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28 setembro, 2012

Um Mapa Simpático


UM MAPA SIMPÁTICO

 
 
Um mapa da Península Ibérica multipolar, provavelmente do século XV.*


Já há uma coisa boa para associar ao dia 11 de Setembro. Concretamente ao dia 11 de Setembro de 2012. Nesse dia, mais de um milhão e meio de Catalães desfilaram em Barcelona numa gigantesca manifestação a favor da independência da Catalunha.

Foi o mais impressionante desafio à hegemonia castelhana na Península Ibérica de que há memória recente. É certo que o objectivo de curto prazo é atingir o mesmo status do País Basco: o direito de cobrar e utilizar os seus próprios impostos. Também é certo que Madrid resistirá até ao fim a fazer tal concessão. Não obstante, o sinal foi dado e a mensagem foi transmitida: o pulsar independentista bate forte na Catalunha.
 
O eventual triunfo das forças centrífugas da Espanha sobre o poder centrípeto de Castela seria, do ponto de vista geopolítico e até económico, um bónus para Portugal: em vez de um parceiro menor no cotejo ibérico, passaria a ser um jogador de média dimensão num tabuleiro multipolar e as vulnerabilidades e inseguranças de várias índoles atenuar-se-iam.

Pode ser que um dia….aconteça.


* NOTA: O título “Um Mapa Simpático” NÃO inclui o Reino de Granada. Só faltava mesmo termos a Espanha e o Califado do Al-Andaluz como vizinhos.

 

11 maio, 2006

O Neo-Iberismo Revisitado

O NEO-IBERISMO REVISITADO


Algum do feedback que teve o post o “Neo-Iberismo” merece alguns esclarecimentos:

1- A menção ao iberismo toca-me numa corda sensível porque coloca em causa o cerne de muito daquilo em que acredito e coloca em cheque a própria existência do país que, tendo muitas deficiências, é o meu.
2- O caso da maternidade de Elvas é, do meu ponto de vista, da maior gravidade. Eu não a conheço e não posso dizer se as suas condições são boas, razoáveis ou medíocres. O que eu posso dizer é que o Estado Português tem o dever de garantir boas condições para que os filhos dos Portugueses de qualquer região possam nascer em Portugal.

3- Conforme referi numa resposta a um comentário, não tenho a pretensão de que deva haver maternidades disseminadas por todo o território e que se deve contrariar, por um imperativo de racionalidade e de eficiente gestão de recursos, a multiplicação de infra-estruturas que se sobrepõem às dos concelhos vizinhos levando à sub-utilização de todas elas. Tanto assim que só referi o caso de Elvas e não os de Bragança, Santo Tirso, Barcelos, ou Lamego, que até me são mais próximos. Não obstante, existem limites à eficiência económica e este é claramente um deles. Não é a mesma coisa um Português nascer em Espanha, ou a TMN ou a Vodafone terem um call centre na Índia.
4- Admito e aceito que seja desagradável para as pessoas de Barcelos ou de Santo Tirso terem os seus filhos no Porto, em Guimarães, ou em Braga, mas é muito diferente de os terem na Corunha, em Casablanca, ou em Bordeaux. O primeiro caso pode justificar-se à luz das limitações económicas e orçamentais de Portugal. O segundo caso, não há nada que o justifique.
5- Sendo um assunto grave, o tom da crítica foi contundente e mordaz, mas não escrevi, nem pensei, que há ministros traidores ou que o Ministro da Saúde tem um plano maquiavélico para dissolver a portugalidade. O que eu disse e penso, é que o Ministro “cortou a direito”, pensou economês e negligenciou valores imateriais que são superiores às poupanças que possa fazer. Isso é mau, mas tem remédio: assume que houve um lapso e encontra outra solução. Insistir nesta opção já depois de alertado, é péssimo.
6- Isto não é um ataque político-partidário. Num assunto destes, é-me indiferente que o governo seja rosa, laranja, azul, ou vermelho. O que me interessa é PORTUGAL.

09 maio, 2006

Península Ibérica Multipolar

PENÍNSULA IBÉRICA MULTIPOLAR




Na nossa memória só temos presente a Península Ibérica bipolar, tendencialmente unipolar e claramente centrípeta. Pode ser apenas uma curiosidade histórica, mas é interessante recordar que nem sempre foi assim. Portugal nasceu num contexto ibérico multipolar, em que prevaleciam as forças centrífugas. O mapa retrata a realidade do início do século XVI, a meio caminho entre a pulverização do século XIII e a realidade do século XX. E no século XXI? Mantém a estabilidade dos últimos 400 anos? Retoma o processo unificacador? Ou inverte-se o processo? Quo vadis Península?

O Neo-Iberismo

O NEO-IBERISMO

Pouco depois de o actual Governo tomar posse, o Primeiro-Ministro José Sócrates foi a Espanha e declarou que as prioridades da nossa política externa eram “Espanha, Espanha, e Espanha!” Só não fiquei aterrado porque pensei que tivesse sido algum chip que tivesse bloqueado.

Há poucos dias, o Ministro dos Transportes, Mário Lino, foi a Santiago de Compostela declarar que é um iberista. Não sei se os Galegos ficaram aterrados, mas devem ter tido vontade de lhe perguntar se queria trocar a sua (de Portugal) posição com a deles (da Galiza).

Agora fico a saber que o Ministro da Saúde divisou um plano pelo qual as crianças que até agora nasciam em Elvas, vão passar a nascer em Badajoz! Os Alentejanos devem estar mesmo aterrados.

Eu quero crer que o Governo de Portugal não está infestado de Miguéis de Vasconcelos, mas esta inusitada deriva iberista é estranha e preocupante. Não por causa de D. Afonso Henriques, Aljubarrota, Filipe II, ou Olivença, embora a História deva ser um factor a ponderar nas Relações Internacionais, mas porque:

* Se trata de um enviesamento da nossa política externa que poderá acarretar custos estratégicos a prazo – os nossos interesses são diversificados e não é racional nem prudente que a Espanha neles possa ocupar uma posição tão relevante.

* Lança uma suspeita sobre as motivações de um Ministro que lançou projectos faraónicos como a Ota ou o TGV, sabendo-se que aquele pode causar danos sérios à viabilidade do Aeroporto do Porto.

* Violenta um grupo de cidadãos portugueses na medida em que são coagidos a terem os filhos no estrangeiro. Eu sei que para alguns o nacionalismo e o patriotismo são conceitos ultrapassados, mas até ver Portugal é Portugal e Espanha é Espanha e a nacionalidade é um traço identificador, de pertença, de comunhão, que não conhece paralelo em qualquer outro. Negar aos Portugueses da região de Elvas o direito de nascerem em Portugal é vergonhoso e indigno de um Governo de Portugal.

As relações de Portugal com Espanha devem ser de cooperação e de amizade. O que vá para além disso e entra na intimidade excessiva, na submissão ou na dependência é um erro histórico. O iberismo nunca resultou em nada de bom para Portugal e não há nada que nos indique que tal seja diferente no início do século XXI.