ITÁLIA TETRA-CAMPEÃ DO MUNDO
CONGRATULAZIONI ITALIA:
TETRA CAMPIONE DEL MONDO!!!
QUE VIVAS TEMPOS INTERESSANTES/MAY YOU LIVE IN INTERESTING TIMES! Uma velha maldição com a mensagem subliminar que tempos interessantes implicam mudança, perigo, dúvida, angústia, risco, conflito. Eu acrescento, desafios, oportunidades e o fascínio de ver o mundo a mudar. É este conceito dos Tempos Interessantes (curse or blessing) que marca este Blog.
Schweinsteiger: Três potentes remates e 2,5 golos, com realce para o 3º que entra na galeria dos bons golos da Mundial 2006. Foi um bom prémio para um dos mais trabalhadores e talentosos jogadores da Alemanha.
Nuno Gomes: Finalmente voltou a ter uns minutos de jogo e tornou-se o pivot de um ataque mais móvel, menos previsível e mais difícil de travar pela defesa alemã. Ah! E marcou um bom golo, cumprindo a promessa de deixar a sua marca no Mundial
Klose & Podolski: Não marcaram, mas jogaram bem, confirmando ser a melhor dupla de ataque do Mundial, somando 8 golos entre eles. Mesmo não marcando, Klose ficou a um passo de conseguir o que falhou em 2002: a Bota de Ouro.
Fernando Meira: na ausência de Ricardo Carvalho, fez uma exibição segura e autoritária, tendo ainda de tentar compensação as oscilações do colega de sector.
Figo: O seu 127º e último jogo pela Selecção de Portugal tem um travo agridoce. Foi suplente (por motivos físicos) e Portugal perdeu. No entanto, despediu-se num grande palco do Campeonato do Mundo na consagração de Portugal no 4º lugar. Coroou a sua carreira na selecção com uma assistência perfeita para o golo de Nuno Gomes.
Oliver Kahn: Provavelmente outra despedida. Foi bom rever o melhor jogador do Mundial Japão/Coreia do Sul 2002 e ver que conserva a agilidade e eficácia que marcaram a sua carreira. Para mim, continua a ser melhor do que Lehmann… 
Pauleta: Mexeu-se mais e teve mais bola do que contra a Inglaterra e a França, mas tornou a falhar, especialmente quando se isolou frente a Kahn. Não saiu tarde porque nem devia ter entrado.
Costinha: Outro crónico de Scolari que foi um flop. Sem pedalada para acompanhar os médios e avançados alemães, tornou a ver o amarelo e, pouco depois, a escapar do segundo e consequente vermelho. Antes que repetisse a proeza do jogo com a Holanda, ficou no balneário.
Jansen: A lesão de Friederich levou Lahm para o lado direito da defesa e valeu uma oportunidade para Jansen. Não a justificou: desastrado, fraco no controle de bola, ineficaz na condução do jogo de ataque, aflito com os extremos (Simão, Ronaldo e Figo) que lhe foram aparecendo, acabou batido por Figo no lance que culminou no golo português.
Ricardo e Petit: Deram uma ajuda preciosa aos Alemães nos primeiros golos. Isso, só por si, não invalida o Mundial que fizeram, mas este jogo não lhes correu de feição.
1- ITÁLIA
4- PORTUGAL

Itália: Bom jogo da Squadra Azzurra: o rigor táctico habitual, a defesa segura de sempre, mas mais ousada do que noutros tempos, o que tem sido a imagem dos Italianos neste Campeonato, embora muitos teimem em não o reconhecer. Foi claramente superior na primeira parte e foi a única equipa que quis realmente ganhar no prolongamento, como o provam as substituições de Marcello Lippi. Tem jogadores de classe individual, capazes de fazer a diferença, mas que jogam em função da equipa. Auguri!
França: Depois de uma fase de grupos a roçar o miserável, a França destroçou a Espanha, dominou o Brasil e bateu Portugal a caminho da final de Berlim. Tal como havia previsto, a França, tendo melhorado exponencialmente terá atingido o seu pico nos jogos com Espanha e Brasil. No jogo com Portugal não regressou ao jogo com a Suíça, mas esteve longe de ser brilhante: ganhou vantagem num bem construído mas culminado com um penalty fortuito e controlou (bem) o jogo, a maior parte do tempo longe da sua área. Mereceu passar à final, mas 2 bons jogos em 6 sabe a pouco. Domingo veremos.



Del Piero, Gilardino, Pirlo, Grosso e Cannavaro: avançados, médio, defesas, a Itália destaca-se pela sua homogeneidade que torna difícil a escolha dos melhores. Escolhi Alessandro Del Piero porque é o mais brilhante e criativo jogador de Itália (melhor que Totti) e marcou um golo de grande classe; Gilardino pois foi mais eficaz e objectivo do que Luca Toni: esteve perto de marcar e assistiu Del Piero para o 2º golo; Andrea Pirlo foi o pêndulo do jogo italiano, pautou o jogo, defendeu, distribuiu e acabou por fazer uma assistência perfeita no 1º golo; Grosso é o herói improvável: tido como o elo mais fraco da selecção italiana, tornou-se o decisor do jogo aos 118 min. com um remate notável a fazer a bola “fugir” de Lehmann e entrar junto ao poste mais distante.


Thuram, Vieira, Zidane e Henry: Experiência, saber, muita técnica e rigor táctico, conhecimento mútuo e toques de classe, são a espinha dorsal da França, desde o centro da defesa até à baliza adversária. Há outros contributos valiosos, como Makelelé ou Ribéry, mas estes ainda são a chave dos triunfos.
Marcello Lippi: Sem surpresa, tem mostrado seu um dos (ou mesmo o) melhores treinadores deste Mundial. Calmo, lúcido no desenho táctico e na maioria das substituições, gizou um modelo de jogo mais atraente e ofensivo do que o tradicional italiano, sem até agora ter sofrido qualquer golo marcado pelos adversários (sofreu um auto-golo de Zaccardo ante os EUA). Falta-lhe vencer o derradeiro obstáculo para suceder a Enzo Bearzot na galeria dos imortais do Calcio.
Portugal: Infelizmente, confirmou-se a quebra já visível contra a Inglaterra. A França foi melhor e mais segura mas nunca foi avassaladora. O problema é que Portugal foi quase sempre inofensivo, impotente para dar a volta ao texto. Estes Gauleses estão muitos furos abaixo dos de 2000 e fiquei convencido que a nossa equipa desse Europeu tinha batido esta França sem apelo nem agravo. Como já tinha alertado, temos o pior ataque dos semi-finalistas e é difícil conquistar o Campeonato do Mundo só com vitórias por 0-0.
Alemanha: Foi o jogo em que os Alemães foram menos iguais a si próprios. O jogo com a Argentina foi um prenúncio, mas o jogo das meias finais foi o 1º em que a Alemanha não assumiu as rédeas do jogo e o controlou na totalidade, ou pelo menos, na maior parte do tempo. O 0-2 será penalizador, mas a Alemanha mereceu jogar a partida do 3º lugar pelo que fez até ao último jogo; hoje, contudo, não mereceu a final.
Scolari: Nem as vitórias anteriores o transformaram, para mim, em bestial, nem a derrota de hoje faz dele uma besta. Naquelas e nesta, ele foi igual a si próprio: bom condutor de homens, congregador, unificador e moralizador do grupo, incutindo-lhe ambição e espírito vencedor; treinador mediano, teimoso à enésima potência, praticamente incapaz de admitir que as suas apostas crónicas não estão a resultar e engendrar uma alternativa. Veja-se a segunda parte errática e sem norte da equipa contra a França, as substituições previsíveis, mas desconexas, o facto de proclamar total confiança nos 23 jogadores mas demonstrar que só contava com os mesmos 11 (14 com boa vontade).
Klinsmann: Equilibrou o jogo na 2ª parte, mas durante os outros 75 minutos foi sempre inferior ao adversário. Pareceu surpreendido com a forte entrada dos italianos no prolongamento, contrapôs com substituições conservadoras à ousadia de Lippi e começou a pensar nos penalties cedo demais, contrariando a vocação atacante da Alemanha e facilitando a execução do coup de grace por uma Itália mortífera. Tal como as vitórias anteriores e os jogos galvanizadores têm muito mérito de Klinsmann, a derrota com a Itália também passa por ele.
Pauleta: É uma verdade estatística inatacável que é o maior goleador de sempre da Selecção Nacional, mas o Mundial 2006 (após o Euro 2004) demonstram à evidência que os seus lamentos de Calimero não têm razão de ser: não marca golos na maioria esmagadora dos jogos importantes, não faz jogo de equipa, raramente recua, dificilmente ganha ou segura uma bola, às vezes parece nem se esforçar – talvez por saber que joga sempre. Contra a Inglaterra foi uma nulidade e contra a França fez um bom remate e… mais nada. No bornal leva um golo a Angola, o que é bom, mas não deixa de ter um sabor a um golo marcado ao equivalente do Liechenstein nas fases da qualificação. Que saudade do Nuno Gomes!
Ballack: Que saudade do Michael Ballack do Mundial Japão/Coreia do Sul 2002, ou mesmo o que impulsionou a Mannschaft para uma bela exibição contra a Suécia este ano! Agora esteve desinspirado, desconcentrado, pouco rematador e nunca fez a diferença. Tem capacidade e obrigação de fazer muito melhor.
Itália: Qualificação clara para as meias-finais, embora defrontasse a equipa mais fraca das 8 que chegaram a esta fase. O seu jogo não é dos mais atraentes, mas também está longe do famigerado cattenaccio. A Itália é uma equipa no verdadeiro sentido do termo, com jogadores de excepção nos três sectores, com um sentido táctico e posicional a roçar a perfeição e com um elevado índice de aproveitamento de oportunidades de golo. Merece indubitavelmente estar nos lugares de honra deste Campeonato do Mundo.
França: Qual Fénix renascida, a França não repetiu os 3-0 de 1998 ao Brasil, mas dominou e controlou a maior parte do jogo, criou mais perigo, foi mais esclarecida e mereceu ganhar. Como diria o outro, velhos são os trapos.
Alemanha: Não foi o rolo compressor imparável dos primeiros 4 jogos, mas jogou taco a taco com a Argentina, uma das equipas que produziu melhor futebol neste Mundial. Nos penalties, os Alemães foram iguais a si próprios: frios e eficazes, não falharam. Consequência? Ganharam 4-2.
Portugal: Está com mérito nas meias-finais e por isso figura na coluna positiva, mas sejamos honestos: a exibição de Portugal e o seu resultado, perante um adversário que jogou a maior parte do jogo com 10, não foram famosos. Na realidade, a Inglaterra até criou mais situações de perigo do que Portugal e as coisas até estavam a ficar mal paradas quando Rooney resolveu agredir Ricardo Carvalho. No entanto, tudo está bem quando acaba bem: Portugal está nos lugares de honra e chegou lá com mérito.
Zidane: Foi o principal protagonista da Renaissance Française: joga, passa, defende, ataca, assiste, remata, está no campo todo. Foi o melhor.

Guarda-Redes – Buffon, Lehmann e Ricardo: Três exibições de grande nível de jogadores que foram decisivos para a qualificação das respectivas selecções. O Italiano esteve espectacular no jogo; o Alemão e o Português, seguros no jogo, destacaram-se por defenderem 2 e 3 penalties, respectivamente.

Luca Toni, Zambrotta e Cannavaro: Toni, o primeiro Italiano a ser o melhor marcador europeu, andava com azar: sempre perto do golo, mas sem lá chegar. Contra a Ucrânia, o faro do golo voltou, em dose dupla, e ainda vai a tempo de se tornar um dos strikers do Mundial, espécie rara em 2006. Zambrotta é um faz-tudo (lateral-esquerdo, lateral-direito, médio-esquerdo) e joga quase sempre bem e no limite. Neste jogo, marcou um golo de fora de área e fez uma assistência para golo. Cannavaro é o capitão da Squadra Azzurra e o líder da defesa na ausência forçada de Nesta. Implacável a defender, ainda salvou um golo sobre a linha que podia ter relançado o jogo.
Brasil: A confirmação do flop. O grande favorito, vencedor antecipado caiu sem apelo nem agravo nos quartos de final. E já vai tarde. Poucas vezes tantos jogadores tão bons produziram tão pouco durante um Mundial. Com algumas excepções, o Brasil teve uma defesa aos papéis quando confrontada com velocidade, um meio campo vazio de ideias e um ataque pesadão. Seria difícil que a sorte, pontuais momentos de inspiração individual e alguns favores da arbitragem, dessem para ir mais longe. Hasta la vista Brasil!
Inglaterra e Argentina: Não foram inferiores aos adversários e perderam apenas nos penalties, mas o que ficará registado é que ficaram nos quartos de final, ou seja, aquém dos seus objectivos e capacidades.
Ronaldinho Gaúcho: O dito melhor jogador do mundo não foi, longe disso, o único a falhar na selecção brasileira, mas o estatuto com que chegou à Alemanha obrigavam-no a uma prestação muito melhor. Não teve rasgo, inspiração, nunca conseguiu fazer a diferença. Foi uma nulidade.