24 dezembro, 2016

Feliz e Santo Natal 2016



FELIZ E SANTO NATAL

MERRY CHRISTMAS


REMBRANDT VAN RIJN (1606-1669) – The Adoration of the Shepherds (1646) 
The National Gallery, London, UK

Aos meus amigos e leitores do “Tempos Interessantes”, a todos os que se interessam, votos de um Santo e Feliz Natal, na companhia dos vossos entes queridos.

Desejo-lhes também um auspicioso 2017!

Merry Christmas to all my friends and readers of “Tempos Interessantes” and to everyone who cares.

I also wish you all a Happy New Year!

                                   Rui Miguel Ribeiro

20 dezembro, 2016

Trump Won. Get Over It!



TRUMP WON. GET OVER IT!


Donald Trump got a clear victory on the 6th November Presidential Election. As expected and as it should be, he won the Electoral College vote yesterday. And, bar a major health problem or an assassination, Trump will take the oath of office on 20th January 2017.

Excuses, scapegoats, deliriums….everything but critical self-analysis.

However, one had to put up with widespread hysteria from the so-called liberal but non-democratic fringes from academia, media, commentators, politics and some other citizens who would not care about the election outcome; not at all. For this intolerant group, what matters is that they hated the result, thus it cannot be acceptable and, consequently, it has to be overturned.

So, they engaged in all sorts of pathetic antics, ranging from hatred to pseudo-constitutional justifications. The funny thing is that if it were the other way around or if it had happened somewhere else, say in Russia, the protests, the outrage and the name-calling would have reached epic proportions.

By now, this crowd should be reflecting on what went REALLY wrong for Hillary Clinton and themselves. However, that is not going to happen. Most likely, they will spend the next four years sulking and whining, blaming the Russians, the alt-right, the blue-collar workers, the white males, or the Martians who did not turn out to vote. And portraying Trump as the devil on earth, of course.

Tough luck. It is a done deal. Grow up and get over it!

16 dezembro, 2016

Alepo É de Assad




ALEPO É DE ASSAD

Mais de 3 anos após ter perdido (parcialmente) a cidade de Alepo, o regime de Al Assad está a consumar a reconquista da maior cidade da Síria.

 

Alepo: Antes e Depois….
in “PP PetaPixel” em http://petapixel.com/


Para tal, Damasco contou com 3 factores vitais: o apoio dos seus aliados externos (Rússia, Irão e milícias libanesas, iraquianas e afegãs), a forma implacável e persistente como foram conduzidos o cerco e ataque a Alepo e a passividade dos aliados dos rebeldes. Estes 3 factores comportam as suas lições:

1- DAR O CORPO AO MANIFESTO
Damasco contou com um forte apoio dos seus aliados, mas não foi um apoio moral ou de aplauso; Russos, Iranianos, Libaneses, Iraquianos e Afegãos, forneceram armas, treino e equipamento, mas também intervieram a fundo no combate dando, literalmente o corpo ao manifesto, e esse apoio fez a diferença no terreno, majorando as capacidades do desgastado Exército Árabe Sírio.

2- DOA A QUEM DOER
O ataque a Alepo foi muitas vezes brutal e cruel como tem sido, aliás, a Guerra da Síria, provocando imenso sofrimento e destruição. Porém, não justificando, a verdade é que não é fácil nem muitas vezes possível, fazer a guerra seguindo à risca o manual de instruções. Uma guerra urbana, a conquista (ou a defesa) de uma grande cidade terá sempre custos e violência acrescidos. A abordagem doa a quem doer foi muitas vezes desumana, mas no contexto de brutalidade vigente, foi eficaz para os fins da Síria e dos seus aliados.

3- DEFENDER A BOLA COM OS OLHOS
A expressão defender a bola com os olhos vem do futebol e retracta a situação em que o guarda-redes, impotente para deter o remate, se limita a acompanhar a bola com o olhar, rogando que não entre. Tal foi a atitude-base dos aliados e apoiantes dos rebeldes. Não acho que fosse boa ideia meterem-se no vespeiro de Alepo, mas fazer declarações grandiloquentes, ameaças ocas, protestos, choros e indignações não ia, como não foi, ajudar os rebeldes a parar a marcha de Sírios, Russos e Iranianos. E a bola entrou.

Na guerra, hard power, objectivos bem definidos, boa planificação, estratégia, saber o percurso e percorrê-lo com determinação e ter alguma flexibilidade perante os imponderáveis, são condimentos fundamentais. A Síria, a Rússia e o Irão estavam na posse desses elementos e usaram-nos de forma implacável. Costuma dizer-se que the devil is in the details, mas isso não foi um problema para esta coligação que ignorou os detalhes e focou-se no essencial: derrotar os rebeldes e retomar o controlo total de Alepo. Por isso ganharam. Ninguém mais o fez e, também por isso, perderam.

Os custos foram elevados? Foram. Mas isso fazia parte dos tais detalhes. No fim, o que conta é a realidade e esta diz-nos que o regime sírio retomou a cidade. Alepo é de Assad outra vez.