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08 maio, 2015

VE DAY - 70 years



VE DAY – 70 YEARS



VE Day celebrations in Piccadilly Circus, London, in 1945.
in Wikipedia at www.en.wikipedia.org

It is 70 years today that the II World War in the European theatre was terminated with the unconditional surrender of the beastly Nazi Germany. It is VE Day (Victory in Europe Day).

Millions died directly or indirectly from the War, including the millions massacred in the concentration camps.

It is a day to remember, honour and pray.

To remember so that we never do it again.

To honour those who valiantly risked and/or gave their lives to save us from hell on earth.

To pray for those who perished and for the Lord to protect from any other such apocalyptic event.


US paratroopers capture a Nazi flag shortly after D Day.

It is also a day to fathom the fact that for every beast felled, another one tends to rise. And today’s demons tend to be less openly lethal and brutal, but their covert mischief pushes millions to a life of misery.

God bless the brave Allied soldiers, sailors and airmen that fought for all of us in the Second World War.


The British flag stifling the III Reich one.

01 setembro, 2014

Vista de Moscovo


VISTA DE MOSCOVO


Vamos contar a mesma história com uma narrativa diferente. Como se vê a Crise da Ucrânia a partir de Moscovo?


O centro do poder na Rússia: o Kremlin, em Moscovo e na margem do Moskva.

in STRATFOR em http://www.stratfor.com/

Todos os países têm interesses. As grandes potências têm, por definição, interesses mais amplos. A Rússia não foge à regra.


A Ucrânia representa um interesse vital para a Rússia. Os motivos são de ordem geopolítica, histórica, cultural, linguística, étnica e religiosa. A Ucrânia e a Bielorrússia, pela posição que ocupam são de enorme importância para a Rússia. Sem qualquer deles, a vulnerabilidade da Rússia aumenta exponencialmente. Nenhuma outra potência tem um interesse tão forte na Ucrânia.


A instrumentalização dos protestos contra o Presidente Yanukovych, a sua intensificação e o coup d’état que culminou o processo foi, na interpretação mais benigna, um ataque aos core interests da Rússia. Se eu consigo ver isso, imaginem como serão as coisas vistas de Moscovo. Vista de Moscovo, foi mesmo isso, ou talvez até um pouco mais.


Não vale a pena carpir sobre as maldades de Putin, ou repudiar a existência de interesses específicos sobre países terceiros, ou vilificar o conceito de esferas de influência. Tudo isto existe e não é, obviamente, exclusivo da Rússia. Basta pensar como reagiriam os Estados Unidos se uma grande potência adquirisse um poder tutelar, ou até simplesmente uma forte influência sobre o México.


Isto para dizer que as proclamações de virgens ofendidas provenientes de Washington, Berlim, ou Varsóvia, valem zero, a não ser como campanha de PR para justificar as acções contra a Rússia. É óbvio que estes e outros países sabiam que estavam a atravessar uma red line de Moscovo e que a apropriação da Ucrânia seria encarada como um cerco à Rússia. Um ataque, portanto.


Movimentos militares na Ucrânia Oriental em Agosto de 2014.
in STRATFOR em http://www.stratfor.com/


Caracteristicamente, os EUA, habituados a ter o exclusivo do benigno e justificado uso da força, ficaram chocados e reagiram com despeito. As sanções à Rússia foram uma solução low-cost para castigar o infractor do monopólio americano.


Menos compreensível é a reacção das potências europeias, aparentemente arrastadas pela histeria anti-russa dos EUA, Polónia e Lituânia. Ao contrário dos EUA, as sanções são high-cost para países como a Alemanha, Itália, Hungria, Eslováquia, Bulgária, entre outros e poderão sê-lo também para o Reino Unido e para a França. E não parece fácil que os potenciais ganhos excedam os custos.


Os ganhos são o alastrar da esfera de influência (sim, leu bem, esfera de influência) da Alemanha, com a Polónia no papel de adjunto e o enfraquecimento da Rússia.


Os custos, para além das sanções, são o irritar a Rússia, tornando-a mais agressiva e menos previsível e acarretar com o encargo da viabilização de um país falido e divido. Em último caso, os custos podem subir à escala de uma guerra de grandes proporções.


Vale a pena? Não me parece.


Exactamente há 75 anos, a 1 de Setembro de 1939, a Alemanha lançou um ataque fulminante (Blitzkrieg) sobre a Polónia, despoletando a II Guerra Mundial. Dezasseis dias depois, a União Soviética invadiu a Polónia consumando mais uma repartição do país. Volvidos menos de dois anos, o acordo entre Hitler e Staline desfez-se quando a Alemanha invadiu a URSS (Ucrânia incluída) na sua procura de Lebensraum (espaço vital) e hegemonia.


75 anos volvidos, será isso que a Alemanha procura? Sem os Panzer, mas com o Deutsche Euro?


Os Panzer alemães irrompem pela Polónia em 1939.
in “The Chronicle” em http://chronicle.com/blognetwork/edgeofthewest/2009/09/01/fall-weis/


Vista de Moscovo, a mudança de regime e o realinhamento de Kiev com o Ocidente, só pode significar mais um e decisivo passo no cerco à Rússia. Durante a década de 90, a Rússia passou de um império que lutava pela hegemonia global para um fantasma dos seus tempos de poder, fraco, acossado e tornado joguete pelo Ocidente. Esse Ocidente não parece ter percebido que a Rússia de hoje, embora muito distante da URSS, também é muito diferente da de Yeltsin.


Vista de Moscovo, as acções americanas e alemãs na Ucrânia são reminiscentes do alargamento da NATO até ao Báltico, das revoluções coloridas na Ucrânia e na Geórgia em 2004/05 e do ataque à Sérvia e ao seu desmembramento parcial em 1999.


Consequentemente, vista de Moscovo, a Batalha da Ucrânia não pode ser perdida pois aproxima-se de uma batalha pela sobrevivência, pelo menos da Rússia enquanto grande potência. Por isso a Rússia está a dar luta. Faz como os outros, bate-se pelos seus interesses com os meios ao seu alcance. Chama-se Power Politics.


Vladimir Putin empenhou-se em devolver à Rússia poder, estatuto e alguma grandeza.


Vista de Moscovo, o que está em jogo é esse estatuto da Rússia.


Vista de Moscovo, o ataque ocidental à Ucrânia é a pedra de toque para reduzir a Rússia à insignificância de há 20 anos.


Vista de Moscovo, essa é uma perspectiva inaceitável.

21 agosto, 2014

Morte da Vaca Sagrada? - Fronteiras no Passado


MORTE DA VACA SAGRADA?

AS FRONTEIRAS NO PASSADO

O Mapa do Mundo em 1989.
in US Library of Congress em http://www.loc.gov/item/2010585495/


Desde o fim da II Guerra Mundial as fronteiras foram elevadas à categoria de vaca sagrada: imutáveis e inamovíveis, as fronteiras eram e são defendidas contra as evidências, a racionalidade e a vontade dos povos. Não podem ser postas em causa nem em benefício da paz.


Há excepções, mas em casos muito contados. Houve 4 situações em que existiam pares de países que partilhavam o nome, a História, a língua, a religião e a cultura (num deles tal não é completamente assim) que foram separados por imperativos geopolíticos, em dois casos derivados directamente da II Guerra Mundial e nos outros de problemas relacionados com a descolonização. Referimo-nos à Alemanha Ocidental e à Alemanha Oriental, à Coreia do Norte e à Coreia do Sul, ao Vietname do Norte e ao Vietname do Sul e ao Iémen e ao Iémen do Sul.


O nome partilhado parece ter conquistado um consenso tal que se assumia que, quais gémeos separados à nascença, estes países mais cedo ou mais tarde se reunificariam. Tal já aconteceu, com as Alemanhas, com os Vietnames e com os Iémenes (se bem que este, a tal excepção, pode muito bem vir a desintegrar-se novamente). Já as Coreias ainda têm um longo caminho a percorrer divididas.


Além destes casos pacíficos, existiram mais 4, dos quais 3 também decorrem directamente do final da Guerra Fria. Estes, ao contrário dos anteriores, configuraram desintegrações em vez de uniões: União Soviética, Checoslováquia e Jugoslávia, que deram à luz 15, 2 e 6 novos Estados, respectivamente.


Finalmente, temos o caso do Sudão que após 40 anos de guerra civil (I Guerra Civil 1957-1972; II Guerra Civil 1983-2005), aceitou relutantemente a secessão do Sudão do Sul que, suprema ironia, se encontra já envolvido num arremedo de guerra civil desde o ano passado.


A maioria das fonteiras fora da América e da Europa Ocidental datam do final da I Guerra Mundial ou da II Guerra Mundial. E a grande maioria das que foram modificadas foram-no na sequência do final da Guerra Fria e do rebentar dos espartilhos geopolíticos, militares e ideológicos por ela impostos.


Nessa altura, a Alemanha, na impossibilidade de recuperar o statu quo pré-Versailles, recuperou a unidade possível. A Jugoslávia, abstrusa criação da Paz de Paris de 1919, implodiu numa vaga de ódio e violência. A Checoslováquia partiu-se num misto de de oportunismo e inércia e a URSS pagou com severidade os custos da derrota na Guerra Fria.


As fronteiras foram, portanto, desenhadas na ressaca dos abalos telúricos das duas Guerras Mundiais e alterados apenas na sequência de outro life-changing event, o fim da Guerra Fria, de certo modo, a III Guerra Mundial.


Pode-se então presumir que, na ausência de novos terramotos geopolíticos, ou de uma IV Guerra Mundial, as fronteiras regressarão ao seu estatuto de imutabilidade.


Será que devia ser assim?

06 agosto, 2014

A Grande Guerra - Os Efeitos


A GRANDE GUERRA
OS EFEITOS



A Grande Guerra marca o princípio do fim da hegemonia europeia, longa de 5 séculos. O fim, esse chegaria ¼ de século mais tarde, após a II Guerra Mundial ter arrasado o continente, exaurido as suas potências e determinado o fim dos seus impérios coloniais. 


ANTES: a Europa em 1913.

O fim começou às 11 horas do dia 11, do mês 11 do ano de 1918. Nesse dia acabou a I Guerra Mundial e começou uma paz incerta, agitada, perigosa e pouco duradoura.


Destituídos da clarividência dos negociadores de Viena em 1815, os estadistas de Paris em 1919 lançaram-se na empreitada de redesenhar o mapa da Europa Central e Oriental baseados em dois princípios: o desmantelamento de 4 Impérios que dominavam a região e a criação de novos estados baseados na auto-determinação e na nacionalidade (estados-nação). Diga-se em abono da verdade que um desses impérios, o Russo, já tinha sido espatifado pela Alemanha e outro, o Otomano, se encontrava numa longa e lenta agonia.


Aquele manteve-se ocupado por uns anos com uma guerra fraticida e reencarnaria numa nova forma (URSS), mais sólida e coesa e notoriamente mais perigosa. Já este, sofreu o seu golpe de misericórdia na Guerra e a teve a certidão de óbito lavrada no Tratado de Sèvres.


Restavam os Impérios Germânicos: a Alemanha e a Áustria.


Multinacional por excelência (Austríacos, Húngaros, Checos, Eslovacos, Polacos, Croatas, Sérvios, Eslovenos, Bósnios, Ucranianos e Romenos compunham o mosaico de nacionalidades), o Império Austro-Húngaro despendeu o último quartel do século XIX e os primeiros anos do século XX contra a sua aparente obsolescência e contra o destino Otomano. Para tal, tentou travar o declínio otomano, tentou travar o avanço russo no Sudeste Europeu, tentou travar a ascensão de novos Estados-Nação como a Sérvia e a Bulgária, tudo para tentar travar a explosão nacionalista no seu seio. Quando despoletou a Guerra, o Império já tem os discos dos travões gastos e, sem ABS, estampou-se literalmente. A sua prestação militar, entre o mediano e o medíocre, foi insuficiente para ajudar a Alemanha a vencer a Grande Guerra, condição sine qua non para a sobrevivência do vetusto Império Habsburgo. A derrota significou o seu fim. Os seus vastos domínios foram distribuídos por 7 países novos, renascidos, ou recauchutados.


O resultado não foi famoso: a instabilidade, os nacionalismos radicais e mesmo os ódios, não desapareceram, bem pelo contrário. A II Guerra Mundial seria palco de muita violência e atrocidades perpetradas por outros além dos Alemães: Croatas, Sérvios, Húngaros, Ucranianos, aproveitaram o gigantesco conflito para promover os seus interesses e acertar as suas contas. Se nos anos 30 e 40 foi a guerra que deu aso a estes conflitos, meio século mais tarde foi o fim de outra (Guerra Fria) que proporcionou a oportunidade para o regresso dos velhos demónios, principalmente mas não apenas, na Jugoslávia.


E o mapa da Europa Central e Oriental mudou novamente. Não é, pois, demasiado surpreendente que esteja a mudar outra vez, no século XXI.


A Alemanha manteve-se após a I Guerra Mundial, mas sofreu um downgrade de Império (II Reich) para República (de Weimar), pagou em territórios, em continuidade geográfica e em dinheiro, sofreu limitações à sua soberania e levou o carimbo de “Guilty” atribuído pelas potências vencedoras.


Por solucionar, mais uma vez, ficou o acomodar do gigante germânico no centro da Europa, proporcionando-lhe conforto sem provocar o desassossego da vizinhança. Descontente, fustigada por reveses diversos (políticos e económicos), eis que a Alemanha estrebucha, esperneia, sofre uma metamorfose, torna-se no III Reich e lança-se num renovado ímpeto conquistador, uma mescla de poder e eficácia militar e de hedionda bestialidade.


DEPOIS: a Europa em 1937.

Após 4 anos de combates inclementes e 20 milhões de mortos (8 milhões militares), a “Guerra para acabar com as guerras” previsivelmente não atinge esse utópico desiderato. Pior do que isso, a paz negociada em Paria, da qual brotaram 5 Tratados de Paz (Versailles com a Alemanha, Saint-Germain com a Áustria, Trianon com a Hungria, Sèvres com o Império Otomano e Neuilly com a Bulgária), não deixou a Europa mais pacífica, nem mais segura, nem sequer logrou resolver os problemas das fronteiras e das nacionalidades.


A Grande Guerra foi há 100 anos, mas muitos dos problemas, patentes ou latentes, permanecem.