30 junho, 2010

Triunfo da Batotice

TRIUNFO DA BATOTICE


A injustificável e obstinada resistência da FIFA e da UEFA à introdução do video e de outros meios tecnológicos para auxiliar as arbitragens continuam a contribuir para a batotice e a consequente descredibilização do futebol.

No Mundial 2010, os casos começaram discretos para atingirem foros de escândalo nos oitavos de final. Eis uma resenha não exaustiva:
O golo anulado a Frank Lampard da Inglaterra quando a bola esteve mais de meio metro dentro da baliza é o cúmulo do escândalo. Verdadeiramente vergonhoso e difícil de acreditar que nem o árbitro nem o liner tivessem visto.
O 1º golo da Argentina contra o México foi marcado por Tevez em descarado offside, numa jogada em que nem o guarda-redes estava entre ele e a linha de fundo. Vergonhoso e inaceitável.
 
Luís Fabiano, do Brasil, marca à Costa do Marfim depois de ter dominado a bola com o braço por DUAS vezes. Golo validado. Deve ser a habitual ajuda ao Brasil.

David Villa esbofeteia um adversário, não vê cartão e não é castigado a posteriori. Violência impune.
Os Espanhóis fazem faltas como quaisquer outros e não vêem um único cartão em 3 jogos. Fortemente suspeito, ainda mais porque o Presidente da Comissão de Arbitragem da FIFA é…espanhol.
Dois penalties inexistentes assinalados contra a Holanda (equipa estranhamente com poucas faltas e muitos cartões) contra os Camarões e a Eslováquia. Batotice.

Não são erros menores (todos eles tão flagrantes, nem inconsequentes (o Inglaterra-Alemanha ficaria 2-2, o Argentina-México continuaria 0-0, a Espanha ficaria sem o seu goleador, o Brasil só ganhava por 1-0). E todos eles seriam facilmente corrigidos com o recurso ao vídeo. 30 segundos de interrupção e a verdade desportiva seria salvaguardada.
 
Blatter e Platini dizem imbecilidades do tipo “sem erros de arbitragem o futebol perdia encanto”, ou “errar faz parte do jogo, os jogadores também falham”. Eu gostava de perceber o encanto do falseamento da verdade desportiva, da distorção ou incumprimento das regras. Comparar os erros da arbitragem com os falhanços dos jogadores é falacioso e intelectualmente desonesto. Os falhanços dos jogadores fazem parte do jogo e não violam as regras. Os erros dos árbitros violam essas mesmas regras. Falhar um golo de baliza aberta como fez o Nigeriano Yakobo contra a Coreia do Sul, ou dar um frango monumental como fez o Argelino Ahmad contra a Eslovénia, faz parte do jogo de futebol. Não considerar golo o remate de Lampard e validar o golo de Tevez é um atropelo grosseiro às leis do jogo.
 
Os jogos da Liga Europa com equipas de arbitragem com 6 (seis!) elementos não resolveram o assunto e não faz sentido económico e visual entupir o relvado com árbitros quando os erros continuam a proliferar. É óbvio que a rejeição obstinada dos meios tecnológicos só pode ser justificada para que personagens como Joseph Blatter (FIFA), Michel Platini (UEFA/França), Angel Villar (Espanha), Ricardo Teixeira (Brasil), Júlio Grondona (Argentina), etc, continuem a controlar o bas-fond do futebol mundial. Até que os espectadores se saturem da suspeita, da batotice e do escândalo e os estádios esvaziem, as audiências caiam e os patrocínios fujam. Aí, quando o luxo e as mordomias terminarem, talvez os cappos desapareçam e o futebol regresse.

27 junho, 2010

Campeonato do Mundo 2010 - Parte 1

CAMPEONATO DO MUNDO

PARTE 1


Acabou a primeira fase do Campeonato do Mundo 2010, tempo de fazer um primeiro e breve balanço.

WINNERS

Holanda e Argentina: Praticaram o melhor futebol na primeira fase; na verdade, foram as únicas selecções cujo jogo produziu algum encanto com consistência. A Argentina e a Holanda foram, também, as únicas selecções a fazer o pleno de 3 vitórias – 9 pontos. Ambas têm excelentes jogadores de ataque e fizeram acontecer aquilo que nem sempre é óbvio; praticaram o melhor futebol e obtiveram os melhores resultados. Se fosse critério, seriam os grandes favoritos à vitória final, mas bem podem encontrar-se na final.

Uruguai: Foi o melhor a seguir aos melhores, venceu inequivocamente um grupo difícil e mostrou segurança defensiva e criatividade no ataque – Forlan + Suarez. O 2º lugar da Inglaterra deixou os Uruguaios como fortes candidatos às meias-finais.

Goleadas: Não foram muitos os golos e poucos jogos tiveram muitos golos. Por isso, merecem especial destaque as duas goleadas da fase de grupos. Acima de tudo, os 7-0 de Portugal, a maior goleada em Mundiais desde os 10-1 da Hungria a El Salvador em 1982 (record absoluto); para encontrar outro 7-0 é preciso ir à Mundial de 1974 na RFA, quando a Polónia cilindrou o Haiti; mas enquanto que nesse ano, por exemplo, a Jugoslávia também esmagou o Zaire por 9-0, a goleada de Portugal ergue-se como caso único nos últimos Campeonatos. A outra referência vai para a Alemanha (4-0 à Austrália).

LOOSERS

França: O grande flop da competição: um paupérrimo pontito, um mísero golito, um treinador com mau carácter, uma pseudo-equipa, um grupo de egos malcriados e um ambiente de guerra civil, deram à França o 29º lugar entre 32 equipas e o maior fiasco de que há memória entre as potências do futebol.

Itália: Os Campeões do Mundo tiveram a pior prestação das últimas décadas e foram elimnados na fase de grupos pela 1ª vez desde 10974. Sem chama e, principalmente, sem génio, a Itália não encontrou substitutos à altura de Del Piero, Totti, ou Pirlo. Mesmo com deficit de talento, se a Squadra Azzurra tivesse jogado sempre com a atitude do 2º tempo do jogo com a Nova Zelândia, teria ganho Grupo F.

África: O Mundial é em África, mas tarda a afirmação, há muito prometida do futebol africano. Ter 6 selecções, jogar em casa e ver 5 eliminadas na fase de grupos, demonstra à evidência que o continente está absurdamente sobre-representado nos Campeontaos do Mundo e só a política eleitoralista e interesseira de Havelange e Blatter é que levaram a esta inflação em prejuízo da Europa e da América do Sul, que apresentam cronicamente resultados muito melhores.

Relativamente ao que previa para a 1ª fase, eis o saldo, relativamente aos qualificados:
Acerto total (1º e 2º classificados por ordem): Grupos A, B, G e H.
Acerto (qualificados com ordem inversa: Grupo C.
Acerto no 1º: Grupos D e E.
Falhanço: No Grupo F, acertei na qualificação do Paraguai, mas não acertei em nenhum dos lugares da classificação.

Previsões para os Quartos de Final:

Holanda – Brasil
Uruguai – EUA
Argentina – Inglaterra
Paraguai – Espanha

P.S. Portugal: Portugal fez o que lhe competia: qualificou-se. Fê-lo no expectável 2º lugar, com menos 1 ponto do que esperaria – trocou a vitória com a Costa do Marfim com um empate com o Brasil. A avaliação é mista e levanta muitas incógnitas: nota negativa no jogo com a Costa do Marfim (0-0) com exibição fraquíssima e nula ambição; nota excelente contra a Coreia do Norte (7-0), graças a uma segunda parte (a primeira foi equilibrada e não foi famosa) em que Portugal teve um grande aproveitamento de oportunidades e em que procurou sempre mais face a uma equipa em colapso anímico e organizativo (?); nota boa para o jogo com o Brasil (0-0) em que Portugal jogou de igual para igual (inferior ao Brasil na 1ª parte, superior na 2ª), mas sem retirar mérito, um jogo final em que ambas as selecções já estavam qualificadas tem de ser encarado com alguma prudência. De qualquer forma, o desempenho não foi de modo a afastar as dúvidas, perplexidades e até rejeição, que a gestão Queiroz (globalmente fraca) tem suscitado. Como é óbvio, gostava de me enganar e ver Portugal nos quartos. Haja esperança!

19 junho, 2010

POLÍTICA v política

POLÍTICA v política


A Política deve reger-se por princípios e ética. Não se trata de uma visão ingénua ou utópica que pressuponha a santidade dos seus agentes e que ignore que na actividade política são precisos compromissos, exigências e cedências, acordos de bastidores, jogadas tácticas, subtilezas e astúcia, ardis e maquiavelismos. Essa é a política intra-partidária e inter-partidária, na competição por marcar pontos face ao adversário, criar-lhe dificuldades, ganhar lugares, posições ou apoios, afastar adversários.

 

Quando aqui falo de Política, falo de compromissos públicos, eleitorais, princípios divulgados e conhecidos perante os cidadãos, normas constitucionais ou legais, que devem ser escrupulosamente respeitados, por fazerem parte do pacto eleitoral de confiança entre o eleito e os eleitores, entre o representante e os representados.

 

Infelizmente, em Portugal campeia o desrespeito total por esses valores. Três tristes exemplos:

 

Cavaco Silva: Promulgou a lei sobre o casamento homossexual assumidamente contra as suas convicções e princípios, factos conhecidos dos eleitores que o elegeram. O argumento justificativo (??) foi o da crise económica que devia centrar os esforços do Governo e do Parlamento. Por essa ordem de ideias, em situação de crise social poderá promulgar barbaridades no plano económico e se houver uma crise económica, aprovará legislação política ou eleitoral que lhe repugne. É, obviamente, uma desculpa esfarrapada, que o coloca longe do homem determinado e de convicções de outros tempos. Do mesmo modo, o meu voto em Cavaco, que era quase certo, é agora muito duvidoso. Embora admita que Manuel Alegre, um candidato comunista, ou o simpatizante da esquerda radical seriam piores presidentes, confesso que estou pouco inclinado a apoiar males menores.


Teixeira dos Santos: Declarou que o valor legal da norma constitucional impeditiva da retroactividade teria menos valor do que a realidade da crise económica, da qual, aliás, é um dos fautores enquanto subscritor e executor do desmando despesista de 2008/2009. Isto, uns anos depois de ter reagido escandalizado a uma eventual devolução aos cidadãos de IVA indevidamente sobre o Imposto Automóvel vociferando que o dinheiro é “nosso” (leia-se do Governo), uma visão distorcida e intolerável num regime democrático em que, supostamente o povo é soberano. Não tem competência, nem dignidade democrática para deter o alto cargo que exerce há 5 anos.


Passos Coelho: Pediu desculpa aos Portugueses por ter caucionado os aumentos de impostos que tinha abjurado. Passados dois meses, eis que subscreve a norma inconstitucional e extorsionária dos impostos retroactivos. Desta vez já nem pediu desculpa. Talvez já não valha a pena. Em poucos meses e em poucas decisões, demoliu o capital de alguma confiança e credibilidade que vinha angariando junto dos Portugueses de que poderia ser diferente…para melhor. Eu ainda acho que é, mas talvez não chegue, quando se revela tanto à vontade em renegar convicções e em penalizar financeiramente os Portugueses.
Enquanto que não houver respeito por e lealdade para com os eleitores e não se perceber que os eleitos representam os cidadãos e que a eles se devem submeter, a Política continuará a ser mera política ou pior e os cidadãos olharão para os detentores de cargos políticos com crescente desprezo e indiferença.
 

P.S. José Sócrates não é aqui mencionado porque os seus pecadilhos nesta área são tantos e tão graves que teve direito a um post específico: “Sem Desculpa” disponível em

11 junho, 2010

Campeonato do Mundo África do Sul 2010

CAMPEONATO DO MUNDO ÁFRICA DO SUL 2010

Começa hoje o Campeonato do Mundo de 2010 na África do Sul. Um mês de futebol, 64 jogos, muita expectativa, emoção e, espera-se futebol. Deixo aqui uma breve análise e alguns palpites. Bom Campeonato!

Favoritos: Penso que há um lote de 7 equipas que podem aspirar a ocupar um dos 4 lugares de honra: Itália, Inglaterra, Argentina, Espanha, Holanda, Brasil e Alemanha.
A Itália é a Campeã em título, tem tradição vencedora, é uma equipa rigorosa e eficaz, tem um grande treinador (Marcelo Lippi) e alguns jogadores de topo, com destaque para Andrea Pirlo. Em relação a 2006 falta-lhe o génio de Del Piero e de Totti.
A Inglaterra tem uma grande equipa e um grande treinador (Fabio Capello) e é uma equipa completa: boa defesa, grande meio campo e um bom ataque, assente em três jogadores excepcionais: Steven Gerrard, Franck Lampard e Wayne Rooney. Falta-lhe David Beckham, Rio Ferdinand e Theo Walcott.
A Argentina tem uma equipa com ataque brilhante e jogadores geniais (Messi, Di Maria, Tevez, Higuain) que podem resolver jogos e até demolir adversários, mas tem uma defesa frágil e um treinador fraco. Tanto pode levar tudo à frente, como cair frente a uma Itália. Falta-lhe Saviola, Aimar, Lucho González, Cambiasso e Lisandro.
A Espanha tem uma equipa experiente, equilibrada, com um bom treinador. Sólida a defender e com Fabregas, Torres, Villa e David Silva para criar e marcar. Tem contra si a história que demonstra grande fragilidade mundialista.
A Holanda tem um naipe de grandes jogadores que brilharam no Europeu 2008 e que podem atingir o estrelato este ano. Têm jogadores fabulodos no meio campo e ataque: Van Persie, Robben, Van der Vaart, Sneijder, Kuyt. Se souberem defender… Falta-lhe Van Nistelrooy.
O Brasil é candidato por inerência e porque tem Kaká, Luís Fabiano, Robinho, Elano, bons defesas e grande guarda-redes. O treinador é fraco e a equipa não empolga. Falta-lhe Ronaldinho e Diego.
A Alemanha é candidata pela tradição, pela solidez e pela capacidade competitiva. Deve sentir bastante a falta de Michael Ballack e precisará de Klose, Podolski, Mueller e Schweinsteiger ao mais alto nível.

Outsiders: Portugal, Uruguai, México, Sérvia e França.
Selecções com nome e tradição (umas mais do que outras), mas que não me parecem ter a qualidade necessária para irem às meias-finais. Possivelmente, duas ou três delas poderão chegar aos quartos de final, mas não mais do que isso. A França tem um mau treinador e é uma equipa com pouco jogo e sem chama. O Uruguai não tem o génio para fazer a diferença e o México e a Sérvia correm contra a história e tradição, que não jogam mas também contam.

Portugal: Francamente não acredito na Selecção Nacional, que me parece bem inferior às de 2000, 2004 e 2006. Tem um mau treinador, que fez uma má qualificação e uma convocatória sofrível com vários jogadores fracos e/ou em má forma. A imbecilidade da justificação dada para não convocar Quim (“tem presente mas não tem futuro”) quando o Mundial é o presente, e a arrogância malcriada perante os adeptos, dizem muito sobre o treinador português. Não vejo Portugal a ir mais longe do que os oitavos de final.

Palpites: Meias-Finais: Inglaterra – Holanda e Itália - Argentina. A Inglaterra ganha o Campeonato do Mundo.

09 junho, 2010

Benfica Campeão

BENFICA CAMPEÃO

A Festa do Título em pleno Estádio da Luz. O Capitão do Benfica Nuno Gomes ergue a Taça de Campeão Nacional.

Volvido um mês da conquista do 32º Campeonato Nacional pelo Sport Lisboa e Benfica, deixo algumas notas para encerrar este feliz episódio.

O Benfica foi o Campeão mais impressionante e convincente dos últimos anos: melhor ataque a larga distância da concorrência; uma das duas melhores defesas e o melhor futebol praticado nos últimos anos em Portugal: muito ataque, muitos golos, goleadas em série, jogos empolgantes, defesa consistente e segura, tacticamente bem armado, equipa aguerrida e com grande intensidade de jogo, tudo apoiado por uma impressionante onda encarnada que varreu o país de Norte a Sul (1 milhão só na Luz esta época!!!).

A festa do golo: Cardozo, Fábio Coentrão, Saviola e Di Maria celebram um dos 8 golos contra o Vitória de Setúbal.

A isto podemos somar a impressionante série de 14 jogos consecutivos na Luz e uma série de jogadores que foram dos melhores do Campeonato: Saviola, porventura o melhor, Di Maria, o mais brilhante, Cardozo, o maior goleador, David Luiz, o melhor defesa, Fábio Coentrão, a maior revelação e outros jogadores, alguns dos quais nem conhecia, que tiveram desempenho de elevado mérito (Ramires, Javi Garcia, Luisão, Maxi Pereira, Rúben Amorim, Quim). E, finalmente, Jorge Jesus, que pôs os jogadores nos seus lugares, fez de um conjunto de bons e de grandes jogadores uma grande equipa, e que pôs o Benfica com ambição e a jogar ao ataque (mais de 120 golos em jogos oficiais!!!!), empolgando os adeptos.

Nuno Gomes cabeceia para o 8-0 contra o Vitória de Setúbal.

Golos cruciais:
Weldon: o golo ao Marítimo na 1ª jornada que salvou o Benfica de um começo negativo.
Ramires: o golo em Guimarães que garantiu a 1ª vitória e que lançou o Benfica.
Javi Garcia: o golo nos descontos à Naval, após uma jornada negativa, permitiu manter o élan.
Nuno Gomes: o golo em Olhão impediu a derrota e manteve o Benfica à frente do Porto na véspera de o receber em Lisboa.
Saviola: o golo da vitória sobre o Porto permitiu a descolagem do Benfica e teve o impacto psicológico de ter sido sobre o maior rival.


Saviola faz o golo da vitória do Benfica frente ao Porto.


Luisão: o golo contra o Braga lançou o Benfica no sprint final para o título.
Cardozo: o golo na Choupana, removeu o penúltimo grande obstáculo.
Aimar+Cardozo: os golos que derrotaram o Sporting deixaram o Benfica a um pequeno passo…
Cardozo: o golo 76, o último, a cereja no bolo do título.

A última palavra para os adeptos e para a festa do título: ultrapassou as minhas (elevadas) expectativas. A maré infinita de gente eufórica por todo o Portugal e em muitos outros países foi algo de avassalador. Eu e o Afonso vivemo-la em Lisboa e foi fascinante!
A assombrosa festa no Marquês de Pombal em Lisboa.

P.S. Os “nossos” jogos. Eu e o Afonso fomos ver 4 jogos, 4 vitórias, 12 pontos, 11-3 em golos:

Vitória Guimarães, 0 – Benfica, 1
Académica, 2 – Benfica, 3
Benfica, 5 – Olhanense, 0
Benfica, 2 – Rio Ave, 1

POSTS RELACIONADOS:

"DIGA 33!!!" em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2014/04/diga-33.html

"CAMPEÕES" em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2010/05/campeoes.html 


19 maio, 2010

Sem Desculpa

SEM DESCULPA


José Sócrates não pede desculpa. Pouco importa.

José Sócrates exibe aos Portugueses a sua característica arrogância, temporariamente amansada pela perda da maioria absoluta. Fala como dono da verdade, dono do Estado, dono de Portugal. Demonstra falta de respeito pelos Portugueses. Não tem desculpa.

José Sócrates exibiu uma redução do deficit de 2005 a 2008 à custa das contribuições acrescidas dos Portugueses, pouco fazendo para reduzir o peso da despesa pública sobre a economia nacional. Não tem desculpa.
José Sócrates aumentou despudoramente o deficit orçamental em 2009 para 9.3%, a pretexto da crise internacional e numa tentativa de maximizar as suas hipóteses eleitorais, enfraquecendo ainda mais as contas públicas e vulnerabilizando Portugal perante os mercados. Não tem desculpa.
José Sócrates dirige ou tolera uma máquina de propaganda e pressão sobre os media e a administração pública que constrange e atemoriza quem, tem (devia ter) o direito à liberdade de expressão sem receio de represálias. Não tem desculpa.
José Sócrates prometeu um referendo sobre o último tratado europeu e sonegou-o com uma desculpa capciosa. Mentiu aos Portugueses. Não tem desculpa.
José Sócrates assina o contrato no valor de 1.4 biliões de euros pela construção/exploração de um troço do TGV na mesma altura em que aumenta os impostos para salvar as finanças públicas (e supostamente a Europa). Não tem vergonha. Não tem desculpa.

José Sócrates culpa os mercados e os especuladores pelos nossos males, tentando desviar a atenção do óbvio: os nossos problemas são a causa e não o efeito do comportamento dos mercados. Assim o endereço principal da responsabilidade está em S. Bento e no Terreiro do Paço. Não tem desculpa.
José Sócrates prometeu na campanha eleitoral que não aumentaria os impostos e logo no PEC 1 aumentou-os através das deduções fiscais, mentindo aos Portugueses. Não tem desculpa.
José Sócrates proclamou no Parlamento a 16 de Abril que não aumentaria os impostos e aumentou-os três semanas depois. Mentiu outra vez aos Portugueses. Não tem desculpa.
José Sócrates anunciou aumentos de impostos por um ano e meio, até ao final de 2011. Dias depois, o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais já falava em retroactividade a Janeiro de 2010 (entretanto desmentida), o Ministro das Finanças primeiro e o Primeiro-Ministro a seguir, já abriram a porta à extensão desses aumentos até ao final de 2013. Continua a tentar ludibriar os Portugueses. Vale tudo. Não tem desculpa.
José Sócrates mente recorrentemente aos Portugueses. Não tem desculpa.
José Sócrates não tem estatura moral nem dimensão política para governar Portugal. Tem razão em não pedir desculpas. Não as merece. Devia fazer as malas e partir. Sem perdão, sem desculpa, sem remissão.

18 maio, 2010

Tories Back in Downing Street

TORIES BACK IN DOWNING STREET


David Cameron (Conservador) à direita e Nick Clegg (Liberal-Democrata) à esquerda:
Primeiro-Ministro e Vice Primeiro-Ministro do Reino Unido, respectivamente.in BBC News at http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/politics/election_2010/default.stm ´
 
Após 13 anos de oposição, os Tories (Conservadores) regressam finalmente ao nº 10 de Downing Street, que é como quem diz, à liderança do governo do Reino Unido.in BBC News

No entanto, as eleições deste ano foram as mais atípicas de que há memória:

• Produziram um hung Parliament (inexistência de maioria absoluta monocolor pela primeira vez desde 1974.

• A maioria das sondagens falhou, como que perturbadas pela ascensão de popularidade dos Liberais.

• O Primeiro-Ministro cessante perdeu em toda a linha e ainda tinha esperança de continuar (agarrado) no poder.

• Pela primeira vez houve debates televisivos entre os candidatos

• O Partido Liberal-Democrata desceu, contrariando as sondagens, mas ascende ao governo pela primeira vez desde 1931.

• Há um governo de coligação em Westminster pela primeira vez desde a II Guerra Mundial.

Mesmo tendo pena que os Conservadores não tivessem uma vitória total, as eleições trouxeram boas notícias. Acabou o domínio do Labour e de Gordon Brown, que fica na História por ter conseguido um elevado a despesa pública britânica e o respectivo endividamento a níveis record e por se ter agarrado como uma lapa ao poder, negando eleições que prometera quando percebeu que as perderia e quando tentou, vergonhosamente, manter-se no poder depois de ter sido cilindrado nas urnas.

Mais do que isso, regressa ao poder um Partido Conservador que promete menos estado, mais contenção nas despesas públicas, mais Atlântico e menos Bruxelas. Boas perspectivas. Se serão boas notícias, esperemos pela realidade para decidir.

A coligação Tory/Lib tem pontos em comum na área da economia, finanças públicas e educação que serão decisivos para o seu sucesso, que se jogará essencialmente naquelas áreas. Na defesa, interior e assuntos europeus, os dois partidos estão a milhas de distância, o que poderá gerar atritos, porventura só depois de a tempestade económica ter amainado. De qualquer forma, os Conservadores são o partido maioritário e detêm as pastas relevantes nestas áreas -Liam Fox (Defence), William Hague (Foreign Office e Theresa May (Home Office)- pelo que será razoável que as suas posições nestas pastas prevaleçam, o que, aliás, transparece do que já foi apresentado do programa de governo.

Resta aguardar que David Cameron, Nick Clegg e George Osborne (Chancellor of the Exchequer) possuam a determinação e o sentido de interesse nacional para prosseguir uma agenda política e económica que será espinhosa mas necesária para colocar o Reino Unido de novo na rota do crescimento interno e da afirmação externa.

UK - NATIONAL SEATS AT A GLANCE

 Political Party SEATS CHANGE


Conservative 306 +9
Labour 258 -91
Liberal Democrat 57 -5
Democratic Unionist Party 8 -1
Scottish National Party 6 0
Others 14 0

SHARE
1. CON 36.1%
2. LAB 29.0%
3. LD 23.0%
4. Others 11.9%

FULL UK SCOREBOARD

Party Seats Gain Loss Net Votes % +/-%
Conservative 306 100 3 +97 10,706,647 36.1 +3.8
Labour 258 3 94 -91 8,604,358 29.0 -6.2
Liberal Democrat 57 8 13 -5 6,827,938 23.0 +1.0
Democratic Unionist Party 8 0 1 -1 168,216 0.6 -0.3
Scottish National Party 6 0 0 0 491,386 1.7 +0.
Sinn Fein 5 0 0 0 171,942 0.6 -0.1
Plaid Cymru 3 1 0 +1 165,394 0.6 -0.
Social Democratic & Labour Party 3 0 0 0 110,970 0.4 -0.
Green 1 1 0 +1 285,616 1.0 -0.1
UK Independence Party 0 0 0 0 917,832 3.1 +0.9
British National Party 0 0 0 0 563,743 1.9 +1.2
Others 1 1 1 0 319,891 1.1 0.0

Turnout 29,653,638 65.1 4.0

After 649 of 650 seats declared.
P.S. Na véspera das eleições deixei aqui os meus palpites. Eis o acerto de contas:

1- O Partido Conservador (Tory) ganha.
CERTO

2- O Partido Trabalhista (Labour) fica em 2º em votos e mandatos.
CERTO
 
3- O Partido Conservador consegue a maioria absoluta (326 MP’s ou fica muito perto dela.
INCERTO (depende do ponto de vista, mas pensei que ficasse mais perto)

4- Na sequência do ponto anterior, o Partido Liberal Democrata fica fora do governo.
ERRADO

 
5- O Partido Liberal fica perto dos Trabalhista em votos.
ERRADO (embora reduzida em 1 milhão de votos, a diferença ainda é de 1.8 milhões)

12 maio, 2010

Mentirosos Impenitentes

MENTIROSOS IMPENITENTES


Na campanha eleitoral de 2009, o PS afirmou que não aumentaria os impostos. No Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) versão 1, o Governo PS propõe-se reduzir e/ou eliminar as deduções fiscais (despesas com educação, saúde, etc) o que configura objectivamente um aumento da carga fiscal dos cidadãos. Até hoje, com um misto de hipocrisia e desfaçatez, o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças continuam a afirmar que não há aumento dos encargos fiscais dos contribuintes.

A 16 de Abril de 2010, em pleno Parlamento, José Sócrates declarou que não aumentaria os impostos. Nos últimos dias, o seu (dele) Ministro das Finanças, vai preparando o terreno para o aumento dos impostos. Os arautos do regime na imprensa vão deixando cair sugestões: aumento do IVA (a mais popular), do IRS, redução de salários, imposto extraordinário sobre o 13º (ou 14º) mês.

As medidas impostas na (à) Grécia e as propostas pelo Primeiro-Ministro de Espanha (outro free spender que de repente descobriu que corria para a bancarrota) são aplaudidas e apontadas como exemplo. Até o inefável Obama terá telefonado a Zapatero a instá-lo a tomar medidas draconianas. Tudo se conjuga para a construção do cenário da inevitabilidade, do dever patriótico, do sacrifício solidário, da escolha entre o assalto à nossa carteira e a falência colectiva.

Estranhamente, o PSD, ainda antes de o PS assumir o aumento de impostos, já parece encará-los como um facto consumado e propõe condições para a sua aprovação, efectivamente comprometendo-se com esses aumentos a priori. É um duplo erro: um erro táctico porque o PSD fica com um ónus maior do que o seria normal dado não ser governo; um erro estratégico porque está a ir contra o que o actual líder proclama há dois anos e até há poucos dias atrás. Será lamentável, tão pouco tempo depois de ter sido eleito, se já demonstrar os tiques de bloco central e o vício de dizer uma coisa e fazer outra, que arruínam todos os dias a reputação dos políticos em Portugal.

Se tal acontecer, será reforçada a convicção da maioria dos Portugueses de que eles (os políticos) são todos iguais: são todos uns mentirosos impenitentes.

P.S. Reforçando a ideia que as burocracias têm uma voracidade permanente por aumentar o seu poder e influência, o líder da burocracia europeia, Durão Barroso, propõe que a Comissão Europeia faça uma triagem prévia dos orçamentos dos Estados-Membros. O polvo vai estendendo os seus tentáculos…

10 maio, 2010

Campeões

CAMPEÕES




SPORT LISBOA E BENFICA

 

CAMPEÃO NACIONAL 2009/10

 
32º TÍTULO DE CAMPEÃO






05 maio, 2010

Palpite Conservador

PALPITE CONSERVADOR
 



Amanhã realizam-se as mais entusiasmantes eleições no Reino Unido dos últimos 13 anos, precisamente desde que os Conservadores perderam o poder para os Trabalhistas de Tony Blair, após 18 anos em Downing Street com Margaret Thatcher (12 anos) e John Major (6 anos).

E são-no devido à incerteza dos resultados, ao facto de ser tri-partida (os Liberais, tradicional terceiro partido parece competir pela vitória) e pela perspectiva de surgir um hung Parliament (sem maioria absoluta) pela primeira vez desde 1974.

Deixo, então, os meus palpites (hunches) para as eleições de 6 de Maio:

1- O Partido Conservador (Tory) ganha.


2- O Partido Trabalhista (Labour) fica em 2º em votos e mandatos.


3- O Partido Conservador consegue a maioria absoluta (326 MP’s ou fica muito perto dela.


4- Na sequência do ponto anterior, o Partido Liberal Democrata fica fora do governo.

5- O Partido Liberal fica perto dos Trabalhista em votos.

Alguns destes pontos correspondem às expectativas gerais, outros não. Dentro de 24 horas saberemos até que ponto se aproximam da vontade soberana dos Britânicos.

04 maio, 2010

Gregos com os Gregos

GREGOS COM OS GREGOS



A Grécia está à beira da falência. Primeiro, fez-se forte e disse que não contava necessitar de apoio internacional. O número durou poucos dias, porque espremer os Gregos até à medula não era suficiente e lá teve de ir a correr a Bruxelas, Berlim e Washington, desesperadamente à busca de ajuda. Inicialmente o pacote internacional seria de 45 biliões de euros; quando completado o plano de ajuda, a conta tinha ascendido a 110 biliões. Antes que se recuperasse o fôlego, foi prontamente acrescentado que 150 biliões poderiam não chegar.

A situação não é demasiado surpreendente: trata-se de um país que aderiu ao euro fazendo batota (assumida) com as contas públicas, que é “vítima” de muitos anos de gestão incompetente e socializante, onde o estado atingiu proporções desmedidas.

A questão abrangente que agora se devia colocar é a de saber se e porquê é que cidadãos de outros 15 Estados devem arcar com uma quota importante do fardo de salvar a Grécia do naufrágio. E a questão particular que deveríamos colocar é a de saber se Portugal pode e deve emprestar 2 biliões de euros à Grécia, quando é um país que também se encontra numa situação financeira e económica muito complicada.

Tenho para mim que, enterrar tanto dinheiro numa Grécia irresponsável e insolvente corre o risco de enviar o sinal errado: gasta de mais, produz de menos, endivida-te até ao tutano, que depois a Alemanha, a Holanda, a França, a Áustria e outros, lançam-te a bóia da salvação. Até que ponto é que, a longo prazo, o euro não ficaria mais sólido passando agora pelo abalo da exclusão de um país, mas assentando em bases mais consistentes no futuro? Será que as agências de rating não reagiriam de forma mais favorável?

A propósito das agências de rating, não sei que motivações e influências políticas possam ter, mas penso que são empresas que estão no mercado e que têm de emitir pareceres e relatórios credíveis para prosperarem. Até ver, não foram a Standard & Poor’s ou a Moody’s que esbanjaram os euros dos Gregos, os endividaram para além do razoável e que continuam a tentar enganar os mercados com números erróneos sobre as suas contas.

A realidade é que todos nos vemos gregos com os Gregos: uns, como os Alemães, vêem as suas poupanças enterradas numa empreitada de êxito e interesse duvidosos e outros, como os Portugueses ou os Espanhóis, vêem a sua credibilidade e solvabilidade hipotecadas pelo mau exemplo de Atenas (e pela sua própria gestão incompetente).

23 março, 2010

Grande Vitória, Pequeno Troféu

GRANDE VITÓRIA, PEQUENO TROFÉU

Plantel do Sport Lisboa e Benfica com a 2º Taça da Liga.

O Benfica vem realizando uma época fabulosa, jogando muito bem, dominando a maioria dos adversários, esmagando e goleando com freuência, revelando uma ambição que o leva a continuar ao ataque mesmo com 3-0, cortando com a mesquinhez de defender o 1-0 e de desistir de jogar aos 2-0.

Muito se tem dito que a exuberância exibicional e de resultados ainda podia resultar em zero títulos no final da época, o que era verdade. Já não é. Com a vitória inequívoca na Taça da Liga, o Benfica garantiu um troféu para esta época. Pequeno (é a 3ª prova do calendário nacional)), mas um troféu.

7-1
Para os Benfiquistas, este triunfo tem o especial significado de ter sido um expressivo 7-1. 4-1 ao Sporting + 3-0 ao Porto, duas vitórias sucessivas sobre os grandes rivais por números claros, com nítida superioridade e apresentando em ambos os jogos uma mescla de titulares e de suplentes.
 
A prova dos nove desta época é o Campeonato Nacional e o jogo mais importante é o próximo, não por ser o seguinte, mas por ser contra o 2º classificado, o único que ainda pode disputar o título com o Benfica.
No entanto, aconteça o que acontecer no Benfica-Braga (e acredito na vitória do Benfica), nada apaga os grandes jogos feitos e as grandes alegrias dadas pelo Benfica nos últimos 6 meses. Nem a grande equipa do 30º Campeonato (1993/94) jogava tanto ao ataque e conseguia resultados tão impressionantes com esta frequência, pese o memorável 3-6 em Alvalade.

Como se diz hoje em dia: CARREGA BENFICA!!!


Javi Garcia, Carlos Martins e Óscar Cardozo celebram triunfo do Benfica.

P.S. Umas breves notas sobre a final da Taça da Liga em Faro:

a) Grande golo de Carlos Martins. Golaço mesmo!

b) Bela exibição de Rúben Amorim, coroada com a jogada do 3º golo.

c) Jorge Jesus tornou a armar bem a equipa, a definir a táctica e a fazer a gestão de esforço dos jogadores. Não se percebe, contudo, porque não fez entrar o Capitão da equipa, Nuno Gomes, em vez de um dos avançado titulares que precisariam de descanso.

d) Inacreditável que um Bruno Alves enraivecido tenha merecido 3 ou 4 cartões vermelhos e tenha visto um amarelo. Poucas vezes terei visto um jogador que de forma tão regular e consistente usa de violência gratuita para magoar os adversários. E nunca vi nenhum que gozasse desta impunidade. As entradas maldosas de Meireles também justificavam expulsão e…nada.
e) Na sequência da alínea anterior, o árbitro. Supostamente o melhor português, fez uma arbitragem cobarde do ponto de vista disciplinar, novamente em prejuízo do Benfica, tal como havia feito em Braga para o Campeonato. Incompetente ou desonesto, ele lá saberá.

16 março, 2010

A Rolha Laranja e o Oportunismo Rosa

A ROLHA LARANJA E
O OPORTUNISMO ROSA

Na IX Legislatura debateu-se na Assembleia da República legislação que, de forma simplificada, visava impedir o PCP de realizar votações de braço no ar, com o pretexto de que tal violava a liberdade dos militantes porque, obviamente, condiciona na hora de votar. Tive oportunidade de me manifestar contra essa proposta em sede do Grupo Parlamentar do PSD por entender que não se trata de um condicionamento indevido porque não era uma prática ilegal, mas principalmente, porque a adesão ao PCP é voluntária e os militantes que discordem das regras internas podem sair do partido a todo o momento.

Agora debate-se a dita Lei da Rolha no PSD, aprovada no Congresso de Mafra e destinada a conter a manifestação pública de dissensões internas em períodos eleitorais. Discordo desta proposta porque a unidade partidária e a comunhão de interesses e propósitos não se decreta. Ou se tem, ou não se tem. Além disso, mergulhou a questão da liberdade de expressão no PSD (questão ridícula pois é um partido onde toda a gente diz o que bem quer e lhe apetece e muitos ainda têm palco para o dizer) na agenda mediático-política, deixando para segundo plano a questão da eleição interna e da crise económica do país.

Este episódio abriu a porta para algumas alarvidades do PS. Primeiro foi Vitalino Canas, cujo tema político favorito é a vida interna do PSD, a falar em stalinismo no PSD (se a estupidez pagasse imposto….). Depois foi Francisco Assis a proclamar que ia levar a questão a plenário da AR e ao Tribunal Constitucional (e talvez ao Conselho de Segurança). O oportunismo é evidente: com a economia portuguesa comatosa e o PS ao leme, qualquer coisa serve para desviar as atenções. Agora, tentar credibilizar o ridículo elevando-o à (suposta) nobreza do debate parlamentar ultrapassa os limites da decência política e institucional e revela um estado de desespero no PS maior do que se supunha. Depois ficam surpreendidos com o descrédito em que mergulhou o Parlamento.


P.S. Uma nota final para Pedro Passos Coelho: absteve-se na votação desta norma no Congresso. Agora é o seu principal detractor. Fica-lhe mal. Quem tenta sempre cavalgar a espuma mediática pode acabar enrolado na areia.

06 março, 2010

Iraque: A Hora da Verdade

IRAQUE: A HORA DA VERDADE

in "The Economist"


Após o sucesso do surge implementado pela Administração de George W. Bush no final de 2006, o Iraque desapareceu gradualmente dos radares dos mass media, da opinião pública e dos governos ocidentais. É o habitual giroscópio noticioso na procura incessante da última novidade que desperte o interesse e a atenção da massa espectadora bocejante.
 

No entanto, este desaparecimento do Iraque é enganador, porque o Iraque, para o bem, ou para o mal, irá desempenhar um papel crucial no Médio Oriente no futuro próximo.

 Desde logo, o Iraque possui as segundas maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo (a seguir à Arábia Saudita). Ainda no plano energético, uma vez operacionalizados os acordos assinados com grandes companhias petrolíferas ocidentais, o Iraque competirá com os Sauditas pelo top mundial de produção de crude.
 
Em termos estratégicos, o Iraque ocupa um espaço central no Médio Oriente, encaixado entre o Irão xiita e a Arábia Saudita sunita e fazendo ainda fronteira com a Turquia, ou seja, com os principais actores islâmicos da região, com a excepção do Egipto.
 

Tal significa que o que se passar no Iraque terá um impacto político significativo na região. Pelos mesmos motivos, a evolução interna iraquiana será condicionada pela influência e interferência dos seus principais vizinhos e, também, pelos Estados Unidos.
 
Amanhã, os Iraquianos votarão para eleger um parlamento pela terceira vez desde que a ditadura de Saddam Hussein foi derrubada. Da afluência às urnas e dos resultados apurados muito depende não só o futuro do Iraque, como também o do Médio Oriente.
Saber a dimensão da previsível vitória da principal coligação xiita (Aliança Nacional Iraquiana), avaliar até que ponto o Primeiro-Ministro Nouri al-Maliki (Coligação Estado de Direito) será recompensado ou penalizado pelos seus 3 anos de governação, perceber o grau de (in)sucesso das listas mais secularistas e trans-sectárias (Movimento Nacional Iraquiano), serão os parâmetros decisivos para se começar a perceber a linha evolutiva do Iraque nos próximos anos.
 

As principais questões a que se procura resposta são:

• O sectarismo étnico-religioso cederá terreno a projectos políticos nacionais alternativos?
 

• O secularismo prevalecerá sobre o fundamentalismo religioso?
 
 
• Será possível formar uma maioria parlamentar minimamente coerente?


• O novo governo (que ainda deverá demorar uns meses a constituir) terá força política e coragem para reprimir as milícias e forças para-militares geradoras de insegurança?
 

• Que influência serão capazes de exercer as potências estrangeiras, especialmente o Irão, no novo quadro político iraquiano?
 
Brevemente veremos se a promessa de democracia no Iraque tem muita, alguma, ou escassa viabilidade. Seja como for, o que se passar amanhã e nas próximas semana na antiga Mesopotâmia não deveria ser-nos indiferente.

09 fevereiro, 2010

Get Real Obama

GET REAL OBAMA


Barack Obama é Presidente dos EUA e já era suposto vivermos num mundo melhor, mais fraterno, mais cooperante, mais seguro, mais ecológico. Infelizmente o saldo não é famoso. Eis uma sucinta conta-corrente.
 
Programa nuclear do Irão

Medidas:
• Cartas simpáticas dirigidas ao Líder Supremo Ayatollah Ali Khameney.
• Mensagem de Ano Novo aos Iranianos em Farsi (significa Persa e não farsa).
• Direct engagement com o Irão no âmbito das conversações 5+1-Irão

Resultados:
• Respostas às cartas: zero.
• Consequências do cartãozinho de Bom Ano Novo: zero.
• Resultados das negociações: zero.

Ponto da situação:
O programa nuclear do Irão prossegue em bom ritmo. As negociações estão num impasse. A mobilização das grandes potências para impor novas sanções a Teerão esbarra na oposição da China e da Rússia. A opção militar está excluída.

Última Hora: O Irão iniciou o upgrade do urânio enriquecido a 3.5% para 20%.

 
Desarmamento Nuclear

Medidas:
• Discurso em Praga anunciando a caminhada para um nuclear-free world.
• Revisão da Estratégia Nuclear dos EUA até ao fim do ano, fazendo o downgrade do seu papel.
• Negociações com a Rússia para fazer um follow-on treaty para o START I, que expirava(ou) a 5 de Dezembro de 2009.

Resultados:
• O prazo chegou, o prazo passou e novo tratado – zero. Há semanas que consta que está quase, mas há dois meses que se vive sem cobertura legal para as medidas de controle e verificação mútuas.
• A conclusão da Estratégia Nuclear foi adiada para a Primavera.
• Não há sinais de tentar fazer aprovar o Comprehensive Test Ban Treaty no Senado.

Ponto da situação:
Está quase, quase, mas ainda não há resultados em qualquer das frentes.

31 dezembro, 2009

It's 3 a.m. and the Red Phone Rings


IT’S 3 A.M. AND
THE RED PHONE RINGS
It’s 3 a.m. and the red phone rings foi, porventura, o mais mediático vídeo político das primárias norte-americanas de 2008. Com ele, Hillary Clinton pretendia passar a mensagem de que era importante ter alguém na Casa Branca com experiência, frieza e capacidade de decisão para atender o telefone vermelho em caso de emergência ou crise.

Pois bem, o telefone tocou no final de Agosto sob a forma de um relatório do comandante das forças da NATO e dos EUA no Afeganistão, General Stanley McChrystal, no qual era traçado um quadro negro da situação militar, política, securitária e sócio-económica do Afeganistão e apontava a necessidade imperativa de um surge (aumento significativo de tropas) na ordem dos 44.000 soldados para inverter o curso da guerra.

Na realidade o vídeo tinha razão de ser: o telefone tocou, tocou e tocou e…. nada. Três meses passaram e…zero. Só em Dezembro é que o telefonista de serviço arranjou coragem para atender. Não é fácil de entender. Então esta era a guerra de necessidade (a do Iraque era de escolha, má claro). A guerra boa versus a guerra má. Afinal a nova Administração já tinha feito (e bem) um aprofundado review do conflito em Fevereiro/Março e, presumivelmente, deve ter feito aferições do seu desenvolvimento entretanto.

Na verdade, as questões são diferentes. Em primeiro lugar, os encómios ao conflito no Afeganistão visavam aproveitar politicamente a demonização do conflito do Iraque e atacar George W. Bush primeiro e John McCain depois. Por azar, agora já não há Bush nem McCain e o Iraque está bem melhor do que o Afeganistão (depois de um surge ao qual os Democratas e Obama se opunham).

Em segundo lugar, há os custos políticos de ser Presidente em tempo de guerra: a esquerda do Partido Democrata abomina a guerra; o mainstream democrata é muito céptico e quer uma guerra light versão Vice-Presidente Biden (algumas tropas especiais e uns drones lança-mísseis e os Taliban à solta a tomarem o poder); os Republicanos querem pôr a carne toda no assador; Barack Obama não quer abandonar o conflito cuja importância proclamou mas quer sair do Afeganistão o mais depressa possível, custe o que custar. Converter este cenário complexo numa equação política vitoriosa é um exercício quase impossível.

O resultado foi, como seria de esperar um mix. Positivo, o incremento substancial de tropas americanas (30.000), embora aquém do que terá sido pedido por McChrystal (40.000 a 44.000). A retórica oficial refere um surge de 35.000 homens, contabilizando 5.000 que serão enviados por outros Países da NATO. É óbvio que esses 5.000 não existem, nem existirão. Os aliados europeus, com poucas excepções, são mais ágeis a falar do que a agir, especialmente quando se trata de operações militares em teatro de guerra; como tal, mesmo com artifícios do género “o batalhão X que devia regressar em Janeiro vai permanecer no Afeganistão mais 3 meses”, se conseguirá atingir esse número o que é, aliás, lamentável.

Na realidade, só um significativo aumento do poderio militar dos EUA/NATO no Afeganistão, permitirá levar a cabo a estratégia de counter-insurgency, a única proposta que permite acalentar esperanças fundadas de um êxito, mesmo que relativo, da missão de estabilizar o país e erradicar os seus elementos ou grupos mais radicais e perigosos. Tal passa por centrar o esforço de guerra na protecção da população e dos centros populacionais mais significativos, procurando garantir a segurança dos Afegãos e a estabilidade social. Só assim haverá as condições básicas para promover o desenvolvimento económico e infra-estrutural e convencer os Afegãos cépticos ou indecisos de que o futuro será melhor com o actual governo e de que é seguro apostar no sucesso da NATO e na derrota dos Taliban.

Francamente negativo foi o anúncio de um deadline de 18 meses para iniciar a retirada. Supostamente, para pressionar o governo afegão a arrepiar caminho e para dar tempo ao novel exército afegão para assumir o grosso da luta contra os Taliban. Na realidade, o factor principal foi a vontade que Obama tem de fugir a sete pés do Afeganistão e a necessidade de dar um rebuçado à ala pacifista maioritária no Partido Democrata, à qual pertence. Falta a Obama o fighting spirit e a consciência geopolítica de que o poder e a disponibilidade para o usar ainda são factores incontornáveis nas Relações Internacionais.

Dentro de 18 meses, o exército afegão ainda não terá a dimensão e a capacidade para arcar autonomamente com o esforço de guerra. Pior do que isso, é que os Taliban e a Al-Qaeda também vêem e lêem as notícias e sabem que lhes basta resistir durante 18 meses e esperar que o inimigo comece a fazer as malas. Então sim, o espírito de Saigão poderá voltar para assombrar a Casa Branca, poderá não haver margem para gastar mais uns meses a deliberar e a escolha poderá ser apenas entre a derrota total e o reforço maciço de tropas. Por outras palavras, um beco sem saída. É evidente que os 18 meses não são inocentes: para além de placar o Partido Democrata, em Julho de 2011 estar-se-á a 16 meses das eleições presidenciais norte-americanas e Obama quer retirar as tropas do Afeganistão a tempo de o Afeganistão sair da mente e da memória do eleitorado, ou seja, a prioridade é vencer em 2012; a guerra está em segundo plano.

Resta ter fé que a estratégia do General McChrystal dê frutos até ao Verão de 2011, para o bem de todos nós e não apenas para o de Barack Obama e do Partido
Democrata.