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12 novembro, 2013

Saudi Nukes?

SAUDI NUKES?

Saudi Arabia’s response to a nuclear armed Iran could be….a nuclear armed Saudi Arabia.

Fact or fiction?

Well, neither, but definitely a possibility.


Saudi Arabia and Pakistan: nuclear smuggling across the Gulf of Oman?
in STRATFOR at www.stratfor.com
THE FACTS:

1- Saudi Arabia is dead worried with the prospect of a nuclear armed Iran.

2- Saudi Arabia deeply worried by the imminent US-Iran rapprochement on top of Iran’s nuclear quest.

3- Saudi Arabia has threatened to go nuclear if Iran does.

4- Saudi Arabia is many years away from developing her own nukes.

5- Saudi Arabia has long been an ally of Pakistan, offering economic and military aid. Besides that, Riyadh has financed the R&D and execution of Pakistan’s own nuclear programme.

6- Saudi Arabia has bought nuclear capable CSS-2 ballistic missiles* from China in 1988.

7- Saudi Arabia and Pakistan have obviously denied any nuclear trade-off.

8- Saudi Arabia has recently shown determination to drift away from Washington’s line when she perceives her national interests are jeopardized. Shunning the UN Security Council seat was one such instance. Supporting the post-Morsi regime in Egypt and stepping in to compensate Cairo for lost US and IMF funding is another case in point.

9- Saudi Arabia’s support of Egypt sends a message of reassurance to Pakistan: in case Islamabad delivers nuclear warheads to the KSA, Riyadh will not let the Pakistanis down and will forward the necessary economic, energetic and military support.

 
THE RUMOURS:

1- Saudi Arabia’s support of Pakistan’s nuclear programme included a quid pro quo that would entail Islamabad keeping a number of nuclear warheads on standby for prompt delivery when and if Riyadh so requests.

2- Pakistan has recently delivered Shaheen** mobile ballistic missiles, which would be a more expedient way to make the Kingdom of Saudi Arabia (KSA) nuclear.

3- Saudi Arabia has completed a new base for the CSS-2 with the launching vectors aiming in the direction of Iran and Israel.

 
THE IFS:

1- IF the US-Iran rapprochement becomes real and sideline the Gulf States.

2- IF the P5+1***-Iran agreement does not seriously curtail every Iranian path to nucleardom.

3- IF the Pakistan-Saudi Arabia agreement does exist.

4- IF there is a mutual will to enact it.


Then a nuclear Saudi Arabia will no longer be an if. Altough this is a long shot, but I have seen iffier ifs become real.

  

* The CSS-2 belongs to the Dongfeng (DF) missile series, which is a Chinese variation of a Soviet 1950’s design. The DF-3, or CSS-2, is an IRBM (Intermediate-Range Ballistic Missile with a 3000 km range. The Saudis are believed to have bought anywhere from 30 to 120 missiles and 9 to 12 launchers.

The DF-3, aka CSS-2 in China.


 
** The Shaheen, aka Haft IV, is a Pakistani nuclear-capable SRBM (Short-Range Ballistic Missile), with a range estimated at between 750 km and 1500 km, depending on the version.
The Pakistani Haft IV-Shaheen being launched.


 
*** The five permanent members of the UN Security Council (United States, United Kingdom, Russia, France and China) plus Germany.

 

28 outubro, 2013

A Renúncia Saudita


A RENÚNCIA SAUDITA
  
Arábia Saudita bem no centro do Médio Oriente. E o Irão ali tão perto….
 
in STRATFOR, em http://www.stratfor.com/

No dia 18 de Outubro a Arábia Saudita anunciou que renunciava ao lugar de membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU para o qual acabava de ser eleita para o biénio 2014/15. Em 68 anos de história, foi a primeira vez que um Estado-Membro renunciou a um lugar no Conselho de Segurança.


Porque é que a Arábia Saudita tomou esta inusitada decisão?


Vejamos o que alegam os Sauditas. O comunicado oficial acusa o Conselho de Segurança (CS) de falhar rotundamente na missão de trazer a paz ao Médio Oriente. Riyadh salienta em particular a Palestina e a Guerra Civil na Síria. Acrescenta ainda que a Arábia Saudita não integrará o CS enquanto este não implementar reformas e se reestruturar.


Começando pelo final, pode concluir-se que uma participação saudita no CS ficou adiada para as calendas gregas. Efectivamente, a reforma do Conselho de Segurança está na agenda político-diplomática há mais de 20 anos (em 1999 orientou uma tese precisamente sobre esse tema) e está tudo rigorosamente na mesma.


A implementação da paz no Médio Oriente é um projecto quase irreal e que está para além das capacidades do CS, mesmo que este se empenhasse (o que não faz) de forma unida (o que não acontece) nesse desiderato.


Em relação à Guerra Civil da Síria, os Sauditas têm razão. O CS tem-se revelado incapaz de tomar uma decisão (o que não é novo) que imponha ou pelo menos impulsione a resolução do conflito, dividido como está entre as posições maximalistas dos Estados Unidos, reino Unido e França e as posições minimalistas da Rússia e da China.


O argumento mais revelador é o que diz respeito à Palestina (leia-se, conflito Israelo-Palestiniano). Digo isto porque o dito processo de paz está virtualmente estagnado há 13 anos. Aliás, até se pode duvidar da sua existência. Tendo em conta que há muitos meses que a Arábia Saudita desenvolvia uma aturada actividade diplomática para garantir os votos necessários à sua eleição para o CS e senso certo que não descobriu há apenas 10 dias o estado comatoso do processo de paz, tem de se concluir que os motivos aduzidos expressam APENAS os pretextos e não a substância.


Para identificar a substância da renúncia saudita, importa procurar eventos recentes que possam ter despoletado esta reacção. Existem dois.


1- A Síria. Será talvez o único motivo real patente no comunicado. É certo que a Guerra na Síria já decorre há mais de 2 anos, mas os últimos desenvolvimentos foram do particular desagrado da Arábia Saudita. O cancelamento de uma operação militar contra a Síria por causa do uso de armas químicas eliminou a grande esperança saudita de ver acelerada a queda de Al Assad e o triunfo dos rebeldes. O acordo para a destruição do arsenal sírio de armas químicas negociado entre Moscovo e Washington, aceite por Damasco e ratificado pelo Conselho de Segurança, acabou por conferir uma renovada legitimação internacional ao regime sírio. Prolongada a esperança de vida do governo de Al Assad, o mesmo acontece com a forte influência iraniana no país.


2- As negociações entre o P5+1* e o Irão e, principalmente, o reatar de negociações bilaterais entre Washington e Teerão, terá despoletado esta decisão sem precedentes. O Irão é a referência política do Islão Xiita e a maior potência militar islâmica no Médio Oriente. A Arábia Saudita é o líder religioso do Islão Sunita e o líder político e económico de uma parte significativa do mundo árabe. As relações entre ambos são, na melhor das hipóteses, de desconfiança, na pior das hipóteses, de hostilidade.


A Mesquita de Meca durante o Haj, peregrinação anual que leva cerca de 2 milhões de peregrinos a Meca, na Arábia Saudita. Esta é uma das fontes do poder e influência da Arábia Saudita.

in “THE ECONOMIST” em http://www.economist.com/


Desde o fim da II Guerra Mundial que a Arábia Saudita conta com a protecção dos EUA para garantir a sua segurança e dos demais países do Conselho de Cooperação do Golfo**. Vista do lado árabe do Golfo Pérsico, a ascensão militar e geopolítica dos Persas, somada ao seu programa nuclear, é encarada com justificável apreensão.


A soma da inacção dos EUA na Síria, à aproximação ao Irão, a que ainda podemos acrescentar a política titubeante dos EUA em relação ao Egipto, fez soar as campainhas de alarme em Riyadh: visualiza-se um possível trade-off em que o Irão renuncia ou limita o seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções e do reconhecimento americano do poder regional iraniano.


Em suma, do ponto de vista da Arábia Saudita, conjuga-se o pior de dois mundos: um gradual disengagement dos EUA no Médio Oriente e a ascensão do Irão a uma posição de relativa hegemonia regional. Os Sauditas encaram a postura norte-americana como hesitante, receosa e não interventiva e sabem que, tal como a natureza, a Geopolítica também abomina o vácuo. Se um poder se retira, outro virá substitui-lo.


Neste cenário, a renúncia da Arábia Saudita ao Conselho de Segurança significa um distanciamento em relação aos EUA e o lançamento de uma política externa mais autónoma e desligada de Washington, ou uma forma de pressão sobre os EUA para estes terem mais em conta os interesses e as preocupações de Riyadh. O mais provável é serem as duas em simultâneo.


 
* Os 5 membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, França e China) mais a Alemanha.
** Organização que integra a Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, Kuwait, Oman, Qatar e Bahrain.

 

31 outubro, 2012

As Quatro Potências do Médio Oriente - O Irão


AS QUATRO POTÊNCIAS

DO MÉDIO ORIENTE

O IRÃO


 

IRÃO


O Irão é considerado por muitos estudiosos e analistas como o país com maior potencial no Médio Oriente. Pela sua dimensão (1.500.000km2), pela demografia (79 milhões de habitantes), pela riqueza e História da civilização Persa, pelo dinamismo e instrução da sociedade iraniana, pela riqueza em hidrocarbonetos, pelo poderio militar e pela posição geoestratégica – controla toda a costa setentrional do Golfo Pérsico, do Estreito de Ormuz e do Golfo de Oman, tem acesso ao Mar Cáspio e ocupa uma posição estratégica que faz de si um player no Médio Oriente, no Cáucaso e na Ásia Central.

No entanto, o Irão ocupa muitas manchetes na imprensa fundamentalmente por dois outros motivos: o regime teocrático liderado pelos ayatollahs e o programa nuclear. A questão é saber se estes dois factores são um multiplicador de poder ou um handicap.

As respostas são ambíguas.

A teocracia iraniana é, obviamente, um factor inibidor do progresso social e económico e a sua política de intransigência e agressividade tende a ostracizar o Irão e a semear inimigos e hostilidade.

O programa nuclear, fruto do regime e por ele protegido e nutrido é, acima de tudo, fautor de medos e inimizades que também tendem a isolar Teerão.

No entanto, o medo também gera respeito e pode comprar segurança. O certo é que a política externa e de segurança dos ayatollahs, aliada a factores externos como a neutralização e posterior eliminação do regime de Saddam Hussein no Iraque, catapultou o Irão para uma proeminência regional perdida em 1979 com o derrube do Xá.


Hoje em dia, o Irão goza de uma relativa invulnerabilidade e impunidade que só podem ser verdadeiramente violadas por Israel e por potências exógenas ao Médio Oriente. Mais, embora tenha gerado medos e ódios, Teerão também foi capaz de granjear aliados ou amigos em Bagdad, em Damasco, no Vale de Bekkaa (Hezbollah) e em Gaza (Hamas). E ainda em Moscovo, Pequim e …. Caracas.

O programa nuclear veio reforçar estes dois pólos: o do poder, prestígio e apoio acrescidos e o do crescente antagonismo, inimizade e receio. Sentimentos estes que não se confinam a Jerusalém, Washington, Londres ou Paris, mas se estendem a uma boa parte do Médio Oriente, nomeadamente à Arábia Saudita e aos emiratos do Golfo.

Afinal, o Médio Oriente é uma das regiões do globo onde a linguagem e o impacto do hard power são reconhecidos, praticados e temidos.

A situação actual e prospectiva do Irão pode resumir-se assim:

1-   O programa nuclear é uma faca de dois gumes: por um lado confere poder e, caso levado às últimas consequências será um factor de segurança, uma espécie de seguro de vida do Irão e do seu regime. Enquanto tal não acontece, a corrida ao nuclear coloca o Irão na mira permanente dos Estados Unidos e de Israel, o que pode levar à destruição do programa e de boa parte do poderio militar iraniano, para não falar dos danos económicos e infra-estruturais. Até agora, a determinação iraniana tem-se sobreposto às hesitações e receios do Ocidente, especialmente dos EUA.

2-   As sanções decorrentes do programa nuclear estão a provocar desgaste à economia do Irão. A queda abrupta do Rial, a moeda iraniana, é um dos sinais visíveis disso mesmo. Não obstante, tal não chegou, nem deverá chegar, para quebrar a vontade do regime em atingir a capacidade nuclear.

3-   O Irão conseguiu estabelecer um arco de influência que vai desde a fronteira com o Afeganistão a Leste até ao Mediterrâneo a Oeste (ver mapa infra). Esta área de influência garante ao Irão uma posição de primeiro plano na região e catapulta-o como candidato nº1 à hegemonia regional

4-   A sustentação desta área de influência arduamente adquirida está a revelar-se complicada por via da guerra na Síria que põe o regime vigente no fio da navalha; a queda de Al Assad e dos Alawitas terminará a ligação privilegiada Teerão-Damasco e interrompe o arco antes do Mediterrâneo e isola o Irão do Hezbollah. Daí o forte apoio do Irão a Al Assad.

5-   Contudo, o Irão não está só na defensiva. A coberto da dita “Primavera Árabe”, Teerão tem fomentado manifestações e agitação no Bahrain de governo sunita e de maioria xiita, na Província Oriental saudita, também de maioria xiita e no Iémen. Embora não tenha fruído até ao momento, este tipo de covert actions desestabiliza os regimes e gera insegurança e incerteza.


O destino do Irão aparece, portanto, envolto em mistérios e paradoxos. As mesmas políticas, as mesmas opções, os mesmos trilhos, podem gerar segurança e risco, hegemonia e isolamento, poder ou catástrofe.

É, pois, um caminho mais estreito do que o do estratégico Estreito de Ormuz que o Irão percorre actualmente, entre as promessas de poder e influência e a desdita da destruição e irrelevância, há ainda o prolongamento da situação intermédia que vive hoje. É, no entanto, minha convicção de que as situações de tensão e de conflito latente acabam por se tornar insustentáveis e por ter uma resolução….

O Arco de Influência do Irão