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14 outubro, 2016

Porque é que Assad Ainda Lidera a Síria?



PORQUE É QUE ASSAD AINDA LIDERA A SÍRIA?



A intervenção de actores externos com a sua própria agenda na Guerra da Síria complexificou e agravou a dimensão do conflito.
 in “THE WASHINGTON POST” em www.washingtonpost.com



Não se trata propriamente da “million dollar question”, mas a resposta não é unívoca nem linear, existindo um conjunto de factores pessoais, de regime, militares, internos (sírios) e externos que fazem com que Bashar Al Assad continue a ser o Senhor de Damasco após mais de 5 anos e meio de guerra.

1- Ao contrário de outros governantes acossados por revoltas, Bashar Al Assad não desistiu, não se rendeu, não fugiu. O seu lema tem sido resistir, ser mais resiliente que todos os outros e nunca ceder mais do que o estritamente necessário, mesmo quando a situação é crítica. Parte será característica pessoal, provavelmente herdada do pai, o implacável Hafez Al Assad.

Depois, há os exemplos que Assad foi colhendo de colegas seus: Abdullah Saleh, Presidente do Iémen, quase foi morto por uma bomba e aceitou resignar ao cargo sob pressão saudita; Hosni Mubarak, Presidente do Egipto, resignou sob pressão popular e militar, foi julgado e preso; Muammar Kadhafi, Presidente da Líbia, foi morto como um cão por um grupo de rebeldes, perto de Sirte. Eis um conjunto de incentivos à rejeição da reforma antecipada, especialmente se for compulsiva.

2- Com a queda de Assad, cairia o regime e todo o segmento da população que serve de pilar do regime e que por ele é protegido e beneficiado correria sérios riscos. À frente de todos, os Alawitas (aos quais pertencem os Assad), mas também outras minorias que receiam a revanche sunita e, muito importante, uma parte da população sunita, fundamentalmente urbana, mercantil e endinheirada que lucrou com a colaboração com os Assad e que fazem parte do regime, na economia e nas forças armadas.

A grande maioria destas pessoas cerrou fileiras à volta do regime e do seu símbolo, Bashar Al Assad. Mesmo em 2012/13, quando muitos previam o iminente colapso do regime e deserções em massa, tal não aconteceu, o hard core manteve-se e Assad e o regime, mais uma vez, resistiram.

3- Assad beneficiou daquilo que podemos rotular de “balbúrdia rebelde”. Os rebeldes nunca foram, 1, ou 2, sequer 3 facções, foram sempre muitas. Mesmo quando se juntaram ou aliaram, nunca foram todas e foi quase sempre de forma conjuntural por interesses comuns circunstanciais. Aliás, os rebeldes devem ter combatido entre si mais vezes do que aquelas em que se aliaram. Esta realidade foi agravada pela entrada em cena do Estado Islâmico (IS) e do Jabhat Al Nusra (ligado à Al Qaeda). Estes grupos, que são anátema para as potências ocidentais, para a Rússia e para a maioria das potências regionais, especialmente o IS, atacavam outros rebeldes e permitiram a Al Assad reclamar para o seu governo o papel patriótico/heróico de defender a Síria de perigosos jihadistas.

Tudo isto contribuiu para que os rebeldes nunca conseguissem dar sequência aos períodos vitoriosos que alcançaram ao longo de 5 anos de guerra, contribuiu também para recuos e hesitações de alguns reais ou potenciais patronos externos e a sua desunião e rivalidade foram um bónus para o Exército Árabe Sírio.

4- Bashar Al Assad e o regime Ba’ath são implacáveis e não olham a meios para atingir os fins, na senda daquilo que tem sido o regime sírio desde a sua implantação em 1963. Dado que está em jogo a manutenção do poder e a sobrevivência política, económica e física, os meios praticamente não conhecem limites. Diga-se que o regime não está sozinho na violência desenfreada e outros há que se contêm porque têm patronos mais exigentes.

5- Finalmente, Assad beneficiou de aliados mais sólidos, empenhados e fiáveis do que os rebeldes. Estes, fruto da dispersão e das grandes diferenças políticas, religiosas e étnicas, debateram-se com aliados, principalmente os Estados Unidos, temerosos dos destinatários reais do equipamento que forneciam e dos resultados do seu apoio e sofreram com os desentendimentos entre os apoiantes, principalmente os EUA, a Turquia, a Arábia Saudita e o Qatar.

Já Assad, contou sempre com o apoio político, militar e económico do Irão, que também mobilizou milícias no Líbano, no Iraque e no Afeganistão, para reforçar as desgastadas hostes sírias. A Síria também contou com o apoio da Rússia no plano diplomático (Moscovo, com o apoio da China, vetou cinco propostas de resolução no Conselho de Segurança da ONU desfavoráveis a Assad), político e militar (equipamento e munições). No último ano, contou com o apoio directo, activo e decisivo da Rússia, especialmente da Força Aérea Russa.

 
Sempre foi claro, excepto para os mais crédulos, que Al Assad não sairia fácil e rapidamente.

in “THE WASHINGTON POST” em www.washingtonpost.com


Assad beneficiou, portanto, de aliados mais determinados, mais imbuídos do espírito da Real Politik, fundamental para prevalecer no ambiente agreste e impiedoso do Médio Oriente.

Bashar Al Assad pode ser um líder cruel e implacável, mas só dessa maneira conseguiu manter o poder ao longo de mais de 5 anos de guerra contra múltiplos inimigos, muito deles igualmente cruéis e implacáveis. Ele sabe que se cair ou sair, o seu destino poderá ser ignominioso e com ele arrastará família, amigos e estratos inteiros da população. Para quem tem um apurado sentido de sobrevivência, estes são fortes incentivos para resistir e continuar.

17 maio, 2014

Reality Check

REALITY CHECK


Let us try to face reality concerning Ukraine. Here’s a reality check:



Ukraine and the two Eastern-most breakaway regions of Donetsk and Luhansk.
in STRATFOR at www.stratfor.com

REALITY 1
Ukraine is a deeply divided country, torn by cultural, linguistic, geographical, historical and ethnic differences. And yes, by different allegiances. CHECK.

 
REALITY 2
Ukraine sits at a geopolitical fault line, making it a potential target for pushing & shoving by major powers. It is no accident that her territory or parts of it have belonged to Russia, Sweden, Poland, Austria, Lithuania, Germany and the Ottoman Empire. CHECK.
 
REALITY 3
Ukraine is an ugly mess. Her former President has been deposed. Her President and the government were installed through a coup d´état. She lost Crimea to Russia. She threw herself in the arms of the IMF. She’s got the Russians messing with her. She’s got the Westerners promising what they cannot or will not deliver. She is on the risk of falling apart.  And she is broke. Ukraine is, once more, in someone else’s hands. CHECK.
 

REALITY 4
Russia regards Ukraine as a vital national interest for historic, religious, geostrategic and cultural reasons and so is willing to go the extra mile to safeguard her interests there. CHECK.
 

REALITY 5
The West has interests in Ukraine, but they are not vital ones. Consequently, it is reluctant to take harsh measures that could evolve towards excessive involvement and risks. Thus the meager sanctions.
CHECK.









REALITY 6
France. For France the two Mistral warships, at US$ 1.2 billion a piece are just too precious a deal to forfeit in times of economic hardship, so she is selling them to Russia come what may. CHECK.









REALITY 7

United Kingdom. The UK prizes Russian money in the City stock market and in London’s real estate market. The whole Ukrainian affair is most unfortunate, but business must go on. CHECK.









REALITY 8
Germany. Germany needs Russian oil & gas and would very much like to keep her vast industrial investments in Russia. So she goes soft and slow on sanctions. CHECK.









REALITY 9
United States. Even the US is not too eager to escalate sanctions on Russia, well aware of the potential economic and security consequences. CHECK.









REALITY 10
Ukraine is important to Russia and is on Russia’s backyard. Meaning Russia finds it easy to meddle and to press and to amass 40.000 troops just over the border.
The Ukraine is only so important to the West and it is relatively far. No one is going to send troops, warships or aircraft to rescue Ukraine, even if the Russians roll their tanks all the way to Kiev, Odessa, or Lvov, which is very unlikely.
So, the most probable outcome is that there will be no major showdown over Ukraine. A more serious conflict is far from impossible, but the Russians will probably continue to act under the radar, and the West is unlikely to take a tough stance. CHECK.









REALITY 11
So, everything will work out reasonably well in Ukraine? Well, probably yes. Except if you are a Ukrainian, of course. CHECK.











FINAL REALITY

One may not like what is going on, but this is the reality of Power Politics or, putting it more mildly, Real Politik. Countries act according to their interests within the limits of their power. The latter being limited, even for great powers, they have to assess the pros and cons in each situation. That is why nobody budged in August 2008 on the Russo-Georgian War. And that is why nobody will go too far over Ukraine despite her much bigger importance CHECK.