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30 julho, 2013

Snowden ou Snoworm?

SNOWDEN OU SNOWORM?


Edward Snowden vendeu segredos relacionados com a segurança nacional dos Estados Unidos da América. Eu sei que ele se vangloria de não ter recebido dinheiro. Mesmo admitindo que seja verdade, entregou-os e divulgou-os para obter fama e mediatismo, para se arvorar em herói de uma causa pouco clara e na qual se adivinha o nome “Snowden”. Isto para não falar dos livros, palestras e entrevistas que certamente fará se e quando conseguir sair de Moscovo e que lhe valerão certamente muita boa maquia. Receba em dinheiro, géneros, ou algo de imaterial, parece-me líquido que vendeu e se vendeu. E quem vende, rouba, ou divulga informação secreta do seu país tem um nome: TRAIDOR.


Se Snowden quisesse fazer uma denúncia, mudar a situação, suscitar o debate, faria a denúncia ao Congresso ou aos tribunais, sem comprometer a segurança do seu país e ficava. Ficava e assumia as consequências. Como outros fizeram antes dele. Mas não, fugiu como um galináceo apavorado, alegando que tinha medo de ser torturado e assassinado, como se a sua denúncia pública não fosse ela própria uma garantia da sua segurança. Como se não fosse mais fácil para os EUA liquidá-lo no Equador, na Bolívia, ou na Venezuela do que nos próprios EUA.


Snowden, segundo ele próprio, trabalhou para a CIA e a NSA (indirectamente) durante 6 anos, que pelos vistos foi o tempo que demorou a perceber que fazia coisas atrozes. O mais curioso é tentar chocar-nos com o facto de os Estados Unidos espiarem os seus aliados como se tal constituísse novidade: não só os EUA, como outros países como a França, o Reino Unido e Israel espiam e recolhem informações em países amigos e aliados. Tal faz parte do core business dos serviços de informações. E não é Snowden que vai acabar com isso.


De igual forma, qualquer pessoa que leia material em open source, ou que veja séries norte-americanas tem noção do potencial de controle e espionagem das comunicações electrónicas. O que Snowden traz de novo é a documentação comprovativa das metodologias e dos alvos. É evidente que é grave e danoso para a imagem dos EUA, bem como para o sucesso das suas actividades de spying & intel, mas ao contrário do que julga, não vai mudar o mundo, tal como o suspeito violador que dirigia a Wickedleaks não mudou (ver “Wickedleaks” em http://tempos-interessantes.blogspot.pt/2011/02/wickedleaks.html).


Não estou com isto a defender a espionagem dos cidadãos em roda livre. Por exemplo, desconfio do novo Bilhete de Identidade com concentração de dados consultáveis por qualquer agente do Estado munido do aparelho próprio. Não gosto da proliferação de câmaras quando não são estritamente necessárias, detesto ser perseguido por carros da polícia descaracterizado como se fosse membro de um gang de criminalidade organizada, acho abusivo o screening indiscriminado de comunicações e sinto-me desconfortável por a minha vida poder ser vigiada através do uso de artefactos como o cartão de crédito e a via verde.

Não obstante, compreendo e aceito que as tecnologias sejam utilizadas para prevenir, deter, combater, punir, exterminar eventuais atacantes. Na medida em que a lei seja cumprida e o controle seja focado em ameaças credíveis, estamos no domínio do razoável. A linha separadora entre a vigilância necessária e o abuso é muita estreita e algo subjectiva. Por isso, é preciso vigiar os vigilantes e controlar os controladores. E esperar que haja boa-fé e bom senso. Não é fácil.


Estas são características que parecem faltar a Snowden. Infelizmente para ele, mas previsivelmente para mim, as coisas correm-lhe mal. Em vez de herói das massas oprimidas, é um pobre coitado acossado e embarrilado no aeroporto de Moscovo. Os membros destacados do seu clube de fans são os Coronéis Tapioca do século XXI (Maduro da Venezuela, Morales da Bolívia, Correa do Equador e Ortega da Nicarágua.


Não acho que os EUA se dêem ao trabalho de o abater. Snowden deverá sair da Rússia eventualmente e provavelmente irá viver e apodrecer num dos países americanos referidos. Seja onde for, irá viver a olhar por cima do ombro e não usará computador ou telemóvel. Teve comportamento de verme, terá destino de verme e até tem, com um pouco de imaginação, nome de verme: EDWARD SNOWORM.