15 outubro, 2006

100 Golos

100 GOLOS

Nuno Gomes festeja com Miccoli o 0-3 em Leiria, 100º golo pelo Benfica no Campeonato Nacional.

Numa época em que os golos rareiam, é justo destacar a marca que Nuno Gomes atingiu no fim-de-semana passado: 100 golos com a camisola do Benfica só no Campeonato Nacional (123 se somados os marcados pelo Boavista). Para além da relevância da marca, esta foi obtida com um golo verdadeiramente espectacular digno do grande avançado que ele é.

Numa semana em que subiu (juntamente com Rui Costa) ao 4º lugar dos goleadores da Selecção Nacional, Nuno Gomes vai firmando o seu nome na história do futebol português, mesmo tendo de lutar contra incompreensões e enquadrar-se em sistemas de jogo que muitas vezes não o favorecem. Eu prefiro lembrar-me dele no Euro/2000, do golo de calcanhar em Viena, dos fantásticos golos que marcou nalguns jogos do campeonato passado, enfim dos 130 golos marcados no Benfica e dos 26 por Portugal nas mais variadas competições, somados à forma inteligente de jogar e assistir os companheiros. Espero ver ainda muitos mais golos com a marca “Nuno Gomes”.

13 outubro, 2006

O Império Onde o Sol (Re)Nasce

O IMPÉRIO ONDE O SOL (RE)NASCE


O Japão é a 2ª potência económica mundial com um PIB de US$ 4.850 biliões (2,5 vezes maior do que o da Alemanha). No entanto, desde que foi derrotado na II Guerra Mundial em 1945, que tem uma Constituição “pacifista” que lhe limita drasticamente a utilização das forças armadas (convenientemente designadas por Japanese Defence Forces). Noutro plano, o Japão viveu em crise e estagnação económica durante a última década do século XX, apresentando um caso raro de deflação e taxas de juro negativas.

Junichiro Koizumi foi Primeiro-Ministro do Japão de 2001 a 2006 e conseguiu um conjunto de sucessos notável: quebrou o domínio que os clãs e facções exerciam sobre o LPD, partido hegemónico do Japão; começou a desmontar os monopólios estatais que permitiam e fomentavam a promiscuidade e a troca de favores entre políticos e empresários; reformou o sistema bancário; ajudou a criar condições para que o Japão retomasse a via do crescimento e dinamismo económico; foi, gradualmente, rompendo o espartilho em que a política externa e de defesa nipónica vivia há mais de meio século, enviando tropas para o Iraque (non-combat missions), estreteitando mais a cooperação com os EUA, “aumentando o “defence burden-sharing”, iniciando uma nova era no reequipamento militar japonês e, embora apresentasse desculpas peos crimes de guerra japoneses na II Guerra Mundial, não se deixou ficar refém da chantagem psicológica, hipócrita e oportunista da China e da Coreia do Sul.

Shinzo Abe é o novo Primeiro-Ministro do Japão. Era o Secretário do Governo de Koizumi e tem fama (e proveito) de ser nacionalista e reformador. Dele se espera que prossiga e aprofunde as reformas económicas e políticas que devolvam ao Japão a pujança de há 20 anos atrás. Deseja-se, também, que seja bem sucedido a implementar as emendas à Constituição Japonesa, que permitam que o mundo livre possa contar com um poderoso e activo aliado numa área do globo em que os perigos e as ameaças, latentes e patentes, são de primeira grandeza.


























Junichiro Koizumi (Primeiro-Ministro do Japão,  2001/2006
)

10 outubro, 2006

The Big Small Bang

THE BIG SMALL BANG
 
 Se bem  o disse, melhor o fez: a Coreia do Norte de Kim Jong Il, declarou que ia realizar um teste nuclear, e no dia 9 de Outubro, fê-lo. Assim, tornou-se a 9ª potência nuclear do planeta.


Embora o Bang Norte-Coreano não tenha sido exactamente small para uma explosão nuclear normal, o efeito político-diplomático no mundo inteiro foi really big.

A realidade é que não se tratou de nada surpreendente e veio na sequência do anúncio feito em Fevereiro de que a Coreia do Norte se tinha tornado uma potência nuclear e dos testes com mísseis balísticos realizados em Julho. E não é surpreendente, porque Pyongyang, especialmente desde 1994, vem demonstrando um comportamento errático, imprevisível e pouco permeável a pressões externas.

Portanto, vir hoje pedir o reatamento das “Six Party Talks” (conversações envolvendo os EUA, a China, o Japão, a Rússia, a Coreia do Sul e a Coreia do Norte) é ignorar a desagradável realidade de a Coreia do Norte ter passado os últimos anos a jogar com o tempo, com a cumplicidade de Pequim, com o medo de Seoul e com a passividade das outras potências, protelando negociações, recebendo ajuda energética e alimentar e dando promessas vazias em troca. De quando em vez o dito “Querido Líder” amua e faz um número deste género (lembre-se o míssil que sobrevoou o Japão em 1998).

É óbvio que conversar com os camaradas de Pyongyang é um número estafado e que vale zero. É claro para mim, que eles percebem melhor os actos do que as palavras, como percebem que a China e a Coreia do Sul os criticam, mas mantém-nos ligados à máquina, como percebem que os EUA estão demasiados ocupados do outro lado da Ásia, como sabem que a Rússia não está preocupada com o assunto e sabem que o Japão está, mas não pode fazer grande coisa sobre isso.

E agora? Agora, passado o espalhafato do choque, da surpresa e das condenações palavrosas, é altura de o Conselho de Segurança da ONU impor sanções duras contra a Coreia do Norte.

E isso vai acontecer? É claro que não. A China e a Coreia do Sul e até a Rússia, vão fazer tudo para que o menino Kim não tenha mais que um puxão de orelhas.

E depois? Bem, depois, quando o menino Kim ficar aborrecido outra vez, vai tentar brincar com coisas perigosas novamente.

Solução? Apresentar uma frente unida dos 5 países supra-mencionados mais o Reino Unido e a França para impor medidas duras que ponham Kim Il Sung entre a espada e a parede e fazê-lo escolher. Assim, pelo menos, somos “nós” a escolher o tempo e o modo.

Como já vimos, tal não vai acontecer, e portanto o menino Kim provavelmente terá a possibilidade de escolher o timing do seu apocalipse.

06 outubro, 2006

A Importância da NATO no Afeganistão

A IMPORTÂNCIA DA NATO
NO AFEGANISTÃO


Parece ter passado um pouco desapercebido em Portugal um evento muito significativo que ocorreu esta semana: o alargamento do âmbito, das responsabilidades e do contingente da NATO no Afeganistão.

Ao número já impressionante de 31.000 soldados, soma-se o facto histórico da integração de 8.000 tropas dos EUA na ISAF (designação da força sob comando da NATO), colocando pela primeira vez desde 1945, tropas norte-americanas sob comando estrangeiro, no caso, do General David Richards do Reino Unido.

Já no mês passado, salientei noutro post (“Portugal no Afeganistão” de 17/09/06) a importância vital de que se reveste para o Ocidente e para a NATO, a missão que está a ser levada a cabo no Afeganistão. Na altura, critiquei o facto de Portugal ter optado por enviar tropas para o Líbano, em prejuízo de um reforço do nosso contingente na ISAF.

A incorporação de tropas dos EUA na força da NATO (permanecem 8.000 sob comando norte-americano em missões anti-terroristas, de treino do exército afegão e de caça a Bin Laden e comandita), representa uma valiosa e significativa aposta de Washington, não só na vitória definitiva no Afeganistão, mas também no interesse e valor estratégico, político e militar da Aliança Atlântica.

Seria bom que muitos países europeus, especialmente os que não quiseram colaborar no Iraque, que torceram o nariz ao Líbano e que preferem o conforto relativo das missões nos Balcãs (no século XXI), despertassem para a realidade do Afeganistão, onde se joga o futuro do país e muito do sucesso da luta contra o terrorismo e o tráfico de droga e muito, também, do futuro da NATO.

05 outubro, 2006

Bandeiras do Reino de Portugal

BANDEIRAS DO REINO DE PORTUGAL
Bandeira de Portugal (1128-1185)



Bandeira de Portugal (1385-1481)


Bandeira de Portugal (1834-1910)

30 setembro, 2006

Tempos Interessantes

TEMPOS INTERESSANTES



May you live in Interesting Times!/Que vivas Tempos Interessantes! é uma expressão geralmente associada a uma antiga maldição chinesa. Curiosamente, ainda não se conseguiu certificar a sua verdadeira origem, que até pode ser bem mais recente e originária do mundo Anglo-Saxónico, nomeadamente da Escócia ou dos Estados Unidos.

Seja como for, o sentido que lhe é atribuído é que os “tempos interessantes” são períodos de mudança, incerteza, riscos e conflitos, daí a subtil maldição.

É nesses tempos que vivemos e sobre eles que irei (com a vossa boa vontade iremos) escrever durante os próximos tempos…

28 setembro, 2006

The Long Goodbye

THE LONG GOODBYE
 

Tony Blair riding into the Sunset.
in "The Economist", 28 September 2006

Tony Blair é o estadista europeu de maior sucesso da última década. Está no poder há 9 anos, conquistou três vitórias absolutas consecutivas (feito inédito para o Labour) e vai retirar-se pouco depois de completar 10 anos no 10, Downing Street. Melhor do que ele em longevidade, só mesmo Lady Margaret Thatcher.

Para além da longevidade, Blair distinguiu-se por ser um político que destacou do cinzentismo e/ou incompetência de grande parte dos seus contemporâneos: Chirac, Schroeder, Berlusconi, para citar alguns, combinavam oportunismo com incompetência, por vezes roçando a desonestidade. França, Alemanha e Itália, marcaram passo, enquanto que o Reino Unido se destacava da Itália e ultrapassava a França para se tornar na 4ª economia mundial. Acrescente-se que, ao ritmo dos últimos anos, poderá mesmo ultrapassar a Alemanha na segunda metade da próxima década. Mesmo herdando uma economia em recuperação, Blair teve o mérito de manter o caminho das reformas e da liberalização, tornando o Reino Unido numa das poucas excepções de competitividade e crescimento sólido na Europa.

Na política externa e de defesa, pode-se discordar da linha seguida pelo Governo de Londres, mas o certo é que demonstrou coerência, coragem e determinação, que encontraram do outro lado do Canal o eco da tradicional diplomacia palavrosa, espalhafatosa, arrogante, mas inconsequente, sem substância e sem capacidade de agir e ter reais alternativas.

Actualmente, o Reino Unido é um país que tem capacidade de intervenção militar no exterior só superada pelos Estados Unidos, tem a melhor e mais próxima relação com a única Superpotência, é muito menos periférico na Europa, por força do seu sucesso económico e do alargamento, que levou ao enfraquecimento do Eixo Paris-Berlim e a maiores possibilidades de encontrar aliados, como foi patente nas cisões que antecederam a guerra do Iraque.

Curiosamente, os Trabalhistas parecem ansiosos por ver sair o líder mais bem sucedido da sua história. A vontade de se posicionarem para o pós-Blair e garantirem os melhores cargos, parece estar a dominar o pensamento, as emoções e as acções de muitos deputados do Partido. Visto de longe, parece-me um exercício auto-fágico, em que se anseia pela saída de um vencedor, para antecipar a entrada de Gordon Brown, um sucessor que carece do brilho e do carisma de Blair. É um caso raro em que os ratos querem permanecer no navio em dificuldades e urgem o capitão para que saia. Consequentemente, o mais provável é que Tony Blair saia em meados de 2007 pela porta grande e de pés enxutos, enquanto que os ratos gananciosos vão tomar conta do navio e, possivelmente, conduzi-lo ao naufrágio em 2009. Serves them right.

25 setembro, 2006

Un Français Différent

UN FRANÇAIS DIFFÉRENT

















George W. Bush e Nicolas Sarkozy na Casa Branca. in "Libération" http://www.liberation.fr/

Um político francês a visitar New York e Washington, a elogiar os EUA e o Presidente George W. Bush, a declarar-se amigo de Israel e defensor do seu direito a defender-se do “agressor Hezbollah”, a qualificar o Irão como uma nação “fora-da-lei” e considerar “teatral e estéril” a confrontação com os Estados Unidos sobre o Iraque protagonizada pelos Presidente da França e Primeiro-Ministro de França, Jacques Chirac e Dominique de Villepin, respectivamente, parece ser ficção científica.

Tratando-se do líder da UMP, o principal partido francês, e Ministro do Interior de França, parece algo a raiar a alucinação.

No entanto, é verdade. Trata-se de Nicolas Sarkozy, o mais que provável candidato presidencial da direita francesa nas eleições de 2007.

Das duas uma: ou se trata de uma grande jogada pré-eleitoral, o que não é impossível mas não é óbvio dado o tradicional anti-americanismo francês; ou então, Monsieur Sarkozy é efectivamente diferente e poderá ser um raio de esperança de que a França possa, finalmente, ter uma política externa e de segurança à altura da sua dimensão e importância internacional, que é grande, mas não é a mesma do tempo de Richelieu, Luís XIV, ou Napoleão.

Vamos esperar para ver, mas ter a França sem pejo de alinhar pelos interesses ocidentais, mesmo que isso implique estar no mesmo barco dos Anglo-Saxões e deixar-se de grandiloquências e arrogâncias despropositadas, seria uma boa novidade para 2007. On verra!


P.S. Un Français Déjà Vu: Jacques Chirac, mais de duas semanas depois do fim do prazo imposto (?) pelo Conselho de Segurança ao Irão para parar as actividades de enriquecimento de urânio, propôs que o assunto não regressasse ao CS da ONU e fosse prosseguida a via negocial, assim rompendo a frente unida que, até agora, EUA, Reino Unido, Alemanha e França vinham mantendo em relação a Teerão. Já lá vão 11 anos de poder e Chirac vai ser assim até ao fim: arrogante, desastrado, inconsequente, sempre diferente, sempre pior.

21 setembro, 2006

Crónica de Uma Morte Anunciada

CRÓNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA 

Penso que para todos os leitores/participantes do Rosa-Laranja era evidente que o modelo original estava falido. Inclusivamente, já recebemos comments a questionar a “ausência” da Rosa. A verdade é que, já em Abril, Rosa falava na impossibilidade de prosseguir por manifesta falta de tempo. Insisti que permanecesse até ao Verão para ter a certeza de que não havia alternativa. Infelizmente, não havia.

Assim sendo, num jantar nos idos de Julho foi decretada a morte a prazo do Rosa-Laranja. Só não foi imediata, porque o tempo de férias não aconselhava a grandes mudanças e assim eu ganhava tempo para decidir o que fazer e continuava a ter um espaço para escrever.

Decidi continuar com um Blog individual que deverá surgir ainda este mês. Até lá, o Rosa-Laranja fica ligado à máquina, mas por uma questão de princípio e de honestidade perante os leitores, o Nome da Rosa foi removido hoje do Blog.

Devo dizer que a experiência do Rosa-Laranja em pleno foi gratificante para mim e, reunidas as condições, não me importava de retomar o projecto. No entanto, como Laranja que se preze, não o faria com uma Rosa qualquer. Por isso, escolhi a melhor. Obrigado Maria Luísa!

Laranja (Rui Miguel)

O Cretino Mentiroso

O CRETINO MENTIROSO

Foram divulgadas no passado Domingo gravações de um discurso proferido pelo Primeiro-Ministro da Hungria, Ferenc Gyurcsany, numa reunião política privada, realizada em Maio passado. Elas retratam de forma brutalmente franca, a falta de escrúpulos e total a ausência de princípios, a roçar a obscenidade, que vai minando inexoravelmente a credibilidade dos políticos e, consequentemente, da Política.

Para não deixar dúvidas, transcrevo as partes mais vergonhosas do discurso, retiradas do site da BBC NEWS:

These excerpts -which contain strong language - are translated from Ferenc Gyurcsany's official blog, Amoba.

"[…] There is not much choice. There is not, because we have screwed up. Not a little but a lot. No country in Europe has screwed up as much as we have. It can be explained. We have obviously lied throughout the past 18 to 24 months. It was perfectly clear that what we were saying was not true.


We are beyond the country's possibilities to such an extent that we could not conceive earlier that a joint government of the Socialists and the liberals would ever do. And in the meantime we did not actually do anything for four years. Nothing.

[…] You cannot mention any significant government measures that we can be proud of, apart from the fact that in the end we managed to get governance out of the shit. Nothing. If we have to give an account to the country of what we have done in four years, what are we going to say?

[…] They can understand that it is worth being a politician here at the beginning of the 21st Century because we can create a different world. Only for this. Livelihood can be found in many other ways.

I know that this is easy for me to say. I know. Do not keep bringing it up against me. But this is the only reason it is worth doing it. I almost perished because I had to pretend for 18 months that we were governing.
Instead, we lied morning, noon and night. I do not want to carry on with this. Either we do it and have the personnel for it, or others will do it. I will never give an interview at the end of which we part with each other in argument. Never. I will never hurt the Hungarian left. Never."
Excerpts translated from the Hungarian by BBC World Service Monitoring
in BBC NEWS site.

Não é Sex, Lies and Videotape, mas será Stupidity, Lies, Hypocrisy and Audiotape. Para agravar a situação, o camarada Gyurcsany, não tem um pingo de arrependimento pelo que disse, acha tudo normal, não se demite e ainda vitupera a oposição e os populares que se manifestam exigindo que ele se demita. É mau de mais. Talvez a população da capital húngara devesse seguir o exemplo dos seus vizinhos de Praga em 1618, e efectuar a Defenestração de Budapeste, eliminando o cretino que assume que mentiu repetidamente ao longo de dois anos, enganou os Húngaros, reconhece que fez asneiras como nenhum outro governo europeu, acrescenta que nada fez e que conclui que é magnífico ser político no século XXI porque pode mudar o mundo. Além de cretino, é ridículo. Nunca tinha visto igual na Europa!
 
Por Bandeira, in Diário de Notícias de 19/09/06


 P.S. No entanto, convém ter presente que este egocentrismo de muitos políticos e a colocação do partido à frente do país, não é exclusivo da Hungria e o cinismo dos eleitorados em relação aos políticos também não. Este cartoon do DN ilustra bem esta lamentável realidade.