ODISSEIA GRECO-EUROPEIA
A Europa vive uma Odisseia, que tal
como a original, a de Ulisses cantada por Homero, parece não ter fim.
Cartoon de Tom Toles
in “The Washington Post” em http://www.washingtonpost.com/
O primeiro problema é que o berço da
civilização europeia está em crise profunda: a Grécia implodiu economicamente e sobrevive
(???) ligada à máquina do soro que lhe vai sendo injectado ao mesmo tempo que
se esvai (a economia) em sangue.
O segundo é que a crise alastrou e
novas Grécias (com variantes específicas)
proliferaram pela Europa: Irlanda, Portugal, Espanha, Chipre, quiçá Itália,
Bélgica, entre outros insuspeitos. É um périplo bem mais longo e complexo do
que a rota de Ulisses de regresso a Ítaca.
O terceiro é que cada solução é
destruída nos dias seguintes à sua apresentação, seja pelos mercados desconfiados,
pelas bolsas nervosas, ou pelos próprios autores e proponentes, inseguros e
incompetentes. Continuando no registo homérico, a resolução da crise é como a
teia de Penélope, tecida de dia, desfeita durante a noite.
E assim a Odisseia continua, com
provações incontáveis, enquanto os deuses contemporâneos, políticos,
burocratas, financeiros, vão prosseguindo os seus desígnios, gastando os nossos
recursos e exibindo as suas incompetências.
Quando Ulisses
chegou finalmente a Ítaca, eliminou com o seu arco e flechas os cortesãos
traidores que queriam casar com sua mulher Penélope e apoderar-se do seu trono.
Talvez, quando
Ulisses chegue de novo e finalmente a Ítaca, ou seja, quando Gregos,
Irlandeses, Portugueses, Espanhóis, Cipriotas, Italianos, chegarem finalmente à
conclusão de que a crise e a incapacidade de a superar se deve a uma legião de
novos cortesãos e traidores, talvez então se faça o definitivo acerto de contas
e a paz regresse a Ítaca, à Europa.
















