27 fevereiro, 2015

Um Quarto de Milhão




UM QUARTO DE MILHÃO



250.000!!! Começa a ser difícil contar.


Hoje, 27 de Fevereiro 2015, Tempos Interessantes atingiu nova marca simbólica:
UM QUARTO DE MILHÃO de visitas! 250.000.

BEM HAJAM!


Today, 27th February 2015 Tempos Interessantes hit the QUARTER MILLION visits landmark! 250.000!!!

THANK YOU!!!

25 fevereiro, 2015

Sabujos



SABUJOS

 As informações apontam no mesmo sentido e notícias de diversas origens reforçam aquilo que o Ministro das Finanças da Grécia denunciou: Portugal e Espanha, dois países um pouco menos falidos que a Grécia, ambos vítimas de brutal recessão e ambos com taxas de desemprego inaceitáveis (sendo a da Espanha da mesma magnitude que a grega), foram sequazes de Berlim no trabalho de pressionar, prensar e bloquear a Grécia. Nas palavras de Yanis Varoufakis: Portugal e Espanha foram mais Alemães que a Alemanha!”

Andrei Gromiko era o Mr. Nyet. Schauble é o Mr. Nein. Venha o diabo e escolha.

Parece inacreditável! Dois dos países que podiam beneficiar indirectamente de um alívio do torniquete que asfixia a Grécia, fizeram o papel de sabujos da Alemanha.

Porquê?

No caso de Portugal, a única explicação que encontro é uma fidelidade/subserviência canina a Berlim (ver “HERR KOMMISSAR” em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2012/02/herr-kommissar.html ) que Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque (e o seu mentor Vítor Gaspar) sempre demonstraram. Pouco ou nada importa o interesse nacional e o bem-estar e a dignidade dos Portugueses ainda menos. Basta rever as palavras indignadas (e indecorosas) do Ministro da Presidência Marques Guedes perante as críticas (tardias) de Juncker à austeridade exagerada na intensidade e no tempo.

Maria Luís Albuquerque, provavelmente, está a soldo dos arquitectos e defensores da austeridade à outrance, estejam eles em Berlim, Frankfurt, Bruxelas, ou Washington, tal como Gaspar estava. Coelho estará ou não, mas é um fanático ignorante que gosta de bater nos fracos e se roja perante os fortes. No plano europeu, é o arquétipo do sabujo, disposto a prestar-se aos mais enxovalhantes papéis.

No caso da Espanha há uma nuance: Rajoy e o PP estão aterrados com a perspectiva de poderem vir a ser cilindrados pelo Podemos nas eleições do próximo Outono. Como tal, pensam que o esmagamento da Grécia e o consequente fracasso do Syriza, ajudará a esvaziar o Podemos. Há aqui um interesse partidário a ser defendido. Porém, tal como em Portugal, também se atirou o interesse nacional para as urtigas.

É difícil escolher o que custa mais:

* Ser governado por quem se rege por objectivos que não o interesse nacional.

* Ser governado por gente para quem o destino das pessoas é indiferente.

* Ser governado por gente que nos envergonha no exterior.

* Ser governado por sabujos que, salvaguardadas as distâncias, são para a Alemanha de hoje o que eram as milícias fascistas da Ucrânia, Croácia, Hungria, etc, para o III Reich há 70 anos: fazem-lhes o trabalho sujo para agradar ao chefe e receber umas comendas.


P.S. A Itália e a França que também sofrem com o dogma da austeridade, especialmente Roma que enfrenta uma situação económica e financeira complicada, e que têm, supostamente, governos de esquerda, ficaram mal na fotografia. Os dois países que mais capacidade tinham de vergar o autoritarismo e intransigência germânicos (ver “ITÁLIA E FRANÇA v ALEMANHA” em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2014/11/italia-e-franca-v-alemanha.html ), preferiram ser testemunhas silenciosas da tentativa de linchamento dos Gregos. Talvez um dia chegue a vez dos Franceses e dos Italianos. Haverá quem lhe chamará justiça poética. Por agora é apenas cobardia e estupidez.

21 fevereiro, 2015

3 Minutos para o Apocalipse e "Lucy in the Sky with Diamonds"



3 MINUTOS PARA O APOCALIPSE E 
“LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS”



The Doomsday Clock. Localizado em Chicago, é gerido pelo Bulletin of Atomic Scientists e por várias outras personalidades incluindo 18 Prémios Nobel. Em 1991 chegou a estar a 17 minutos do apocalipse. No dia 22 de Janeiro de 2015, foi adiantado para as 23.57h, ou seja, A meros 3 minutos para a meia-noite. Tal não acontecia desde 1984, em plena Guerra Fria. Criado em 1947, durante 60 anos mediu apenas o risco de uma guerra nuclear; desde 2007, inclui também factores tecnológicos, climáticos e biológicos que possam afectar o Homem e a Terra.


Ao longo do dia, quando acordamos, no coffee-break, à hora de almoço, ou no regresso a casa, o que nos ocorre? Em que pensamos? O que nos preocupa e faz reflectir, para além das preocupações e rotinas do quotidiano?

À noite, quando a cabeça já está na almofada, mas os olhos ainda teimam em não fechar, o que vemos?

Vemos os tanques e os lança-mísseis manobrando e abrindo fogo no Donbass? Ou pior: divisamos a guerra na Europa? Não, é demasiado sinistro.

Ou pensamos no petróleo que desce muito e na gasolina que desce pouco? Melhor seria abastecer a viatura directamente na fonte: na Arábia Saudita ou na Rússia… Barato, mas pouco prático.

Talvez a nossa mente vogue pelo Médio Oriente. Veremos cabeças a rolar, tingindo de vermelho a areia quente? Ou simplesmente a bagunça inacreditável da região onde países como a Líbia, o Iémen, a Síria e o Iraque se desagregam em guerras quase indecifráveis? Tentaremos discernir a plêiade de actores internos e externos que se digladiam por poder, território e dinheiro, com religião à mistura? Não. É demasiado complexo para a hora de dormir.

Poderá ser que nos perpasse a mente o empenho de Berlim em fazer da Grécia uma espécie de campo de concentração de pobreza e indignidade (Juncker dixit)? E o que reservará para nós? Teremos de continuar a aturar o cão de fila da Frau Merkel? God forbid!

Ah! Lembramo-nos que o Relógio do Apocalipse Nuclear (Doomsday Clock) avançou recentemente para as margens da meia-noite. Three minutes to midnight. And counting…

Temos, então, três minutos para pensar como está o mundo e como nós estamos...

Três minutos entre a sanidade e o cataclismo nuclear. Três minutos de vertigem entre a consciência que fraqueja e o sono que assoma. Três minutos em que o pensamento, o sonho, a realidade e o pesadelo se envolvem, misturam e confundem.

Vemos Obama a dançar com o Ayatollah. Discernimos Shinzo Abe e Xi Jinping num ring de boxe nas Senkaku. Passa Wolfgang Schauble vestido de preto chicoteando uma quadriga puxada por Gregos. Ao lado, Abu Bakr Al-Baghdadi instala-se em Bagdad (wherelse?) bandeiras negras desfraldadas e cabeças de xiitas rolando para o Tigre. Vislumbro um mapa em que 8 Líbias, 6 Sírias e 14 Iémenes se digladiam furiosamente. Vê-se Assad a precipitar-se para a despensa de onde sai com 4 botijas de armas químicas que escondera entre as batatas e as cebolas.

Para conferir um certo sentido a esta amálgama feroz, os Beatles cantam “Lucy in the Sky with Diamonds”.


Um último esforço: Merkel e Putin reunidos em Varsóvia partilham a Europa Central e Oriental… Diabo! Isto parece-me déjà vu…. Hollande passa de scooter, sozinho, cantando a “Marseillaise” e sentindo-se pateticamente importante. Cameron, esse já se retirou com os seus que esta Europa já não lhes serve. E continuo a ver o Médio Oriente a arder! Serão fogos florestais? Disparate!

Está a chegar a meia-noite. Foram três minutos alucinantes.

Picture yourself in a boat on a river
With tangerine trees and marmalade skies
Somebody calls you, you answer quite slowly
A girl with kaleidoscope eyes
Cellophane flowers of yellow and green
Towering over your head

Look for the girl with the sun in her eyes
And she's gone

Lucy in the sky with diamonds


Num último estertor, a Índia e o Paquistão deslocam exércitos para a fronteira mútua; ameaçam-se e apontam mísseis. Os centrifugadores giram at top speed em Natanz, no Irão. Irão eles onde o Irão não era suposto ir? Que ira! Num último esgar diviso o gordalhufo do Kim Jong Un a acender um fósforo junto a um pavio. Será um míssil nuclear? Será fogo de artifício? Se calhar falhou a luz. Apago-me também.

Amanhã logo verei se ainda estamos vivos.

Tempos Interessantes. Tempos alucinantes.