VÊM
AÍ OS RUSSOS!
Este é um título saído directamente dos arquivos dos
anos 70 e 80. Mas foi o que me ocorreu quando há umas horas recebi um SMS alarmado do meu amigo João Carlos: “Pela
2ª vez em 3 dias os nossos caças interceptaram aviões russos!”
Eu bem tentei, mas não consegui sentir-me alarmado. Nem
sequer preocupado.
F-16 da Força Aérea Portuguesa intercepta um bombardeito russo Tu-95
“Bear”, ao largo da costa portuguesa.
in Estado Maior da Força Aérea, em http://www.emfa.pt/www/noticia-712-f16-intercetam-aeronaves-russas
Há meses que leio relatos sobre um forte incremento de
vôos militares russos, incluindo bombardeiros estratégicos, no Atlântico, no
Pacífico, no Báltico e no Mar Negro, roçando o (ou entrando no) espaço aéreo de
países como o Canadá, os EUA, o Japão, a Finlândia, ou a Suécia.
Estas incursões inserem-se na crispação provocada pela
crise da Ucrânia e, num contexto mais amplo de forte modernização e incremento
militar pós-Soviético que Moscovo tem empreendido nos últimos anos.
Nunca pertenci ao numeroso grupo daqueles que estavam
convictos que a guerra na Europa pertencia ao passado. Contudo, tal não
significa que o seu regresso esteja iminente. A guerra, a acontecer, o que se
apresenta cada vez menos provável, será confinada à Ucrânia, por duas razões: a
Rússia não tem nenhum interesse em alastrar o teatro da guerra; e nenhum país
ou organização terá vontade ou interesse em se envolver directamente no
conflito.
Estes vôos intrusivos da Rússia eram normais mas preocupantes
há 30 anos. Agora são anormais, mas não são preocupantes. Fazem parte de um
jogo de mensagens e percepções.
O bombardeiro estratégico Tupolev TU-95 Bear.
in Wikipedia, em http://en.wikipedia.org/wiki/Tupolev_Tu-95
in Estado Maior da Força Aérea, em http://www.emfa.pt/www/aeronave-18


