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27 julho, 2014

Talvez se as Pessoas Soubessem...



TALVEZ SE AS PESSOAS SOUBESSEM…


Cluna de carros de combate Merkava do Exército Israelita rumo a Gaza.

in “The Washington Post” em http://www.washingtonpost.com/  



A maioria dos noticiários televisivos que tenho visto mostra o mesmo tipo de imagens e de mensagens: explosões em Gaza, seguidas de manifestações de dor ou protesto por parte de familiares, concluindo a reportagem com declarações de um popular ou, mais provavelmente, de um activista ligado aos poderes de Gaza, vituperando os crimes de Israel; um destes personagens até pode aparecer disfarçado de médico norueguês.



Não surpreende pois, que muito boa gente que tem na TV o padrão de ouro da informação pense que os Israelitas são a encarnação da barbárie no Terceiro Milénio.



Infelizmente, as televisões e outros media não são tão solícitos e gráficos a mostrar e explicar o contexto, particularmente porque é que Israel bombardeia e invade Gaza.



Talvez se as pessoas soubessem que o Hamas e a Jihad Islâmica Palestiniana (PIJ) já dispararam centenas de rockets sobre Israel contra alvos indiscriminados.



Talvez se as pessoas soubessem que Gaza já não está ocupada por Israel desde 2005!



Talvez se as pessoas soubessem que o Hamas e a PIJ usam escudos civis para proteger as suas forças e os seus mísseis.



Talvez se as pessoas soubessem que o Hamas e a PIJ armazenam armamento em escolas e hospitais.


Talvez se as pessoas soubessem que o Hamas gasta grande parte dos escassos recursos de que Gaza dispõe para adquirir armamento para disparar sobre Israel, mesmo que não haja invasão ou provocação.



Talvez se as pessoas soubessem que a Carta do Hamas estipula a destruição de Israel e a expulsão de todos os Judeus como um dos seus objectivos.



Talvez se as pessoas soubessem que o Hamas está listado como organização terrorista pelos EUA, Austrália, Egipto e pela maioria dos países europeus.



Talvez se as pessoas soubessem que o Hamas rejeitou a primeira proposta de cessar-fogo, apresentada pelo Egipto, apoiada pelo Ocidente e pela Liga Árabe e aceite por Israel.



Talvez se as pessoas soubessem que o Hamas usa as vítimas civis para criar choque e empatia internacionalmente e assim ganhar mais concessões de Israel.



Talvez se as pessoas soubessem que Israel procura avisar os civis das zonas-alvo para evacuarem a área e procurarem lugares mais seguros.



Talvez se as pessoas soubessem que o Hamas vai mais longe e incitou ao regresso de 15.000 Palestinianos que tinham fugido do Norte de Gaza, depois de avisados por Israel.



Talvez assim as pessoas valorizassem a dor que vêem mas não a transformassem em crédito político para organizações terroristas para as quais as vítimas civis são um trunfo.



Talvez assim as pessoas valorizassem a dor que vêem, mas não a transformassem numa automática condenação e demonização de Israel.



Não tenho a pretensão nem a intenção de santificar os actos e as políticas de Israel, mas tenho dificuldade em aceitar que, por desígnio ou ignorância, se passe uma mensagem distorcida, branqueando as acções de brutais organizações terroristas como o Hamas e a PIJ, que fazem fogo indiscriminado, querem exterminar os vizinhos, escondem-se cobardemente atrás das mulheres e crianças que gostam de exibir como vítimas convenientes.



E respeito o direito de Israel atacar a infra-estrutura terrorista em Gaza para destruir as armas e a logística que serviu, só nos primeiros 9 dias do conflito, para lançar 1700 rockets e mísseis sobre Israel.


Um dos famigerados túneis de Gaza descobertos pelo Exército de Israel.


in STRATFOR em www.stratfor.com






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“O BECO DE GAZA” em






“A GUERRA DE GAZA” em


http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2009/01/guerra-de-gaza.html



20 janeiro, 2009

A Guerra de Gaza

A GUERRA DE GAZA

Merkava 3, o principal carro de combate israelita, abrindo fogo em exercícios realizados em 2005.
Ao fim de 22 dias terminaram, até ver, as hostilidades em Gaza. Apesar de ser prematuro tirar conclusões definitivas, é tempo de fazer um balanço do que aconteceu e da actuação dos protagonistas e traçar as perspectivas que se colocam ao minúsculo território.

A guerra de Gaza era inevitável: o lançamento de cerca de 7000 rockets do Hamas e da Jihad Islâmica sobre o Sul de Israel ao longo de três anos, não deixavam outra alternativa. O único dado surpreendente será a paciência que Israel teve durante este período, esperando talvez que o bloqueio económico surtisse efeitos. Era de esperar que não fosse suficiente e de facto não foi; como é frequente nestas situações, a população foi atingida antes e mais duramente do que a estrutura dirigente e militar.

Israel: A vitória militar foi inquestionável. O IDF (Israel Defence Forces) conduziu a guerra da forma que bem entendeu, de uma forma faseada, organizada e sem falhas aparentes, ao contrário do que sucedera em 2006 no Líbano. As baixas israelitas são quase insignificantes (13 mortos, 4 provocadas por friendly fire) e os alvos terão sido todos atingidos. Além do mais, o cessar-fogo também foi feito no timing israelita. As dúvidas são três: Primeiro, o fim das hostilidades não terá sido precipitado por causa da mudança de poder em Washington? E, também por causa disso, o processo de esmagamento da capacidade militar do Hamas poderá não ter ido tão longe quanto desejável. Em segundo, que garantias existem que a fronteira Sinai-Gaza vai ficar selada aos abastecimentos militares do Hamas? Terceiro, se os rockets voltarem a cair nos próximos tempos em Siderot ou HGhg, os candidatos a Primeiro-Ministro que são neste momento Ministro da Defesa (Ehud Barak) e Ministra dos Negócios Estrangeiros (Tzipi Livni) poderão ter dificuldades em explicar a Operação Chumbo Derretido aos Israelitas.

Hamas: A bravata habitual sobre o inferno que ia descer sobre as tropas israelitas e o massacre que se iria seguir deu lugar à verdade nua e crua: o Hamas revelou-se absolutamente incapaz de constituir uma ameaça credível para o IDF, infligiu-lhe apenas 9 mortes, e teve de recorrer à habitual táctica cobarde de se esconder atrás dos civis palestinianos que supostamente devia proteger. Acabados os combates, os bravos líderes e combatentes (?!?) reemergiram para repetir as suas grotescas ameaças. Não obstante, não é líquido que esta organização terrorista esteja fora de combate e a tentação de atingir Israel antes das eleições de 10 de Fevereiro deve ser grande, para tentar maximizar as hipóteses de o Likud de Netaniahu ganhar as eleições e garantir assim o endurecimento de Jerusalém nas negociações do processo de paz. Resta saber se a população de Gaza terá ficado mais esclarecida quanto à incapacidade de o Hamas lhe garantir desenvolvimento económico, paz e segurança. Duvido.

Fatah: A Fatah é o elemento escondido desta guerra e, potencialmente, o seu principal beneficiário. O reassumir do controlo da Faixa de Gaza por Mahmoud Abbas seria o melhor meio de tentar repor algum grau de paz de tranquilidades na zona, mas pelo se afigura, tenho dúvidas se o Hamas estará suficientemente enfraquecido para não conseguir colocar resistência ao regresso da Fatah a Gaza e até que ponto é que a população a acolheria bem.

Egipto: Renascido do limbo diplomático, o Egipto foi o protagonista dos planos para findar o conflito e o centro das peregrinações de estadistas europeus à região, mas o seu papel verdadeiramente importante começa agora: pela selagem da fronteira do Egipto com Gaza, passa muito da duração do cessar-fogo existente.

Estados Unidos: A guerra teve um bom timing para os EUA – com um Presidente pró-Israel de saída e outro com muitas incógnitas de entrada, Washington apoiou Israel, criticou o Hamas e assobiou para o ar a maior parte do tempo.

Mundo Árabe: Conspicuamente ausente, torcendo a maioria que o Hamas fosse dizimado e a minoria que Israel soçobrasse, sobrou a irrelevância.

União Europeia: A Presidência Francesa acabou e a Checa começou, mas ninguém notou porque, nos momentos graves e importantes, são as grandes potências que aparecem e intervêm, seja com a presença colectiva com o Primeiro-Ministro Olmert no anúncio do cessar-fogo, seja no frenético cruzar do Médio Oriente de Sarkozy.

Agora, se as coisas se mantiverem calmas, resta esperar que os Israelitas votem e que a nova Administração Americana assente, para ver qual vai ser o rumo a curto prazo, porque no médio prazo, já não haverá muita gente que se atreva a pensar.