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01 outubro, 2016

Bem Vindos Outono e Outubro



BEM VINDOS OUTONO E OUTUBRO

 

O Outono é a minha estação preferida. Outubro é o meu mês preferido. E não é por serem a minha estação e o meu mês.

Ambos anunciam o fim do tempo quente que, por vezes, me atormenta. Representam um tempo ameno, uma altura do ano em que os dias ainda não são pequenos, com dias solarengos e outros mais frescos e outros ainda chuvosos, numa dosagem frequentemente mais equilibrada. É, também, um tempo mais citadino.

Finalmente, last but not least, é o tempo das cores exuberantes, o vermelho, o amarelo, o laranja, o verde, o castanho, coexistem numa portentosa palete de cores que me fascina.

 

É bom estar de volta…ao Outono e a Outubro.


 

15 dezembro, 2012

O Outono Egípcio


O OUTONO EGÍPCIO

Bandeira gigante do Egipto numa manifestação anti-Morsi no Cairo a 28 de Novembro.
in “The Times” at http://www.thetimes.co.uk/tto/news/world/middleeast/article3613374.ece
A “Primavera Árabe” já está distante. Particularmente no caso do Egipto, as ilusões primaveris foram amarfanhadas nas eleições de Outono-Inverno. O Verão, muito provavelmente, vai esmagá-las. Depois de muitas vicissitudes, tudo indica que que vai ser no Verão que se vai definir o futuro político do Egipto no curto-médio prazo. E começa já este fim-de-semana.


Assim começava o post O Verão Egípcio publicado em “Tempos Interessantes” no dia 14 de Junho passado (ver em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2012/06/o-verao-egipcio.html )


Nesse fim-de-semana de Junho, os eleitores escolheram por pequena margem Mohammed Morsi, o candidato da Irmandade Muçulmana, para Presidente.


Em Agosto, Morsi remodelou as chefias das forças armadas. Em Setembro incrementou os ataques ao aparelho judicial. Em Novembro, publicou um decreto auto-atribuindo-se plenos poderes e colocando-se acima da lei (sic).


Esta deriva totalitária resulta de vários factores, o principal dos quais é o desejo e a urgência da Irmandade em controlar as alavancas de poder no Egipto. Para tal, precisa de fazer aprovar uma nova constituição por si formatada e desencadear um processo eleitoral legislativo para garantir uma (presumível) maioria parlamentar. A partir daí, com presidência, governo, parlamento por si controlados e constituição a gosto, a Irmandade Muçulmana poderá prosseguir os seus objectivos de islamização política e social do Egipto


É óbvio que se tal for conseguido com base em vitórias eleitorais democráticas, por muito que não se goste, não há muito a dizer. É óbvio também, que se tal desiderato for atingido pela usurpação de poderes pelo Presidente, pelo desrespeito e amarfanhamento do poder judicial e pela manipulação do processo constituinte, então já haverá muito a dizer.

Porém, haverá muito pouco a fazer.


Porquê a urgência? Porque o Egipto está com sérias dificuldades económicas e de financiamento pelo facto de estar a atravessar um PREC (Período Revolucionário Em Curso) desde Janeiro de 2011, durante o qual muita da actividade económica do Egipto quase paralisou e também, as grandes receitas provenientes do turismo secaram. Para ultrapassar a situação, o governo terá de tomar medidas impopulares, como a redução brutal de certos subsídios governamentais, como o dos combustíveis, ou do pão. Urge pois consolidar o poder antes de este poder ser contestado nas urnas.


No já referido post O Verão Egípcio, escrevi: existem dois pólos de poder político e fáctico no Egipto, os militares com o lastro do regime anterior e os islamitas, congregados em torno da Irmandade Muçulmana e, em menor grau, dos Salafistas. O que se disser sobre outras forças e influências, é mero entretenimento.


Isso continua a ser verdade. Os militares não demonstram muita vontade de exercer o poder político e ser responsabilizados pelos resultados da governação. No entanto, querem manter a sua autonomia e os seus privilégios institucionais, corporativos e económicos, ou seja, continuarem a ser uma realidade paralela. Os islamitas, pelo seu lado, compreendem que não é do seu interesse afrontar o exército e, provavelmente, perder. Garantirem o poder e ficarem excluídos da esfera militar será algo com que podem viver por uns anos.


A partir do momento em que os poderes fácticos arranjaram um modus vivendi mutuamente vantajoso, resta pouco que os restantes grupos possam fazer. Daí o ataque ao poder judicial, que era o poder remanescente. As manifestações serão a última arma da oposição secular, liberal, de esquerda, cristã, o que seja. Até agora mostraram alguma eficácia, ao ponto de Morsi ter revogado o seu decreto. Mas no que realmente interessa: presidente, governo, parlamento, constituição da Irmandade e poderes e privilégios das forças armadas, salvaguardados, provavelmente haverá pouco a fazer.

E depois da Primavera das esperanças desmedidas, e da quente realidade do Verão, o Outono no Egipto também é um tempo de folhas caídas: esperanças estilhaçadas, instalação de poderes intransigentes e um esfriar da democracia. Resta aguardar o que o Inverno trará aos Egípcios….

22 novembro, 2012

A Queda das Folhas


A QUEDA DAS FOLHAS


Eu gosto muito do Outono. É a minha estação (nasci em Outubro), marca o fim do calor, tem dias amenos e, principalmente, a sua paisagem oferece-nos uma explosão de cores em mutação: amarelos, vermelhos, laranjas, castanhos e verdes também.

Daniel Charles Grose (1838-1900): Fall Scene
(Paisagem de Outono)


Contudo, o Outono é também o tempo da queda da folha, o fim de um ciclo, o prenúncio da inclemência do Inverno. A natureza parece entrar em decadência, muitas plantas despem-se, muitos animais perecem e ao entrarmos em Dezembro, a explosão cromática de Outubro dá lugar a uma paisagem desprovida de cor e roupagem. As folhas caem e não voltam. Outras virão, mas já não são as mesmas. Há árvores que sucumbem à invernia. E há Invernos mais longos e rigorosos do que outros.

E as folhas continuam a cair....
  

Jan Van Goyen (1596-1656): Landschap met Twee Eiken - 1641
(Landscape with Two Oaks)
(Paisagem com Dois Carvalhos)

  

* Não obstante a fonte ser a “American Gallery”, Daniel Grose é Canadiano. Acrescento que Van Goyen é Holandês.