Mostrar mensagens com a etiqueta África. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta África. Mostrar todas as mensagens

25 setembro, 2013

Bloody Weekend

BLOODY WEEKEND

 
Não foi o primeiro, não será o último e certamente nem terá sido o pior, contudo, o último fim-de-semana foi particularmente mortífero:


Bagdad, Iraque: carro bomba explode num funeral »»» 60 mortos e 120 feridos. Outros dois atentados provocam 8+5 mortos. Responsável: Islamic State of Iraq and the Levant (versão actual da Al Qaeda no Iraque)


Peshawar, Paquistão: dois bombistas suicidas detonam-se numa igreja »»» 80 mortos e 120 feridos. Responsáveis: Jandullah e Junood ul-Hifsa, dois grupos com ligações aos Taliban do Paquistão.


Nairobi, Quénia: um grupo armado toma de assalto um shopping centre »»» 67 mortos e 180 feridos. Responsável: Al Shabab (Somália).


Total: três ataques no Médio Oriente, Ásia Central e África Oriental »»» 210 mortos e 420 feridos.


As metodologias e os locais são diferentes. As semelhanças são três:

·         Número elevado de vítimas.

·         Terrorismo Islâmico.

·         Executantes são grupos com ligações, filiação ou pertença à Al Qaeda.


Os alvos são diferentes, mas encaixam nos estereótipos dos grupos sunitas radicais e da Al Qaeda:

·         Ocidentais e Judeus no Quénia.

·         Cristãos no Paquistão.

·         Xiitas no Iraque.


Moral da trágica história:

·         A ameaça continua presente.

·         Os grupos jihadistas continuam e continuarão a atacar.

·         Em face disso, não é possível baixar a guarda ou meter a cabeça na areia.


The “Terror” keeps on attacking. One has to keep on waging “War on Terror”. Por muito que isso custe aos pusilânimes.

13 dezembro, 2007

Hipocrisias

HIPOCRISIAS
 

Por Bandeira in “Diário de Notícias”, 8 de Dezembro 2007

Há um ano (19/12/16) publiquei um post intitulado “Europa e África”(http://tempos-interessantes.blogspot.com/2006/12/europa-e-frica.html) em que verberava a hipocrisia europeia em acolher o mesmo Robert Mugabe que a EU baniu de território comunitário por graves e continuadas violações dos direitos humanos. Aí escrevi:

“Lá se vai a suposta “superioridade” moral dos Europeus; para conseguir realizar uma cimeira, provavelmente inconsequente, têm de ceder aos caprichos de alguns dirigentes africanos e receber um ditador assassino, cleptocrata e racista. É claro que se se tratasse de Pinochet, Alexander Lukashenko, ou Jorg Haider, haveria um tsunami político-mediático condenando a atitude imoral dos líderes europeus. Se for Mugabe ou Fidel Castro, tudo corre bem, pertencem à turma de ditadores aceites pela intelligentsia europeia. Pior ainda, é que além de Mugabe, virá mais uma clique de ditadores mais ou menos sanguinários, mas que nem da lista negra constam.”
Doze meses volvidos e a “coisa” aconteceu. Comme d’habitude, alguns dos piores, como Mugabe ou Khadafi, foram as estrelas da festa e o foco das atenções mediáticas. Os ditadores regressaram a casa com o seu estatuto e prestígio reforçados, os desgraçados continuarão a tentar desgraçadamente sobreviver e os líderes europeus registarão com satisfação mais uma cimeira bem sucedida. O Darfur, o Zimbabwe, a Somália, o Chade podem esperar.


Por Bandeira in “Diário de Notícias”, 10 de Dezembro 2007


Sendo um Realista das Relações Internacionais, entendo que os Estados devem prosseguir os respectivos interesses nacionais da melhor forma possível. Isto não significa que vale tudo, mas que não podemos/devemos aplicar aos Estados nas RI os mesmos critérios morais que aplicamos aos indivíduos.

No entanto, se os Estados-Membros da União Europeia se arvoram em paladinos dos direitos humanos no mundo e fazem dessa causa uma bandeira, exige-se-lhes coerência e honestidade. Eles oferecem-nos hipocrisia. Nothing new!

P.S. Bandeira tem piada como habitualmente, e tem razão duas vezes: os Europeus não tiveram coragem para mandar Mugabe para o espaço (nem para qualquer outro sítio) e de facto havia alguns elementos perigosos em Lisboa no último fim-de-semana.

19 dezembro, 2006

Europa e África


EUROPA E ÁFRICA

Portugal tem insistido frequentemente na realização de Cimeiras Europa-África, ou melhor, UE-UA. Este ano, o Governo Português porfiou para conseguir essa realização durante o 2º semestre de 2007, durante a Presidência Portuguesa da EU. Esta semana conseguiu-o: a Cimeira terá lugar em Lisboa.

Um dos obstáculos à realização do evento foi a resistência que alguns Estados-Membros, mormente o Reino Unido, puseram à participação de Robert Mugabe, Presidente vitalício do Zimbabwe.

Aliás, a União Europeia tem uma posição comum, que terá de alterar, que veda tais convites a tal criatura. O problema é que vários países africanos não participarão se Mugabe for excluído “em nome da solidariedade entre Africanos.” (DN, 16/12/06; p. 12) Duas notas:


1- EUROPA: Lá se vai a suposta “superioridade” moral dos Europeus; para conseguir realizar uma cimeira, provavelmente inconsequente, tem de ceder aos caprichos de alguns dirigentes africanos e receber um ditador assassino, cleptocrata e racista. É claro que se se tratasse de Pinochet, Alexander Lukashenko, ou Jorg Haider, haveria um tsunami político-mediático condenando a atitude imoral dos líderes europeus. Se for Mugabe ou Fidel Castro, tudo corre bem, pertencem à turma de ditadores aceites pela intelligentsia europeia. Pior ainda, é que além de Mugabe, virá mais uma clique de ditadores mais ou menos sanguinários, mas que nem da lista negra constam.

2- ÁFRICA: “Solidariedade entre Africanos”?!? Seria verdadeiramente hilariante se não fosse tão trágico. Solidariedade entre Sudaneses? Entre Hutus e Tutsis no Ruanda e no Burundi? Entre o Ruanda e o Congo? Entre a Etiópia, a Eritreia e a Somália? Entre Marrocos e a Argélia? Entre o Uganda e a Tanzânia? Entre o Sudão e o Chade? Entre Nigerianos? Entre Liberianos? Na Serra Leoa, ou na Costa do Marfim? Entre a Guiné-Bissau e o Senegal? É claro que alguns dos “solidários” também não terão grande moral para condenar Mugabe, mas isso só vem agravar o problema.

Pelo menos que a Cimeira sirva para deixar cair a máscara de que a UE e/ou os seus Estados-Membros não praticam a Real Politik. Desde que haja interesses envolvidos, nem que seja o da mera vaidade e prestígio de organizar uma grande cimeira internacional, guarda-se os princípios na gaveta por uns dias. It’s business as usual.