O BULLY
A
invasão de Átila e dos Hunos em triplicado: Angela Merkel, Christine Lagarde e
Wolfgang Schauble.
O episódio do famigerado resgate a Chipre, mostrou
a quem ainda não tivesse percebido que há um novo bully na Europa. Tal como
muitos outros, muitas vezes repetentes, este também é maior e mais forte do que
as vítimas.
Como um bully que se preze, este ataca os mais
fracos, mais vulneráveis, mais indefesos. Aliás, o caso de Chipre parece
mostrar que quão mais fraca é a vítima, mais o valentão recorre à violência.
Porém, fá-lo de forma capciosa, sob o pretexto de
ajudar, com a desculpa de salvar o euro, protestando que a ideia da agressão
foi de terceiros, ou justificando as acções porque as maiores vítimas são de
fora, da Rússia. No entanto, é o bully que força a rendição, o vergar da cerviz
e a miséria da vítima.
A Alemanha vem-se comportando como um bully na
Europa. A Grécia é o alvo mais antigo, podendo já ser considerada uma vítima
crónica. Já o Chipre foi atingido com uma violência inusitada, como que
aproveitando o mais enfezado da turma para lhe dar um correctivo exemplar que
aterrorize os restantes.
Wolfgang
Schauble, Ministro das Finanças da Alemanha e um dos rostos do Bully!
Ninguém gosta de ser vítima de bullying. Resta ver
se continua a prevalecer o terror do bully, ou se estalará a revolta.
A Alemanha agarrada à receita da austeridade a
todo o custo e com Merkel a pensar apenas em Setembro, comporta-se como um
bully na Europa. Tal atitude comporta dois riscos:
1-
O de fomentar um sentimento anti-germânico que já
teve significativas demonstrações na Grécia, em Chipre, na Itália e em
Portugal. O alto-comando do Reich em Berlim devia interrogar-se sobre as causas
e as possíveis consequências dessas atitudes.
2-
O de arrasar as economias da Europa Meridional de
tal modo, que a Alemanha sofra uma severa contracção das suas exportações para
países europeus. Dado que o sector exportador é o dínamo da economia alemã e
que 55% dessas exportações são para os outros 26 Estados-Membros da EU, não
será surpreendente que a recessão a sul venha a ricochetear mais a norte. Seria o clássico tiro no pé.
Até ver (pelo menos até Setembro) é garantido que
o Bully vai continuar a fazer estragos e a gerar inimigos pela Europa fora, de
Lisboa a Moscovo. As duas grandes questões são as de saber até onde e quando
aguentaram os bullied o bullying e até onde e quando o Bully continuará a
praticar o bullying.

