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19 março, 2017

Deitar Foguetes Antes do Tempo



DEITAR FOGUETES
ANTES DO TEMPO

Os complexos resultados das eleições da Holanda não são susceptíveis de uma leitura única e simplista.




Deitar foguetes antes do tempo raramente é uma boa ideia e a política não é excepção. Isso aplica-se aos partidos que se opõem ao sistema instalado, bem como, aos partidos que gerem o e são o sistema.

Aqueles pensaram que os votos no Brexit e em Donald Trump seriam o farol que os conduziria à vitória. Não são. Ajudam, mas não chega. As vitórias eleitorais conquistam-se na própria casa, não na do vizinho. As eleições não são herméticas, mas a sua exposição a contágios é limitada; afinal, não de trata de uma gripe das aves.

Estes exultaram com o resultado das eleições na Holanda. A vitória do VVD (centro-direita) do Primeiro-Ministro Mark Rutte encheu Angela Merkel, François Hollande, Juncker e afins de uma euforia inusitada. Haverá fortes razões para tal? Não me parece.

* Apesar da vitória, o VVD perdeu votos e deputados, caindo de 41 para 33 (-8).

* O PVV de Geert Wilders não venceu como previam as sondagens até há pouco tempo, mas tornou-se no 2º maior partido holandês e ganhou 5 assentos parlamentares (de 15 para 20).

* Mesmo que ganhasse, o PVV não conseguiria formar governo (cf. No Máximo, Uma Vitória Simbólica em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2017/03/no-maximo-uma-vitoria-simbolica.html )

* Outro partido do establishment e parte do governo cessante, o PVDA (Trabalhista) sofreu um colapso eleitoral de proporções épicas, ficando em 7º lugar e perdendo 29 deputados (de 38 para 9). Que Hollande celebre um resultado eleitoral em que o representante do grupo socialista foi dizimado diz muito sobre a triste figura que é o actual Presidente da França e sobre o actual grau de expectativas de muitos partidos mainstream.

Num tempo em que um partido de direita com o ideário do PVV fica em 2º lugar nas eleições da Holanda e tal é acolhido com alívio e satisfação e em que o vencedor das eleições teve de recorrer a parte da agenda política do PVV para prevalecer, demonstra que todos deviam ter guardado os foguetes e recolher cedo e discretamente na noite eleitoral.


13 março, 2017

No Máximo, Uma Vitória Simbólica



NO MÁXIMO,

UMA VITÓRIA SIMBÓLICA



PVV – Partido da Liberdade
Dentro de dois dias, os Holandeses irão a votos. Ao contrário de muitos, não espero uma bomba eleitoral que abale a Holanda e a Europa. É evidente que uma eventual vitória do Partido da Liberdade (PVV) será um momento marcante, pois tratar-se-á da primeira vez que um partido da direita pura e dura (não, não é fascista) ganharia umas eleições legislativas na Europa desde a década de 1930. Contudo, o cordão sanitário estabelecido à volta do PVV pelos restantes partidos concorrentes, que recusam entrar numa coligação com aquele, limitará o impacto de tal vitória.

Não obstante, a ascensão do PVV e do seu líder Geert Wilders tem e terá efeitos práticos na política holandesa. A posição dura da Holanda face à atitude arrogante e prepotente da Turquia (essa sim, liderada por um partido numa rota fascizante) e a posição defendida pelo Primeiro-Ministro Mark Rutte de que os imigrantes recebidos na Holanda devem respeitar e integrar os valores holandeses, “the Dutchness”, têm um claro input do PVV e significam a adopção/aceitação de elementos da sua agenda por partidos do mainstream.

O que nos espera no dia 15 de Março na Holanda, é um novo governo de coligação com uma composição dependente da geometria eleitoral saída de umas eleições disputadas com 6 partidos colocados entre os 11% e os 16% nas sondagens com a vitória disputada entre o PVV de Gilders e o VVD de Rutte. A única novidade poderá ser a vitória simbólica do PVV e de Geert Wilders. Nada mais do que isso.