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31 outubro, 2021

Anti-Russian Hysteria, Part 55

ANTI-RUSSIAN HYSTERIA, PART 55

 

Russian tanks by the Ukrainian border.

in Wilson Centre at The Russian Military Build-up on Ukraine's Border | An Expert Analysis | Wilson Centre

 Last Spring, we witnessed yet another surge of anti-Russia hysteria. Like most and previous hysteria situations, this one will fizzle away without a bang.

 This latest hysterical strain is based on a Russian onslaught of Ukraine. The story originated in Ukraine (where else?) and quickly and predictably spread to Washington, Berlin, Paris, Brussels, etc.

 The ruse, yes that’s what it is, started with the Ukraine deploying troops and weapons to the Donbas region. After this move, Russia responded by deploying troops and weapons systems along the Ukrainian border to engage in a series of military exercises. Yes, it could also be the start-up to an assault on Ukraine, or part of it, but that was not the most likely scenario.

 Bottom line: there will be no Russian attack unless Kiev escalates and slides into a full-fledged conflict.

 Why did all of this happen?

 The Ukrainian President, Zelensky, has been falling in the opinion polls, so he thought that confronting Moscow would enable a wave of nationalism that would foster his public support. This, in turn, opened the way to try to press the US to deliver more weapons’ systems, namely the Patriot missile.

 Being aware of the anti-Russian stance of most Western powers (United States, United Kingdom, France, Germany, Poland), it could count on them for military aide and/or political and moral support.

 Finally, it was hoped that it could help to change or terminate the Minsk II Protocol concerning the Donbas status and situation, signed by Russia, Ukraine, Germany and France and which Kiev has been refusing to respect.

 The Russians responded in kind by spreading their troops and weapons along the Russian-Ukrainian border. First and foremost, this was an unequivocal message to Kiev not to cross a red line, or else… Furthermore, the message goes to European countries like France and Germany that it is better not to play with fire, or they can get burnt.

 The rejection of the Minsk agreement, the renewed attack on the Donbas and, especially, an invitation to Ukraine to adhere to NATO, are Moscow’s red lines, the latter two probably Leading to the outbreak of war.

 Why did it not spark a conflict between the several actors involved?

 Ukraine did not do it, because she could well be crushed or punished by Russia.

 Russia did not do it, because she held the best trumps over both Kiev and the West.

 The West did not do it, because it lacked the means, the courage, the support and the will to confront the Russian bear.

 In the end, we witnessed a long episode of chest-thumping with no losers, but where Russia clearly showed that she had the upper-hand.

13 outubro, 2020

Era Uma Vez...o Cáucaso

 

ERA UMA VEZ…O CÁUCASO

 

Neste mapa, constata-se o alastramento do conflito por múltiplas áreas do Cáucaso.

Era uma vez uma região estratégica encaixada entre a Europa e o Médio Oriente, entre o Mar Negro e o Cáspio, simultaneamente um caminho de guerreiros e de mercadores e uma barreira difícil de contornar devido às imponentes montanhas que marcam a região.

 Era uma vez a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), criada pouco depois da Revolução Russa. A divisão da União foi estabelecida pelo centro (Moscovo), muitas vezes ao arrepio das realidades étnicas e das idiossincrasias regionais. Assim, já na década de 1920, na divisão do Cáucaso por 3 Repúblicas (Arménia, Geórgia e Azerbaijão), o Kremlin optou por colocar a região do Nagorno-Karabakh sob o controlo do Azerbaijão, apesar de o território ter uma população maioritariamente arménia. E foi aí, há cerca de 100 anos, que tudo começou.

A República Socialista Soviética da Arménia passou as décadas seguintes a instar Moscovo a entregar-lhe o Nagorno-Karabakh. Sem êxito. No final da década de 1980, o parlamento regional do Nagorno-Karabakh votou no sentido de integrar-se na Arménia. O Azerbaijão não aceitou tal e começaram as escaramuças que rapidamente escalaram para uma guerra que durou 6 anos (1988-1994), ao fim dos quais a Rússia conseguiu negociar um cessar-fogo entre as partes beligerantes.

O resultado da Guerra foi favorável à Arménia que conseguiu libertar o enclave de Nagorno-Karabakh e ainda ocupou 7 exclaves do Azerbaijão propriamente dito. O custo (não económico) da Guerra foi de 30.000 mortos e perto de 1 milhão de refugiados. O legado foi a subsistência de um conflito latente e uma acrimónia e hostilidade mútua que dificulta imenso uma eventual solução definitiva.

Ao longo dos 26 anos subsequentes, houve reacendimentos do conflito, tendo o mais recente ocorrido em Julho de 2016, com a duração de 4 dias e com um saldo de 200 mortos. Mais uma vez, a Rússia arbitrou um novo cessar-fogo.

Agora, porém, a situação é a mais grave desde 1994, vai bem além de uma breve escaramuça. As partes recorreram a carros de combate, artilharia pesada, mísseis e aviões de combate. A capital do Nagorno-Karabakh, Stepanakert, e a 2ª cidade do Azerbaijão, Ganja, estão debaixo de fogo e sujeitas a significativos danos materiais e os mortos já são da ordem dos 220.

 

Os esforços de mediação do Grupo de Minsk da OSCE (Rússia, Estados Unidos e França) têm sido em vão. Aparentemente, as partes envolvidas, especialmente os Azeris, desesperaram de esperar por conseguir os objectivos pretendidos através de negociações e optaram por recorrer à força armada. A isto acresce que, pela primeira vez de forma significativa, o Azerbaijão conta com o apoio total da Turquia, que inclusive tem exigido o afastamento do trio da OSCE da mediação e das negociações.

Porém, se o envolvimento turco no conflito aumentar, corre-se o risco de a guerra alastrar a outros actores, o que poderia transformá-lo numa guerra de grandes proporções. Se, por um lado, a Turquia apoia o Azerbaijão, a França (que tem tentado fazer frente à Turquia no Mediterrâneo) estará mais próxima da Arménia, enquanto que a Rússia tem relações amigáveis com ambos os contendores, mas tem uma base militar na Arménia. Acresce ainda que o Irão é vizinho do Azerbaijão e tem uma significativa população azeri* (12 milhões de pessoas, cerca de 16% do total) que poderá levar ao seu envolvimento no conflito.

Posto isto, a Turquia (ainda) é membro da NATO. A Arménia é membro da CSTO, um equivalente da NATO liderada pela Rússia. Se a Turquia atacar a Arménia, a Rússia é obrigada por tratado a intervir em seu socorro e a Turquia apelará para NATO. Fica clara a importância de conter o conflito e de conter os espasmos da Turquia.

Está a ser difícil alcançar uma paz precária, que é o máximo que realisticamente se pode conseguir neste cenário, mas o statu quo ante já seria um bom progresso para estabilizar o Cáucaso e esfriar os ânimos dos contendores mais exaltados.

 

* Curiosamente, o líder supremo do Irão, o Ayatollah Ali Khamenei, é de etnia azeri.

31 julho, 2020

Putin "Forever"


PUTIN FOREVER


 

Inicialmente agendado para 22 de Abril, o Referendo Constitucional na Rússia foi finalmente realizado no dia 1 de Julho, fruto das vicissitudes do corona vírus. Gizado, para fortalecer o Estado Russo, a revisão contemplou, entre 200 emendas e alterações, as seguintes mudanças:

* O aumento das competências da Duma e do Conselho Federal.

* Reforço da coesão interna, com o foco nos valores sociais, religiosos e culturais da Rússia e, principalmente, ancorada na longa História da Rússia, particularmente nos seus feitos militares e na heroica resistência às agressões externas.

* Plasmar na Constituição direitos sociais ligados ao montante das pensões e subsídios e aos respectivos aumentos.

* Restrições à capacidade electiva de cidadãos, bem como à nomeação para cargos ligados à soberania, à segurança nacional e ao sistema judiciário. Entre essas limitações, estão a posse de uma outra nacionalidade, ou a obtenção de permissão de residência no estrangeiro.

* A Constituição da Rússia prevalece sobre disposições de tratados ou acordos internacionais que contradigam o articulado constitucional.

Passado algum tempo sobre o anúncio inicial da revisão constitucional, Vladimir Putin colocou sobre a mesa a possibilidade de fazer um reset do limite de dois mandatos consecutivos do cargo de Presidente da Federação Russa, alteração que acabaria por ser incluída na proposta de revisão constitucional.

Como era expectável, esta alteração foi a que suscitou mais atenção (crítica) no Ocidente, enquanto alguns analistas russos explicavam a quebra de popularidade e o declínio do Presidente russo, alegadamente agravados por esta iniciativa. No final, contudo, mais uma morte anunciada prematuramente: Vladimir Putin ganhou, inequivocamente o referendo com 78% dos votos, num acto que teve uma afluência de 2/3 do eleitorado.

Com este resultado, fica aberta a porta para Putin se candidatar ao Kremlin em 2024 e, novamente, em 2030, potencialmente levando a sua liderança até 2036, perfazendo 32 anos de mandato: 2000-2008 e 2012-2036, acrescendo o cargo de Primeiro-Ministro no hiato de 2008-2012. Tendo um percurso com muito mais altos que baixos e com índices de aprovação consistentemente elevados, será prudente para os seus inimigos e opositores prepararem-se para mais uma grande dose de Vladimir Putin.