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28 agosto, 2015

Aljubarrota - 630 Anos

ALJUBARROTA – 630 ANOS

  

Aljubarrota, 14 de Agosto de 1385: D. João I em combate.
Iluminura de Jean de Wavrin na “Chronique d'Angleterre”


Passaram, no dia 14 de Agosto, 630 anos da gloriosa Batalha de Aljubarrota.

Nessa tarde de Verão, o Exército Português, com apoio de arqueiros ingleses, defrontou e derrotou um poderoso exército castelhano apoiado por cavalaria francesa.

Nesse dia, um Rei determinado e um General notável, à frente de um povo corajoso, deram o sangue para defender a independência de Portugal, vencendo um exército poderoso e bem mais numeroso (os inesquecíveis 1 para 5, ou 6.000 para 30.000).

Aljubarrota, 14 de Agosto de 1385: Exército Português e arqueiros Ingleses derrotando a cavalaria francesa ao serviço de Castela.
Iluminura de Jean de Wavrin na “Chronique d'Angleterre”
in British Library at

Desse dia 14 de Agosto de 1385 podemos destacar D. João I e o Santo Condestável D. Nuno Álvares Pereira pela liderança política e militar que conduziu à afirmação do Portugal soberano e à derrota da potência hegemónica estrangeira.

Estes personagens, parte da nobreza e a maioria do povo rejeitaram o conforto da resignação perante a ameaça do mais forte, preferindo correr sérios riscos em defesa da dignidade, do interesse e da independência nacionais.

Na Batalha de Aljubarrota de certa forma refundou-se Portugal e assegurou-se a independência por mais dois séculos, durante os quais se sedimentou a ideia e a realidade de Portugal como um Reino independente.

Revisitar Aljubarrota é ainda mais importante 630 anos depois, quando os valores aí defendidos e praticados se encontram cada vez mais rarefeitos nas elites hodiernas.



09 maio, 2006

O Neo-Iberismo

O NEO-IBERISMO

Pouco depois de o actual Governo tomar posse, o Primeiro-Ministro José Sócrates foi a Espanha e declarou que as prioridades da nossa política externa eram “Espanha, Espanha, e Espanha!” Só não fiquei aterrado porque pensei que tivesse sido algum chip que tivesse bloqueado.

Há poucos dias, o Ministro dos Transportes, Mário Lino, foi a Santiago de Compostela declarar que é um iberista. Não sei se os Galegos ficaram aterrados, mas devem ter tido vontade de lhe perguntar se queria trocar a sua (de Portugal) posição com a deles (da Galiza).

Agora fico a saber que o Ministro da Saúde divisou um plano pelo qual as crianças que até agora nasciam em Elvas, vão passar a nascer em Badajoz! Os Alentejanos devem estar mesmo aterrados.

Eu quero crer que o Governo de Portugal não está infestado de Miguéis de Vasconcelos, mas esta inusitada deriva iberista é estranha e preocupante. Não por causa de D. Afonso Henriques, Aljubarrota, Filipe II, ou Olivença, embora a História deva ser um factor a ponderar nas Relações Internacionais, mas porque:

* Se trata de um enviesamento da nossa política externa que poderá acarretar custos estratégicos a prazo – os nossos interesses são diversificados e não é racional nem prudente que a Espanha neles possa ocupar uma posição tão relevante.

* Lança uma suspeita sobre as motivações de um Ministro que lançou projectos faraónicos como a Ota ou o TGV, sabendo-se que aquele pode causar danos sérios à viabilidade do Aeroporto do Porto.

* Violenta um grupo de cidadãos portugueses na medida em que são coagidos a terem os filhos no estrangeiro. Eu sei que para alguns o nacionalismo e o patriotismo são conceitos ultrapassados, mas até ver Portugal é Portugal e Espanha é Espanha e a nacionalidade é um traço identificador, de pertença, de comunhão, que não conhece paralelo em qualquer outro. Negar aos Portugueses da região de Elvas o direito de nascerem em Portugal é vergonhoso e indigno de um Governo de Portugal.

As relações de Portugal com Espanha devem ser de cooperação e de amizade. O que vá para além disso e entra na intimidade excessiva, na submissão ou na dependência é um erro histórico. O iberismo nunca resultou em nada de bom para Portugal e não há nada que nos indique que tal seja diferente no início do século XXI.