21 maio, 2012

ANGIE


ANGIE



Angela Merkel

Rolling Stones’ “Angie” is a beautiful, superb song written by Mick Jagger and Keith Richards. It was not dedicated to Angie Merkel, but I decided to adapt the lyrics to make them fit Angie Merkel, who’s been ruling Europe’s suicidal austerity with a tight fist.

At the end of the lyrics you can listen to the real thing. It’s worth it!

Mick Jagger – Keith Richards, 1973   My Version, 2012
Angie, Angie                                         Angie, Angie
When will those clouds all disappear?
  When YOU and your lackeys disappear
                                       
Angie, Angie
Where will it lead us from here?
           To the abyss
With no loving in our souls
And no money in our coats
           Oh, so very true!!!
You can't say we're satisfied         We’re definitely not!
But Angie, Angie
You can't say we never tried
 YOU demanded, WE tried!
Angie, You're beautiful         (Joking!)
But ain't it time we said goodbye           YES IT IS!!!
Angie, I still love you                  NOOOO. I never did!
Remember all those nights we cried?You don’t cry, do you?
All the dreams we held so close 
YOUR dreams, OUR nightmares.

Seemed to all go up in smoke   Like our salaries…
Let me whisper in your ear      More like banging in your ear.
Angie, Angie
Where will it lead us from here?
   To total destitution
Angie, don't you weep         You don’t have to. We do!
All your kisses still taste sweet   AAARGH!
I hate that sadness in your eyes Lying. I would love to see that!
But Angie, Angie
Ain't it time we said goodbye?
                   YEEES!
With no loving in our souls
And no money in our coats     Nor in the wallet, nor in the bank....money nowhere.
You can't say we're satisfied              As if you cared…
But Angie, I still love you, baby      
No, no, no! I never did and never will!!!
Everywhere I look I see your eyes  What a nightmare!
There ain't a woman that                  
comes close to you               You just set a new (negative) standard!              

Come on baby dry your eyes        They were never wet.
But Angie, Ain't it...
Ain't it good to be alive?          
     Not with you around
Angie, Angie
You can't say we never tried
        Just buzz off! Get lost!


"Angie" by Rolling Stones

17 maio, 2012

Desemprego em Passos Acelerados

DESEMPREGO A PASSOS ACELERADOS

O desemprego em Portugal bateu nos 15%. O desemprego entre os jovens cifra-se nos 35%. Há 820.000 desempregados. Números gravíssimos e nunca vistos.
Sobre este problema e sobre a crise, Passos Coelho foi-nos deixando declarações como estas ao longo dos últimos 6 meses:
Dezembro de 2011: Sugere que os professores desempregados emigrem para Angola ou para o Brasil
Fevereiro de 2012: Apela aos Portugueses para serem menos piegas.
Março de 2012: Marcelo Rebelo de Sousa e outros analistas notam e criticam a ausência de referências ao desemprego nas intervenções de Passos Coelho no Congresso do PSD. Marcelo acrescenta que, certamente o fará na intervenção final. A custo, Coelho lá fez a referência no discurso de encerramento.
Abril de 2012: Declara que estão (o Governo e a Troika) a tentar perceber as razões deste crescimento acelerado do desemprego.
Maio de 2012: Afirma que estar desempregado não é necessariamente negativo e que tal pode representar uma oportunidade.
Maio de 2012: Confrontado com os novos números do desemprego, Passos Coelho recusa pronunciar-se.
Eu sei que há quem faça interpretações benfazejas daquilo que Passos Coelho disse. Admito que algumas sejam verosímeis. Contudo, como sou céptico em relação às coincidências, especialmente quando são em série, tenho de me inclinar para outras explicações possíveis:
1-   O homem denota insensibilidade social e ainda escarnece cinicamente daqueles que passam dificuldades.
2-   Trata-se de um trapalhão que mete os pés pelas mãos, tendo dificuldade em articular uma ideia escorreita e unívoca sobre temas de grande sensibilidade.
3-   Não tem a menor ideia do que é o desemprego, ou do que é estar numa situação altamente precária, porque sempre viveu da política, do partido e dos padrinhos, pelo que sempre teve bons cargos, independentemente das qualidades e qualificações, ou falta delas.
4-   Ele faz o que a Troika manda e quer lá saber das consequências. De qualquer forma, a responsabilidade será sempre da Troika.
5- Tem boas intenções, mas é mal compreendido ou mal interpretado.
Em suma, há 820.000 Portugueses com um mar de oportunidades pela frente, muitos dos quais podem/devem emigrar e outros são uns piegas inúteis. Nós é que não queremos ver!
A propósito das últimas declarações de Passos, e porque rir faz bem, deixo o link para o último (17/05/2012) sketch de Ricardo Araújo Pereira na Rádio Comercial. É hilariante! http://www.xicapenico.org/mixordia-tematicas/ *
Certo mesmo, é que o desemprego acelera a largos passos e o Passos desacelera a nossa economia até à asfixia.
 
* A gravação é do “Programa da Manhã da Rádio Comercial”, pelo que o início é uma conversa que não tem a ver com a rúbrica de RAP.

P.S. O INE divulgou uma estatística segundo a qual, 57.000 jovens portugueses emigraram durante o 1º trimestre de 2012. Se anualizarmos esta cifra, poderemos chegar ao final do ano com menos 228.000 jovens. Mais do que seguir o conselho de Passos, estes jovens concluiram que estamos perto do abismo e seguindo em frente. Esta estatística é potencialmente trágica, porque é o futuro de Portugal que vai saindo e batendo com a porta.

P.P.S. A OCDE divulgou as suas previsões económicas. Relativamente as Portugal, as previsões são estas:

  * Recessão em 2012 e 2013.
  * Evolução do PIB em 2012: -3.2%; e em 2013: -0.9%.
  * Desemprego: 16.2% em 2013
  * Consumo privado em 2012: -6.8%; e em 2013: -3.2%.
  * Déficite orçamental em 2012: 4.6%; e em 2013: 3.5% (objectivo é 3.0%.
  * Exportações em 2012: +3.4%; e em 2013: +5.1%.

Palavras para quê? Depois o Governo e a Troika espantam-se com o aumento do desemprego! Estão a sangrar a economia do país como se da matança de um porco se tratasse e estavam à espera de quê?
 

14 maio, 2012

O Czar Vladimir

O CZAR VLADIMIR


Vladimir Putin no Kremlin para tomar posse como Presidente da Federação Russa pela 3ª vez.
in “The Economist”

Vladimir Putin é a figura dominante da Rússia do século XXI. Foi Primeiro Ministro da Federação Russa entre 1999 e 2000, foi Presidente durante 8 anos (2000-2008), escolheu o seu sucessor (Dmitri Medvedev), foi Primeiro-Ministro nos 4 anos subsequentes (2008-2012) e foi eleito para o que serão, provavelmente, mais 12 anos de Presidência (2012-2024).
Neste período, a Rússia renasceu das cinzas e do caos pós-imperial, para se tornar novamente numa potência influente, tendencialmente hegemónica no seu espaço vital, economicamente dinâmica (muito à custa dos seus vastos recursos energéticos) e ressurgente militarmente.
Na realidade, Putin prosseguiu uma via que lhe permitiu alcançar os seus objectivos para a Rússia: torná-la forte, credível e influente. Tal não foi fácil num país que sofreu o impacto da perda da componente soviética do seu Império em 1989, que logo depois, em 1991, com a implosão da URSS, perdeu o Império construído pela Rússia czarista entre os séculos XVII e XIX, viveu uma traumática década de 1990, durante a qual esteve a saque internamente, foi tratada como um actor menor externamente e foi minada pelas revoltas no Cáucaso.
Vladimir Putin atingiu os seus objectivos investindo em múltiplas frentes:

·         Evidenciando uma atitude de firmeza e fiabilidade na defesa dos interesses dos Russos.
·         Centralizando e reforçando o poder do Estado para obter segurança e estabilidade.
·         Projectando força e poder: Segunda Guerra na Chechénia, Guerra Russo-Georgiana de 2008, e forte investimento nas Forças Armadas (equipamento e pessoal).
·         Colocando a Rússia no caminho do crescimento económico, sem o qual as outras dimensões seriam inatingíveis.
·         Afirmando uma política externa autónoma, frequentemente definida por oposição aos EUA e na prossecução de interesses próprios.
·         Projectando poder e influência no near abroad (denominação que Moscovo aplica aos países da antiga União Soviética), usando um mix de hard power (força militar, coacção energética) e soft power (integração económica, apoio militar, subsidização de gás e petróleo).
A reafirmação da Rússia, o seu recurso à Real Politik, o uso pontual de Hard Power, o contra-vapor efectuado em relação a algumas importantes iniciativas de política externa e de defesa do Ocidente e a centralização de poder em prejuízo da democracia, desgraçaram a imagem de Vladimir Putin na Europa e nos Estados Unidos.
Tipicamente, a reacção foi a demonização de Putin e a promoção dos movimentos oposicionistas na Rússia. No entanto, os relatos que nos chegam de grandes manifestações contra Putin, normalmente ficam pelos 5.000 a 20.000 participantes, numa capital com 10.000.000 de habitantes, num país com 150.000.000 de cidadãos. Também são algo pífias as alegações de vagas irregularidades numas eleições que Putin venceu com 64% dos votos.
No entanto, o novo ciclo do Czar Vladimir não será fácil. São vários e significativos os desafios que a Rússia tem pela frente.
No plano interno precisa de diversificar a sua economia evoluindo em sectores hi-tech e explorando novas jazidas de hidrocarbonetos para compensar as que já estão em fase adiantada de maturação, para manter a economia e o emprego em crescimento. Estas duas frentes implicam know-how e investimentos brutais que terão de vir, pelo menos em parte, do exterior.
Externamente, a prioridade será integrar progressivamente os Estados da antiga URSS na esfera de influência de Moscovo, usando para tal as estruturas que a Rússia já criou, como a União Aduaneira (Rússia, Bielorrússia e Kazaquistão), a União Euroasiática (moldada na União Europeia e que supostamente entrará em vigor em 2015, integrando pelo menos a Rússia, Bielorrússia, Kazaquistão, Kirguizistão e Tajiquistão) e a Organização do Tratado de Segurança Colectiva (CSTO) no âmbito da defesa e segurança e que já inclui a Rússia, Bielorrússia, Kazaquistão, Uzbequistão, Kirguizistão, Tajiquistão e Arménia. A inclusão da Ucrânia nesta arquitectura regional será o objectivo primeiro do Kremlin, pois garantiria segurança, homogeneidade e poder ao projecto, consolidando a hegemonia russa a níveis nunca vistos desde 1991.
Goste-se ou não, Putin veio para ficar e as suas prioridades serão a manutenção do edifício de poder que construiu e a afirmação da Rússia. Se Putin vingar no plano económico, fará o que for necessário para assegurar os interesses da Rússia nos planos político e militar, o que inclui a sua oposição à instalação do sistema de Defesa Anti-Míssil Balístico na Europa. Com razões substantivas, ou como pretexto, este é o campo de batalha em que a Rússia de Putin enfrentará a NATO e os EUA a curto prazo.

09 maio, 2012

Revolta em Atenas

REVOLTA EM ATENAS



O novo Parlamento grego.

E passados dois anos foi-lhes finalmente dada a palavra. E eles usaram-na de forma implacável.


Eles são os Gregos. O modus operandi foi o voto. A sentença foi inapelável: cortaram à esquerda e à direita, golpeando e esquartejando com raiva incontida.


No final da batalha eleitoral, jaziam no campo de batalha o PASOK, a Nova Democracia, Papandreou, Venizelos, Samaras. Presentes na mente e no voto dos executores estavam também Merkel, Sarkozy (efectivamente liquidado numa refrega distante), a Troika e o seu Memorando.


A dimensão do castigo sem precedentes (redução do share do voto da ND e do PASOK de 80% para 33%!!!) pode surpreender um pouco, mas tendo em conta que os dois partidos governaram (??) em conjunto no último meio ano, continuando a impor a mais brutal (e sem sentido) austeridade de que há memória, só se os Gregos fossem uns totais otários ou tivessem vocação para mártires é que não iriam procurar alternativas. Não as havendo no centro, encontraram-nas nas extremidades do espectro político. É clássico e é normal. Também por isso, sempre fui totalmente contra o Bloco Central.

Resta agora saber que governo a Grécia vai ter e como os representantes eleitos se vão comportar, perante os seus representados e perante a Alemanha, que tem actuado como uma potência administrante.

Os Gregos, pelo que se tem ouvido, estão contentes com o que fizeram, mas expectantes, até um pouco desconfiados, sobre o futuro próximo.

Os Alemães, esses não têm dúvidas: Greece must implement reforms it agreed to as part of its bailout package. The agreements represent Greece's best path forward and Athens must adhere to them. (Steffen Seibert, porta-voz do Governo Alemão).

Resulta claro que o Senhor Seibert (e o Governo Alemão) sabe o que é melhor para os Gregos. Estes, por sua vez, parecem discordar e gritaram-no de forma ensurdecedora no dia 6 de Maio.

A política económica (??) e fiscal não pode prosseguir inalterada na Grécia, sob pena de uma sublevação geral que torne literais os 3 primeiros parágrafos deste texto. Assim, no plano externo, terá de haver um ajustamento do plano de estrangulamento, perdão ajustamento, da Grécia, ou o rompimento total. No plano interno, a reedição de soluções passadas está fora de hipótese, como comprovou a incapacidade da Nova Democracia formar governo. A possibilidade de um governo baseado nos partidos da revolta, esvaiu-se com a abdicação da Syrisa (Esquerda Radical) em constituir governo. Dado que a última hipótese prevista, um governo formado pelo PASOK, seria uma afronta, parece caminhar-se para novas eleições em Junho.

Se assim for, teremos de esperar um mês para saber se a Revolta de Atenas é a sério, ou se, desta vez, o Olimpo pariu um rato.


Post-Scriptum: Cavaco Silva veio mostrar-se preocupado com a ascensão da extrema-direita e dos eurocépticos na Grécia. Porquê só a extrema-direita? A extrema-esquerda não o preocupa? E os eurocépticos preocupam-no porquê? Defende o pensamento único? Por isso é que nunca quis fazer referendos? E mistura-os com extremistas porquê? Já agora, porque não se cala?



07 maio, 2012

Hollande Lidere la France

HOLLANDE LIDERE
LA FRANCE



François Hollande entra em cena.
in “The Economist”, 28 April 2012

Como era previsível, François Hollande venceu (52%) as eleições e é o novo Presidente da França. Como era expectável, Nicholas Sarkozy perdeu (48%) e abandonou a política.
Sarkozy gerou em mim algum entusiasmo (ver "Allez Y Sarkozy" de 28/05/2007 em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2007/05/allez-y-sarkozy.html) que se foi gradualmente esfumando. O seu estilo saltitante (literalmente e politicamente) desagradou-me e, claramente, saturou os Franceses. A sua colagem à Alemanha e a Merkel nos últimos anos, somada à crise, esgotou o crédito que tinha acumulado em 2007.
Rei morto, Rei posto, importa agora saber o que esperar de Hollande. Este blog espera pouco. Sim, preferia a vitória de Hollande, porque Sarkozy é cúmplice do Diktat germânico que está a arruinar as economias europeias, é arrogante e teve outras opções de política externa (Afeganistão, Líbia) que desaprovo. No fundo, tenho uma pequena esperança de que Hollande consiga mitigar algum do fundamentalismo fiscal alemão. Sendo realista, não creio que o estado de coisas melhore substantivamente.
Relativamente às políticas de asfixia, perdão austeridade, tenho sérias dúvidas que François Hollande tenha o je ne sais quoi para enfrentar Angela Merkel e fazê-la ceder. O resultado desse confronto vai ser o anúncio de algumas medidas paliativas para salvar a face do Francês, mantendo a essência do que quer a Alemã.
Quanto ao carácter imperioso de apostar no crescimento, francamente não me revejo nas políticas de crescimento económico centrado no esforço e investimento estadual. E é óbvio que nem Hollande, nem o PSF, vão encolher o Estado (bem pelo contrário), nem aliviar o jugo fiscal, para libertar a sociedade e os indivíduos para investirem e consumirem mais.
E assim sendo, é provável que tenhamos mais um caso de “plus que ça change, plus c’est la même chose”….