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23 abril, 2013

Regresso às Origens

REGRESSO ÀS ORIGENS


A Torre dos Clérigos dominando o casario do Porto.


Ontem a Torre dos Clérigos celebrou 250 anos de existência. É uma bonita e imponente torre barroca construída pelo arquitecto italiano Nicolao Nasoni e desde há muito um ex libris da cidade do Porto.

A evocação do quarto de milénio da Torre dos Clérigos, suscitou-me uma nostalgia recorrente: a do regresso às origens.

Eu vivi a maior parte da minha vida em Guimarães e tenho a cidade um pouco como minha também. O meu Pai era Vimaranense e aqui cresci, e estudei até ao 11º ano. E também foi em Guimarães que tive o meu primeiro trabalho pós-estágio. Finalmente, os meus 3 Filhos nasceram aqui.

O Porto é a cidade onde nasci, na Ordem da Lapa, freguesia de Cedofeita. Também lá vivi alguns (poucos) anos e lá trabalhei muitos anos, curiosamente perto do lugar do nascimento. É também a cidade onde passei longas e prazenteiras férias em casa da minha Avó Laura, bem como, alguns dos meus melhores Natais.

Sem surpresa, de vez em quando, vem à superfície um desejo mais ou menos vago de regressar ao Porto. Sinto a falta do Douro, do Atlântico, da Igreja de S. Francisco, da Foz, dos eléctricos, da Baixa. Tenho saudade do espaço; ou do tempo. Talvez das duas coisas….
 
Um eléctrico passando em frente à Torre dos Clérigos. Dois ex libris do Porto. 
 

25 janeiro, 2007

"Papá: O Fehér está nas Estrelas?"

“PAPÁ: O FEHÉR ESTÁ NAS ESTRELAS?"


Há precisamente 3 anos, levei pela primeira vez o meu filho Afonso Duarte a ver um jogo do Campeonato Nacional no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães. Era uma noite invernosa, mas havia muita gente no Estádio; afinal era um Vitória de Guimarães-Benfica.

O jogo aproximava-se do final com um persistente 0-0, até que o Benfica marcou o único golo do jogo através de um dos mais improváveis jogadores: Fernando Aguiar. Já quase ninguém se lembrará, porque nunca um golo decisivo no fim de um jogo terá sido tão irrelevante. Desse jogo ficou a memória do jogador que fez a assistência. Era Húngaro e tinha o nº 29. Já nos descontos, viu um amarelo, sorriu, caiu e não se levantou mais. Miklós Fehér.
 
O último sorriso.


Já passaram 3 anos e ainda hoje sinto um nó no estômago quando me lembro que fomos ao Estádio para ver um homem morrer. Os meus esforços para desviar a atenção do Afonso resultaram infrutíferos com a avalanche noticiosa que se seguiu em todos os media.


No dia seguinte tive uma conversa com o Afonso (tinha 4 anos, quase 5) para tentar explicar-lhe o que realmente havia sucedido. Ele ouviu-me com muita atenção e no final perguntou-me:


- “Papá: O Fehér está nas estrelas, não está?”


- “Sim Filhoteco. Está lá e deve estar a ver-nos, contente porque não nos esquecemos dele.”

Dei-lhe um abraço, olhámos para o céu e voltamos para casa.


Simão e Nuno Gomes, capitães do Benfica, colocam uma coroa de flores
no local onde Fehér caiu.
 
Seis meses mais tarde, no jardim da casa de Mindelo, jogávamos a bola e o Afonso personificava vários jogadores do Benfica: ora era o Nuno Gomes ou o Mantorras que marcavam um golo, o Simão ou o Zahovic que faziam uma finta, o Tiago, ou o Petit que faziam um passe. Até que a dada altura, foi o Fehér que marcou um golo. Fiquei estupefacto! Passados aqueles dias de Janeiro/Fevereiro, o assunto deixara de ser abordado.

E pensei que o Miklós Fehér devia estar mesmo contente, porque realmente não nos esquecemos dele. Mesmo um menino que tinha apenas 4 anos nunca mais se esqueceu de Miklós Fehér, o nº 29 do Benfica que num dos primeiros jogos que ele foi ver, fez o seu último jogo.

Eu e o Afonso sabemos que vês o Estádio da Luz com a tua camisola 29 gigante e a bandeira da Hungria e ouves os adeptos a cantarem MIKLÓS FEHÉR e os teus colegas a dedicarem-te golos e vitórias e talvez nos vejas aos dois a olhar para a tua estrela…

29 maio, 2006

Guimarães e o Futebol

GUIMARÃES E O FUTEBOL


Os adeptos de futebol britânicos são os melhores do mundo. Para muitos não é essa a reputação que têm por causa de uma minoria de hooligans, mas a grande maioria apoia as suas equipas com um entusiasmo, uma persistência e um fair play inigualáveis.

Os adeptos de futebol de Guimarães, particularmente a maioria que são do Vitória, são também adeptos entusiásticos, mas que por vezes não gozam da melhor reputação.

Ontem fui, em família, ver o Portugal, 1 – Alemanha, 0 para o Europeu de Sub-21 no Estádio D. Afonso Henriques. A selecção portuguesa estava praticamente eliminada, mas o Estádio encheu com 28.000 adeptos que apoiaram a selecção com um entusiasmo e crença sem limites, respeitando os Alemães e prolongando o seu apoio aos minutos finais quando tudo já estava perdido e os adeptos portugueses típicos estariam a abandonar o recinto em massa.

Esses 28.000 Vimaranenses foram recompensados com um golo no período de descontos e ficaram longos minutos depois do jogo a aplaudir Portugal, e até a Alemanha, e a festejar uma selecção que jogou mal, foi eliminada, mas que se esforçou, ganhou o jogo e, acima de tudo, era a nossa.

Confesso que saí do Estádio contente e orgulhoso. Parabéns aos 28.000 adeptos do futebol e da festa, que estiveram em Guimarães a participar no Portugal-Alemanha.