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20 setembro, 2020

Middle East is a-Changing

 MIDDLE EAST IS A-CHANGING

*

Middle East back in the 1960’s.

in “The Map Archive” at https://www.themaparchive.com/product/the-middle-east-c-1960/

Back in the day, the Middle East could be divided into the following groupings: the conservative Arab states aligned with the Western nations, a.k.a. the United States, the United Kingdom and France, consisting of Saudi Arabia, the Gulf States Jordan and Morocco; the radical and pro-Soviet Arab states, such as Egypt, Syria, Iraq, South Yemen, Libya, Algeria; the pro-America Persia; and the no-friends Israel.

Of course, there have been many changes along the years: Egypt switched sides back in the 1970’s; Persia turned Iran, turned America-hater; South Yemen ceased to be (and it is seeking resurrection nowadays), etc.

However, one thing remained mostly unchanged: the hostility/hatred towards Israel, mostly on account of the Palestinian issue, but is some cases also due to anti-Semitism with genocidal flavours. There were, of course, positive evolutions, namely the diplomatic recognition of Israel by Egypt (1979) and Jordan (1994).

Then, in the last decade, the chill between Israel and the above-mentioned “pro-Western” group started warming, melting. Covertly, discreetly, smoothly, this state of affairs was clearly moving and improving until 2020.

In 2020, culminating a couple of years of diplomacy, coaching and incentives on the part of the Trump Administration, plus the increasing Sunni-Shia hostility and the Iranian threat, the United Arab Emirates (UAE) and Bahrain also established diplomatic relations with Israel.

Moreover, Saudi Arabia acquiesced to her allies’ decision, which augurs a similar step being taken by Riyadh in the near future. Furthermore, Oman’s Sultan Haitham bin Tariq, Sudan’s General Abdel Fattah al Bashir and Morocco’s King Mohammed VI, seem to be equally keen on joining this group. I would also add Kuwait as a prospective candidate.

Another remarkable twist that enabled these developments was Palestine’s apparent loss of power and influence, well patent in the UAE’s and Bahrain’s dismissal of her protests and objections, as well as, the defeat of Mahmoud Abbas’ proposed resolution to condemn the UAE decision at an Arab League meeting. These events showed that the Palestinians no longer hold a veto power over Arab-Israeli issues.

So, the Middle East is gradually but surely evolving towards two antagonistic groups. One would be that of the Sunni states, mostly monarchies, plus Israel, which would count on the United States’ military-security umbrella. The other would be a mostly Shiite group, headed and controlled by Iran who will strive to draw the likes of Iraq, Syria, Lebanon, Yemen and, maybe, the Palestine, even though it is mostly Sunni. The latter group will expect to benefit from the support of Russia and China.

Although this development will not at all guarantee peace for the Middle East, Donald Trump’s accomplishment opened a very rare window to a prosperous, cooperative and peaceful region, at the same time that it makes an Israeli-Arab conflict and even more distant prospect. That, in itself, may prove to be a major accomplishment, probably the most outstanding one so far in the 21st Century.

 

* The inspiration for the title given to this post, “The Middle East is a-Changing”, is due not only to the actual reality on the ground, but a throwback to the 1960’s changes and Bob Dylan’s iconic song “The Times, They are A-Changing”.

 

As a gift to my readers, here’s the link to the song:

 https://www.youtube.com/watch?v=e7qQ6_RV4VQ

16 setembro, 2020

Acordo de Abraão e o Inimigo Comum

 ACORDO DE ABRAÃO E O INIMIGO COMUM

 

As bandeiras dos 4 países envolvidos, projectadas na muralha de Jerusalém.

 in “BBC News” em https://www.bbc.com/news/world-middle-east-54168120  

Israel foi fundado em 1948. Após muito antagonismo, hostilidade três guerras, o Egipto tornou-se, em 1979, o primeiro Estado Árabe a estabelecer relações diplomáticas com Israel. Volvidos 15 anos, em 1994, a Jordânia seguiu o mesmo caminho.*

Ontem, volvidos 72 desde a fundação de Israel, 41 anos após o Cairo e 26 anos após Amman, mais dois Estados Árabes, os Emiratos Árabes Unidos (EAU) e o Bahrain, juntaram-se a Benjamin Netanyahu e Donald Trump na Casa Branca para formalizar as relações entre Jerusalém, Abu Dhabi e Manama, o Acordo de Abraão.

O Presidente Trump proclamou que se virara uma página relevante na política e na Geopolítica do Médio Oriente: the dawn of a new Middle East". E assim é. O estabelecimento de relações diplomáticas do Egipto e da Jordânia com Israel foram feitas entre vizinhos que se haviam guerreado e que almejavam pôr uma pedra sobre o assunto e ter um relacionamento pacífico quanto possível.

 

Os 4 protagonistas: Abdullatif bin Rashid AlZayani (Bahrain), Benjamin Netanyahu (Israel), Donald Trump (EUA) e  Sheikh Abdullah bin Zayed (EAU).

 in “BBC News” em https://www.bbc.com/news/world-middle-east-54168120

Malgrado a oposição dos palestinianos, a suspensão de novas anexações israelitas na margem Ocidental do Jordão foram um dos ganhos do Acordo de Abraão e que, teoricamente, poderão relançar o processo negocial israelo-palestiniano. Por outro lado, Donald Trump e outras fontes aventaram a probabilidade de 5 novos países aderirem ao Acordo de Abraão, nomeadamente, Oman, Marrocos, Sudão e Arábia Saudita, o que representaria uma ruptura com o passado e poderia consolidar uma vasta zona de cooperação e uma frente robusta vis-à-vis o Irão.

Já os EAU e o Bahrain são membros do Gulf Cooperation Council (GCC) e, durante décadas, integravam um grupo de países fortemente opostos a Israel. Verdade seja dita, que ao longo da década passada a postura dos Estados do GCC para com Israel foi-se moderando, levando a alguma cooperação informal, inclusive com a Arábia Saudita.

Esta nova realidade beneficia os três Estados do ponto de vista económico e comercial, da cooperação tecnológica, militar e de segurança e fomenta um ambiente de paz, escasso no Médio Oriente. Não obstante estes ganhos potenciais, convém frisar que a evolução positiva das relações no passado recente e uma das principais motivações dos Estados envolvidos para chegar a este momento é um clássico da geopolítica: a união para enfrentar o inimigo comum, neste caso o Irão.

 

* A Mauritânia também estabeleceu relações diplomáticas com Israel, mas rompeu-as em 2010.


27 março, 2013

Penitência Pascal?

PENITÊNCIA PASCAL?
 
Em 31 de Maio de 2010, a Marinha israelita interceptou um grupo de navios que se dirigia a Gaza, em violação do bloqueio imposto por Israel.

Esses navios provinham da Turquia e contavam com o beneplácito do Governo turco. Os organizadores e participantes na iniciativa sabiam ao que iam: ao encontro de problemas e de confronto com as forças armadas de Israel (IDF). Aliás, esse era o objectivo da sua expedição provocatória: arranjar problemas que comprometessem Israel.

Como se sabia, os Israelitas interceptaram o grupo e abordaram o navio que liderava a expedição, o Mavi Marmara. Terá havido resistência de alguns tripulantes, que terá levado a uma resposta violenta das tropas, que se saldou em 9 mortes. A Turquia reagiu histericamente, em coerência com as ambições que o seu líder então nutria de se tornar um herói da chamada rua árabe. Em nome desse desiderato (que não alcançou nem alcançará), o regime turco rompeu relações com Israel, país com o qual a Turquia mantinha de há muito boas relações no plano político, militar e económico.

Israel examinou as ocorrências e concluiu que as suas forças tinham feito um uso adequado da força tendo em conta a situação em que se encontravam. Consequentemente, Jerusalém recusou-se, ao longo de 3 anos a pedir desculpa a Ankara.

Surpreendentemente, a semana passada, o Governo de Netanyahu apresentou o tal pedido de desculpas. Não é fácil perceber o que terá levado a tal brusca inflexão de atitude.

É indubitável que houve pressão dos EUA, cujo Presidente visitara Israel imediatamente antes, mas não é crível que isso bastasse. Estamos a falar de um primeiro-Ministro Israelita que tem consistentemente batido o pé à Administração norte-americana nos últimos anos.


A Periferia de Israel.

A explicação de fundo deverá residir mais longe: na situação de incerteza e de fluxo que se vive no Médio Oriente desde o início de 2011. Concretizando de forma sintética, referimo-nos:

·         À substituição no Egipto de um regime contemporizador com Israel e oposto ao Hamas por outro que é, em grande medida, o seu contrário.
·         Ao caos da guerra civil na Síria e a provável substituição do regime dos Al Assad por uma incógnita sunita que poderá ser, na melhor das hipóteses, algo parecido com o egípcio e na pior, um estado islâmico radical, ou ainda, o prolongamento da Guerra Civil, com ou sem Bashar Al Assad.
·         À efervescência no Líbano, onde se vão afiando as adagas e limpando as carabinas na expectativa de que haja um dramático spillover do conflito da Síria.
·         Às brisas de instabilidade que vão soprando um pouco por todo o Médio Oriente, em lugares como a Jordânia, o Bahrain e o Iraque.
·         Isto para não mencionar a ameaça iraniana que antecede a agitação de 2011.

É de facto muita agitação, muita mudança, muita incerteza.
Serão Tempos Interessantes, mas para Israel são tempos de incógnita e de algum receio.
Tempos, talvez, de recuperar um amigo, por muito instável que este seja na presente encarnação.
Tempos de Páscoa, especialmente na Terra Santa, convidam à penitência e à contrição em busca da salvação. SHALOM!