve alguns interesses (não necessariamente ilegítimos), mas o Governo tem de pôr os interesses da nação acima dos restantes. É, aliás, isso que Sócrates apregoa quando arremete contra os interesses “corporativos” de professores, funcionários públicos, polícias, militares, povoações que perdem serviços públicos, especialmente no domínio da saúde, etc, etc.

No entanto, este fervor parece diluir-se quando se fala na Ota e não consigo afastar a desagradável sensação de que a Ota vai ser feita à custa dos otários do costume, ou seja, da generalidade dos Portugueses.



03 março, 2006

Até Quando BCE?

ATÉ QUANDO BCE?


As previsões para a inflação da zona euro cresceram de 2.1% para 2.2%. E o que faz o Banco Central Europeu? Aumenta pelo 2º trimestre consecutivo as taxas de referência em 0.25%. As perspectivas de crescimento de um conjunto de países europeus semi-estagnados melhoram ligeiramente e eis que o BCE se aligeira a aumentar as taxas de juro. Para quê? Para amarfanhar a tímida recuperação económica?

Sempre fui favorável ao combate anti-inflacionista, até porque, para além das razões da ciência económica, cresci num país com uma taxa de inflação altíssima para os standards ocidentais (sim, é a Portugal que me refiro, não cresci na Bolívia ou no Brasil). No entanto, tal não significa que ache que se deva endeusar esse objectivo e perder de vista a saúde e a vitalidade económica de um conjunto de 12 países que não se medem apenas pelos valores da inflação ou do défice. Será que os senhores governadores do BCE querem para a Europa um destino semelhante ao do Japão dos anos 90: deflação e estagnação? Até quando BCE?