Mostrar mensagens com a etiqueta Espanha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Espanha. Mostrar todas as mensagens

31 outubro, 2016

Sschauble




SSCHAUBLE

 
Sschauble
in “Political Cartoons” em http://www.politicalcartoons.com/

Wolfgang Schauble tem um histórico pouco lisonjeiro no seu relacionamento com os países do sul da Europa. Para ele, Grécia, Portugal, Espanha, Chipre, talvez mesmo a Itália, são as marcas meridionais do IV Reich habitadas por uns bárbaros que urge disciplinar à boa maneira prussiana, com mão de ferro.

À falta de uma mão armada para subjugar a barbárie, Schauble recorre à pressão, à ameaça, à chantagem, à ofensa, nem sequer hesitando em proferir falsidades que têm como objectivo (e porventura efeito) prejudicar economicamente e financeiramente os visados.

Portugal foi recentemente alvo de pelo menos dois desses ataques. Isto porque, para Schauble, há dois tipos de pessoas na Europa meridional: os que acatam servilmente os éditos do IV Reich e os que se lhes opões; por outras palavras mais carregadas, aqueles são os colaboracionistas e estes são os resistentes.

Ter na marca sudoeste do Reich um governo que ele detesta, incomoda visivelmente o velho patife e manifesta-se na encarnação SSCHAUBLE. Pelo menos essa irritação permanente em que parece viver proporciona uma certa satisfação. Contudo, enquanto que os países acossados não mostrarem firmeza e coragem, Schauble e acólitos continuarão a semear miséria por essa Europa.


25 fevereiro, 2015

Sabujos



SABUJOS

 As informações apontam no mesmo sentido e notícias de diversas origens reforçam aquilo que o Ministro das Finanças da Grécia denunciou: Portugal e Espanha, dois países um pouco menos falidos que a Grécia, ambos vítimas de brutal recessão e ambos com taxas de desemprego inaceitáveis (sendo a da Espanha da mesma magnitude que a grega), foram sequazes de Berlim no trabalho de pressionar, prensar e bloquear a Grécia. Nas palavras de Yanis Varoufakis: Portugal e Espanha foram mais Alemães que a Alemanha!”

Andrei Gromiko era o Mr. Nyet. Schauble é o Mr. Nein. Venha o diabo e escolha.

Parece inacreditável! Dois dos países que podiam beneficiar indirectamente de um alívio do torniquete que asfixia a Grécia, fizeram o papel de sabujos da Alemanha.

Porquê?

No caso de Portugal, a única explicação que encontro é uma fidelidade/subserviência canina a Berlim (ver “HERR KOMMISSAR” em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2012/02/herr-kommissar.html ) que Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque (e o seu mentor Vítor Gaspar) sempre demonstraram. Pouco ou nada importa o interesse nacional e o bem-estar e a dignidade dos Portugueses ainda menos. Basta rever as palavras indignadas (e indecorosas) do Ministro da Presidência Marques Guedes perante as críticas (tardias) de Juncker à austeridade exagerada na intensidade e no tempo.

Maria Luís Albuquerque, provavelmente, está a soldo dos arquitectos e defensores da austeridade à outrance, estejam eles em Berlim, Frankfurt, Bruxelas, ou Washington, tal como Gaspar estava. Coelho estará ou não, mas é um fanático ignorante que gosta de bater nos fracos e se roja perante os fortes. No plano europeu, é o arquétipo do sabujo, disposto a prestar-se aos mais enxovalhantes papéis.

No caso da Espanha há uma nuance: Rajoy e o PP estão aterrados com a perspectiva de poderem vir a ser cilindrados pelo Podemos nas eleições do próximo Outono. Como tal, pensam que o esmagamento da Grécia e o consequente fracasso do Syriza, ajudará a esvaziar o Podemos. Há aqui um interesse partidário a ser defendido. Porém, tal como em Portugal, também se atirou o interesse nacional para as urtigas.

É difícil escolher o que custa mais:

* Ser governado por quem se rege por objectivos que não o interesse nacional.

* Ser governado por gente para quem o destino das pessoas é indiferente.

* Ser governado por gente que nos envergonha no exterior.

* Ser governado por sabujos que, salvaguardadas as distâncias, são para a Alemanha de hoje o que eram as milícias fascistas da Ucrânia, Croácia, Hungria, etc, para o III Reich há 70 anos: fazem-lhes o trabalho sujo para agradar ao chefe e receber umas comendas.


P.S. A Itália e a França que também sofrem com o dogma da austeridade, especialmente Roma que enfrenta uma situação económica e financeira complicada, e que têm, supostamente, governos de esquerda, ficaram mal na fotografia. Os dois países que mais capacidade tinham de vergar o autoritarismo e intransigência germânicos (ver “ITÁLIA E FRANÇA v ALEMANHA” em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2014/11/italia-e-franca-v-alemanha.html ), preferiram ser testemunhas silenciosas da tentativa de linchamento dos Gregos. Talvez um dia chegue a vez dos Franceses e dos Italianos. Haverá quem lhe chamará justiça poética. Por agora é apenas cobardia e estupidez.

15 julho, 2014

Campeões, Chorões e Outros Artistas


CAMPEÕES, CHORÕES E OUTROS ARTISTAS

 

 

OS CAMPEÕES:

A Alemanha foi um justo vencedor do Mundial. Foi a equipa mais consistente, mais regular (6 vitórias e um empate, curiosamente contra a equipa mais fraca que defrontaram – o Gana), marcaram mais golos, fizeram bons jogos e dominaram-nos sempre.

 


Alemães Campeões do Mundo pela 4ª vez..

 

Tendo alguns dos melhores jogadores do Mundial (Muller, Kroos, Neuer, Hummels, Schweinsteiger) é uma selecção que não depende de um astro como a Argentina, a Holanda, ou Portugal e, como tal, o colectivo n pouco se ressentiu de ausências como a de Marco Reus ou Khedira.

 

Como já foi em Tempos Interessantes, a Alemanha entra apara a História por vencer o seu 4º Mundial (o 1º da Alemanha unificada), batendo a Argentina por 1-0 na final, mas também pela espantosa proeza de esmagar o anfitrião Brasil por 7-1 nas meias-finais. Penso mesmo que este resultado será a grande referência futura do Mundial 2014.

 

OS VICE:

Para muitos a principal candidata, a Argentina teve uma prestação meritória, marcada por uma evolução paradoxal ao longo da prova: o prestígio e a força da Argentina advinha-lhe do seu poder ofensivo, alavancado por Messi, Di Maria e Aguero e confirmado pelos 7 golos na fase de grupos. Porém, na fase a eliminar foi o elo mais fraco da equipa, a defesa, a sobressair, sofrendo Apenas um golo (o de Goetze na final) em 4 jogos, contrastando com a avareza de dois golos marcados. Honestamente, não me parece que uma selecção que marca 2 golos nos 4 jogos mereça um título mundial.

 

A LARANJA MECÂNICA:

A Holanda foi uma agradável surpresa. Teoricamente a mais fraca Holanda dos últimos anos ao nível das individualidades, exibiu um colectivo sólido, organizado e solidário, defendendo com uma segurança nunca vista nas equipas laranja. Diria mesmo que se juntasse a genialidade de outras equipas da Holanda à solidez defensiva desta, a Holanda já teria conquistado mais do que um Mundial.

 


Van Persie marca o 1-0 ao Brasil, rumo aos 3-0 e ao 3º lugar.

 

A juntar à solidez táctica e ao labor da equipa, havia três jogadores que conferiam o toque de genialidade: dois grandes jogadores (Robin Van Persie e Wesley Sneijder) e um fora-de-série: Arjen Robben. No topo, um treinado genial que soube espremer a laranja e aproveitar-lhe o sumo: Van Gaal.

 

Tal como a Alemanha, a Holanda fica na História dos Mundiais, não apenas pelo magnífico 3º lugar (podia ter sido mais ainda), mas também por duas vitórias memoráveis: trucidou o capeão em título, a Espanha, por 5-1 no seu primeiro jogo e venceu o Brasil por 3-0 no seu último jogo, infligindo das maiores derrotas das últimas décadas a estes dois candidatos ao título. A Holanda de 2014 foi menos artística do que algumas do passado mas foi uma máquina bem afinada. Uma verdadeira Laranja Mecânica!

 

OS CHORÕES:

Há uma citação memorável do antigo internacional alemão Lothar Mathaus (Campeão do Mundo em 1990): “[…] Os Brasileiros choram sempre. Toca o hino, choram; eliminam o Chile, choram; perdem com a Alemanha, choram. Têm de demonstrar que são homens, que são fortes.” E ainda lhe faltou a choradeira depois de serem derrotados pela Holanda! O Uruguai e o Maracanazo já não estão sozinhos: têm a companhia da Alemanha e do Mineirazo.

 


Óscar knockout, chorando no final do 7-1 contra a Alemanha.

 

Na verdade, excepto nos jogos com a Colômbia e os Camarões (32º e último classificado do Mundial), o Brasil experimentou sérias dificuldades (Chile e México) e foi escandalosamente ajudado pelo árbitro (Croácia). Quando enfrentou duas potências europeias (Alemanha e Holanda) foi cilindrado por 10-1 !!! Palavras para quê? Deste Mundial, o Brasil leva uma carrada de recordes: organizador de um Mundial com mais golos sofridos: 14. Maior nº de golos sofrido num Mundial pelo Brasil: o máximo anterior era de 11 golos em 1938!!! Terceira equipa a perder por 5-0 ao intervalo juntando-se ao Zaire!!! e ao Haiti!!!, ambos em 1974. Primeira equipa a sofrer 4 golos em 6 (seis) minutos. Única equipa a sofrer 7 golos numa meia-final de Mundiais. É caso para dizer, Cry me a River!!!

 

NÓS:

Um fiasco. Uma selecção mal preparada, vários jogadores em má condição física, outros já não têm ou nuca tiveram condição para a selecção, um treinador medíocre e tachista que “assume as responsabilidades” mas não assume as consequências, resultaram numa eliminação precoce mas merecida.

 

OS FIASCOS:

Espanha, Inglaterra e Itália foram os cavaleiros da triste figura, com destaque para os Espanhóis pelo estatuto e pretensões que traziam e pela dimensão do desaire.

 


A Laranja Mecânica triturando a Espanha.

Aqui, o trio maravilha Robben-Van Persie-Sneijder celebra o 4º golo.

 

A Ásia/Oceânia teve a pior prestação do Mundial (27º, 28º, 29º e 30º lugares. África colocou duas equipas nos oitavos de final, mas não teve uma sequer no 1º terço da tabela. Estes dados vêm reforçar, pela enésima vez, que a Europa devia ter mais selecções em detrimento destes continentes. Imaginem a Suécia, a Sérvia, ou a Dinamarca em vez dos Camarões, das Honduras, ou do Irão.



 

Todas as fotos são de FIFA em http://www.fifa.com/index.html