JUSTIÇA E RACISMO
Os Estados Unidos vivem dias de
agitação inflamada por causa do veredicto do caso Trayvon Martin – George Zimmerman,
julgamento da morte daquele por este. Como é sabido, o tribunal inocentou
Zimmerman que terá actuado em legítima defesa. A acusação não conseguiu provar
o contrário.
A reacção de vários políticos, media
e organizações não-governamentais saíram a público fazendo declarações
espantosas e promovendo manifestações e fazendo pressão para que o inocentado
fosse considerado culpado.
Um deles foi o lamentável Barack
Obama com duas declarações: “If I had a son, he’d look like
Trayvon,” (in Washington Post em http://www.washingtonpost.com/opinions/charles-krauthammer-the-zimmerman-case--a-touch-of-sanity/2013/07/18/35f30c00-efdd-11e2-a1f9-ea873b7e0424_print.html)
e mais tarde: “Trayvon Martin
could have been me 35 years ago,” (in
Washington Post em http://www.washingtonpost.com/blogs/post-politics/wp/2013/07/19/obama-on-trayvon-martin-historical-context-important/?wpisrc=nl_pmpol),
intervenções que, intencionalmente ou desastradamente, questionam uma decisão
judicial contra a qual não se conseguiu suscitar objecções substantivas.
A realidade que subjaz ao furor à volta da sentença é a
do preconceito racial. Grande parte da comunidade negra norte-americana
acredita e/ou foi levada a acreditar que Zimmerman foi absolvido por ser branco
e por a vítima ser negra e nada os convencerá do contrário, da mesma forma que
não se manifestariam se os papéis fossem invertidos.
Infelizmente, as estatísticas do crime mostram que, por
exemplo, em New York, 78% dos suspeitos em incidentes envolvendo armas de fogo
são negros, dos quais, a esmagadora maioria jovens e do sexo masculino. Ora
isto não é racismo, é um facto estatístico. Que pode ter muitas explicações
sociais, económicas, ou políticas, mas quando se trata de combater o crime, ou
de fazer criminal profiling, os motivos profundos não são relevantes, as
probabilidades são.
O mais lamentável, para além da vida que se perdeu, é o
aproveitamento que personalidades incendiárias e oportunistas como Al Sharpton
fazem do sucedido, tentando crucificar em praça pública quem foi inocentado num
processo judicial legítimo. Também é lamentável que uma televisão como a NBC
adultere factos de forma deliberada para “realçar a tensão racial da hsitória”
(in Expresso em http://expresso.sapo.pt/nbc-acusada-de-fabricar-racismo-de-george-zimmerman=f820575).
Inaceitável é haver responsáveis políticos que afirmem que Zimmerman é um
criminoso, quando acaba de ser considerado inocente por um tribunal. E não
estamos a falar de um mafioso que eliminou testemunhas e subornou polícias para
não ser condenado.
As pessoas que se promovem através de uma campanha de
ódio, assente em falsos racismos estão a pôr em cheque a possibilidade de
Zimmerman levar uma vida normal. Estarão mesmo a pôr a sua vida em risco. Mas
para esses, se Zimmerman vier a ser abatido, talvez tenha pouco importância:
afinal ele é apenas um branco.