10 julho, 2006

Itália Tetra-Campeã do Mundo


ITÁLIA TETRA-CAMPEÃ DO MUNDO





CONGRATULAZIONI ITALIA:
TETRA CAMPIONE DEL MONDO!!!

Campeonato do Mundo 2006 - 17: Portugal - O Balanço Final

CAMPEONATO DO MUNDO ALEMANHA/2006

17- PORTUGAL: O BALANÇO FINAL



Muito do que penso da prestação de Portugal no Campeonato do Mundo Alemanha/2006, foi sendo vertido neste Blog ao longo do último mês. Para encerrar o Capítulo Português no Mundial, segue-se a apreciação individual dos jogadores e do seleccionador e o da própria selecção.

***** Maniche: Foi, para mim, o melhor jogador português no Mundial. Joga, ataca, defende, circula a bola, desmarca-se, remata muito e bem de meia distância e marcou 2 golos. Devo admitir que superou as minhas expectativas.***** Ricardo Carvalho: Dificultou a escolha do melhor Português. Classe, segurança, liderança, confirmou-se como um dos melhores centrais do mundo. Nem o penalty cometido na meia-final hipoteca aquele que foi um grande campeonato liderando uma defesa que com ele em campo, sofreu 2 golos em 6 jogos.***** Ricardo: Fez bons jogos, exibindo sempre grande segurança e confiança, não cometeu falhas, excepto no jogo com a Alemanha, e teve o seu momento de glória ao defender 3 dos 4 penalties que os Ingleses lhe marcaram.***** Figo: Esteve em grande nível. Tecnicamente esteve impecável, fintando, passando, centrando, assistindo; como capitão, foi um líder e uma referência para a equipa em campo; fisicamente, paracia ter recuado uns anos. Deixa a selecção da melhor maneira, com bom deempenho individual e colectivo. Tal como Rui Costa em 2004, vai deixar saudade.***** Miguel: A reprise de 2004: saiu lesionado e a equipa ressentiu-se. Importante nos desequilíbrios atacantes e consistente a defender. Esteve ao seu melhor nível.**** Fernando Meira: Foi titular por força da lesão de Jorge Andrade e estava, por, isso, sob suspeita. Após a tremideira dos jogos com Angola e Irão (felizmente os mais fáceis), Meira ganhou confiança e foi um baluarte da defesa portuguesa, mormente contra o México, Holanda e Inglaterra.**** Nuno Valente: Outra boa surpresa, a começar pela boa condição física, grande regularidade exibicional e somou ao bom trabalho defensivo boas iniciativas atacantes.**** Cristiano Ronaldo: Era, juntamente com Figo, a estrela da companhia. Fez bons jogos, mas não foi regular. Alternou boas acções individuais com sentido colectivo com outras inconsequentes por exageradas. Parece ter um íman para a confusão e a polémica. A culpa não é só sua, mas também não está inocente. Mesmo assim, uma boa estreia.**** Simão Sabrosa: saltitou entre a titularidade e o banco e também alternou as boas exibições com outras menos conseguidas. Foi, no entanto, genericamente, um valor acrescentado numa equipa onde não abundaram as boas performances no ataque.

*** Petit: Começou bem, mas teve o pior jogo no final, contra a Alemanha. Mesmo assim, foi o mais consistente e fiável médio defensivo português. Não fora o último jogo e teria mais uma estrela.*** Nuno Gomes: Três estrelas podem parecer um exagero, mas estamos perante o mais eficaz e produtivo ponta de lança da Selecção: jogou 10% do tempo de Pauleta e ambos marcaram um golo; aquele marcou à Alemanha e este a Angola. A não utilização de Nuno Gomes, especialmente contra a Inglaterra e a França, é incompreensível, mais ainda quando se verifica que marcamos dois golos nos últimos 4 jogos! Nuno Gomes prometeu deixar a sua marca no Mundial e cumpriu; se mais não fez, é porque Scolari não quis.*** Paulo Ferreira: Regular, cumpriu quando chamado a substituir Miguel, mas percebeu-se bem porque era ele o suplente.** Deco: Um desapontamento. Para quem apostava nele como um dos fulcros da selecção, foi uma desilusão total. Um bom jogo e um bom golo contra o Irão é muito curto para o que se esperava dele. A sua magia resumiu-se ao truque de se fazer desaparecer.** Tiago: Outra desilusão. Fez uma grande época no Lyon e teve bastantes oportunidades na Alemanha. Não soube aproveitar nenhuma e fez falta.** Hélder Postiga: É um jogador fetiche para Scolari, mas o seu rendimento não o justifica. Os golos contra a Inglaterra no Euro/2004 e contra a Eslováquia na qualificação para o Mundial foram importantes, mas são fogachos de um jogador inconstante. Deste Mundial, no qual jogou 120 minutos e marcou 0 golos, recordo o seu salto à frente de Figo quando este tentava cabecear para o que poderia ser o golo do empate contra a França.** Marco Caneira: Foi titular contra o México: não esteve bem, nem comprometeu.** Ricardo Costa: Foi titular contra a Alemanha e acusou a responsabilidade. Apesar de constituir uma das convocatórias estranhas, não foi por causa dele que perdemos.

* Costinha: Um flop total. Um dos casos em que não me enganei: a sua convocatória roçou o nepotismo. Excepto a 1ª parte contra o Irão, jogou sempre mal, fisicamente inapto, pouco esclarecido, violento (campeão dos cartões do Mundial juntamente com um Ganês), foi mesmo infantil contra a Holanda. Mesmo assim voltou a ser titular e foi-lhe perdoada nova expulsão contra a Alemanha.
* Pauleta:
Outro flop. Alheio da equipa na qual parecia um corpo estranho. Poucas bolas ganhou, menos ainda segurou, remates ainda menos. Conseguiu marcar um golo a Angola, oferta de Figo sem guarda-redes na baliza. Inacreditável ter sido sempre titular. Teimosia, estupidez, ou nepotismo? Escolham. É um pouco injusto, mas apetece dizer, que depois do jogo com Angola, não havia mais Liechensteins ou Andorras.* Hugo Viana: Erro de casting. Teve oportunidades contra Angola e Inglaterra e nada fez que justificasse a viagem à Alemanha. * Boa Morte: Jogou 10 minutos contra o México o que é insuficiente para avaliar, mas conseguiu fazer tantos disparates em tão pouco tempo…
 
- Quim: Não jogou, por isso não é avaliado, mas foi vítima de uma grande injustiça ao não jogar contra o México. Com Portugal já qualificado, não havia motivo nenhum para Scolari não lhe dar a oportunidade de jogar num Mundial. No Euro/2000 na Holanda, em circunstâncias idênticas, Humberto Coelho conseguiu que até o 3º guarda-redes (ironicamente, à época o mesmo Quim) jogasse uns minutos contra a Alemanha.- Paulo Santos: Não jogou, o que é quase uma fatalidade para o 3º guarda-redes, por isso não é avaliado.

**** Scolari: Apontou os quartos de final como objectivo, no que foi realista e ambicioso e chegou às meias-finais, superando a meta traçada. Confesso que eu, até pensei que Portugal ganharia o Grupo D e cairia nos oitavos de final e por isso estou muito contente com o 4º lugar alcançado. Porque é que não dou 5 * a Scolari? A leitura das apreciações aos jogadores dá a resposta. Scolari tem capacidade de liderança e de criação de um espírito de grupo forte, coeso e ambicioso. Não é tão talentoso como treinador, especialmente no banco: o que lhe sobra em teimosia, falta-lhe em flexibilidade. Isso vê-se na repetição interminável das convocatórias, na manutenção do mesmo onze independentemente dos adversários ou da forma dos jogadores, na incapacidade para aproveitar 1 hora de vantagem numérica contra a Inglaterra e em fazer uma tentativa convincente de virar o resultado contra a França, na manutenção de um ataque que não marcava golos. Scolari conseguiu chegar muito longe e tem muito mérito nisso. No entanto, fica-se com o travo agridoce de com ele termos ido tão longe e de, por causa dele, não termos ido mais além.

***** Portugal: Selecção, jogadores, técnicos, adeptos, todos se podem orgulhar da carreira portuguesa. O espírito de união da equipa e dos Portugueses, o orgulho na bandeira, no ser Português e em fazer uma prova de sucesso, é o mérito e orgulho de todos. E, por esse prisma, todos merecem 5 estrelas.

09 julho, 2006

Campeonato do Mundo 2006 - 16: Portugal em 4º Lugar

CAMPEONATO DO MUNDO ALEMANHA/2006

16- PORTUGAL EM 4 º LUGAR

 A Alemanha conquistou com a naturalidade que havíamos previsto o 3º lugar e Portugal ficou num honroso 4º lugar que prestigia a selecção e supera as expectativas, mormente as minhas. A Alemanha justificou o lugar com o jogo de hoje e com a carreira feita no Mundial, tendo o melhor ataque da prova (14 golos) e arriscando-se a somar mais pontos que a França se a Itália não perder na Final. Num jogo interessante, a Alemanha mostrou que tem várias soluções para chegar ao golo: hoje foram os remates de longe e, na falta de Ballack, foi a vez de Schweinsteiger brilhar. Portugal esteve mais solto do que nos dois jogos anteriores, mas continua a ser pouco concretizador (metade dos golos dos Alemães). Valeram Figo (a assistir) e Nuno Gomes (a marcar) para atenuar o resultado.

Schweinsteiger: Três potentes remates e 2,5 golos, com realce para o 3º que entra na galeria dos bons golos da Mundial 2006. Foi um bom prémio para um dos mais trabalhadores e talentosos jogadores da Alemanha.

Nuno Gomes: Finalmente voltou a ter uns minutos de jogo e tornou-se o pivot de um ataque mais móvel, menos previsível e mais difícil de travar pela defesa alemã. Ah! E marcou um bom golo, cumprindo a promessa de deixar a sua marca no Mundial

Klose & Podolski: Não marcaram, mas jogaram bem, confirmando ser a melhor dupla de ataque do Mundial, somando 8 golos entre eles. Mesmo não marcando, Klose ficou a um passo de conseguir o que falhou em 2002: a Bota de Ouro.

Fernando Meira: na ausência de Ricardo Carvalho, fez uma exibição segura e autoritária, tendo ainda de tentar compensação as oscilações do colega de sector.

Figo: O seu 127º e último jogo pela Selecção de Portugal tem um travo agridoce. Foi suplente (por motivos físicos) e Portugal perdeu. No entanto, despediu-se num grande palco do Campeonato do Mundo na consagração de Portugal no 4º lugar. Coroou a sua carreira na selecção com uma assistência perfeita para o golo de Nuno Gomes.

Oliver Kahn: Provavelmente outra despedida. Foi bom rever o melhor jogador do Mundial Japão/Coreia do Sul 2002 e ver que conserva a agilidade e eficácia que marcaram a sua carreira. Para mim, continua a ser melhor do que Lehmann…
 

Pauleta: Mexeu-se mais e teve mais bola do que contra a Inglaterra e a França, mas tornou a falhar, especialmente quando se isolou frente a Kahn. Não saiu tarde porque nem devia ter entrado.

Costinha: Outro crónico de Scolari que foi um flop. Sem pedalada para acompanhar os médios e avançados alemães, tornou a ver o amarelo e, pouco depois, a escapar do segundo e consequente vermelho. Antes que repetisse a proeza do jogo com a Holanda, ficou no balneário.

Jansen: A lesão de Friederich levou Lahm para o lado direito da defesa e valeu uma oportunidade para Jansen. Não a justificou: desastrado, fraco no controle de bola, ineficaz na condução do jogo de ataque, aflito com os extremos (Simão, Ronaldo e Figo) que lhe foram aparecendo, acabou batido por Figo no lance que culminou no golo português.

Ricardo e Petit: Deram uma ajuda preciosa aos Alemães nos primeiros golos. Isso, só por si, não invalida o Mundial que fizeram, mas este jogo não lhes correu de feição.

08 julho, 2006

Campeonato do Mundo 2006 - 15: A Previsão Final

CAMPEONATO DO MUNDO ALEMANHA/2006

15- A PREVISÃO FINAL

Nas meias-finais acertei num dos dois qualificados (50%), repetindo o score anterior. Tornei a errar Portugal, desta vez infelizmente. Aqui estão as previsões para as finais (vencedores a bold):

ALEMANHA - PORTUGAL
ITÁLIA - FRANÇA

A classificação final ficaria então assim ordenada:

1- ITÁLIA

2- FRANÇA
 
3- ALEMANHA

4- PORTUGAL


Começando pela final dos vencidos, a Alemanha é favorita, porque joga em casa e demonstrou mais do que Portugal no conjunto do Campeonato, especialmente no capítulo ofensivo, no qual os Alemães são fortes e os Portugueses têm sido medíocres (um golo em três jogos da 2ª fase). Para agravar as coisas, Portugal não conta com a melhor metade do seu quarteto defensivo (Ricardo Carvalho e Miguel), embora a Alemanha não tenha Ballack. Não duvido do empenho de ambas as equipas, mas acho que Klinsmann vai tentar recuperar o modelo rolo compressor dos primeiros jogos e duvido que Scolari mexa nos pontos fracos da equipa.

Quanto à Final, o prognóstico é mais complicado, mas penso que a Itália tem melhor equipa, é mais sólida tacticamente, tem mais jogadores em boa forma, tem melhor treinador, sofreu menos golos e marcou mais e jogou melhor até aqui. Em suma a Itália merece a vitória. A minha previsão é que a tendência dos 6 jogos anteriores se mantenha, sabendo, contudo, que a França se transfigurou dos primeiros três para os últimos. Não obstante, contra Portugal, a França não impressionou tanto como contra a Espanha e o Brasil, o que pode ter a ver com o estilo de jogo português, ou com uma quebra física de algumas das suas principais figuras. Num jogo que deve ser muito táctico, o primeiro golo deve ser fundamental, especialmente se ocorrer só no segundo tempo.

Comecei com as previsões, termino com os desejos:
quero que ganhem Portugal e Itália.

07 julho, 2006

A Exumação de D. Afonso Henriques

A EXUMAÇÃO DE D. AFONSO HENRIQUES
 

Por Bandeira, in Diário de Notícias de 07/07/06


Por vezes parece que em Portugal tudo gere polémica e trapalhada. Uma investigadora pediu autorização ao IPPAR de Coimbra e à Arquidiocese de Coimbra para abrir o túmulo de D. Afonso Henriques e de D. Mafalda, para conduzir alguns exames científicos que permitam conhecer melhor o primeiro Rei de Portugal.

As duas entidades deram o seu acordo com certas condições e a exumação iria realizar-se hoje. Tipicamente tarde e más horas, o Ministério da Cultura e a Direcção do IPPAR descobriram o que se ia passar e concluíram que a Direcção Regional de Coimbra não tinha competência para decidir a questão e que havia falhas processuais graves, nomeadamente a inexistência de autorização da Senhora Ministra da Cultura. Consequentemente a operação foi cancelada e, inevitavelmente, vai-se proceder a uma investigação para descobrir o que correu mal. Talvez não apure responsabilidades de forma liminar, mas deve ocupar alguns excedentários durante uns meses e assim mitigar a agitação social.

Entretanto, os investigadores, incluindo alguns estrangeiros de Sua Majestade viram a estátua funerária e foram, porventura, desenterrar algum faraó no Egipto, tarefa provavelmente mais simplex apesar das inúmeras maldições normalmente associadas a esse tipo de empreendimentos.

Não questiono que uma investigação deste tipo e incidindo sobre quem é, não possa ser tomada de ânimo leve e que tenha de subir a um determinado patamar. O que é espantoso, é que as estruturas da Administração Pública, neste caso do IPPAR, desconheçam as formalidades e os requisitos processuais. Enfim, qualquer dia vamos a Londres e vemos a múmia de D. Sancho I exposta no British Museum.

06 julho, 2006

Campeonato do Mundo 2006 - 14: Final Azul: Azzurri v Bleus

CAMPEONATO DO MUNDO ALEMANHA/2006

14- FINAL AZUL:

AZZURRI v BLEUS

 
Itália: Bom jogo da Squadra Azzurra: o rigor táctico habitual, a defesa segura de sempre, mas mais ousada do que noutros tempos, o que tem sido a imagem dos Italianos neste Campeonato, embora muitos teimem em não o reconhecer. Foi claramente superior na primeira parte e foi a única equipa que quis realmente ganhar no prolongamento, como o provam as substituições de Marcello Lippi. Tem jogadores de classe individual, capazes de fazer a diferença, mas que jogam em função da equipa. Auguri!

França: Depois de uma fase de grupos a roçar o miserável, a França destroçou a Espanha, dominou o Brasil e bateu Portugal a caminho da final de Berlim. Tal como havia previsto, a França, tendo melhorado exponencialmente terá atingido o seu pico nos jogos com Espanha e Brasil. No jogo com Portugal não regressou ao jogo com a Suíça, mas esteve longe de ser brilhante: ganhou vantagem num bem construído mas culminado com um penalty fortuito e controlou (bem) o jogo, a maior parte do tempo longe da sua área. Mereceu passar à final, mas 2 bons jogos em 6 sabe a pouco. Domingo veremos.


Del Piero, Gilardino, Pirlo, Grosso e Cannavaro: avançados, médio, defesas, a Itália destaca-se pela sua homogeneidade que torna difícil a escolha dos melhores. Escolhi Alessandro Del Piero porque é o mais brilhante e criativo jogador de Itália (melhor que Totti) e marcou um golo de grande classe; Gilardino pois foi mais eficaz e objectivo do que Luca Toni: esteve perto de marcar e assistiu Del Piero para o 2º golo; Andrea Pirlo foi o pêndulo do jogo italiano, pautou o jogo, defendeu, distribuiu e acabou por fazer uma assistência perfeita no 1º golo; Grosso é o herói improvável: tido como o elo mais fraco da selecção italiana, tornou-se o decisor do jogo aos 118 min. com um remate notável a fazer a bola “fugir” de Lehmann e entrar junto ao poste mais distante.


Thuram, Vieira, Zidane e Henry: Experiência, saber, muita técnica e rigor táctico, conhecimento mútuo e toques de classe, são a espinha dorsal da França, desde o centro da defesa até à baliza adversária. Há outros contributos valiosos, como Makelelé ou Ribéry, mas estes ainda são a chave dos triunfos.

Marcello Lippi: Sem surpresa, tem mostrado seu um dos (ou mesmo o) melhores treinadores deste Mundial. Calmo, lúcido no desenho táctico e na maioria das substituições, gizou um modelo de jogo mais atraente e ofensivo do que o tradicional italiano, sem até agora ter sofrido qualquer golo marcado pelos adversários (sofreu um auto-golo de Zaccardo ante os EUA). Falta-lhe vencer o derradeiro obstáculo para suceder a Enzo Bearzot na galeria dos imortais do Calcio.


Portugal: Infelizmente, confirmou-se a quebra já visível contra a Inglaterra. A França foi melhor e mais segura mas nunca foi avassaladora. O problema é que Portugal foi quase sempre inofensivo, impotente para dar a volta ao texto. Estes Gauleses estão muitos furos abaixo dos de 2000 e fiquei convencido que a nossa equipa desse Europeu tinha batido esta França sem apelo nem agravo. Como já tinha alertado, temos o pior ataque dos semi-finalistas e é difícil conquistar o Campeonato do Mundo só com vitórias por 0-0.

Alemanha: Foi o jogo em que os Alemães foram menos iguais a si próprios. O jogo com a Argentina foi um prenúncio, mas o jogo das meias finais foi o 1º em que a Alemanha não assumiu as rédeas do jogo e o controlou na totalidade, ou pelo menos, na maior parte do tempo. O 0-2 será penalizador, mas a Alemanha mereceu jogar a partida do 3º lugar pelo que fez até ao último jogo; hoje, contudo, não mereceu a final.

Scolari: Nem as vitórias anteriores o transformaram, para mim, em bestial, nem a derrota de hoje faz dele uma besta. Naquelas e nesta, ele foi igual a si próprio: bom condutor de homens, congregador, unificador e moralizador do grupo, incutindo-lhe ambição e espírito vencedor; treinador mediano, teimoso à enésima potência, praticamente incapaz de admitir que as suas apostas crónicas não estão a resultar e engendrar uma alternativa. Veja-se a segunda parte errática e sem norte da equipa contra a França, as substituições previsíveis, mas desconexas, o facto de proclamar total confiança nos 23 jogadores mas demonstrar que só contava com os mesmos 11 (14 com boa vontade).

Klinsmann: Equilibrou o jogo na 2ª parte, mas durante os outros 75 minutos foi sempre inferior ao adversário. Pareceu surpreendido com a forte entrada dos italianos no prolongamento, contrapôs com substituições conservadoras à ousadia de Lippi e começou a pensar nos penalties cedo demais, contrariando a vocação atacante da Alemanha e facilitando a execução do coup de grace por uma Itália mortífera. Tal como as vitórias anteriores e os jogos galvanizadores têm muito mérito de Klinsmann, a derrota com a Itália também passa por ele.

Pauleta: É uma verdade estatística inatacável que é o maior goleador de sempre da Selecção Nacional, mas o Mundial 2006 (após o Euro 2004) demonstram à evidência que os seus lamentos de Calimero não têm razão de ser: não marca golos na maioria esmagadora dos jogos importantes, não faz jogo de equipa, raramente recua, dificilmente ganha ou segura uma bola, às vezes parece nem se esforçar – talvez por saber que joga sempre. Contra a Inglaterra foi uma nulidade e contra a França fez um bom remate e… mais nada. No bornal leva um golo a Angola, o que é bom, mas não deixa de ter um sabor a um golo marcado ao equivalente do Liechenstein nas fases da qualificação. Que saudade do Nuno Gomes!

Ballack: Que saudade do Michael Ballack do Mundial Japão/Coreia do Sul 2002, ou mesmo o que impulsionou a Mannschaft para uma bela exibição contra a Suécia este ano! Agora esteve desinspirado, desconcentrado, pouco rematador e nunca fez a diferença. Tem capacidade e obrigação de fazer muito melhor.


SELECÇÕES DAS MEIAS FINAIS:

A B

1- Buffon (ITA) 1- Lehmann (GER)
2- Zambrotta (ITA) 2- Sagnol (FRA)
3- Meira (POR) 3- Thuram (FRA)
4- Cannavaro (ITA) 4- Matterazzi (ITA)
5- Grosso (ITA) 5- Nuno Valente (POR)
6- Makelelé (FRA) 6- Gattuso (ITA)
7- Andrea Pirlo (ITA) 7- Figo (POR)
8- Podolski (GER) 8- Kehl (GER)
9- Gilardino (ITA) 9- Henry (FRA)
10- Del Piero (ITA) 10- Zidane (FRA)
11- C. Ronaldo (POR) 11- Camoranesi (ITA)


Repentinamente o Mundial ficou todo Azul. Domingo em Berlim, Azzurri e Bleus vão disputar o título mundial. Analisando os jogos das meias-finais, os que foram melhores jogam em Berlim e os que foram inferiores jogam Sábado em Stuttgart. Se o cômputo do Mundial valer para alguma coisa, a Itália conquistará o seu 4º Campeonato do Mundo. No entanto, como outros Mundiais já demonstraram, no dia da final, o caminho feito até lá conta muito pouco. Na véspera, temos a despedida dos anfitriões que também sonhavam com a 4ª vitória e a nossa, a de Portugal, que chegou a sonhar em superar o feito dos heróis míticos de 1966.

05 julho, 2006

"Só Falta Um Bocadinho." Lembram-se?

“SÓ FALTA UM BOCADINHO.” LEMBRAM-SE?


Por Bandeira in "Diário de Notícias" de 04/07/06


No passado dia 18 de Maio escrevi um post intitulado “Só Falta Um Bocadinho”. Lembram-se? Talvez não. Reproduzo algumas passagens:

O Governo de José Sócrates está quase lá. Já só faltam uns dias. […] está quase a chegar à estação da tranquilidade, via distracção e esquecimento.

[…] os Portugueses vão entrar no frenesim […] do Mundial de Futebol, especialmente se Portugal for longe na competição. Quando terminar este corrupio cansativo, entramos todos de merecidas férias […]

Entretanto, o Governo pode governar ou desgovernar[…], que muito poucos Portugueses prestarão alguma atenção.

Que descanso regalado para o Governo. Já só falta um bocadinho! Depois, em Setembro, quando todos acordarem, logo se verá onde estamos.

Já se lembram? Foi dito e feito. Portugal segue de vento em popa na Alemanha e já garantiu que fica num lugar de honra e que joga até ao fim da competição. O Governo, francamente, não sei se também vai de vento em popa, mas sei que, na pior das hipóteses, navega em mar chão e tempo de calmaria. Um dos Ministros mais polémicos e desastrados do Governo e 3º na hierarquia saiu (lamento os motivos, mas regozijo-me com a demissão) e temos novos Ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros; a notícia soube-se quase por acaso. Reformas adiadas e encolhidas? Medidas tidas por punitivas pelos professores? Greves? Défice orçamental intratável? Agitação na função pública? A oposição existe? O Ministro da Economia está entalado entre a fuga das multinacionais e grandes investimentos abortados? O Ministro sai de uma controvérsia para entrar numa polémica? Incêndios florestais? Who knows? Who cares?

Com a Inglaterra, Holanda, Brasil, Argentina, Espanha, Suécia e outros 23 adversários fora de combate e só com França, Itália e/ou Alemanha entre Portugal e a glória absoluta (futebolística), os Portugueses sentem-se nas nuvens, o que até se reflecte nas sondagens – 44% para o PS, 29% para o PSD na mais recente do DN e da TSF.

Entretanto o Governo garante mais dois meses de paz e tranquilidade, talvez três ou quatro se Portugal for Campeão do Mundo. Talvez quando os Portugueses acordarem estremunhados do sonho, até já tenha sido aprovado o Orçamento de Estado para 2007. Se calhar, Scolari não é o único sortudo do país…


 

03 julho, 2006

Campeonato do Mundo 2006 - 13: Lugares de Honra para Alemanha, Itália, Portugal e França


CAMPEONATO DO MUNDO ALEMANHA/2006

13- LUGARES DE HONRA PARA
ALEMANHA, ITÁLIA, PORTUGAL E FRANÇA



Itália: Qualificação clara para as meias-finais, embora defrontasse a equipa mais fraca das 8 que chegaram a esta fase. O seu jogo não é dos mais atraentes, mas também está longe do famigerado cattenaccio. A Itália é uma equipa no verdadeiro sentido do termo, com jogadores de excepção nos três sectores, com um sentido táctico e posicional a roçar a perfeição e com um elevado índice de aproveitamento de oportunidades de golo. Merece indubitavelmente estar nos lugares de honra deste Campeonato do Mundo.

França: Qual Fénix renascida, a França não repetiu os 3-0 de 1998 ao Brasil, mas dominou e controlou a maior parte do jogo, criou mais perigo, foi mais esclarecida e mereceu ganhar. Como diria o outro, velhos são os trapos.

Alemanha: Não foi o rolo compressor imparável dos primeiros 4 jogos, mas jogou taco a taco com a Argentina, uma das equipas que produziu melhor futebol neste Mundial. Nos penalties, os Alemães foram iguais a si próprios: frios e eficazes, não falharam. Consequência? Ganharam 4-2.

Portugal: Está com mérito nas meias-finais e por isso figura na coluna positiva, mas sejamos honestos: a exibição de Portugal e o seu resultado, perante um adversário que jogou a maior parte do jogo com 10, não foram famosos. Na realidade, a Inglaterra até criou mais situações de perigo do que Portugal e as coisas até estavam a ficar mal paradas quando Rooney resolveu agredir Ricardo Carvalho. No entanto, tudo está bem quando acaba bem: Portugal está nos lugares de honra e chegou lá com mérito.

Zidane: Foi o principal protagonista da Renaissance Française: joga, passa, defende, ataca, assiste, remata, está no campo todo. Foi o melhor.

Só apetece gritar PORTUGAL, PORTUGAL! Não foi brilhante a qualificação, mas a equipa continua a mostrar uma solidez e consistência que têm sido as suas principais armas. Agora precisamos das mesmas virtudes e de uma maior capacidade de marcar golos, para chegarmos a Berlim. Entretanto, dos 6 Campeões do Mundo dos quartos de final, caíram três: Inglaterra e Argentina nos penalties e o Brasil, atropelado pela França. Seguem em frente a Itália, a Alemanha, a França e um outsider: Portugal. Finalmente, um grande triunfo europeu: as equipas da UEFA fazem o pleno nas meias finais e a Taça do Mundo vai voltar a ficar cá.


Guarda-Redes – Buffon, Lehmann e Ricardo: Três exibições de grande nível de jogadores que foram decisivos para a qualificação das respectivas selecções. O Italiano esteve espectacular no jogo; o Alemão e o Português, seguros no jogo, destacaram-se por defenderem 2 e 3 penalties, respectivamente.

Luca Toni, Zambrotta e Cannavaro: Toni, o primeiro Italiano a ser o melhor marcador europeu, andava com azar: sempre perto do golo, mas sem lá chegar. Contra a Ucrânia, o faro do golo voltou, em dose dupla, e ainda vai a tempo de se tornar um dos strikers do Mundial, espécie rara em 2006. Zambrotta é um faz-tudo (lateral-esquerdo, lateral-direito, médio-esquerdo) e joga quase sempre bem e no limite. Neste jogo, marcou um golo de fora de área e fez uma assistência para golo. Cannavaro é o capitão da Squadra Azzurra e o líder da defesa na ausência forçada de Nesta. Implacável a defender, ainda salvou um golo sobre a linha que podia ter relançado o jogo.


Brasil: A confirmação do flop. O grande favorito, vencedor antecipado caiu sem apelo nem agravo nos quartos de final. E já vai tarde. Poucas vezes tantos jogadores tão bons produziram tão pouco durante um Mundial. Com algumas excepções, o Brasil teve uma defesa aos papéis quando confrontada com velocidade, um meio campo vazio de ideias e um ataque pesadão. Seria difícil que a sorte, pontuais momentos de inspiração individual e alguns favores da arbitragem, dessem para ir mais longe. Hasta la vista Brasil!

Inglaterra e Argentina: Não foram inferiores aos adversários e perderam apenas nos penalties, mas o que ficará registado é que ficaram nos quartos de final, ou seja, aquém dos seus objectivos e capacidades.

Ronaldinho Gaúcho: O dito melhor jogador do mundo não foi, longe disso, o único a falhar na selecção brasileira, mas o estatuto com que chegou à Alemanha obrigavam-no a uma prestação muito melhor. Não teve rasgo, inspiração, nunca conseguiu fazer a diferença. Foi uma nulidade.


SELECÇÕES DOS QUARTOS DE FINAL:
A B


1- Buffon (ITA) 1- Ricardo (POR)
2- Miguel (POR) 2- Coloccini (ARG)
3- Ricardo Carvalho (POR) 3- Rio Ferdinand (ENG)
4- Cannavaro (ITA) 4- Meira (POR)
5- Zambrotta (ITA) 5- Ashley Cole (ENG)
6- Patrick Vieira (FRA) 6- Gattuso (ITA))
7- Frings (GER) 7- Hargreaves (ENG)
8- Klose (GER) 8- Zé Roberto (BRA)
9- Luca Toni (ITA) 9- Tevez (ARG)
10- Zidane (FRA) 10- Ballack (GER)
11- Ribbery (FRA) 11- Kalinichenko (UKR)


PREVISÕES:

Foi a pior performance até agora: acertei em 2 dos 4 qualificados (50%) para as meias finais. O que é curioso, é que ganharam as 4 selecções que eu preferia. Aqui estão as previsões para as meias finais (vencedores a bold) que, neste caso, coincidem com os meus desejos:

ALEMANHA - ITÁLIA
PORTUGAL - FRANÇA

As previsões tornam-se cada vez mais difíceis de fazer. No cômputo dos jogos já realizados, a Alemanha e a Itália parecem-me as equipas mais fortes, embora com estilos e formas de jogar bastante diferentes. No entanto, só uma estará na final. A França tem estado em crescendo, mas creio que não conseguirá atingir patamares mais elevados; já Portugal pode, principalmente se Portugal atacar melhor (tem o pior ataque dos sobreviventes) e Scolari mexer numa ou outra “vaca sagrada”. Aconteça o que acontecer, teremos uma final inédita.