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06 julho, 2012

O Circo da Semana

O CIRCO DA SEMANA


 
Uma boa parte da vida pública e política da III República em Portugal assemelha-se a um circo. Esta semana o espectáculo atingiu os píncaros. Talvez devido à crise, os artistas do Circo da Semana foram só palhaços. Porém, estes palhaços são polivalentes: além das palhaçadas, eles fazem malabarismos, acrobacias e ilusionismo. Por fim, à falta de feras, tentam fazer de todos nós bestas. Vamos conhecê-los.

O Palhaço Interesseiro: Tribunal Constitucional

O roubo dos 13º e 14º meses dos funcionários públicos é inconstitucional. Não por ser um roubo, mas por não ser generalizado. Ou seja, se o confisco abrangesse todos os Portugueses, a constitucionalidade estava garantida. Ah, mas não é inconstitucional em 2012. Só a partir de 2013. Resumindo, este Palhaço fez o servicinho que habitualmente faz ao PSD ou ao PS, que nomeiam a maioria dos juízes. Contudo, como desta vez a medida lhes mexeu no bolso (sim, porque se não fizerem batota, também eles ficariam sem os subsídios durante 6 anos), o jeito é limitado no tempo. Hoje é constitucional, amanhã já não é! Palhaçada e prestidigitação!

O Palhaço Prepotente: Pedro Passos Coelho

Coelho estava visivelmente irritado, com cara de mau perdedor. E reagiu com azia: não me deixam ficar com os subsídios, eu vou sacar mais a muitos mais! Este é o Palhaço que faz o papel de prepotente, mas na realidade é do tipo marioneta, comandado à distância, de Berlim e de Bruxelas, de onde já recebeu o recadito da ordem.

O Palhaço Pobre: António José Seguro

Reagiu dizendo que não admite mais austeridade...este ano. Para o ano já estará bem. Faz o jogo dos dois palhaços anteriores, mas não risca nada. É o típico Palhaço Pobre que faz figura de pateta. Veio também a saber-se que fez bullying aos dissidentes internos que hoje aproveitaram para ajustar contas. Vida de pobre não é fácil. Quando também se é palhaço e pateta, ainda pior.

O Palhacito: Nuno Magalhães*

O “Palhacito” não tem qualquer conotação ternurenta, antes reporta-se à relativa insignificância do protagonista. Não obstante, Nuno Magalhães proferiu as maiores barbaridades** que se ouviram no dia de hoje. Num registo que causou visível auto-satisfação, como sou espirituoso e acutilante, o Palhacito questionou a decisão de inconstitucionalidade, escudando-se na diferença de salários entre os sectores privado e público (?!?), acusando o TC de assumir competências orçamentais (o TC considerou uma medida orçamental inconstitucional, não a substituiu por outra) e tentando imputar ao TC responsabilidades pela recessão que toda a gente sabe que é da exclusiva responsabilidade do governo do Palhacito e do anterior.

O Palhaço Ausente: Cavaco Silva

O Presidente da República manifestou, aquando da promulgação do Orçamento de Estado, as suas dúvidas sobre a violação da regra da equidade. Contudo, assinou de cruz, não se dando ao trabalho de enviar o documento para o Tribunal Constitucional para fiscalização prévia da constitucionalidade. Hoje não desceu à pista, mas a sua palhaçada pessoal foi desmascarada.

E é este o circo em que os Portugueses vão vivendo. Os Romanos tinham pão e circo. Os Portugueses não têm pão e têm um circo muito rasca!


* Para quem não saiba, o Palhacito é o líder do Grupo Parlamentar do CDS.
** As barbaridades produzidas pelo Palhacito podem ser lidas em http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=568493&tm=9&layout=121&visual=49