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25 julho, 2013

O Fim do "Chinês"

O FIM DO CHINÊS

 
Um aspecto positivo da remodelação governamental desta semana, foi o fim do Chinês. Refiro-me a Álvaro Pereira.

Sim, eu sei que, tecnicamente, ele é Português e que esteve em Vancouver, no Canadá e não na China. Contudo, talvez porque a British Columbia (província canadiana de que Vancouver é a capital) fica no oeste do Canadá, bordejando o Oceano Pacífico) tem uma grande comunidade chinesa, o Senhor Pereira voltou à Pátria imbuído de ideais chineses.

Sim, eu sei que supostamente o Senhor Pereira é um liberal empedernido. Infelizmente, a fama fica aquém do proveito, porque Pereira tem um conceito achinesado do desenvolvimento económico, no qual a palavra-chave é competitividade.

Sim, eu sei que a competitividade é vital e que sem ela não prosperaremos nem individual, nem colectivamente. Porém, o conceito de competitividade deste inefável personagem passava pela evolução simétrica de dois factores: o dinheiro e o tempo. Vou ser mais específico.

DINHEIRO: as pessoas ganham cada vez menos. Refiro-me aos que trabalham por conta de outrem, é claro.

TEMPO: as pessoas trabalham mais horas e mais dias. Refiro-me aos que trabalham por conta de outrem, é claro.

Sim, é aqui que se patenteia a chinesice de Pereira: trabalhamos mais e ganhamos menos. Transformando numa equação:
+
-
=
 
Perdão. Enganei-me. A resposta é:
COMPETITIVIDADE

Ah! Encontrei a resposta ao dilema Sino-Canadiano de Álvaro Pereira. A foto supra mostra um grupo de trabalhadores chineses, dentre os muitos milhares que construíram o último segmento do Canadian Pacific Raiway que terminou em Eagle Pass, British Columbia!!!!

Para completar o quadro, os trabalhadores chineses recebiam $1 Dólar por dia, cerca de 25% do que recebiam os trabalhadores de origem europeia. Os Chineses dormiam em tendas e os outros em vagões cama, ou em casas.

Está resolvido o mistério do Senhor Pereira. Corta nos salários, aumenta os horários de trabalho, rouba miseravelmente quatro feriados, tudo porque se inspirou nos Chineses do Pacific Railway.

Sim, eu sei que isto se passou no século XIX, mas para um ministro aturdido com o tremendo jet-lag do Pacífico para o Atlântico, a diferença entre XIX e XXI é bastante pequena. É só empurrar o 2º X para o meio.

Qualificação, formação, motivação, incentivo são uma perda de tempo e dinheiro. Refiro-me aos que não trabalham por conta de outrem, é claro.

Se o Senhor Pereira não tivesse sido corrido, em pouco tempo estaríamos de pá e picareta em punho a construir o Trans-Iberian Railway, a troco de 1 euro por dia e uma tigela de arroz, para lhe dar um toque mais….chinês.

29 novembro, 2006

O Comboio dos Duros

O COMBOIO DOS DUROS
 

Já tive oportunidade de referir por duas vezes neste Blog que o Afeganistão é uma frente fundamental no combate ao terrorismo internacional (maxime Al-Qaeda), à produção e tráfico de droga (ópio/heroína) e ao islamismo mais radical (Talibans).


Neste cenário de 3 em 1, está tanto em jogo que dezenas de países investiram tropas, técnicos e dinheiro para apoiar a reconstrução do país e a erradicação das ameaças.


Como é evidente, o desiderato estruturante de repor o Afeganistão a funcionar nos planos político, económico e social, é necessário, antes da ajuda técnica e financeira, criar condições de segurança e estabilidade. Tal tem-se mostrado crescentemente complicado em 2006, quando se assiste a um ressurgimento dos Taliban.


Ora, a única maneira (ou pelo menos a principal) de resolver este problema é através da força armada aplicada com a contundência necessária para tentar o extermínio das forças Taliban/Al-Qaeda, ou pelo menos, feri-las severamente de forma a colocá-las fora de combate.

No entanto, conforme já escrevi no post
“Portugal e o Afeganistão” de 09/09/06, Até agora, para além dos EUA, só o Reino Unido, a Holanda e o Canadá, tiveram a coragem política de reforçar os seus contingentes no Afeganistão e de movimentar tropas do relativo conforto de Cabul e outras cidades, para desenvolver uma acirrada caça aos terroristas na zona meridional do país, nomeadamente nas províncias de Helmand e Kandahar.

Já passaram quase 3 meses e a situação mantém-se quase idêntica, havendo a acrescentar a Austrália e a Dinamarca aos países que têm a coragem e a firmeza para enviar as suas forças para desempenhar a missão primordial para a qual existem: combater! A estes podemos acrescentar pequenos países, como Portugal e a Estónia, hoje referenciados positivamente pelo Presidente George W. Bush têm rules of engagement suficientemente latas para poderem ser empregues em missões de combate efectivo.


A NATO tem 26 Estados-Membros. Destes, 6 (EUA, Reino Unido, Holanda, Canadá, Austrália e Dinamarca) combatem pelo interesse comum num ambiente agreste, hostil e perigoso. Há mais uns poucos que estão a postos para colaborar.


Usando linguagem cinematográfica, é com este “Comboio dos Duros” que podemos contar para este combate vital. Bem hajam!

 

 
Distribuição dos principais contingentes da NATO no Afeganistão.

17 setembro, 2006

Portugal no Afeganistão

PORTUGAL NO AFEGANISTÃO


in "The Economist"

Após ter expressado, há poucos dias, a minha discordância em relação ao envio de tropas portuguesas para o Líbano, hoje venho defender o reforço do contingente português no Afeganistão.

No Afeganistão, distante dos olhares e atenção do grande público, desenvolve-se o mais importante combate entre o Ocidente e o terrorismo islâmico radical, no caso, a NATO contra os Taliban e a Al-Qaeda.

Até este ano, exclusivo de tropas especiais dos EUA, a NATO tomou este ano a cargo a luta directa contra os Taliban no Sul do país, num esforço para trazer segurança e estabilidade social e política a todo o Afeganistão, requisitos para o desenvolvimento económico e para uma erradicação mais consolidada do radicalismo islâmico que prolifera nas zonas remotas entre o Afeganistão e o Paquistão.

Até agora, para além dos EUA, só o Reino Unido, a Holanda e o Canadá, tiveram a coragem política de reforçar os seus contingentes no Afeganistão e de movimentar tropas do relativo conforto de Cabul e outras cidades, para desenvolver uma acirrada caça aos terroristas na zona meridional do país, nomeadamente nas províncias de Helmand e Kandahar.

Este mês, a NATO solicitou aos 26 Estados-Membros um reforço de 2.500 tropas de combate para somar a um contingente de cerca de 20.000. Até agora, só a Polónia disponibilizou uma generosa oferta de 1000 soldados a partir de Janeiro de 2007. A Dinamarca informou que ponderava reforçar o seu contingente. Dos restantes, excluindo-se aqui aqueles que já estão fortemente envolvidos, apenas o silêncio. É lamentável.

A estabilização do Afeganistão e o seu desenvolvimento, pode significar muito para o mundo:

· a erradicação de um ninho de terroristas perigosos;
· um rude golpe na maior produção mundial de ópio/heroína;
· a edificação de um estado responsável encaixado entre dois dos maiores produtores de radicais islâmicos xiitas (o Irão a Oeste) e sunitas (o Paquistão a Sul e a Leste).

Entre o medo de perder soldados, o terror de perder votos e a habitual distracção com coisas menores, a maioria dos líderes políticos europeus vai assobiando para o lado. Claro que, quando as bombas rebentarem à porta de casa, ou os índices de consumo de heroína dispararem, levarão as mãos à cabeça e correrão para Bruxelas à procura de uma política comum milagrosa que, se não resolver os problemas, lhes permitirá deles lavar as mãos.

Portugal tem, no Afeganistão, uma excelente oportunidade de mostrar que é diferente para melhor, alinhando com os corajosos e descolando dos medíocres. Acredito eu nisso? Infelizmente, não.

27 fevereiro, 2006

Energia Nuclear em Portugal

ENERGIA NUCLEAR EM PORTUGAL



Nos últimos dias a questão da energia nuclear em Portugal voltou à ordem do dia. Penso em meia dúzia de factores: Portugal depende em cerca de 90% da energia importada para satisfazer as suas necessidades. Desta, a maior parte são hidrocarbonetos. O petróleo e o gás natural batem regularmente novos máximos de preços. O petróleo é altamente poluente e vai ter custos ambientais ao abrigo do protocolo de Kyoto. Os nossos fornecimentos de petróleo e de gás vêm, maioritariamente de áreas de grande instabilidade (patente ou latente) política, social e militar.

As fontes de energia renovável como a eólica não podem suprir uma percentagem significativa das necessidades energéticas de Portugal. As centrais nucleares são cada vez mais seguras e fiáveis. Os seus custos ambientais também são mais controlados e tenderão a sê-lo mais. Portugal possui urânio e entre os maiores produtores mundiais estão o Canadá (1º com 35% da produção), a Austrália (2º, 20%) e Estados Unidos (4º, 11%), ou seja fornecedores seguros e estáveis. De que estamos à espera? Estude-se a viabilidade e, se a resposta for positiva e houver investidores, construam-se centrais nucleares em Portugal.