QUE VIVAS TEMPOS INTERESSANTES/MAY YOU LIVE IN INTERESTING TIMES! Uma velha maldição com a mensagem subliminar que tempos interessantes implicam mudança, perigo, dúvida, angústia, risco, conflito. Eu acrescento, desafios, oportunidades e o fascínio de ver o mundo a mudar.
É este conceito dos Tempos Interessantes (curse or blessing) que marca este Blog.
O Grito é a obra mais conhecida do pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944) e retrata uma situação limite de desespero.
Sendo uma obra de um pintor da Noruega, retratando uma doca de Oslo, e uma cena de desespero, parece-me a imagem mais adequada para retratar um post sobre o mais mortífero (93 mortos até ao momento) atentado na Europa desde 2005.
É uma evidência que o radicalismo islâmico é, actualmente, o mais organizado, empenhado, seguido e, consequentemente, o mais perigoso e letal
Não obstante, o facto de o duplo atentado na Noruega ter sido da autoria de um extremista cristão, e não dos habituais radicais islâmicos, vem demonstrar que o problema, a ameaça, ao nível da segurança, provêm dos extremismos, seja qual for a sua proveniência.
Além de combater de forma implacável os extremismos violentos, seja qual for a sua proveniência e motivação, é também importante resolver os problemas que lhes subjazem. E a imigração, a intolerância religiosa e a coabitação inter-cultural estão na linha da frente desse desafio. Ignorá-los, ou manter as estafadas abordagens politicamente correctas, é o mesmo que enfiar a cabeça na areia.
Numa altura em que a mood dos Portugueses anda muito mal, poderia dizer que andamos com os blues, pensei que uma boa música que junta os dois conceitos - Moody Blues - poderia animar um pouco os espíritos.
Enquanto que não abre a época da caça ao coelho (ainda sem segunso sentido), abriu em Portugal a caça à Moody’s.
É evidente que não fiquei contente com o downgrade da dívida soberana portuguesa para junk, seguindo os passos da Grécia e seguido, poucos dias depois, da Irlanda. Escusado será dizer que não tenho qualquer interesse pessoal no sucesso ou insucesso desta ou de qualquer outra agência de rating.
Isto para dizer que me parece um pouco surreal a demonização da Moody’s em Portugal, com o argumento que esta agência (mais a Standard & Poor’s e a Fichte) visam destruir o euro.
Embora não me pareça que tenha havido novidades que justificassem a descida do rating de Portugal, a realidade é que Portugal está num fosso de difícil saída, como o próprio Primeiro-Ministro vai apregoando para justificar o novo assalto à carteira dos Portugueses. E se as finanças públicas portuguesas se encontram no estado desgraçado em que estão, não é devido à Moody’s, mas sim a vários governos que foram gastando este mundo e o outro.
As agências de rating são empresas comerciais, que estão no mercado e que querem ter lucro. Para terem lucro, precisam de credibilidade. Se deixarem de a ter, perdem clientes e podem fechar. Pode dizer-se que a Moody’s perdeu credibilidade em Portugal e por isso começou a perder clientes (mais por motivos políticos do que outros). Não consta, contudo, que os começasse a perder nos EUA, no Reino Unido, na Alemanha, ou no Japão. Certamente porque esses clientes continuam a acreditar nas avaliações que a Moody’s faz.
Em Portugal e na EU foi o desvario. Cavaco Silva, olimpicamente indiferente aos crónicos e descarados desvios aos programas eleitorais, escandalizou-se e tentou (sem sucesso) mobilizar os Chefes de Estado dos 27 em defesa do euro e no ataque as agências de rating. Dois comissários europeus queriam impor proibições à actuação das agências na Europa (como se tal fosse possível). Outros, do PS ao BE, advogaram a criação de uma agência de rating europeia, no espírito que “se é nossa, só vai dizer bem de nós!” E assim poderíamos, quiçá, guindarmo-nos a AAA+++ sem ter sequer de atacar a dívida e o deficit.
Entretanto, a anti-europeia Moody’s, anunciou uma eventual revisão em baixa do rating dos Estados Unidos (AAA), dada a crise orçamental que se avizinha (em 2 de Agosto os EUA entrarão em incumprimento e os serviços do Estado fecharão, se não for elevado o plafond de endividamento federal). Este anúncio segue-se a um idêntico da Standard & Poor’s.
Trata-se, seguramente, de uma manobra de diversão do tal esquema tenebroso de tramar Portugal para rebentar com o euro! Como diria o Eça, não há pachorra!
Nem foi preciso um mês. Bastaram 25 dias para Pedro Passos Coelho mentisse descaradamente ao eleitorado. A história é a de sempre: as coisas estavam pior do que pensávamos bla bla bla, é um imperativo nacional bla bla bla, é um último sacrifício que vai valer a pena bla bla bla.
Pois. Passos Coelho ignorava as exigências da Troika em termos de objectivos, desconhecia o estado das contas públicas e, se calhar, até pensava que ia ser Primeiro-Ministro da Noruega ou da Suíça.
O facto é que se continua a recorrer à mentira para ganhar eleições. Ainda em Abril, Passos Coelho rotulava de “disparates” os rumores de que iria cortar no subsídio de Natal. Também disse mais do que uma vez que, se tivesse absoluta necessidade de aumentar impostos preferia fazê-lo com os impostos sobre o consumo (IVA) do que sobre os do rendimento (IRS, IRC). MENTIRA!
O outro facto relevante é que continua a roubalheira. Por muitas promessas e intenções que tenha de reduzir o peso, a presença e o custo do Estado, também Coelho não resistiu a assaltar os Portugueses, 13 meses depois de ter sido cúmplice de Sócrates noutro assalto. VERGONHA!
Eu não acredito que os políticos e os partidos são todos iguais (entenda-se igualmente maus), mas perante a repetição do padrão de mentira e do continuado esbulho das magras poupanças dos Portugueses, não se pode recriminar quem assim pense.
O ano passado Passos Coelho pediu desculpa por ter mentido. Este ano limitou-se a pedir (exigir) dinheiro. Dentro de 4 anos virá pedir votos. Se não arrepiar caminho drasticamente, espero que ninguém lhos dê.
Depois de muita especulação (como é habitual), Barack Obama deu a conhecer o como e o quando do fim do surge – o aumento de 33.000 tropas dos EUA no Afeganistão que decidiu fazer em Dezembro de 2009.
Como se sabe, já nessa altura Obama anunciou que em Julho de 2011 começaria a retirar os reforços que então começava a enviar. Tal era uma péssima ideia como tive ocasião de referir na altura em “It’s 3 A.M. and the Red Phone Rings” (http://tempos-interessantes.blogspot.com/2009_12_01_archive.html) :
Francamente negativo foi o anúncio de um deadline de 18 meses para iniciar a retirada. Supostamente, para pressionar o governo afegão a arrepiar caminho e para dar tempo ao novel exército afegão para assumir o grosso da luta contra os Taliban. Na realidade, o factor principal foi a vontade que Obama tem de fugir a sete pés do Afeganistão e a necessidade de dar um rebuçado à ala pacifista maioritária no Partido Democrata, à qual pertence. Falta a Obama o fighting spirit e a consciência geopolítica de que o poder e a disponibilidade para o usar ainda são factores incontornáveis nas Relações Internacionais.
Dentro de 18 meses, o exército afegão ainda não terá a dimensão e a capacidade para arcar autonomamente com o esforço de guerra. Pior do que isso, é que os Taliban e a Al-Qaeda também vêem e lêem as notícias e sabem que lhes basta resistir durante 18 meses e esperar que o inimigo comece a fazer as malas. Então sim, o espírito de Saigão poderá voltar para assombrar a Casa Branca, poderá não haver margem para gastar mais uns meses a deliberar e a escolha poderá ser apenas entre a derrota total e o reforço maciço de tropas. Por outras palavras, um beco sem saída. É evidente que os 18 meses não são inocentes: para além de placar o Partido Democrata, em Julho de 2011 estar-se-á a 16 meses das eleições presidenciais norte-americanas e Obama quer retirar as tropas do Afeganistão a tempo de o Afeganistão sair da mente e da memória do eleitorado, ou seja, a prioridade é vencer em 2012; a guerra está em segundo plano.
Dito e feito. 10.000 soldados retiram até ao final deste ano e os restantes 23.000 deixam o Afeganistão até Setembro de 2012. De pouco serviu que as chefias militares solicitassem que o grosso dos 33.000 ficassem até ao final de 2012, permitindo que estivessem mais dois ciclos de guerra (Primavera-Outono) no terreno, consolidando os progressos obtidos até agora.
Aliás, já há meses que conselheiros civis do Presidente (leia-se assessores de campanha) que era impensável que estas tropas permanecessem no teatro de guerra até ao final de 2012. Como já era previsível há 18 meses atrás, o importante era ter as tropas nos Estados Unidos antes das eleições. Já se sabe, também, que para Obama a prioridade é “Me first!”. Longe vão os tempos em que o Afeganistão era a guerra que valia a pena combater e ganhar. Essa era a altura de angariar votos. A guerra é a mesma, a necessidade de angariar votos também, só mudou a estratégia eleitoral para os obter.
A morte de Osama Bin Laden tem sido apontada off the record como uma das motivações para acelerar a retirada do Afeganistão. É o conto do vigário. A eliminação de Bin Laden foi muito importante pelo carácter simbólico de que se revestiu:
… a morte de Bin Laden é uma grande vitória pelo valor simbólico que tem. No Ocidente, o alívio e alegria pelo desaparecimento do rosto da maligna organização, que na mente de muitos se confundia com a própria organização. Para os islamitas radicais é o oposto: desaparece o líder, a referência, o fundador, a figura reverencial e consensual. (in “A Morte da Besta” at
No entanto, a sua relevância operacional era muito reduzida. Ou seja, a sua liquidação não altera no curto prazo a realidade no teatro de guerra afegão. Fazer o link entre a morte de Osama e a conclusão da Guerra no Afeganistão é demagogia grosseira.
Enquanto a condução de uma guerra for fluindo ao sabor dos interesses eleitorais conjunturais de um Presidente, é óbvio que os superiores interesses políticos e geoestratégicos dos Estados Unidos são relegados para segundo plano, seja no Afeganistão, no Médio Oriente ou na Europa. Com este Presidente, assim será.
Post Scriptum: A postura de Obama nas questões do Médio Oriente tem sido diferente, mas disso trataremos noutro post.
Tomou posse o XIX Governo Constitucional, resultante de um acordo entre o PSD e o CDS e suportado por uma confortável maioria parlamentar
Todos sabemos que enfrenta tempos difíceis, resultado de muitos anos de desleixo e, especialmente, da gestão danosa de que Portugal foi vítima nos últimos 6 anos. Contudo, se a situação contextualiza a actuação do novo Governo, ela não desculpabiliza eventuais maus desempenhos, até porque todos os membros do Governo são-no de livre vontade e com conhecimento da situação.
Além da superação do estado de falência, espera-se que o Governo seja capaz de diminuir o peso e custo do Estado e de todas as suas estruturas periféricas e aliviar o jugo fiscal colocado sobre os cidadãos para financiar a incontinência orçamental socialista. Não esqueço que Pedro Passos Coelho se arrogou o direito de fazer ajustamentos ao Memorando da Troika, atacando mais a despesa do que a receita e mantendo o cumprimento dos objectivos nele inscritos.
A coligação PSD-CDS é o melhor cenário governativo que se podia esperar das eleições de 5 de Junho. Infelizmente, anteriores intenções de reduzir o Estado e de devolver dinheiro aos cidadãos saíram goradas. Assim, é com o espírito de São Tomé que olho para este Governo: ver para crer!
Post Scriptum: Acho um desperdício a colocação de Paulo Portas nos Negócios Estrangeiros. No Ministério da Administração Interna teria influência e poderia fazer a diferença; no MNE, não.
Dois rápidos assaltos foi quanto durou a candidatura efectiva de Fernando Nobre ao cargo de Presidente da Assembleia da República (PAR).
Fernando Nobre, a mais desastrada indicação de um cidadão para PAR em 36 anos, foi abatido pela conjugação da coerência do CDS com a revanche da esquerda, que não lhe perdoou o seu oportunista e interesseiro volte-face político-ideológico.
Finalmente, o coup de grace foi desferido por 3 incógnitos deputados do PSD que recuperaram a máxima milenar de que “Roma não paga a traidores”!
P.S. A obcessão pela novidade não é boa conselheira. Pedro Passos Coelho fez questão fechada de colocar um independente (?) como PAR, como se tal fosse uma prioridade nacional, ou tivesse mesmo alguma relevância política. Como alternativa, fez eleger a primeira mulher a ocupar o cargo de PAR. Nada contra o facto, apenas me desagrada a sensação de se querer fazer diferente, simplesmente por isso, por ser a primeira vez. Ainda bem que não há marcianos no Grupo Parlamentar do PSD…
Os resultados das Eleições Legislativas estiveram dentro daquilo que previa e do que desejava (ver Desejos para Hoje – 05/06/2011 em http://tempos-interessantes.blogspot.com/2011/06/desejos-para-hoje-05062011.html ). Posso mesmo dizer, que foram desejos satisfeitos praticamente na íntegra. Foram também o reflexo da situação política, económica e social que Portugal tem vivido nos últimos tempos.
Assim, a vitória do PSD era, num quadro que excluísse a insanidade colectiva, uma inevitabilidade. Apesar das hesitações e dos percalços, a liderança do PSD manteve, durante a campanha, um índice de tranquilidade e de determinação que foram suficientes para aligeirar alguns receios de que o PSD não estivesse preparado para assumir o poder. Essa será a prova dos nove de Pedro Passos Coelho: cumprir as metas de redução do deficit e de devolver competitividade à economia, colocando o ónus principal do ajustamento na fonte dos problemas (Estado e sector público) e não nas vítimas (os cidadãos).
A derrocada do PS, só ultrapassada pela hecatombe de 1985, foi um tardio ajuste de contas do eleitorado português com José Sócrates. A oportunista e ruinosa política de expansão descontrolada da despesa pública em 2008/09, a total incapacidade de a controlar, conter e reduzir em 2010 e a contínua extorsão fiscal dos cidadãos, levou à ruptura financeira de Portugal, ao prolongamento e agravamento do estado recessivo da economia, ao empobrecimento da classe média e à miséria económica e social de muitos Portugueses. 28% é uma punição duríssima do PS se olharmos ao seu histórico eleitoral. 28% é um resultado fantástico se olharmos à gestão danosa da coisa pública realizada pelo PS de José Sócrates.
O crescimento eleitoral do CDS é notável porque, pela primeira vez, foi feita em conjunto com a subida do PSD. Embora tenha sabido a pouco em face das sondagens e da performance do partido e de Paulo Portas, este resultado coroa a viragem à direita que os Portugueses operaram em 2011. Espera-se que o CDS assegure que os valores de direita são defendidos e promovidos no novo governo e que coarcte alguns tiques negativos dos partidos dominantes do sistema político português.
A muralha de aço do PCP resistiu mais uma vez e até conseguiu crescer. O legado de coerência a roçar a obstinação deixado por Álvaro Cunhal continua a dar frutos: enquanto que os PC’s reconvertidos por essa Europa já foram extintos ou reduzidos a forças residuais, assim, com 16 deputados, se vê a força do PC…P.
O Bloco de Esquerda teve o seu momento PRDiano (a criação eanista dos anos 80 que teve 45 deputados nas primeiras eleições a que concorreu em 1985, teve 7 nas segundas em 1987 e 0 –zero- nas subsequentes). Reduzida a metade dos votos e dos deputados, a salada soviética de trotskistas, stalinistas e maoistas que é o BE, teve o seu pogrom eleitoral. Nem foi preciso o Gulag ou a Revolução Cultural: foram dizimados nas urnas pelo eleitorado, certamente saturado da arrogância, intolerância e radicalismo do BE, quiçá enjoado de tanto caviar de esquerda. Vamos aguardar pelo pogrom interno…
E agora vamos verrar os dentes para arrostar o temporal!!!
As eleições legislativas em Portugal começam dentro de algumas horas. Eis os meus desejos para esse acto eleitoral:
1-Que o PSD ganhe com clareza mas sem maioria absoluta. Um resultado na ordem do que lhe têm atribuído as sondagens, entre os 35% e os 38%, estaria bem.
2-Que o PS tenha um resultado remotamente em linha com os resultados da sua governação. Digo remotamente, porque a legislação eleitoral portuguesa não contempla a possibilidade de ter uma votação negativa, tipo -25%. Tendo em conta a realidade social e política de Portugal, desejo que o PS fique abaixo dos 30%.
3- Que o CDS tenha um bom resultado, cerca dos 12%, preferivelmente perto dos 15%, para poder ter uma influência e responsabilidade fortes no próximo governo.
4- Que o PCP tenha um resultado apreciável (cerca de 10%), que aumenta as perdas do PS e lhe permita regressar ao posto de 4º partido nacional.
5- Que o BE seja relegado para o 5º lugar, com não mais de 8%, assim penalizando as suas arrogância, intolerância e radicalismo.
6- Que todos os Portugueses que queiram votar o possam fazer sem problemas nem entraves, penalizadores do livre exercício do acto mais nobre da democracia e que mancharam de forma vergonhosa as últimas eleições presidenciais.
No início da semana o Público e a TVI divulgaram a segunda de uma série de 8 sondagens, que mostrava o PS (35%) colado ao PSD (36%). Mesmo não alimentando grandes ilusões acerca do próximo acto eleitoral, fiquei surpreendido.
Hoje, a 3ª sondagem coloca o PS à frente das intenções de voto! Fico atónito! Um partido que governa sozinho há 6 anos, a maior parte do tempo com maioria absoluta, e que conduziram o país a galope na direcção do abismo, da falência, da dívida incontrolável, da austeridade sem sentido, da recessão, da omnipresença ineficiente do Estado, da implacável extorsão dos rendimentos e poupanças da classe média e dos pensionistas, está bem colocado para ganhar as eleições?
Confesso que aquilo que pensei foi: ou a sondagem é uma fraude miserável (ou fruto de grande incompetência), o que quero crer que não seja verdade, ou o país está tão mal, tão mal que já tem um forte pulsar suicidário! Sim, depois destes anos agonizantes em que todos os indicadores económicos relevantes se agravaram inapelavelmente, votar no PS em grandes números só pode significar uma irresistível e suicida atracção pelo abismo!
Post Scriptum PSD: Não obstante as sondagens me deixarem um pouco incrédulo, tenho de reconhecer que a liderança do PSD tem feito a sua parte para arranjar os sarilhos em que parece se ter metido, como podem recordar nestes 3 posts publicados em Março e Abril:
Post Scriptum CDS: É a melhor notícia das sondagens: o CDS aparece forte, com 10.5% e 13.4% nas duas sondagens. Penso que um CDS com peso eleitoral para influenciar o futuro governo seria bom para Portugal. E como o partido é habitualmente desvalorizado pelas sondagens…
Post Scriptum PCP: Desde o tempo do Estado Novo que o lema do PCP é a resistência e as sondagens indicam isso mesmo: continua a resistir com resultados entre 8% e 7% e até aparece em 4º lugar.
Post Scriptum BE: A outra boa notícia: o mais intolerante, radical e arrogante dos partidos cai para 5º com votações entre os 7% e os 6%.
As suspeitas que rodeiam relacionamento entre Bin Laden e o aparelho securitário paquistanês?
in “The Washington Post”
A liquidação do líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden, por tropas especiais dos Estados Unidos foi uma excelente notícia. Contudo, o facto de ele viver desde 2006 bem dentro do Paquistão, tem levantado uma neblina que ameaça envenenar ainda mais as relações entre Washington e Islamabad.
Ao contrário da maioria das expectativas, Bin Laden não estava refugiado nas zonas remotas do Paquistão que confinam com o Afeganistão, mas sim numa pacata cidade a cerca de 100km da capital, Islamabad e a 1km da Academia Militar do Paquistão.
Por vezes, os locais mais expostos são os melhores esconderijos porque ninguém procura nesses sítios. Porém, dado o historial ambivalente do Paquistão, particularmente dos seus serviços secretos (ISI – Inter-Service Intelligence), envolvidos na criação dos Taliban e ciosos da manutenção de laços com os grupos islamitas radicais, a localização do refúgio de Bin Laden é bastante suspeita.
A relação entre os EUA e o Paquistão está pejada de atritos e arrufos, mas o certo é que se vai mantendo ao longo dos anos e das décadas. No presente, a realidade é que Norte-Americanos e Paquistaneses precisam uns dos outros por motivos estratégicos, políticos e militares, onde se cruzam os interesses no Afeganistão, as relações com a Índia, o combate contra a Al Qaeda e a guerra e diplomacia com os Taliban (os Afegãos e os Paquistaneses). Como tal, com ou sem suspeitas, com mais ou menos reclamações e protestos, com entendimentos e desentendimentos, os EUA e o Paquistão estão condenados a continuarem a ser parceiros estartégicos no Sul da Ásia e não será o affair Al Qaeda/Bin Laden que os separará.
Osama Bin Laden (1954-2011), líder da Al Qaeda,
responsável por dezenas de atentados terroristas e milhares de mortos de
múltiplas nacionalidades e religiões. A Besta do início do III Milénio.
Nove anos depois do 11 de Setembro, a Besta foi finalmente liquidada: Osama Bin Laden foi morto pelo Team 6 dos Navy Seals, as mortíferas forças especiais da US Navy.
Não
pondo fim à guerra contra o terrorismo e sendo incerto o seu impacto
sobre a capacidade/vontade operacional da Al Qaeda, a morte de Bil Laden
é uma grande vitória pelo valor simbólico que tem. No Ocidente, o
alívio e alegria pelo desaparecimento do rosto da maligna organização,
que na mente de muitos se confundia com a própria organização. Para os
islamitas radicais é o oposto: desaparece o líder, a referência, o
fundador, a figura reverencial e consensual.
O futuro é uma incógnita. É, para mim, óbvio que a Al Qaeda não desapareceu na passada segunda-feira. Acredito, contudo, que a sua moral e capacidade de mobilização tenham ficado seriamente afectadas. Quanto ao impacto sobre a capacidade operacional e organizacional da Al Qaeda pós-Bin Laden, dependerá de 3 factores: a) a capacidade de encontrar de forma pacífica e célere um novo líder consensual; b) a manutenção das fontes e canais de financiamento da organização; c) o valor da informação que os Navy Seal capturaram na casa de Abbottabad. Se essa informação permitir a caça/captura/eliminação de outros membros relevantes na estrutura da Al Qaeda, poderá estar em causa a funcionalidade e sobrevivência da cabeça da hidra. Não esquecer, finalmente, que a Al Qaeda está franchisada e, como tal, os seus ramos noutras regiões poderão continuar a funcionar durante bastante tempo, mesmo sem a organização-mãe.