MITROVICA

Mitrovica: a ponte sobre o rio Iber, fotografada do lado sérvio.
Estive em Mitrovica em 2004. Situada no Norte da província sérvia do Kosovo, a cidade reflecte a vertente mais dramática da realidade política, social e étnica do território: atravessada pelo rio Iber, que desempenha aqui o papel de Muro de Berlim, a margem direita abriga os resistentes do êxodo sérvio; na outra margem, residem os Albaneses.
No lado sérvio, o jeep do Exército Francês que transportava o chefe da delegação da Assembleia Parlamentar da NATO foi apedrejado por jovens sérvios, que associavam a NATO à curva descendente em que a sua existência tinha entrado. Então como hoje, a NATO e o Ocidente são apontados como fautores da inexorável derrapagem do Kosovo para a independência. Povoada por uma minoria étnica caída em desgraça nos corredores de poder internacionais, Mitrovica permanece como um símbolo das asneiras e incoerências do Ocidente na ex-Jugoslávia.
A Guerra do Kosovo em 1999, se levou ao colapso do regime de Milosevic, também promoveu a reabilitação dos guerrilheiros albaneses do UCK e à sua reconversão em partido político credível, apesar do seu historial de assassínio e perseguição de Sérvios e de outras etnias. A guerra que pretendia salvar os Albaneses, conduziu a uma efectiva limpeza étnica invertida que se traduziu no êxodo de 2/3 dos cerca de 300.000 Sérvios aí residentes.
Com os Sérvios reduzidos à expressão mais simples e confinados a enclaves isolados, especialmente no Norte, a independência é apresentada como fruto da vontade de 90% da população. Contudo, as perseguições aos Sérvios e o ódio entre as duas comunidades tornam a sua coexistência uma miragem. Não restará, por isso, aos habitantes de Mitrovica Norte grande alternativa a empacotar os seus haveres e rumar à Sérvia deixando para trás um Kosovo etnicamente “limpo”.
No lado sérvio, o jeep do Exército Francês que transportava o chefe da delegação da Assembleia Parlamentar da NATO foi apedrejado por jovens sérvios, que associavam a NATO à curva descendente em que a sua existência tinha entrado. Então como hoje, a NATO e o Ocidente são apontados como fautores da inexorável derrapagem do Kosovo para a independência. Povoada por uma minoria étnica caída em desgraça nos corredores de poder internacionais, Mitrovica permanece como um símbolo das asneiras e incoerências do Ocidente na ex-Jugoslávia.
A Guerra do Kosovo em 1999, se levou ao colapso do regime de Milosevic, também promoveu a reabilitação dos guerrilheiros albaneses do UCK e à sua reconversão em partido político credível, apesar do seu historial de assassínio e perseguição de Sérvios e de outras etnias. A guerra que pretendia salvar os Albaneses, conduziu a uma efectiva limpeza étnica invertida que se traduziu no êxodo de 2/3 dos cerca de 300.000 Sérvios aí residentes.
Com os Sérvios reduzidos à expressão mais simples e confinados a enclaves isolados, especialmente no Norte, a independência é apresentada como fruto da vontade de 90% da população. Contudo, as perseguições aos Sérvios e o ódio entre as duas comunidades tornam a sua coexistência uma miragem. Não restará, por isso, aos habitantes de Mitrovica Norte grande alternativa a empacotar os seus haveres e rumar à Sérvia deixando para trás um Kosovo etnicamente “limpo”.