PENITÊNCIA PASCAL?
Em 31 de Maio de 2010, a
Marinha israelita interceptou um grupo de navios que se dirigia a Gaza, em
violação do bloqueio imposto por Israel.
Esses navios provinham
da Turquia e contavam com o beneplácito do Governo turco. Os organizadores e
participantes na iniciativa sabiam ao que iam: ao encontro de problemas e de
confronto com as forças armadas de Israel (IDF). Aliás, esse era o objectivo da
sua expedição provocatória: arranjar problemas que comprometessem Israel.
Como se sabia, os Israelitas
interceptaram o grupo e abordaram o navio que liderava a expedição, o Mavi Marmara.
Terá havido resistência de alguns tripulantes, que terá levado a uma resposta
violenta das tropas, que se saldou em 9 mortes. A Turquia reagiu
histericamente, em coerência com as ambições que o seu líder então nutria de se
tornar um herói da chamada rua árabe.
Em nome desse desiderato (que não alcançou nem alcançará), o regime turco rompeu
relações com Israel, país com o qual a Turquia mantinha de há muito boas
relações no plano político, militar e económico.
Israel examinou as
ocorrências e concluiu que as suas forças tinham feito um uso adequado da força
tendo em conta a situação em que se encontravam. Consequentemente, Jerusalém
recusou-se, ao longo de 3 anos a pedir desculpa a Ankara.
Surpreendentemente, a
semana passada, o Governo de Netanyahu apresentou o tal pedido de desculpas.
Não é fácil perceber o que terá levado a tal brusca inflexão de atitude.
É indubitável que houve
pressão dos EUA, cujo Presidente visitara Israel imediatamente antes, mas não é
crível que isso bastasse. Estamos a falar de um primeiro-Ministro Israelita que
tem consistentemente batido o pé à
Administração norte-americana nos últimos anos.
A Periferia de
Israel.
A explicação de fundo
deverá residir mais longe: na situação de incerteza e de fluxo que se vive no
Médio Oriente desde o início de 2011. Concretizando de forma sintética,
referimo-nos:
·
À substituição no
Egipto de um regime contemporizador com Israel e oposto ao Hamas por outro que
é, em grande medida, o seu contrário.
·
Ao caos da guerra
civil na Síria e a provável substituição do regime dos Al Assad por uma
incógnita sunita que poderá ser, na melhor das hipóteses, algo parecido com o
egípcio e na pior, um estado islâmico radical, ou ainda, o prolongamento da
Guerra Civil, com ou sem Bashar Al Assad.
·
À efervescência
no Líbano, onde se vão afiando as adagas e limpando as carabinas na expectativa
de que haja um dramático spillover do conflito da Síria.
·
Às brisas de
instabilidade que vão soprando um pouco por todo o Médio Oriente, em lugares
como a Jordânia, o Bahrain e o Iraque.
·
Isto para não mencionar a ameaça
iraniana que antecede a agitação de 2011.
É de facto muita agitação, muita mudança, muita incerteza.
Serão Tempos Interessantes, mas para Israel são tempos de
incógnita e de algum receio.
Tempos, talvez, de recuperar um amigo, por muito instável que
este seja na presente encarnação.
Tempos de Páscoa, especialmente na Terra Santa, convidam à
penitência e à contrição em busca da salvação. SHALOM!








