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28 setembro, 2016

6.000 Boots on the Ground



6.000 BOOTS ON THE GROUND

 
Um óbvio problema de comunicação.

Em 2011, Barack Obama decidiu terminar a presença militar dos Estados Unidos no Iraque. Fê-lo contra as recomendações das chefias militares, fê-lo proclamando o fim da Guerra do Iraque e fê-lo ridiculamente porque a Guerra acabara há muito.

O que realmente importava para Obama era terminar as guerras (mesmo as que já tinham terminado) e retirar todas as tropas colocadas no Médio Oriente e na Ásia Central e do Sul. Não por considerações de ordem geopolítica, mas apenas por se considerar um profeta iluminado que traria a paz à Terra.

As consequências foram arrasadoras: o Iraque tornou-se cada vez mais dependente do Irão que se tornou no Estado tutelar do Iraque; o Primeiro-Ministro Maliki acentuou o carácter autoritário e sectário da sua governação, alienando e perseguindo a comunidade sunita, o que facilitou o ressuscitar da Al Qaeda do Iraque, depois transformada em Estado Islâmico do Iraque e Síria (ISIS) e, finalmente, no Estado Islâmico (IS).

 Outro problema de comunicação.

in “Indy Star” em http://www.indystar.com/story/opinion/cartoons/2014/08/15/cartoonist-gary-varvel-boots-ground-iraq/14099069/

Ironia do destino, a expansão imparável do IS no Iraque e na Síria levou Obama a encetar uma campanha aérea no Iraque, pouco depois alargada à Síria e que teve efeitos relativamente limitados. Obama tentou sempre defender o seu legado de retirada das tropas norte-americanas do Iraque, agarrando-se ao lema “no boots on the ground” (não haverá soldados no terreno).
  
No entanto, “no boots on the ground” é um enorme logro. Nos últimos dias, o Pentágono requereu autorização para enviar mais 500 soldados para o Iraque. Caso o pedido seja deferido, o número de militares norte-americanos no Iraque ultrapassará os 6.000. A estes, somam-se pelo menos 300 na Síria.

 
Problema solucionado.

Resumindo, a Guerra acabara e uma nova começou; as tropas americanas retiraram e vão voltando em números crescentes; a saída militar dos EUA do Médio Oriente durou apenas 3 anos; o Médio Oriente está em muito pior estado; e o salvífico Obama lá está atolado no Médio Oriente, fruto da arrogância e da ignorância, mistura explosiva, como se sabe. 6.000 boots on the ground! And counting.


P.S. É claro que Obama mantém uma cortina de fumo sobre o assunto e todas as tropas estão em missão de treino e de aconselhamento. O ex-Secretário de Estado da Defesa, Robert Gates, que não tem nada a disfarçar, declarou que “[US troops] are in combat and these semantic backflips to avoid using the term ‘combat’ is a disservice to those who are out there putting their lives on the line.” Nem mais.