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22 setembro, 2016

Ceasefire? Fire!



CEASEFIRE? FIRE!

 

War-ravaged Syria.



 The Syrian War ceasefire agreed upon by Russia and the United States lasted for a meagre 10 days and then followed its February predecessor’s fate: the ceasefire unravelled as all sides, groups and factions chose to fire instead of ceasing it.

The ceasefire was ill-fated from the start:

* It took Sergei Lavrov and John Kerry 3 months to negotiate the agreement, proof that it was hard to reach.

* The ceasefire’ signatories were Moscow and Washington. Then they had to press and persuade their allies, proxies and their allies’ proxies to abide by it. Judging from the disparate goals, agendas and priorities of the myriad actors involved, this was a very long shot.

* It was opposed by many rebel groups, because it demanded them to part ways with Jabhat Al Nusra, which is the most effective and the most extremist rebel group aside the Islamic State, and its loss was viewed as a blow to the rebels’ combat capabilities.

* Although Damascus accepted the agreement, it was not happy with the severe limitations imposed on the use of its air force. Besides, it feels it is getting closer to recover the whole of Aleppo, which would not happen if there is an enduring truce.

So, it is no surprise that there was a lull in the fighting, but that the skirmishes never ceased entirely.

Ironically, it was the US who eventually put the final nail in the ceasefire’s coffin when she bombed thrice a Syrian Army position, killing 80 soldiers who were fighting the Islamci state in the Deir El Zour area, in Eastern Syria.


Following the attack, Syria declared the ceasefire terminated and everything went back to normal in Syria. FIRE! FIRE AWAY!!!


 

A Syrian Army T-72 tank fires at rebel positions in Jobar.


in “YOUTUBE” at www.youtube.com

10 setembro, 2013

Cheque Russo


CHEQUE RUSSO

 Vinte dias após o ataque químico em Damasco, a Rússia, fiel à sua tradição de insignes xadrezistas, fez cheque aos Estados Unidos.

A Administração Obama, fiel à sua inépcia, adiou o seu golpe, movimentou peões, torres e bispos de forma desordenada, expôs o rei e ficou encurralada.

Ainda não é game-over, mas Al Assad que é rei no xadrez sírio, mas um peão à escala global, nem deve acreditar na sorte que teve: quando parecia à mercê do adversário, ganhou uma vida nova.




Os movimentos errados dos EUA são incontáveis:

1- O timing. Tendo em conta a gravidade que Obama assacou aos acontecimentos de 21 de Agosto e ao carácter incontornável de uma resposta bélica, é incompreensível que, volvidos 20 dias, ainda não se vislumbre qualquer ataque a breve trecho; nem tampouco uma estratégia e objectivos claros. Tal foi penalizador, porque não só não ganhou momentum para a intervenção, mas pelo contrário, foi-o perdendo. Pensou (como de costume) que a sua verve lhe iria angariar todos os apoios e apenas viu a resistência aos ataques aumentar; no estrangeiro e nos próprios EUA.

2- O isolamento. O opting-out do Reino Unido foi um duro golpe. O rei perdeu a dama e ficou desguarnecido. Cedo a Alemanha e a Itália se puseram de fora. A maioria dos países que apoiaram eram meros adeptos de bancada e cheer-leaders não são os elementos mais úteis numa operação militar.



3- O bispo desajeitado. O Secretário de Estado John Kerry tem-se em grande conta, mas é um flop. Tal como o Vice-Presidente Joe Biden, é um perigo quando fala. E é suposto o chefe da diplomacia americana falar bastante. As declarações de Kerry em Londres fizeram mais para minar a causa da guerra do que qualquer pronunciamento dos opositores políticos no Congresso. A forma como definiu o ataque à Síria é hilariante e é de uma estupidez inacreditável:

“We will be able to hold [Syrian President] Bashar al-Assad accountable without engaging in troops on the ground or any other prolonged kind of effort in a very limited, very targeted, very short-term effort that degrades his capacity to deliver chemical weapons without assuming responsibility for Syria’s civil war,” Kerry said during an appearance with British Foreign Secretary William Hague, “That is exactly what we are talking about doing — unbelievably small, limited kind of effort.” (alocução disponível no “The Guardian” em
http://www.theguardian.com/world/2013/sep/09/us-syria-chemical-weapons-attack-john-kerry

Unbelievable é mesmo a palavra certa. A reacção foi a esperada: se é assim, para quê atacar? Para quê arriscar ir para a guerra? Não será melhor enviar uma severa reprimenda ao Sr. Assad? Eu diria que Kerry lançou o primeiro míssil do ataque e acertou no próprio pé.

4- O joker. Eu sei que o joker não existe no xadrez, mas o jornalista que perguntou a Kerry o que é que Assad podia fazer para evitar o ataque, abriu uma autêntica Caixa de Pandora. Atrapalhado, Kerry balbuciou “Sure he could turn over every bit of his weapons to the international community within the next week, […], all of it, without delay, but he isn’t about to. It can’t be done”. Umas horas depois, o Senado adiava a votação sobre o ataque à Síria e Obama acolhia a proposta com reservas.

5- Wrong move. A Rússia viu a oportunidade e avançou a torre (Ministro dos Negócios Estrangeiros Sergei Lavrov) que põe em cima da mesa a proposta de colocação da totalidade das armas químicas sírias sob controlo da ONU. O peão sírio apoia a torre. Cheque ao rei.


Na realidade, a proposta russa é de difícil exequibilidade a curto prazo. As estimativas apontam para cerca de 1000 toneladas de agentes químicos em 50 locais de produção e armazenamento diferentes, alguns deles em zonas de guerra. Contudo, a Rússia encontrou uma possível solução diplomática para evitar um novo confronto militar e para a maioria que não sabe nem quer saber os detalhes, isso é que é relevante.

Um projecto de guerra que foi mal conduzido desde o início, que angariou muito poucos apoios substantivos e gerou muita oposição, ficou ontem muito menos exequível. Ainda pode ser feito, mas os custos para os EUA serão maiores e os benefícios menores.


You’re in check Mr. Obama. Your move.