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30 dezembro, 2017

Viurem Lliures O Morirem



VIUREM LLIURES O MORIREM*

 
Viurem Lliures o Morirem (vivemos Livres ou Morremos) era o mote e a bandeira dos Catalães na fase final da Guerra da Sucessão de Espanha, quando combatiam os exércitos de Espanha e França.


Os Catalães lá voltaram a votar e, mais uma vez, a corrente independentista saiu vencedora com maioria absoluta dos mandatos e maioria relativa dos votos. Isto apesar de toda a pressão e chantagem feitas.

As eleições na Catalunha validaram as forças políticas que estavam no poder, realizaram o referendo e proclamaram a independência. Por outro lado, infligiram uma pesada derrota a Mariano Rajoy. Quando este pensava que tinha posto as grilhetas e a mordaça nos Catalães, eis que estes votaram em quem ele não queria e reduziram o seu partido a uma expressão residual (7º lugar com 4% dos votos e 3 deputados).


Não obstante os resultados, estou muito pessimista quanto às perspectivas futuras da saga independentista catalã. Os líderes políticos da Catalunha demonstraram determinação e contenção no seu propósito, mas para enfrentar a besta castelhana é necessário também ter coragem física e capacidade de sacrifício para lhe fazer frente e resistir. Ninguém é obrigado a tê-la, mas perante a ameaça, tal é um ingrediente indispensável, especialmente na ausência de apoios externos.

É relativamente fácil dizer e é muito difícil fazer, mas há casos em que o grito "Liberdade ou Morte" é ingente.


* VIVEMOS LIVRES OU MORREMOS

17 abril, 2017

Soltar as Amarras da Turquia



SOLTAR AS AMARRAS DA TURQUIA

 
Tempo de soltar as amarras da Turquia e deixá-la ir com Erdogan.


Como era expectável, Recep Erdogan ganhou o seu referendo. Era expectável porque Erdogan precisava e queria muito ganhar e faria tudo para o conseguir, como o demonstra a realização do referendo com o estado de emergência em vigor, com uma mega purga em curso e, alegadamente, a admissibilidade de 3 milhões de boletins de voto não carimbados.

A evolução próxima da Turquia também é previsível: a centralização total do poder em Erdogan, o acentuar da repressão e da perseguição facilitados pelo controlo sobre o aparelho judicial, a caça ao Curdo na Turquia e na Síria, a crescente submissão do Curdistão iraquiano e um relacionamento difícil com as potências europeias, a não ser que estas se acomodem à nova Turquia.

A certeza que decorre do referendo é a dificuldade que Europeus, Americanos e Árabes terão em lidar com um líder autoritário, islamita e psicótico vitaminado pela magra vitória no referendo e que controla uma das principais potências do Médio Oriente.

Talvez seja o tempo de soltar as amarras que nos ligam à Turquia.

09 dezembro, 2016

Pequeno Grande Patife



PEQUENO GRANDE PATIFE
 

 A cocaína não é o único cancro da Colômbia.


in “STRATFOR” at www.stratfor.com

O Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, negociou um acordo com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) para pôr termo a um conflito que durava há meio século.

Juan Manuel Santos submeteu os termos do acordo a referendo e perdeu. Perdeu por pouco (50.2% – 49.8%), mas perdeu. Democraticamente.

Pelo seu fracasso, Juan Manuel Santos foi galardoado (?!?) com o Prémio Nobel da Paz.

Refeito do desaire e confortado pelo Prémio, Juan Manuel Santos voltou à carga e renegociou o acordo com as FARC, o que foi concluído no final de Novembro.

Uma vez acordadas as alterações, Juan Manuel Santos submeteu a nova versão a novo referendo. FALSO! Não fez tal.

Uma vez acordadas as alterações ao acordo original, Juan Manuel Santos RECUSOU-SE a submeter a nova versão a novo referendo. Alternativamente, submeteu-o a aprovação no senado e na câmara de representantes onse a sua maioria o aprovou.

Juan Manuel Santos optou por forçar o seu estimado acordo em vez de respeitar a vontade popular. A exemplo do que outros já fizeram noutras paragens (França e Holanda, por exemplo), Juan Manuel Santos colocou o seu orgulho, a sua vontade e o seu medo à frente da vontade popular e da Democracia.

Com pequenas e grandes patifarias como esta e com pequenos e grandes patifes como este, é surpreendente como há ainda quem se espante e se choque com revoltas eleitorais contra o sistema estabelecido e os seus protagonistas e beneficiários. Enquanto estes patifes continuarem a atropelar a vontade popular expressa, o descontentamento e a revolta continuarão a crescer.



05 dezembro, 2016

Arrivederci Signore Renzi



ARRIVEDERCI SIGNORE RENZI

 
Matteo Renzi olha para o relógio e descobre que o seu tempo acabou.
Pelo menos por agora…

in “CORRIERE DELLA SERA”, em http://www.corriere.it/index.shtml?refresh_ce


A tentativa de açambarcamento de poder por parte do Primeiro-Ministro (agora demissionário) de Itália, Matteo Renzi fracassou estrondosamente nas urnas. Os Italianos rejeitaram o oportunista e votaram por 59% contra 41% as propostas referendadas.

Depois de ter feito aprovar legislação eleitoral que garantia a maioria absoluta no parlamento ao partido que obtivesse 40% dos votos, Renzi tentou eviscerar o Senado: reduzindo drasticamente o número de senadores, retirando-lhe grande parte dos poderes e competências e substituindo o seu carácter electivo por um sistema de nomeação. Além disso, Renzi propunha-se retirar poderes e competências às regiões em favor do governo central.

 
O mapa da vitória arrasadora do “NO” em Itália.

in “CORRIERE DELLA SERA”, em http://www.corriere.it/index.shtml?refresh_ce

Resumindo, Renzi queria abarbatar poder esvaziando as instituições que se lhe poderiam opor: com maioria absoluta numa câmara baixa com poderes reforçados, com mais poder para o governo, com um senado faz-de-conta e com as regiões dotadas de poderes reduzidos, Renzi almejava ser uma espécie de caudilho romano.

Tudo em nome de reformas que assim poderia implementar a seu bel-prazer, é claro. Reformas essas que, independentemente do seu mérito ou da falta dele, reflectiam a linha liberalizante que tem sido imposta na Europa pelo Eixo Berlim-Bruxelas. Sendo o Partido Democrático que Renzi lidera o herdeiro do PCI e do PSI e, portanto, nominalmente um partido de esquerda, esta orientação do PD ajuda a compreender a derrocada generalizada dos partidos de centro-esquerda ou de esquerda moderada na Europa (vide Reino Unido, Alemanha, França, Grécia, Espanha).

No fim, os Italianos optaram por liquidar as reformas propostas (políticas), as reformas implícitas (económicas) e o próprio mensageiro/proponente.

Arrivederci Signore Renzi!