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21 agosto, 2014

Morte da Vaca Sagrada? - Fronteiras no Passado


MORTE DA VACA SAGRADA?

AS FRONTEIRAS NO PASSADO

O Mapa do Mundo em 1989.
in US Library of Congress em http://www.loc.gov/item/2010585495/


Desde o fim da II Guerra Mundial as fronteiras foram elevadas à categoria de vaca sagrada: imutáveis e inamovíveis, as fronteiras eram e são defendidas contra as evidências, a racionalidade e a vontade dos povos. Não podem ser postas em causa nem em benefício da paz.


Há excepções, mas em casos muito contados. Houve 4 situações em que existiam pares de países que partilhavam o nome, a História, a língua, a religião e a cultura (num deles tal não é completamente assim) que foram separados por imperativos geopolíticos, em dois casos derivados directamente da II Guerra Mundial e nos outros de problemas relacionados com a descolonização. Referimo-nos à Alemanha Ocidental e à Alemanha Oriental, à Coreia do Norte e à Coreia do Sul, ao Vietname do Norte e ao Vietname do Sul e ao Iémen e ao Iémen do Sul.


O nome partilhado parece ter conquistado um consenso tal que se assumia que, quais gémeos separados à nascença, estes países mais cedo ou mais tarde se reunificariam. Tal já aconteceu, com as Alemanhas, com os Vietnames e com os Iémenes (se bem que este, a tal excepção, pode muito bem vir a desintegrar-se novamente). Já as Coreias ainda têm um longo caminho a percorrer divididas.


Além destes casos pacíficos, existiram mais 4, dos quais 3 também decorrem directamente do final da Guerra Fria. Estes, ao contrário dos anteriores, configuraram desintegrações em vez de uniões: União Soviética, Checoslováquia e Jugoslávia, que deram à luz 15, 2 e 6 novos Estados, respectivamente.


Finalmente, temos o caso do Sudão que após 40 anos de guerra civil (I Guerra Civil 1957-1972; II Guerra Civil 1983-2005), aceitou relutantemente a secessão do Sudão do Sul que, suprema ironia, se encontra já envolvido num arremedo de guerra civil desde o ano passado.


A maioria das fonteiras fora da América e da Europa Ocidental datam do final da I Guerra Mundial ou da II Guerra Mundial. E a grande maioria das que foram modificadas foram-no na sequência do final da Guerra Fria e do rebentar dos espartilhos geopolíticos, militares e ideológicos por ela impostos.


Nessa altura, a Alemanha, na impossibilidade de recuperar o statu quo pré-Versailles, recuperou a unidade possível. A Jugoslávia, abstrusa criação da Paz de Paris de 1919, implodiu numa vaga de ódio e violência. A Checoslováquia partiu-se num misto de de oportunismo e inércia e a URSS pagou com severidade os custos da derrota na Guerra Fria.


As fronteiras foram, portanto, desenhadas na ressaca dos abalos telúricos das duas Guerras Mundiais e alterados apenas na sequência de outro life-changing event, o fim da Guerra Fria, de certo modo, a III Guerra Mundial.


Pode-se então presumir que, na ausência de novos terramotos geopolíticos, ou de uma IV Guerra Mundial, as fronteiras regressarão ao seu estatuto de imutabilidade.


Será que devia ser assim?

08 julho, 2014

Blitzkrieg 2014


BLITZKRIEG 2014

 



Thomas Muller faz o 1-0.

 

Blitzkrieg (Guerra Relâmpago), foi o nome dado ao tipo de guerra desencadeado pela Alemanha em 1939/41, ataques fulminantes baseados em avanços rápidos encabeçados pelas divisões de Panzer e com forte apoio aéreo.
 
Ontem, a selecção da Alemanha, a Mannschaft, desencadeou uma Blitzkrieg baseada na organização táctica, no sentido colectivo e na qualidade individual e na letalidade na área adversária e esmagou o Brasil em menos de 30 minutos.

 


Toni Kroos faz o 4-0.

 

Tal como a Polónia em 1939, a França em 1940, ou a URSS em 1941, o Brasil foi atropelado por um rolo compressor imparável que bateu múltiplos records:
 
* A Alemanha passou a ter o melhor ataque em fases finais de Campeonatos do Mundo: 223 GOLOS.
 
* A Alemanha foi a primeira equipa a marcar 7 golos numa meia-final de um Mundial.
 
* A Alemanha obteve a maior goleada de sempre numa fase tão avançada de um Mundial.
 
* Miroslav Klose tornou-se o maior goleador da História dos Mundiais: 16 GOLOS.

* A Alemanha infligiu a maior goleada de sempre ao Brasil: 7-1.
 
Aconteça o que acontecer nos 3 jogos que faltam do Campeonato do Mundo 2014, de uma coisa podemos estar certos: o Alemanha, 7 – Brasil, 1 ficará na História dos Mundiais. E nós, em frente ao televisor, tivemos o privilégio (ou a desgraça) de vermos os Alemães a fazer História.

 


Schuerrle faz o 7-0.

 

 



Khedira faz o 5-0.




A festa alemã na noite da humilhação brasileira.

 

 

Todas as fotos são de FIFA em http://www.fifa.com/index.html