20 outubro, 2012

As 4 Potências do Médio Oriente



AS QUATRO POTÊNCIAS
DO MÉDIO ORIENTE


O Médio Oriente a as quatro potências islàmicas: Egipto, Arábia Saudita, Irão e Turquia.


Por um conjunto de motivos históricos, demográficos, políticos, económicos, culturais e militares, existem quatro potências endógenas no Médio Oriente que têm aspirações a desemepnhar um papel de liderança, ou mesmo de hegemonia regional.


Do resultado da compita entre elas, dos seus conflitos, alianças, trunfos e vulnerabilidades, muito dependerá o quadro futuro do Médio Oriente. E os equilíbrios de poder no Médio oriente não são indiferentes para o resto do mundo.


Falamos da Turquia, do Egipto, do Irão e da Arábia Saudita, que medem forças e influêencias no Golfo Pérsico, na Síria, na Palestina, no Líbano, nas mesquitas, nos campos petrolíferos, nas chancelarias, nas universidades, em Washington, Moscovo e Viena (sede da OPEP e da IAEA).

Esta série de 5 posts, exclui deliberadamente Israel, cuja poder e influência é autónomo da correlação de forças entre as potências islâmicas (o que não significa que o desenlace desta competição lhe seja indiferente) e as potências exógenas ao Médio Oriente, como os Estados Unidos, a Rússia, o Reino Unido, ou a França.

17 outubro, 2012

O Abutre

O ABUTRE

 

 
Dois abutres em acção. Uma cena cruamente familiar para os Portugueses.

 

O abutre é uma ave carnívora de grande porte, conhecida por ser fundamentalmente necrófaga, que também ataca algumas presas mais vulneráveis e indefesas


O dia de anteontem, consagrou o Sr. Gaspar como um abutre de grande calibre, embora com uma pequena nuance: vai matando as vítimas e vai-se alimentando delas, embora algumas ainda estejam vivas e muitas outras estejam moribundas.


O Sr. Gaspar tem passado os últimos dois anos a rapinar a economia portuguesa, os cidadãos portugueses (com preferência pela classe média, porventura mais tenra e vulnerável), as empresas, enfim, quase tudo o que mexe em Portugal. Digo quase tudo porque, tal como os outros abutres, as presas têm que ser indefesas


Anteontem, o Sr. Gaspar mostrou de forma clara que é um abutre, atirando-se com vigor implacável às vítimas moribundas, arrancando-lhes a carne com bicadas violentas, esvaziando-os da pouca vitalidade que lhes restava.


A Troika pede combate ao déficite com um ratio de 67% na despesa e 33% na receita e o Srs. Coelho e Gaspar respondem com um ratio de 19% (!!!) na despesa e de 81% (!!!!!) na receita.


Aumentam o IRS em cerca de 30%. Atacam os pensionistas e funcionários públicos, cortam menos despesa nas PPP do que aquilo que vão extorquir aos pensionistas. Taxam tudo, até os benditos concursos como o Totobola, ou Euromilhões. Desapareceram as résteas de pudor: é o saque total.


O abutre até parece ter perdido a pseudo-timidez e descrição e já desafia, afronta e bate o pé. O poder subiu-lhe à cabeça e levou-o ao desvario final.


Pior que tudo, é ver-se que esta receita falhou em 2010, foi um fracasso em 2011, um rotundo falhanço em 2012 e o Sr. Gaspar, na ausência de resultados, dobra a dose.


Ah! Há uma diferença entre os abutres comuns e este em particular: os abutres têm um olfacto muito desenvolvido e têm uma grande visão. Ao Abutre Gaspar não lhe cheira que isto está a dar para o torto e o Abutre Gaspar não vê nada à frente! Até onde pode ir a cegueira? Talvez quando as presas tiverem a coragem de enfrentar o predador necrófago e lhe derem caça.
 


Este não é careca, mas é mais abutre que muitos abutres.

11 outubro, 2012

Dislate ou Provocação

DISLATE OU PROVOCAÇÃO

 


A bandeira nazi do III Reich a arder em Atenas.

in Daily Telegraph

 
Angela Merkel visitou a Grécia.


O Governo Grego recebeu-a de forma servil e bajuladora.


Os Gregos receberam-na com protestos e insultos.


Os Gregos só não a receberam à paulada porque não os deixaram.

 

Porque foi Angela Merkel a Atenas? É um mistério.

 

Porque quis Antonis Samaras, Primeiro-Ministro da Grécia recebê-la? Outro mistério?


Numa reflexão rápida, a resposta à primeira pergunta parece só poder ser por dislate, ou por provocação. Qualquer delas é péssima. Já não chega o império das políticas e vontades da Alemanha, agora também se assiste à Chanceler visitar as marcas do Império.


De qualquer forma, nada disto é bom para a Alemanha. Ter largas dezenas de milhares de cidadãos de um país em fúria a manifestar-se contra a Alemanha, todo um país revoltado com a visita da Chanceler e, pior, o ressurgimento da simbologia nazi e outras associações ao III Reich, é danoso e humilhante.

 

Manifestantes vestidos de tropas do III Reich em Atenas.



A resposta à segunda pergunta só pode ser servilismo numa tentativa mendicante de arrancar mais uns cobres, mais uns meses, menos uns juros à omnipotente Alemanha. Declarações como “o povo grego sangra, mas quer o euro”, ou (vou) “tomar as medidas que devíamos ter tomado há muito tempo”, devem ser suficientes para fazer tremer Zeus e o Olimpo. Não admira que proliferasse o epíteto de “Governo Traidor” entre os manifestantes.


Resulta daqui que este Samaras é diferente no discurso do Samaras de há um ano atrás (porém, não enganou o “Tempos Interessantes” (ver “Tragédia Grega” »»» http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2011/11/tragedia-grega.html  . Tal como Portugal, a Grécia é dirigida por um Comissário Político de Berlim (ver “Herr Kommissar” »»» http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2012/02/herr-kommissar.html


E a Tragédia grega continua, com o exercício obstinado do poder alemão, a cobardia do Governo Grego e a fúria e desespero dos Gregos. Para Português e Espanhol verem….

09 outubro, 2012

Netanyahu's Red Line

NETANYAHU’S RED LINE

No seu recente discurso em New York, perante a Assembleia Geral da ONU, Benjamin Netanyahu, Primeiro-Ministro de Israel, aumentou a pressão sobre o Irão e os Estados Unidos por cauda do programa nuclear desenvolvido por Teerão.


Desta vez, porém, o discurso teve maior impacto: por um lado pelo fórum em que foi proferido e, principalmente, pela componente gráfica que o acompanhou: um cartoon de uma bomba com um risco vermelho, the red line!
 

Netanyahu riscando a vermelho os limites para o Irão
in Haaretz em http://www.haaretz.com/

Vamos descodificar o discurso de Netanyahu.

1-   A utilização do cartaz com a bomba foi um golpe de marketing genial: o discurso entrou automaticamente para os anais da Assembleia Geral da ONU. O impacto e atenção obtidos não têm precedentes. É a velha história de que uma imagem vale mais do que 1000 palavras….
 
2-   Netanyahu colocou a Red Line nos 90%. Estes 90% não se referem ao grau de enriquecimento de urânio, o que não faria sentido, visto que o limiar para fazer uma bomba é 93%. Os 90% reportam-se à actual actividade do Irão que é enriquecer urânio a 20%. A partir daí, atingir os 90% torna-se relativamente acessível. Portanto, olhando para a imagem, Stage 1 representa a situação actual: Teerão tem 70% do urânio de que precisa para enriquecer a 93% e fazer uma bomba; Stage 2, representa o momento em que o Irão terá 90% daquele montante e portanto estará próximo de completar a antepenúltima etapa para a bomba. Este será o momento de soarem as campainhas de alarme em Jerusalém.

3-   Como o momento 90% deverá ocorrer algures na estação Primavera/Verão de 2013, esse será o novo período previsível para um ataque israelita. Tal exclui um ataque durante o período eleitoral norte-Americano.

4-   Curiosamente, este discurso tem como alvo prioritário Washington e não Teerão. Jerusalém já fez várias ameaças e avisos ao Irão. A Red Line tem a Casa Branca como destinatário, pressionando os EUA a actuar a partir do momento em que novo e perigoso limiar seja ultrapassado.


Os EUA já fizeram saber no mês passado pela voz de Hillary Clinton que não têm red lines para o Irão. Agora, foram notificados que Israel tem e onde é que está traçada. O míssil de Netanyahu foi bem apontado e acertou na mouche. Dentro de 6/9 meses, os EUA estarão sob pressão para agir se, como é muito provável, o programa nuclear iraniano ainda prosseguir por entre sanções, negociações  e pressões.


Para Netanyahu, independentemente do resultado das eleições americanas de 6 de Novembro, o status actual é de: mission accomplished!

05 outubro, 2012

Falência e Morte da III República

FALÊNCIA E MORTE
DA III REPÚBLICA

 
A III República está falida. Está também gasta, exaurida, descredibilizada, esfarrapada. FINITA!


Sei que hoje é 5 de Outubro e que alguns comemoram a República. Que já foram 3. A I, fruto do regicídio, socializante, anti-clerical, radical, caótica, terminou falida e exaurida, durou 16 anos. A II, autoritária, repressiva, frugal e imperial, restaurou a ordem e as finanças, mas roubou a liberdade e o progresso. A III, começou alegre, derivou para o caos, mas recuperou o equilíbrio e deu-nos a liberdade, trouxe o desenvolvimento e a esperança. Na última década foi sucumbindo a rudes golpes até chegar ao estado terminal actual.


Depois de cerca de 15 anos de estado de graça (o que não significa que tudo estivesse bem), os sinais de alarme chegaram em 2001 com o pântano de António Guterres. E não foram resolvidos com a curta e atribulada governação da AD. A velhacaria de Sampaio abriu o caminho para o delírio suicidário de José Sócrates que, especialmente nos seus últimos 3 anos galopou para o abismo com uma irresponsabilidade criminosa a roçar a traição. Deixou a República exangue.


Finalmente, chegaram os coveiros disfarçados de médicos. Não há outra palavra decente para designar estes governantes indecentes. O que Passos Coelho e Gaspar estão a fazer é um saque desbragado aos Portugueses. Arriscaria dizer que, exceptuando a componente da violência e brutalidade física, já se comparam a um qualquer clepotocrata* do Terceiro Mundo.


Agora que a República já nos deu 3 exemplos de fracasso, agora que a III República agoniza moribunda, agora que a generalidade dos Portugueses não se revê e despreza os que nos governam e os que nos governaram, agora que se registam 102 anos de República, seria pertinente, asado, patriótico e misericordioso nomear uma comissão liquidatária com um mandato sintético no escopo e conciso no tempo, e que trate das exéquias fúnebres da desgraçada. RIP!


E VIVA A MONARQUIA!!!


* Mobutu (Zaire), Eduardo dos Santos (Angola), Ferdinad marcos (Filipinas), Suharto (Indonésia), Ceausescu (Roménia), são exemplos conhecidos e infames de cleptocratas.

 

AS COMEMORAÇÕES DE 5 DE OUTUBRO DE 2012


As Comemorações oficiais do 5 de Outubro foram rodeadas de fortes medidas de segurança e vedadas ao público. A República acossada fecha-se sobre si própria e os seus dirigentes fogem da população. Esta atitude cobarde, digna de uma ditadura de pacotilha, é mais uma demonstração de que os laços entre representados e representantes estão, quiçá irremediavelmente, quebrados. Quando isso acontece, é a própria legitimidade política que está em cheque. Os políticos têm medo do povo e o povo tem horror aos políticos. Esta rejeição da participação popular na liturgia republicana é mais um prego no caixão da República. E É UMA VERGONHA!


A bandeira nacional invertida foi um episódio infeliz, embora inaceitavelmente incompetente. Noutros tempos, seria pouco mais do que um fait-divers. Neste tempo, é uma simbologia de um país virado ao contrário, exausto, revoltado, amarfanhado, saqueado. É uma poderosa representação gráfica do estado de Portugal.

 


04 outubro, 2012

Imparcialidade Perigosa

IMPARCIALIDADE PERIGOSA


Na Política e nas Relações Internacionais não costuma haver grande margem para imparcialidades. Em regra há interesses, compromissos, rivalidades em jogo que impedem ou desaconselham a imparcialidade. Quando não existem esses factores, normalmente a distância e o poder do actor em relação à disputa tornam a sua imparcialidade (ou falta dela) irrelevante. Se se tratar de uma Superpotência, a questão da irrelevância não se coloca, portanto uma eventual imparcialidade só pode derivar do desinteresse, leia-se, da falta de interesses relevantes na área.

Como já referi noutro post publicado a 30/08/2012 (Senkaku & Takeshima em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2012/08/senkaku-takeshima.html , a China tem múltiplas disputas marítimas (delimitação de águas territoriais com 6 países asiáticos. Em 2010, Hillary Clinton fez uma declaração relativa ao Mar do Sul da China repudiando acções unilaterais, apelando a um código de conduta, à resolução das disputas  de acordo com o Direito Internacional, à garantia da liberdade de navegação e distanciando os Estados Unidos destes conflitos.

 O Mar do Sul da China (South China Sea) e as pretensões marítimas da China e de Taiwan (a vermelho) e do Vietname (a amarelo).
in STRATFOR em www.stratfor.com

Este Verão, porem, o Departamento de Estado criticou a China por escalar o conflito. Logo se levantaram vozes críticas nos EUA (e na China obviamente) contra esta atitude. Por exemplo, Douglas Paal (investigador do Carnegie Endowment) escreveu que “[….] Washington will need to protect its position of impartiality and avoid repetition of the misconceived State Department press statement.”

Embora se trate apenas do remate de um artigo (http://carnegieendowment.org/2012/08/11/dangerous-shoals-u.s.-policy-in-south-china-sea/dc0c), este tipo de posição enferma de vários problemas:

1-    O receio de enfrentar a China e os interesses chineses, mesmo quando estes afectam as potências ocidentais. Tal atitude (ou a falta dela), facilitou a rápida ascensão política, económica e militar da China nas últimas décadas. Isso não é intrinsecamente negativo, excepto quando é feito com prejuízo de terceiros, como é frequentemente o caso.

2-    O Mar do Sul da China é uma região de elevado interesse estratégico global, especialmente para os estados ribeirinhos e para o Japão, as Coreias, os Estados Unidos e a Rússia. Não é, portanto, uma área em relação à qual Washington se possa dar ao luxo da indiferença. Tanto assim é, que os EUA têm investido crescentemente politica e militarmente na mega-região da Ásia-Pacífico.

3-    Quando os poderes e a dimensão dos actores em jogo são tão díspares, como acontece com a China e os restantes 4 interessados no Mar do Sul da China (Vietname, Filipinas, Malásia, Taiwan e Brunei), uma atitude de imparcialidade equivale a um apoio tácito a Pequim, o que é absolutamente contrário aos interesses de Washington.

Paal aduz ainda que no Mar do Sul da China ainda não se atingiu “the Sudetenland moment”, numa referência à Conferência de Munique de 1938 que, para todos os efeitos, deixou a Checoslováquia à mercê do III Reich. Pois não, não estamos de facto num “Sudetenland moment”. O problema reside em retirar conforto desse facto. Se estivermos à espera do “Sudetenland moment”, então será demasiado tarde. Nesse momento, restarão duas opções aos EUA:

·         O appeasement, que será uma capitulação e a entrega da região ao domínio chinês.

·         Ou a guerra, que poderá bem ser a III.

Como nenhum destes desenlaces se afigura agradável, bom será que os EUA sejam proactivos nesta matéria para prevenir males maiores.