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14 julho, 2011

The Moody's Blues

THE MOODY'S BLUES


Numa altura em que a mood dos Portugueses anda muito mal, poderia dizer que andamos com os blues, pensei que uma boa música que junta os dois conceitos - Moody Blues - poderia animar um pouco os espíritos.

Enquanto que não abre a época da caça ao coelho (ainda sem segunso sentido), abriu em Portugal a caça à Moody’s.

É evidente que não fiquei contente com o downgrade da dívida soberana portuguesa para junk, seguindo os passos da Grécia e seguido, poucos dias depois, da Irlanda. Escusado será dizer que não tenho qualquer interesse pessoal no sucesso ou insucesso desta ou de qualquer outra agência de rating.

Isto para dizer que me parece um pouco surreal a demonização da Moody’s em Portugal, com o argumento que esta agência (mais a Standard & Poor’s e a Fichte) visam destruir o euro.
Embora não me pareça que tenha havido novidades que justificassem a descida do rating de Portugal, a realidade é que Portugal está num fosso de difícil saída, como o próprio Primeiro-Ministro vai apregoando para justificar o novo assalto à carteira dos Portugueses. E se as finanças públicas portuguesas se encontram no estado desgraçado em que estão, não é devido à Moody’s, mas sim a vários governos que foram gastando este mundo e o outro.
 
As agências de rating são empresas comerciais, que estão no mercado e que querem ter lucro. Para terem lucro, precisam de credibilidade. Se deixarem de a ter, perdem clientes e podem fechar. Pode dizer-se que a Moody’s perdeu credibilidade em Portugal e por isso começou a perder clientes (mais por motivos políticos do que outros). Não consta, contudo, que os começasse a perder nos EUA, no Reino Unido, na Alemanha, ou no Japão. Certamente porque esses clientes continuam a acreditar nas avaliações que a Moody’s faz.

Em Portugal e na EU foi o desvario. Cavaco Silva, olimpicamente indiferente aos crónicos e descarados desvios aos programas eleitorais, escandalizou-se e tentou (sem sucesso) mobilizar os Chefes de Estado dos 27 em defesa do euro e no ataque as agências de rating. Dois comissários europeus queriam impor proibições à actuação das agências na Europa (como se tal fosse possível). Outros, do PS ao BE, advogaram a criação de uma agência de rating europeia, no espírito que “se é nossa, só vai dizer bem de nós!” E assim poderíamos, quiçá, guindarmo-nos a AAA+++ sem ter sequer de atacar a dívida e o deficit.

Entretanto, a anti-europeia Moody’s, anunciou uma eventual revisão em baixa do rating dos Estados Unidos (AAA), dada a crise orçamental que se avizinha (em 2 de Agosto os EUA entrarão em incumprimento e os serviços do Estado fecharão, se não for elevado o plafond de endividamento federal). Este anúncio segue-se a um idêntico da Standard & Poor’s.
Trata-se, seguramente, de uma manobra de diversão do tal esquema tenebroso de tramar Portugal para rebentar com o euro! Como diria o Eça, não há pachorra!