O CIRCO DA
SEMANA
Uma boa parte da vida pública e
política da III República em Portugal assemelha-se a um circo. Esta semana o
espectáculo atingiu os píncaros. Talvez devido à crise, os artistas do Circo da
Semana foram só palhaços. Porém, estes palhaços são polivalentes: além das
palhaçadas, eles fazem malabarismos, acrobacias e ilusionismo. Por fim, à falta
de feras, tentam fazer de todos nós bestas. Vamos conhecê-los.
O Palhaço Interesseiro: Tribunal Constitucional
O roubo dos 13º e 14º meses dos funcionários públicos é
inconstitucional. Não por ser um roubo, mas por não ser generalizado. Ou seja, se o confisco abrangesse todos os Portugueses,
a constitucionalidade estava garantida. Ah, mas não é inconstitucional em 2012.
Só a partir de 2013. Resumindo, este Palhaço fez o servicinho que habitualmente
faz ao PSD ou ao PS, que nomeiam a maioria dos juízes. Contudo, como desta vez
a medida lhes mexeu no bolso (sim, porque se não fizerem batota, também eles
ficariam sem os subsídios durante 6 anos), o jeito é limitado no tempo. Hoje é constitucional, amanhã já não é!
Palhaçada e prestidigitação!
O Palhaço Prepotente: Pedro Passos Coelho
Coelho estava visivelmente
irritado, com cara de mau perdedor. E reagiu com azia: não me deixam ficar com os subsídios, eu vou sacar mais a muitos mais!
Este é o Palhaço que faz o papel de
prepotente, mas na realidade é do tipo marioneta, comandado à distância, de
Berlim e de Bruxelas, de onde já recebeu o recadito da ordem.
O Palhaço Pobre: António José Seguro
Reagiu dizendo que não admite mais
austeridade...este ano. Para o ano já estará bem. Faz o jogo dos dois palhaços
anteriores, mas não risca nada. É o
típico Palhaço Pobre que faz figura de pateta. Veio também a saber-se que
fez bullying aos dissidentes internos que hoje aproveitaram para ajustar
contas. Vida de pobre não é fácil.
Quando também se é palhaço e pateta, ainda pior.
O Palhacito: Nuno Magalhães*
O “Palhacito” não tem qualquer conotação ternurenta,
antes reporta-se à relativa insignificância do protagonista. Não obstante, Nuno Magalhães proferiu as maiores barbaridades** que se ouviram no dia de hoje.
Num registo que causou visível auto-satisfação, como sou espirituoso e acutilante, o Palhacito questionou a decisão
de inconstitucionalidade, escudando-se na diferença de salários entre os
sectores privado e público (?!?), acusando o TC de assumir competências
orçamentais (o TC considerou uma medida orçamental inconstitucional, não a
substituiu por outra) e tentando imputar ao TC responsabilidades pela recessão
que toda a gente sabe que é da exclusiva responsabilidade do governo do
Palhacito e do anterior.
O Palhaço Ausente: Cavaco Silva
O Presidente da República
manifestou, aquando da promulgação do Orçamento de Estado, as suas dúvidas
sobre a violação da regra da equidade. Contudo, assinou de cruz, não se dando
ao trabalho de enviar o documento para o Tribunal Constitucional para
fiscalização prévia da constitucionalidade. Hoje não desceu à pista, mas a sua palhaçada pessoal foi desmascarada.
E é este o circo em que os Portugueses vão vivendo. Os
Romanos tinham pão e circo. Os Portugueses não têm pão e têm um circo muito
rasca!
** As
barbaridades produzidas pelo Palhacito podem ser lidas em http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=568493&tm=9&layout=121&visual=49