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31 outubro, 2016

Sschauble




SSCHAUBLE

 
Sschauble
in “Political Cartoons” em http://www.politicalcartoons.com/

Wolfgang Schauble tem um histórico pouco lisonjeiro no seu relacionamento com os países do sul da Europa. Para ele, Grécia, Portugal, Espanha, Chipre, talvez mesmo a Itália, são as marcas meridionais do IV Reich habitadas por uns bárbaros que urge disciplinar à boa maneira prussiana, com mão de ferro.

À falta de uma mão armada para subjugar a barbárie, Schauble recorre à pressão, à ameaça, à chantagem, à ofensa, nem sequer hesitando em proferir falsidades que têm como objectivo (e porventura efeito) prejudicar economicamente e financeiramente os visados.

Portugal foi recentemente alvo de pelo menos dois desses ataques. Isto porque, para Schauble, há dois tipos de pessoas na Europa meridional: os que acatam servilmente os éditos do IV Reich e os que se lhes opões; por outras palavras mais carregadas, aqueles são os colaboracionistas e estes são os resistentes.

Ter na marca sudoeste do Reich um governo que ele detesta, incomoda visivelmente o velho patife e manifesta-se na encarnação SSCHAUBLE. Pelo menos essa irritação permanente em que parece viver proporciona uma certa satisfação. Contudo, enquanto que os países acossados não mostrarem firmeza e coragem, Schauble e acólitos continuarão a semear miséria por essa Europa.


23 julho, 2015

Pax Germanica

PAX GERMANICA


The flag of the IV Reich?
Flag adaptation by Afonso Duarte  


This blog has long considered that Germany has increasingly been asserting her authority over much of Europe, especially over the countries that fatefully adopted the euro.

The saga of the Greek crisis has demonstrated that the Pax Germanica has descended upon the continent and it is firmly established from Lisbon to Riga and from Brussels to Athens.

Germany has been the greatest beneficiary of the euro and is determined to defend her interests with an iron hand if need be. There is nothing inherently wrong with that: every government is supposed to defend and pursue its country's interests.

What is out of sync is Germany's imperial posture, in a remarkable contradiction with both the refrained attitude that is supposed to be that of post-War Germany and the egalitarian and cooperative characteristics that Brussels' propaganda strives to make us believe to be the EU's hallmark.

The submissions of Portugal, Spain and Ireland, followed by the total capitulation of Cyprus and Greece, show that Berlin is hell-bent on ruling the eurozone, if not the EU altogether, on its own terms.

Even more depressing than the renaissance of German imperialism, is the submission and surrender of most of the other 18 members, not only those who are virtually governed from Berlin, but also those who sheepishly follow the commands of Mrs. Merkel and Mr. Schauble, such as Italy and France.

Not wanting to establish a direct connection, but it may be useful to remember that the German III Reich scored her first victories and conquests having to wage little or no fight: Austria, Czechoslovakia, Denmark, the Netherlands, Belgium and even France and Norway.

There is yet another similarity: in the 1930's and 1940's there was no shortage of "Quislings", traitors who collaborated with the Nazis for their personal benefit, the misery of their home countries and the death of many of their countrymen. Likewise, early 21 Century Europe displays its own army of Quislings, the likes of Monti, Samaras, Coelho, Rajoy, Papademos and Tsipras, the latest turncoat.

Supported by their stooges, the Germans go around bullying, imposing, threatening, showing their hubris and the contempt they feel for other countries' sovereignty and democratic process. I would just recall the declarations of Mr. Martin Schulz, the German Social-Democrat (???) who is the President of the European Parliament (???) who urged the Greeks to vote "Yes" in their referendum  and the replacement of the democratically elected government by a technocratic one with whom they (the Germans) could do business with, i.e., a subservient and non-accountable government like Monti's in Italy and Papademos' in Greece.

Not wanting to overuse II World War analogies, it looks like only in the English Channel and/or in the Russian Winter, can Germany now be stopped.

For the foreseeable future, we seem to be condemned to live under a Pax Germanica which, like its Roman predecessor, is very much German(ic) and not so pacific.




25 fevereiro, 2015

Sabujos



SABUJOS

 As informações apontam no mesmo sentido e notícias de diversas origens reforçam aquilo que o Ministro das Finanças da Grécia denunciou: Portugal e Espanha, dois países um pouco menos falidos que a Grécia, ambos vítimas de brutal recessão e ambos com taxas de desemprego inaceitáveis (sendo a da Espanha da mesma magnitude que a grega), foram sequazes de Berlim no trabalho de pressionar, prensar e bloquear a Grécia. Nas palavras de Yanis Varoufakis: Portugal e Espanha foram mais Alemães que a Alemanha!”

Andrei Gromiko era o Mr. Nyet. Schauble é o Mr. Nein. Venha o diabo e escolha.

Parece inacreditável! Dois dos países que podiam beneficiar indirectamente de um alívio do torniquete que asfixia a Grécia, fizeram o papel de sabujos da Alemanha.

Porquê?

No caso de Portugal, a única explicação que encontro é uma fidelidade/subserviência canina a Berlim (ver “HERR KOMMISSAR” em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2012/02/herr-kommissar.html ) que Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque (e o seu mentor Vítor Gaspar) sempre demonstraram. Pouco ou nada importa o interesse nacional e o bem-estar e a dignidade dos Portugueses ainda menos. Basta rever as palavras indignadas (e indecorosas) do Ministro da Presidência Marques Guedes perante as críticas (tardias) de Juncker à austeridade exagerada na intensidade e no tempo.

Maria Luís Albuquerque, provavelmente, está a soldo dos arquitectos e defensores da austeridade à outrance, estejam eles em Berlim, Frankfurt, Bruxelas, ou Washington, tal como Gaspar estava. Coelho estará ou não, mas é um fanático ignorante que gosta de bater nos fracos e se roja perante os fortes. No plano europeu, é o arquétipo do sabujo, disposto a prestar-se aos mais enxovalhantes papéis.

No caso da Espanha há uma nuance: Rajoy e o PP estão aterrados com a perspectiva de poderem vir a ser cilindrados pelo Podemos nas eleições do próximo Outono. Como tal, pensam que o esmagamento da Grécia e o consequente fracasso do Syriza, ajudará a esvaziar o Podemos. Há aqui um interesse partidário a ser defendido. Porém, tal como em Portugal, também se atirou o interesse nacional para as urtigas.

É difícil escolher o que custa mais:

* Ser governado por quem se rege por objectivos que não o interesse nacional.

* Ser governado por gente para quem o destino das pessoas é indiferente.

* Ser governado por gente que nos envergonha no exterior.

* Ser governado por sabujos que, salvaguardadas as distâncias, são para a Alemanha de hoje o que eram as milícias fascistas da Ucrânia, Croácia, Hungria, etc, para o III Reich há 70 anos: fazem-lhes o trabalho sujo para agradar ao chefe e receber umas comendas.


P.S. A Itália e a França que também sofrem com o dogma da austeridade, especialmente Roma que enfrenta uma situação económica e financeira complicada, e que têm, supostamente, governos de esquerda, ficaram mal na fotografia. Os dois países que mais capacidade tinham de vergar o autoritarismo e intransigência germânicos (ver “ITÁLIA E FRANÇA v ALEMANHA” em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2014/11/italia-e-franca-v-alemanha.html ), preferiram ser testemunhas silenciosas da tentativa de linchamento dos Gregos. Talvez um dia chegue a vez dos Franceses e dos Italianos. Haverá quem lhe chamará justiça poética. Por agora é apenas cobardia e estupidez.

06 janeiro, 2015

Deixai Toda a Esperança, Vós Que Entrais



DEIXAI TODA A ESPERANÇA, 
VÓS QUE ENTRAIS

IV REICH, COMITÉ CENTRAL E DEMOCRACIA

 
Dante desce ao Inferno guiado por Virgílio.

As próximas eleições na Grécia estão a criar grande agitação junto de muitos democratas europeus. Num verdadeiro espírito democrático, só admitem um resultado nas eleições gregas e, como tal, recorrem aos avisos, pressões e ameaças. Déjà vu.

Angela Merkel, cada vez mais convencida que lidera o IV Reich, já determinou a expulsão da Grécia do euro caso o Syriza seja a escolha dos Gregos. Gregos que, para Merkel e Schauble, têm mais o estatuto de metecos no seu próprio país do que o de cidadãos no usufruto dos seus plenos direitos de cidadania.

O facto de não estar prevista a expulsão de um Estado do euro é pouco relevante para quem, como Merkel, se habituou a governar de Lisboa a Kiev a partir de Berlim.

Por sua vez, a Comissão Europeia, espécie de Comité Central europeu do século XXI, declarou, de forma messiânica, que a adesão ao euro, qual Inferno de Dante, é irrevogável e irreversível:


A inscrição na entrada do Inferno de Dante.


Antes de mim não foram coisas criadas
 se não eternas, e eu eterno duro.
Deixai toda esperança, vós que entrais.

Dante Alighieri, “A Divina Comédia – Inferno” - Canto III


A não ser que Paulo Portas tenha disseminado a sua interpretação elástica de “irrevogável”, o dito Comité Central parece ter esquecido que ainda restam uns resíduos de soberania nos Estados Europeus, apesar dos esforços de Berlim e de Bruxelas, coadjuvados por governantes que parecem almejar um papel semelhante ao dos extintos governadores civis.

E é esta Europa de Berlim e Bruxelas que critica com tanta soberba e desprezo o autoritarismo na Rússia e noutras paragens, que exerce a tirania da verdade única e do caminho único na Europa.

Depois de virtualmente banir os referendos, o Reich e o Comité Central também já se sentem incomodados com as próprias eleições. O próximo passo talvez seja a nomeação de pretores, para substituir os actos eleitorais. Em alguns países é capaz de nem se notar muito a diferença.



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