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30 março, 2017

Brexit Day 1



BREXIT DAY 1


 
Theresa May signs the letter triggering article 50.
in BBC News at www.bbc.com/news

Yesterday, Brexit was finally officially kick-started. Now follows two years of hard-fought, occasionally acrimonious negotiations. It is hard to predict the outcome other than the obvious United Kingdom exit from the EU.

Going through some analyses, one gets the sense that anything that could go bad will hurt the UK solo; as if on the other side of the table were an immutable entity, existing in an impregnable bubble. That is obviously not the case. Even admitting that the UK is weaker (and more homogeneous and flexible), it is clear that both sides stand to win or lose significantly depending on things turning out for the better or for the worse.

Theresa May triggered article 50 with a very conciliatory and friendly letter, striving to start the negotiations on a cordial basis, even if she also included a quid pro quo (no trade deal, no security cooperation) which was a reminder that London also has some trumps up the sleeve.

Nevertheless it will be a rough path and it will require a lot of courage and determination of the Prime Minister who will be facing some vengeful federalist zealots abroad and a fair share of whiners at home of the Liberal leader’s type who thinks that leaving the EU skews the voters’ choice (seriously?) and who defends the possibility (???) of the UK not leaving the EU, in spite of the British people’s democratic will to do exactly the opposite.

In the end, as Theresa May said, “there can be no turning back.” One way or the other, the United Kingdom will leave the EU.

23 junho, 2013

Intervir ou Não Intervir?

INTERVIR OU NÃO INTERVIR?


To Be, or Not To Be? O dilema shaksperiano em Hamlet, transposto para Obama e para a Síria.

Em 2011, Barack Obama proclamou solenemente que o Presidente da Síria Bashar Al Assad havia perdido a legitimidade para governar.


Em 2012 (primeira metade do ano), vários responsáveis governamentais dos EUA, França e Israel avisavam que a queda do regime sírio estava iminente e era irreversível.


Em 2013, o regime sírio sobreviveu ao 1º e ao 2º assaltos e está em vantagem no 3º.


Os recentes sucessos militares da Síria vieram colocar a política de Washington face à guerra civil na Síria debaixo de atenção e pressão interna e externa.


Para Obama, a questão fundamental que se coloca é: intervir ou não intervir (na Síria)? A segunda questão, subsidiária, é como intervir?


Sendo este blog frequentemente muito crítico do actual Presidente dos Estados Unidos, não nos custa reconhecer que a sua política em relação ao conflito na Síria tem sido fundamentalmente correcta.


Os EUA, ou qualquer outro país, no processo decisório sobre uma intervenção militar, deve ponderar antes de qualquer outro factor, o respectivo interesse nacional. Como é que o interesse nacional será afectado pela abstenção de actuar e como uma intervenção afectará (des)favoravelmente esse interesse.


Serão admissíveis intervenções militares em que o interesse nacional não o exige? Sim, se o interesse nacional não for prejudicado, se os ganhos forem substantivos e se as perdas e riscos não forem significativos.


Nada disto se passa na Síria.


O único interesse que os EUA têm na queda do regime do Partido Ba’ath é na perda por parte do Irão de um aliado estratégico no Médio Oriente (ver “Os Amigos de Assad“ em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2013/05/the-friends-of-assad.html). Após uma década de envolvimento militar no Afeganistão e no Iraque, os ganhos com a perda iraniana não justificam os riscos e perdas a incorrer no teatro sírio.


Se o argumento fosse a brutalidade do regime sírio, facto sobejamente conhecido há décadas, não faltariam países e regiões para os EUA intervirem.


Se o objectivo fosse, como parece ser para alguns, a implementação de um regime liberal, democrático e secular, a composição e confusão da miríade de grupos oposicionistas e os acontecimentos noutros estados árabes como a Líbia, o Iémen e o Egipto, deverá fazê-los pensar 10 vezes e desistir.


Porque é que então Obama está a ser pressionado e está em dificuldades nesta matéria? Por dois motivos:

1-      Uma facção do Partido Republicano liderada pelo Senador John McCain e os liberais do Partido Democrata entendem (por motivos um pouco diferentes) que os EUA têm de acudir a todos os trouble spots do mundo, castigando os maus e salvando os inocentes. O argumentário é algo apelativo e colhe o apoio dos principais media: os EUA têm de defender e promover os seus valores de liberdade e respeito pelos direitos humanos, só os EUA têm a capacidade e credibilidade para liderar essas intervenções e que milhares de pessoas estão a morrer fruto da inacção americana. A esta pressão interna, acresce a pressão exercida no mesmo sentido por alguns países da Europa (França e Reino Unido à cabeça) e do Médio Oriente (Turquia, Qatar e Arábia Saudita).

2-      O facto de a Administração Americana nunca ter assumido a sua posição de forma clara e fundamentada, deixa Obama vulnerável a acusações de hesitação e cobardia, que seriam evitadas caso assumisse ab initio de forma firme qual era a sua posição e as suas razões.


A divulgação por parte de Paris e de Londres do uso de armas químicas por Damasco em quatro ocasiões, coloca Obama entre a espada e a parede, visto que no Verão passado, e para resistir às pressões, anunciara que o uso de armas químicas era uma red line para Washington. As armas químicas têm um anátema porque são vistas (e são de facto) como armas horríveis. Contudo, o seu efeito militar é na maioria das vezes bastante limitado devido à dispersão do agente químico pela atmosfera. Daí não ser surpreendente que as estimativas francesas e britânicas apontem para cerca de 150 mortes com armas químicas num universo estimado pela ONU de 90.000 mortes na Guerra Civil da Síria.


E assim, sem querer, sem saber ao certo quem apoiar, sem saber o nível de envolvimento que os EUA acabarão por ter, sem saber as consequências, sem fazer a mínima ideia que regime sairá de uma eventual vitória dos rebeldes, Obama vai deslizando para a Síria, porventura dizendo desesperadamente para si mesmo: Intervir, ou não intervir, eis a questão.

28 abril, 2013

O "Modelo" Tsarnaev

BOSTON E O “MODELO” TSARNAEV

 
Uma das duas explosões na Maratona de Boston.


Oito anos após os atentados de Londres, um atentado terrorista de grande impacto mediático voltou a ocorrer no Ocidente. E digo “mediático” porque ao nível das vítimas mortais, as 3 de Boston ficam, felizmente, muito aquém das 2900 de New York, das 200 de Madrid e das 50 de Londres. Não obstante, o ataque não deixou de ser um sucesso do ponto de vista dos terroristas dado o referido impacto mediático, e a comoção e medo por ele gerados.

O atentado de Boston é o primeiro sucesso significativo de um modelo de terrorismo que vem sendo ensaiado pela Al Qaeda há alguns anos, designado por grassroots terrorism e/ou lonewolf attacks, que poderíamos traduzir como terrorismo doméstico e ataques de lobos solitários, respectivamente.

A razão de ser desta táctica, particularmente incentivada pela Al Qaeda para a Península Arábica baseada no Iémen, é a de que os sistemas de segurança no Ocidente são mais sofisticados, informados e omnipresentes do que há 12 anos atrás, pelo que o envio de terroristas profissionais e treinados a partir da Ásia do Sul ou do Médio Oriente, para desencadear mega-atentados como os de 11 de Setembro, é cada vez mais complicado.

Assim sendo, a maneira mais eficaz de continuar a atingir os EUA e a Europa com atentados, será recorrendo a muçulmanos residentes nos países-alvo, doutrinados no islamismo radical e imbuídos do espírito jihadista da Al Qaeda. Estes indivíduos, não referenciados pelos serviços de segurança, poderão levar a cabo atentados mais rudimentares e menos eficazes, mas manter a pressão sobre o Ocidente, dificultando o trabalho das polícias, porque o leque de potenciais atacantes torna-se muito mais vasto.


Curiosamente, Osama Bin-Laden não subscrevia esta metodologia, continuando a insistir que os seus seguidores produzissem novos 9/11. Sem resultado, como se sabe. Mas agora Bin-Laden está morto, a Al Qaeda central no Afeganistão e Paquistão está acossada e escondida e são alguns dos seus franchises que dão cartas na actualidade.

Muitos dos anteriores candidatos a terroristas falharam por incompetência, por acção dos serviços de segurança, por ambição desmedida na selecção dos alvos ou da tipologia dos ataques e alguns, como o underwear bomber, por falta de sorte.

Em Maio de 2010, na 1ª edição da “Inspire”, uma revista em língua inglesa online publicada pela Al Qaeda na Península Arábica, um dos seus membros, Adam Gadahn escreveu um artigo intitulado "A Call to Arms," em que aconselha os lonewolves a seguir três critérios na escolha de um alvo a atacar:

        A target with which they are well acquainted.

        A target that is feasible to hit

        A target that, when struck, will have a major impact.


Os irmãos Tsarnaev cumpriram os 3 requisitos e o resultado está à vista. O sucesso que os irmãos Tsarnaev tiveram no atentado da Maratona de Boston poderá constituir uma lição e um incentivo para outros grassroots terrorists ou lonewolves. A partir de agora, outros jihadistas podem ler as instruções teóricas da “Inspire” e inspirar-se na lição prática dos Tsarnaev. O “Modelo” Tsarnaev não augura nada de bom….


O resultado do ataque: as vítimas e o horror.

14 fevereiro, 2013

Cameron: "Nothing is Off the Table"

CAMERON: “NOTHING IS OFF THE TABLE”
 

Westminster, the Houses of Parliament and Big Ben.


No seu muito falado discurso sobre o Reino Unido e a União Europeia, David Cameron identifica com grande clareza os grandes problemas e deficiências do chamado projecto europeu, da sua evolução e do estado a que chegou.

Destaco alguns dos pontos referenciados pelo Primeiro-Ministro Britânico:


1-   “[…] there is a gap between the EU and its citizens which has grown dramatically in recent years. And which represents a lack of democratic accountability and consent.”

Eu sei que isto é uma evidência, mas é notável que seja dito ipsis verbis pelo líder de um Estado-Membro. A EU é um projecto conduzido e desgovernado por umas luminárias que ignoram e desprezam o pensar e sentir dos eleitorados sobre a matéria, onde o contraditório e as alternativas ao pensamento único de Berlim e Bruxelas são anátema. É, também, evidente que enquanto este estado de coisas se mantiver, os Europeus que se revêem na EU serão cada vez menos.

2-   “Can we really justify the huge number of expensive peripheral European institutions? Can we justify a Commission that gets ever larger? Can we carry on with an organisation that has a multi-billion pound budget but not enough focus on controlling spending and shutting down programmes that haven't worked?"

Este é outro ponto muito interessante e muito pouco falado. Porque é que os organismos que impingem a austeridade urbi et orbi e que são financiados em última análise pelos contribuintes europeus, não praticam eles próprios a austeridade? Porque é que o polvo burocrático bruxelense aumenta em tamanho e em custo? É tempo de cortar tentáculos e gorduras em Bruxelas. Eis uma medida de austeridade que era capaz de colher bastante apoio nos eleitorados dos Estados-Membros.

3-   "Power must be able to flow back to Member States, not just away from them... Countries are different. They make different choices. We cannot harmonise everything. […] In the same way we need to examine whether the balance is right in so many areas where the European Union has legislated including on the environment, social affairs and crime. Nothing should be off the table."

Na mouche. Aparentemente, visto de Bruxelas, o continente europeu é uma massa homogénea. Não é. A harmonização tem sido prosseguida de forma cega por uma burocracia omnipotente e arrogante com pretensões a tudo regular e formatar na Europa. A burocracia cefalópode referida no ponto anterior tem de ser não apenas cortada nos seus custos, mas também nas suas atribuições e poderes.

4-   “There is not, in my view, a single European demos. It is national parliaments, which are, and will remain, the true source of real democratic legitimacy and accountability in the EU."

Eis o ponto fulcral. Não obstante o esforço integracionista promovido nas últimas décadas, os parlamentos nacionais continuam a ser a pedra basilar da representação democrática, os órgãos que decorrem directamente do exercício da soberania popular através do voto. Nem vale a pena mencionar o Parlamento Europeu, expoente do caro, gongórico, ineficiente e não representativo. O reconhecimento da realidade nacional como alicerce político fundamental dos Estados Europeus e o abandono da miragem da federação europeia, contribuiria para um renascimento da EU em base mais sãs e realistas.
 

United Kingdom drifting, Germany driving and France following?


Idealmente, o discurso de David Cameron poderia constituir o pontapé de saída para se abandonar o que se vem chamando de “construção europeia” e começar o que se poderia designar de reconstrução europeia.


Dentre os objectivos a prosseguir, podíamos assinalar:

* Devolução de poderes da EU para os Estados–Membros.

* Downsizing da burocracia bruxelense e consequente redução de custos.

* Redução das competências dos Tribunais Europeus.

* Eventual extinção do Parlamento Europeu.

* Revisão dos Tratados para reflectir estas mudanças.


Teríamos assim uma EU mais realista, mais contida no tamanho e competências, mais respeitadora da individualidade dos Estados, muito menos dispendiosa e provavelmente muito mais popular.


Tal representaria uma ruptura histórica com um projecto liderado por dois países e umas dúzias de luminárias, arvoradas em vanguarda esclarecida das massas, monopolista da verdade e única detentora do segredo da vontade dos cidadãos.


Quebrar-se-ia também a crença nefasta e interesseira no determinismo histórico da CE/EU, segundo a qual, o único caminho deste projecto seria o contínuo crescimento e integração, numa desenfreada corrida para a frente.


Não tenho ilusões que isto irá acontecer. A inércia, os poderes estabelecidos e os interesses instalados não o permitirão. Infelizmente, grande parte dos 27 Estados-Membros continua a ter uma atitude carneirista e subserviente perante a Alemanha e a França.


Contudo, este discurso sensato, realista e ponderado também não morrerá à nascença. David Cameron jogou forte e terá de produzir resultados. O Reino Unido é uma das grandes potências europeias e as suas pretensões não serão facilmente varridas para baixo do tapete. E também haverá no Norte da Europa quem simpatize com algumas das suas ideias.


A esperança é que o processo que decorrerá da iniciativa de Londres traga alguns benefícios à Europa, aos seus Estados-Nação e aos Europeus. Como disse Cameron, nothing is off the table. Let’s hope he is right.

21 agosto, 2012

JOGOS OLÍMPICOS E NACIONALISMO


Os Jogos Olímpicos de Londres proporcionaram-nos múltiplas celebrações. A óbvia celebração dos feitos desportivos de que Michael Phelps foi novamente o expoente máximo. A celebração da festa, do convívio, da alegria, extensível a atletas, acompanhantes, staff da organização, público e espectadores distantes. Até se poderia referir uma celebração da globalização e da crescente inter-conexão entre povos e países. E foram, também, uma celebração universal do Nacionalismo.

Sim, esse sentimento multisecular, frequentemente vilipendiado na Europa contemporânea, também esteve presente. Esteve presente no desfile das delegações nacionais precedidas pelos porta-estandarte exibindo as cores nacionais, no orgulho de ver subir a bandeira nacional (dos 80 países medalhados), do frémito de emoção ao ouvir o hino nacional (dos 50 países que conquistaram medalhas de ouro), do orgulho de atletas e respectivos concidadãos ao fazerem/verem a volta olímpica (de honra) envoltos na respectiva bandeira, na angústia pela chegada da medalha fugidia, na consulta atenta do Medalheiro Olímpico para verificar a posição do nosso país, no exultar com os feitos desportivos e as medalhas de atletas que não conhecemos em modalidades que quase ignoramos, só porque os nossos compatriotas levantaram alto o nome do nosso país.

Este sentimento manifesta-se de forma transversal em todos os continentes e países. É um sentimento de pertença, de comunhão, de identidade que, por muito que custe a alguns, só a nacionalidade partilhada suscita. Felizmente, o Nacionalismo está para durar.



MEDALHEIRO OLÍMPICO

O Medalheiro Olímpico mostra-nos que as tradicionais potências político-militares e económicas também dominam no desporto. Significativamente, o Top 12 é composto exactamente pelos mesmos países de Pequim 2008 e em relação a Sidney 2000, a grandes diferenças são a inclusão de Cuba e Holanda nos 10 primeiros, mas todos os 13 aqui refenciados ficaram então nos 15 melhores. Saliente-se o novo triunfo dos EUA e a notável performance da Grã-Bretanha. Será que há uma correlação entre a Geopolítica e o Desporto? Seja como for, certo é que as grandes potências se empenham em brilhar e reforçar o seu prestígio nos Jogos Olímpicos.

Ao contrário do que é comum fazer nos media que privilegiam as medalhas de ouro (o que pode resultar na colocação de um país com 1 medalha de ouro à frente de outro com 5 medalhas de prata e 5 de bronze), aqui atribui-se 3, 2 e 1 pontos às medalhas de ouro, prata e bronze, respectivamente. O ranking é feito em função dos pontos.




COUNT/MED
GOLD
SILVER
BRONZE
TOTAL
POINTS
1º
USA
46
29
29
104
225
2º
CHINA
38
27
22
87
186
3º
RUSSIA
24
25
33
82
155
4º
GREAT BRITAIN
29
17
19
65
137
5º
GERMANY
11
19
14
44
85
6º
FRANCE
11
11
12
34
67
7º
JAPAN
7
14
17
38
66
8º
AUSTRALIA
7
16
12
35
65
9º
SOUTH KOREA
13
8
7
28
62
10º
ITALY
8
9
11
28
53
11º
HOLLAND
6
6
8
20
38
12º
HUNGARY
8
4
5
17
37
13º
UKRAINE
6
5
9
20
37



NOTA 1: Quando se refere o “nosso” país/bandeira/atleta, é de forma abstracta, aplicável a qualquer país e não especificamente ao meu.

NOTA 2: Neste texto faz-se a apologia do Nacionalismo e do patriotismo, mas não de nacionalismo agressivos, expansionistas, ou belicistas. O Nacionalismo não é sinónimo de III Reich.